Arquivo mensal para 06/07

aComparando incomparáveis

25/06/07

Três amigos que costumam freqüentar a Boca Maldita em Curitiba, têm predileção por discutir política e a atuação dos políticos atuais, sempre procurando fazer comparações com os mais antigos. Um é médico outro advogado aposentado e o terceiro jornalista, também aposentado.
Por Jamur Júnior

Gostam de lembrar dos políticos do passado que costumavam fazer campanha levando debaixo do braço um programa de obras e ações que chamavam de Plataforma de Governo, onde estavam estabelecidas as metas que o futuro governante pretendia atingir durante seu mandato. Quando eleitos dedicavam-se com afinco no cumprimento das promessas feitas em campanha. Deixar de fazer o prometido era considerado falta grave e uma desonra para qualquer homem público.
O exercício de um mandato de prefeito, governador, era acima de tudo uma grande honraria e demonstração de plena confiança da população que elegia. Qualquer falta, por menor que fosse, ganhava ares de tragédia e por isso merecia explicações com a mais absoluta transparência.
Foi um o tempo em que a dignidade do homem público era parte importante em seu programa de governo. Político entrava e saía do governo com o mesmo patrimônio, o mesmo saldo bancário, a mesma casa, o mesmo carro. Em compensação eram muitos novos amigos, milhares de admiradores e o carinho popular.
Um dos mais notáveis exemplos de homem público que exerceu sua função com a mais alta dignidade e respeito pelo cidadão foi Ney Braga. Começou como Chefe de Policia onde desempenhou suas funções com tanta capacidade que acabou sendo escolhido candidato a Prefeito de Curitiba. Elegeu-se prefeito numa campanha feita praticamente a pé , com alguns companheiros, amassando barro com o sapato surrado nas ruas da cidade, batendo palmas nas casas e pedindo votos. Foi duas vezes governador do Paraná, deputado federal, senador e duas vezes ministro. Nenhum outro homem público teve uma carreira como a de Ney Braga na história da política paranaense.
Exerceu a função pública coberto pelo carinho e atenção do povo, que o admirava por sua capacidade de realizar na administração pública, por sua postura respeitosa com relação aos  adversários e pela alta consideração por seus auxiliares. Nunca chamou atenção de um deles em público. Como muitos outros costumava lembrar de sua plataforma de governo que cumpria com responsabilidade, agregando novas obras que surgiam como prioritárias em ocasiões diversas.
Não tinha a preocupação doentia pela mídia, o marketing e a propaganda. Não se fazia de rogado quando solicitado para uma entrevista com o objetivo de esclarecer a população. Não demonstrava medo, rancor, ódio, arrogância.  Costumava prestar contas de sua administração falando anualmente numa cadeia de rádio e televisão. Mas , não ficava o mandato inteiro fazendo propaganda de seu governo ou, como fazem atualmente, anunciando obras que muitas vezes não passam de intenção para enganar os eleitores. Bem diferente dos atuais mandatários que chegam a anunciar obras inacabadas como se estivessem prontas, e outras de governos passados como se fossem de sua autoria.
No final da conversa os três amigos concluíram que se o mundo ficou melhor em muitos setores como medicina, comunicação, desenvolvimento cientifico etc, seguramente na política houve grande retrocesso. Hoje predomina a mais pura mediocridade que anda de mãos dadas com a mentira a falsidade e a corrupção.

Cesar Luiz Pasold, agora também cidadão de Imbituba-SC

24/06/07

Sócio-fundador, consultor jurídico e conselheiro do Instituto Caros Ouvintes, além de articulista voluntário do site Caros Ouvintes, o professor Cesar Luiz Pasold acaba de ser agraciado com a concessão do Título de Cidadão Honorário de Imbituba por decisão unânime da Câmara Municipal.
Da Redação

A solenidade de outorga ocorreu na noite de quinta-feira, 21/06/2007 no Imbituba Atlético Clube. Advogado e professor, Pasold destaca-se também como escritor. Entre seus principais trabalhos figuram obras nas áreas do Direito, da Saúde e da Comunicação.
Cesar Luiz Pasold, desde cedo se interessou pela comunicação social. Ainda garoto quando cursava o segundo grau foi um dos apresentadores, no final dos anos 1950, da seção A Hora Estudantil mantida por Dakir Polidoro no programa A Hora do Despertador, transmitido pela Rádio Diário da Manhã de Florianópolis.
Sendo um especialista na área tem sido analista político, durante a cobertura dos resultados de eleições, por várias oportunidades em emissoras de rádio e de televisão da Capital. Durante o ano de 2004, criou e apresentou o programa Conversando com o Professor, todos os sábados, das 20h00 às 21h00 pela Rádio comunitária Biguaçu FM.
Entre os seus quase 20 livros publicados destacamos os seguintes que abordam temas específicos de comunicação: Comunicação nas relações humanas e organizacionais. Florianópolis: Estudantil, 1987. Técnicas de Comunicação para o Operador Jurídico. Florianópolis: Diploma Legal, 2000. Personalidade e Comunicação. Florianópolis: Plus Saber, 2002.  E Metodologia da Comunicação nos Trabalhos Científicos. São José (SC): Conceito Editorial, 2007. v. 1. 120 p.
Entre os prêmios e títulos recebidos estão:
:: 2007 – Cidadão Honorário de Imbituba
:: 2005 – Medalha da Ordem Catarinense do Mérito Judiciário do Trabalho, Tribunal Regional do Trabalho – 12ª Região.
:: 2005 – Medalha Univali Biguaçu, Universidade do Vale do Itajaí – Campus Biguaçu.
:: 2002 – Medalha Professor San Tiago Dantas, Associação Nacional dos Procuradores Federais – ANPAF.
:: 2001 – Troféu Boi de Mamão, Câmara Catarinense do Livro.
:: 1998 – Honra ao Mérito pela autoria da Obra “JORGE LACERDA: UMA VIDA MUITO ESPECIAL”, Academia Catarinense de Letras.
Dos seus 12 trabalhos publicados pelo site Caros Ouvintes, destacamos estes que se relacionam com o tema comunicação. Clique no título para ler.
:: Bom dia Dakir Polidoro
:: Em memória de Darci Lopes
:: Homenagem merecida
:: Excelente iniciativa
:: Antunes Severo: uma mente especialmente dinâmica
:: O Rádio, a Televisão e a Constituição
:: 4 X 3: Graças ao rádio, o retorno ao passado
:: A resposta da Televisão e do Rádio brasileiro
:: A Comunicação Social e a Constituição Brasileira: Primeiro panorama
:: A Comunicação Social e a Constituição Brasileira: Conclusão

Manoel de Menezes parece página apagada da história

24/06/07

O leitor Elias Mafra escreve pedindo ajuda para o seu trabalho de pesquisa. “Estava tentando localizar recortes antigos do jornal A Verdade e não encontrei nada. Também nada encontrei sobre Manoel de Menezes, parece página apagada da história. Seria possível me mandar informações ou me orientar onde procurar os recortes ou parte de edições?”
Por Antunes Severo

Caro Elias: embora acompanhando o que se passa no mundo da comunicação, o foco central do Instituto Caros Ouvintes está voltado para o rádio, num prmeiro momento, e para a televisão a partir dos próximos meses. Manoel de Menezes já foi objeto de matérias e tem sido citado em diversas oportunidades nestes quase quatro anos do site www.carosouvintes.org.br . Hoje mesmo se você abrir o site e clicar em “localizar” na parte de cima da coluna da direita, a busca vai indicar 22 resultados. Vale a pena, por exemplo você ler a reportagem “Manoel de Menezes: primeiro tempo”.
Na literatura sobre comunicação, para só citar as publicações mais voltadas para a região de Florianópolis, pouco, muito pouco se diz.
:: Moacir Pereira. Imprensa & Poder. FCC Edições / Editora Lunardeli, 1992. Página 74.
:: Ricardo Medeiros. Lúcia Helena Vieira. História do Rádio em Santa Catarina. Editora Insular, 1999. Páginas 51 e 52.
:: Antunes Severo e Ricardo Medeiros. Caros Ouvintes – Os 60 anos do Rádio em Florianópolis. ACI / Insular, 2005. Páginas 11, 55, 63, 64, 74, 97, 100, 101, 102, 104, 105, 106, 107, 108.
Dos jornalistas, Raul Caldas Filho e Aldírio Simões escreveram sobre Manoel de Menezes, nos jornais O Estado e A Notícia.
Outra fonte é o livro do próprio Menezes: Retalhos do Tempo – o que vi, fiz e ouvi. Edição do Autor, 1977. Também podem ser contatados os filhos que residem em Florianópolis, particularmente o Cacau que trabalha na RBS e a Kátia de quem não estou autorizado a fornecer indicação de contato.
Agora, porém, Elias é possível que com esta lebre que você levanta outros ouvintes concorram com mais informações. 
Matéria publicada pelo site Caros Ouvintes
Primeiro tempo: Manoel de Menezes
O rádio é o único meio de comunicação social que se sustenta não pelo que transmite, mas pelo que cada ouvinte cria com sua própria imaginação. Reportagem em três tempos e quatro movimentos.
Por Antunes Severo

Manoel de Menezes, eterno

24/06/07

Esta me contou o Manoel de Menezes, pai do Cacau, grande alma do seu tempo e ainda exemplo do jornalismo de bravura e intimorato. Viveu ele no Rio de Janeiro, se me não engano na década de 50. Lá conseguiu algum dinheiro e retornou a Floripa.
Por Aderbal Machado

Disse-me primar pela elegância da época: terno de linho branco, sapato preto e branco, gravata vermelha – tudo de grife -, muita Glostora no cabelo, bigodinho bem trabalhado, perfumado sempre.
Chegando aqui, no primeiro dia, era pleno carnaval e os blocos desfilando (tempo bom do carnaval inocente e verdadeiro…) na Praça XV. Com seu conversível “rabo de peixe”, Maneca estacionou e ficou olhando o desfile. De repente, sobre um caminhão, sambando, uma morenaça de fechar o comércio. Lindíssima, lábios carnudos, coxas maravilhosas, corpo de miss.
Um tesão, na linguagem de hoje! Maneca se insinuou, ficou paquerando a gatíssima. Daqui e dali, chegou perto e começou a “alisar o material”, que só o olhava, com interesse. Foi puxando para um canto e levou para um ponto isolado. E a morena nada, nem uma palavra, só aceitando o assédio, na buena.
Chegou na hora, puxa aqui, aperta dali e a morena resistindo. Aí Maneca não resistiu:
“O que é que há, garota? Tu não queres nada e também não falas? Como é teu nome, pelo menos?” E a morena, com uma voz de tenor, grossíssima: “Meu nome é Kido”.
Era um travecão dos bons e assumido. Perguntei ao Maneca como ele se enganou. E ele, profundo: “Ô, Machado!! Como é que eu ia adivinhar, naquele tempo, que essa peça existia?”.
Publicada originalmente no blog Minha Vida, Minha Gente, Meus Lugares, Sabores e Amores, de Aderbal Machado.

Rádio Nereu Ramos – Eu faço parte dessa história – 2

24/06/07

Eu levava a vida entre meu trabalho na Fábrica de Gaitas Alfredo Hering e a Rádio Nereu Ramos no começo de 1964.Jogava futebol e futebol de salão pelo Guarani e pelo time da fábrica.
Por Edemar Annuseck

Comparecia a  rádio quase todos os dias; comecei a me enturmar com o Álvaro Correa, Ivo Sutter, Alfredo Otto, Virgilio Léo, Nelson Tófano, Jeni Lino, Luis Carlos Gutierrez, Waldir Wandall, Arno Cavilha, Waldir Weingartner, Oswaldo “Ventania” Jacobsen e principalmente com o seo Lazinho e o Osni Jacobsen, diretor de programação da Nereu – uma das vozes mais bonitas do rádio, na época -. Caminhava o ano com Guarani EC, Palmeiras EC e GE Olímpico representando Blumenau no Campeonato Catarinense. Era um campeonato longo que só veio a terminar em 1965 com o Olímpico sagrando-se campeão. Nesse meio tempo pedia ao Ivo Sutter uma chance para narrar; e ele dizia que o Lázinho é quem tinha que liberar.
Numa partida entre Guarani EC e CA São Francisco pelo estadual no campo do Guarani, trabalhei – acho que era o terceiro posto – ao lado de Evelásio Vieira, o Lazinho, o dono da rádio, que estava lá como comentarista. Eu entrava sempre no giro do placar, e quando os gols ocorriam. A partida terminou empatada em três a três.
O comando do Ivo Sutter era no jogo do Olímpico ou do Palmeiras. Mas, deu uma diferença no tempo desse jogo, e  fui chamado para narrar alguns lances. Cada vez que a bola saía pela linha de fundo, chamava a opinião do jogo – e agora a análise do jogo com o Seo Lázinho -. Era pelo respeito que tinha e sempre tive para essa figura maiúscula que transformou a Nereu numa das melhores rádios do estado, nos anos 60 e 70. Encerrada a transmissão, caminhamos em direção ao seu carro, e ao me despedir (eu morava praticamente há 400 metros do estádio) ele me disse : “filho, não me chame de Seo Lázinho, diga apenas Lázinho”. Eu agradeci e disse : “Ok ! Seo Lázinho”

Na noite de Laguna tudo podia acontecer

24/06/07

Laguna foi onde vivi cinco anos contínuos na década de 50, que valeram por uma vida inteira de fatos gratificantes, período em que dirigi a Rádio Difusora. As amizades em Laguna são como aquelas velhas heranças hereditárias: de pai pra filho. Muitos netos e filhos de amigos de cinqüenta anos atrás, hoje são os meus mais diletos amigos. É uma terra mágica, cativante, onde se rememoram os tempos idos com muito carinho e, sobretudo, respeito.
Por Agilmar Machado

O lagunense sabe brincar e, em favor dos amigos, às vezes “joga pesado”. O Grande Hotel (ficava ao lado da empresa Pinho & Cia., onde hoje funciona a Rádio Garibaldi), perto da agência dos Correios e Telégrafos. Era arrendado por Domingos Silva, missioneiro dos Sete Povos – de Palmeira das Missões -, competente contador da Navegação Lagunense e minha companhia permanente nas noites de bate-papo na mesa redonda postada defronte ao “buffet” do Clube Congresso Lagunense.
O ecônomo do clube era o grego Kotzias (um baita boa-praça… e refinado gozador). O sócio do Domingos era um lagunense nativo: Nico Camilo. O que hoje chamam de “cheff”, ele, se vivo fosse, botaria a todos no bolso. Cozinhou em navios internacionais (não precisa dizer mais nada). A roda noturna do Congresso se completava com os saudosos Alceu Medeiros, Caio Ferreira, Milton Bortoluzzi e o nosso sempre estimado Saul Ulisséia Baião. Essa era a patota permanente. Havia os itinerantes e também outro fixo que, malgrado compartilhar dos mesmos papos nossos, sempre tomava a sua “loiríssima” numa mesinha encostada na parede, o respeitável Zeca Freitas, espécie de secretário vitalício da Prefeitura e detentor de grande cultura.
Um dia veio, transferido para Laguna, Túlio (*), alto posto da esfera federal, que passou a “gravitar” em nossa mesa. Era carioca de Ramos. No hotel, acompanhava sempre o movimento do que era servido aos demais mensalistas para reclamar se algo faltasse quando chegasse a sua vez. Camilo (que saudades daquela figura) sabia que Cidinho (Adilsio do Canto), Domingos e eu, éramos chegados numa ova de tainha frita e bem sequinha. Diariamente o Nico nos brindava com três “exemplares” desse cobiçado pitéu. E, na mesa de Túlio, nada de ovas (que ele não conhecia muito bem…).
Veio o estrilo lá pelo quinto dia de observação, com carregado sotaque carioca: “Niiiico, o dinheiro de Machado e Cidinho vale maixxxxx que o meu? Por que não ganho ovaxxxx?”.
À hora da janta – Nico prometeu e cumpriu – “terás as mais bonitas que eu encontrar no mercado”.
E assim foi. À noite, antes de começar a nossa boêmia reunião diária, Nico punha sobre a mesa de Túlio três macro exemplares de ovas fritas boiando em azeite e que mostravam aspecto enorme (inchadas de gordura).
Túlio, olhando-nos de relance e com ar de mofa, agradeceu ao Nico e em poucos minutos só restava um prato engraxado…Terno panamá no lombo, sapato branco, lá foi o Túlio para peruar na nossa mesa no Congresso. Todos foram avisados do “desastre” que poderia advir, por arte do Nico. As cadeiras de vime tinham espaldar alto e assento bem arejado. Todos (inclusive Kotzias) esperavam o momento da desgraça, com o trato de ninguém rir… De repente – e não mais que de repente – Túlio disfarçadamente leva a mão direita por baixo do assento de vime, vira o rosto de lua cheia para a direita e olha seus dedos… Empalidecido, apelou ao Kotzias: “Grego, chama aí um táxi que eu preciso ir ao hotel” E o Kotzias: “Mas Túlio, acabaste de chegar”, com a maior cara-de-pau.
“Mas tá bom” e começou a falar para o Oscalino, lá no ponto único de carros de praça.
“E manda encostar aqui na porta dos fundos”, advertiu Túlio. O táxi chegou. Túlio já tinha uma poça visível debaixo da cadeira. Ao levantar, o “caldo” escorreu perna abaixo formando um risco que listava sua calça de panamá até ao calcanhar! E o risco foi até a porta do táxi do Oscalino… Não precisa dizer que Nico teve que arranjar um substituto para a cozinha do hotel por algum tempo…jurado de sacrifício extremo!!!
(*) Por motivos óbvios, seu nome verdadeiro foi omitido.

Novos rumos, novas coisas

24/06/07

1. “Novos rumos, novas coisas ao meu redor
Novos caminhos, mil destinos e um novo amor
Novas chances, posições, novos beijos
Novos planos, novos crimes perfeitos
Novas paisagens de um novo começo de um louco amor…
Por Elóy Simões

Novas manias, altas contas de telefone
Novos amigos, nova turma de novos amigos em comum
Novos sonhos, novos horizontes
Novos porres, novos outros ciúmes
Novos reflexos de um amor recheado de novas saudades
No meu mundo só existe você
Que não me deixa esquecer
De suas unhas arranhando minhas costas
Enquanto os gelos derretem
Sorri e acende um novo cigarro.
2. O rádio, esse eterno Phenix, está às vésperas de uma nova onda: de um lado, o rádio digital. De outro, o rádio público. Ambos, destinados a influenciar a forma como esse meio atua hoje.
Vamos por partes.
3. A contrário do que ocorre com a televisão digital, motivo de longas e às vezes profundas discussões, do rádio digital pouco se fala. E como se fala pouco, socorro-me de um expert, o Ethevaldo Siqueira, do jornal O Estado de S. Paulo.
Na edição de 10 deste junho, ele afirma, entre outras coisas:
Por que digitalizar o rádio? Por muitas razões, mas principalmente porque esse avanço tecnológico melhora a qualidade das recepções, possibilita a convergência com outros meios e tecnologias, abre perspectivas de interatividade, de maior estabilidade nas transmissões, de economia de espectro de freqüências e de incontáveis aplicações.
Concretizar esse projeto, no entanto, tem sido um dos maiores desafios de todos os países que se decidiram a digitalizar sua radiodifusão sonora. O Brasil está, em princípio, aberto a testes com todos os padrões disponíveis no mundo.
Ethevaldo destaca dois padrões, favoritos em princípio: o norte-americano Iboc (In Bando n Channel) e o europeu DRM (Digital Radio Mondiale), cada um com suas vantagens e desvantagens. E informa que possui equipamento que lhe permite experimentar os dois.
Sobre o funcionamento dos sistemas, conta a experiência que vive com os equipamentos que possui:
Comecemos pelo pior caso, que é o das transmissões AM. Na expressão de um técnico, “a qualidade do rádio digital é ótima, desde que funcione”. Na verdade, ele funciona de modo razoável apenas durante algumas horas por dia, vencendo com dificuldade os problemas de poluição radioelétrica que dominam a Grande S. Paulo. São motores elétricos, 6 milhões de veículos, indústrias, 7 milhões de celulares, emissoras de alta potência e 15 mil rádios piratas. 
Nas transmissões FM, enfrento outro problema desconfortável: a alternância de sintonia entre os sinais digital e analógico, tendo de ouvir a transmissão digital com atraso (delay) de 8 segundos, o que causa a repetição e o corte de trechos da informação, seja música ou notícia, em pontos de sombra da Grande S. Paulo.”
E eu? O que penso?
Penso que quero saber mais. Que as entidades que lideram o setor precisam colocar a discussão desse assunto na ordem do dia.
4. E aí veio o governo e anunciou, no 24º. Congresso da Abert, que está trabalhando firma na instalação da rede pública de rádio.
O que eu penso disso?
Uma enorme preocupação.
De um lado o governo, parlamentares e algumas autoridades, critica fortemente a atuação dos meios de comunicação,  “claramente oposicionistas”, disse outro dia José Dirceu. E o presidente da República diz que considera normal o governo Chavez ter cancelado a autorização para a principal emissora de TV da Venezuela atuar: “o governo dá, o governo tira”, disse textualmente. Para mim, uma ameaça. sutil, mas ameaça. Tipo: comportem-se, porque posso fazer a mesma coisa.
5. Novos tempos, novos rumos, como diz Landau, na canção que compôs e cuja letra reproduzi aí no começo desta conversa fiada. Resta, ao setor, toma-lo rapidamente nas mãos, antes que seja tarde demais.
Quem sabe nesses novos tempos venha aí uma nova Rádio Nacional do Rio de Janeiro, com todo aquele esplendor. Ou… não quero nem pensar nisso.

Podcast é YouTube sonoro

24/06/07

Vice-presidente de criação da Talent, o publicitário João Livi representou o mercado brasileiro no Radio Lions 2007. Veja os principais trechos da sua entrevista ao PropMark.
Por Paulo Macedo

Radio Lions
“Voltar a ver o mercado quente, ser referência de novo, mas com códigos muito diferentes do que a gente andou usando.”
Brasil
“Do ponto de vista de premiação brasileira em rádio, perdemos um pouco da competitividade pois a categoria aumentou quase 30%, e o Brasil cresceu 9%. Conto com a qualidade das peças para sair de lá sem ser linchado.”
Podcast
“Taí, o podcast é um YouTube sonoro. É o YouRádio. Acho que vai ser cada vez mais importante, e vai trazer da rádio convencional alguns modelos de programação e comercialização, apesar de ser bem diferente. E o rádio vai evoluir barbaramente para competir com essa ferramenta, assim como a TV está evoluindo rápido, as revistas e jornais também. Nos próximos anos, tudo isso vai conviver e se estimular multilateralmente. Ou seja. Ninguém morre, pelo menos por enquanto. O que aumenta barbaramente é a exposição e o interesse das pessoas por conteúdo.”
Meio rádio
“O meio rádio está que nem o mandamento bíblico: cresceu e multiplicou-se. Com as rádios na internet, com as redes de rádio, com o rádio digital, com a inclusão do rádio no Festival de Cannes, o meio ganhou uma importância que estava adormecida. É um meio extremamente afeito aos criativos, onde o humor é muito bem-vindo, facilmente segmentável por público e região. Faltava o intercâmbio, e agora o temos, graças ao festival. Com essa troca de parâmetros e possibilidades, o meio rádio vai ganhar mais brilho.”
Criar para rádio
“O rádio é um som de um filme que cada um faz do seu jeito. Isso é que é bonito. Você vê o ator que você quer, com a roupa que você quer, na sala que você quer, com a cara que você quer. É o meio mais customizado que existe, e talvez por isso mesmo o meio com maior aprovação. Pra mim, as empresas que insistem em fazer o abominável pré-teste deveriam fazê-lo só com som do filme, e não com aqueles ridículos animatics que causam uma tremenda rejeição já no primeiro impacto visual.”
O que falta ao rádio?
“As rádios têm melhorado em tecnologia, inovação, programação, logística, modelo comercial etc. Falta (desculpem a piada) uma visibilidade maior, trabalho que a Bel Borba fez muito bem quando estava na Eldorado, e que deve continuar com mais e mais impacto e constância. Como diz o Júlio Ribeiro, a roda que mais chia recebe graxa primeiro, e o rádio precisa cacarejar suas evoluções. Não apenas cacarejar, mas cacarejar o que tem mudado e feito do rádio uma mídia tão interessante hoje.”
Produção
“De maneira geral, o nível é bom. Gostaria muito que as produtoras tivessem mais tempo, principalmente mais tempo para achar os pontos certos das produções. Às vezes você recebe um spot que não é um spot, é só a primeira idéia do que seria aquele spot. E isso é frustrante. Sabemos até por que aconteceu, mas acho que deve estar no espírito das produtoras não apenas fazer, não apenas entregar. Mas fazer um sucesso, fazer uma coisa que bata no rádio e conquiste o País.”
Formatos
“Todo formato é válido. Todos os que existem e todos os que ainda vão existir. Só de vez em quando alguém inventa um formato novo, e por isso todos os jeitos são armas que você deve sacar dependendo do duelo que vai fazer. Ainda gosto mais, por gosto pessoal mesmo, de humor de situação, e de música, principalmente quando elas também adquirem uma leitura de humor.”

Sylvio Bittencourt

24/06/07

Na matéria que publica esta semana o mano Aderbal lembra um nome que representou uma das grandes amizades desfrutadas por mim: Sylvio Bittencourt. Nascido em berço modesto (filho do temido Cabo João), ele jurou vencer e dar uma vida das melhores possíveis à sua mãe (descendente de uma numerosa prole – a dona Zé Clarinda, de Araranguá).
Por Agilmar Machado

Depois de uns tempos variando entre o rádio (Eldorado de Criciúma), a poesia, o palco e o canto, resolveu respirar os ares da Cidade Maravilhosa (hoje nem tão maravilhosa assim…), Rio de Janeiro. Saiu à escoteira: roupa do corpo, mais umas mudas numa pequena mala e a inabalável vontade de vencer.
Depois de comer o pão-que-o-diabo-amassou na então Capital Federal, conheceu (por acaso, na praia) Neném, uma senhora de privilegiada posição social que com ele simpatizou e passaram a ser bons companheiros. “Sétimo Céu”, uma revista famosa de telenovelas apresentou uma de suas histórias com o Sylvio; depois, um pequeno “bico” num filme brasileiro.
Sua meta vinha, aos poucos, sendo alcançada: poder voltar à sua terra vitorioso. E assim foi. Atleta em que havia se convertido, Sylvio chamava a atenção pelo seu porte particularmente belo e portador de uma simpatia que a todos contagiava. Teve seu declínio relativo, possivelmente gerado pelos excessos que praticava. Mas manteve sempre uma linha de absoluta independência. Seus últimos dias eu acompanhei. Já não era mais o atleta que surfava na lagoa com a vitalidade de um campeão…
Combalido, ainda ofereceu um jantar de aniversário em seu restaurante no seu Campestre Iate Clube. Foi a última festa da qual não participei, malgrado ter ele solicitado – encarecidamente – a uma amiga comum que não deixasse de me avisar e transmitir o seu convite, pois minha presença era imprescindível. Ela esqueceu…
Pouco depois, Sylvio fazia sua derradeira viagem… E não tive a oportunidade de vê-lo pela última vez.

Antena Estácio transmite TCC ao vivo

24/06/07

A Rádio Antena Estácio (www.antenaestacio.com.br), ligada à Faculdade Estácio de Sa de Santa Catarina, faz nesta quarta-feira (27/06) a sua primeira transmissão ao vivo de Trabalho de Conclusão de Curso, TCC.
Por Ricardo Medeiros

 A partir das 19 horas os internautas poderão acompanhar a defesa do documentário de rádio “Avaí 1988: uma conquista inesquecível”, dos alunos de jornalismo Felipe Koerich e Gabriel Garcia. O trabalho é comemorativo aos 20 anos da conquista do campeonato catarinense pela equipe de futebol de Florianópolis.
O programa apresentará dados históricos, momentos marcantes e trechos da transmissão do jogo decisivo contra o Blumenau, pela penúltima rodada da competição.
As fontes foram os jogadores, a comissão técnica e os dirigentes responsáveis pela conquista, além de profissionais da imprensa e torcedores. A orientação do TCC é do professor Ricardo Medeiros, que irá analisar o trabalho na banca juntamente com Paulo Scarduelli e Regina Zandomênico.

Rochinha e o trabalho em equipe

24/06/07

A Secretaria Estadual da Educação funcionava ainda em um prédio numa das várias ruas que ligam a Mauá com a Júlio de Castilhos, perto da Estação Rodoviária, no centro de Porto Alegre. Naquela manhã dos anos 80, terminei a reportagem para a Rádio Gaúcha e, pelo telefone emprestado na assessoria de imprensa, passei o material para a redação. Por Luiz Artur Ferraretto Leia mais…

Memórias do Rádio – 02

24/06/07

O programa Palhinha Filmando a Rodada
Era antes da segunda sessão do cinema, lá em Atibaia. Década de 50, 60. Das 8h às 8h30  da  noite. Época sem as imagens das TV. Só as vozes do narrador, dos repórteres de campo (irradiavam os escanteios), do comentarista.
Por João Chamadoira

Alguém se lembra, pertenceu à geração do Pedro Luiz (narrador), do Mário Morais (comentarista), Otávio Muniz, Salem Júnior, Aníbal Fonseca, Antônio Euclides…? E o som da torcida…
Pois é… O jogo principal da rodada, geralmente no Pacaembu. Não havia ainda o Morumbi.
E a gente vibrava com a gravação  dos principais lances no programa apresentado então pelo Estêvão Burroughs Sangirardi. O homem que criou o humor nas transmissões esportivas; que lançou o Show de Rádio, com  Serginho Leite, o Escova…
E o Sangirardi fazendo suspense…
“Eram 15 minutos do segundo tempo. O Corinthians atacava. Cláudio e Luizinho faziam misérias, ali pela  ponta e meia direita e cruzavam para Baltazar, o “Cabecinha de ouro”. Uma cabeçada, a bola foi na trave… A torcida incentivava até que…”
Bom, e aí vinha a gravação do gol.
Narrado o gol, a frase famosa do Sangirardi: “Baltazar, mercadoria corinthiana nas redes palmeirenses” .
As narrações na voz inconfundível do saudoso Pedro Luiz. Quem ouvir a gravação do jogo Brasil x Uruguai, em 16 de julho de 1950, vai ouvir, conhecer ou lembrar-se de sua voz.
Hoje seu filho (ou neto?) solta a voz pela Gazeta -  Pedro Luiz também.
Esse programa, Palhinha Filmando a Rodada, foi o pontapé inicial dos famosos “Lances principais” que os programas de  esportes da televisão apresentam hoje nas noites de domingo.
E no fim do programa, o Sangirardi:
“E, num oferecimento de Palhinha, o conhaque das multidões, a Rádio Panamericana, a emissora dos esportes,  apresentou PALHINHA FILMANDO A RODADA.
Um programa Estêvão Burrough Sangirardi, para o Rádio”

No futuro pouca gente vai ouvir rádio no rádio

20/06/07

Nesse mundo progressivamente habitado por nativos digitais, sedentos por conteúdo personalizado, em permanente movimento e equipados com aparelhinhos cada vez mais incrementados, o velho e bom rádio ainda tem lugar no universo da comunicação?
Luiz Alberto Marinho/BlueBus

Para Mark Story, diretor de marketing do grupo de mídia Emap e responsável pela segunda palestra ontem (18/06) aqui no Festival de Cannes, a resposta é sim. A principal diferença, porém, é que cada vez menos pessoas escutarão rádio nos aparelhos de rádio. Computadores conectados à internet, iPods, celulares e até televisores serão os principais responsáveis pela distribuição do conteúdo produzido pelas emissoras.
Para defender sua tese, Story apresentou alguns dados do mercado inglês – 41% dos adultos têm o hábito de ouvir rádio na TV, já chega a 8% o percentual dessa gente que escuta rádio pelo telefone celular – e ainda, o total de ouvintes que curte rádio pela internet pelo menos uma vez por semana está próximo dos 14%.
Esse é mais um capítulo daquela mesma velha historia – qual o negócio das empresas de comunicação? Ser veículo ou produtor de conteúdo? Para o diretor do Emap a resposta é óbvia. “As rádios estão no negócio de entretenimento e informação” – garante. Nesse cenário, o iPod não seria um inimigo e sim um valioso aliado – “O iPod permite que a programação de rádio espere até o momento em que o ouvinte queira acessá-la” – ensinou Story.
Resumo da ópera – ou a comunicação tradicional se adapta às novas realidades digitais, ou estará condenada a obsolescência.

Memórias do Rádio – 01

18/06/07

Rádio e adolescência, em mim, se misturam.  Da Tarde musical Eldorado ao Telefone pedindo bis. Da Terra da boa esperança do Francisco Alves ao Chega de saudade do João Gilberto, passando pelo Tomo banho de lua, da Cely Campelo.
Por João Chamadoira

Da festa do Programa César de alencar (antes, claro, do dedo-durismo dele a serviço dos miliatares) à reflexão das crônicas lidas por Paulo Autran e Walter Forster.
Das vozes inesquecíveis da Silvinha Teles (Eu sei que te amar…); da Dolores Duran (Hoje eu a rosa mais linda que houver…), da pequenina meio desafinada, mas afinada e sensível voz da Nara Leão, Podem me bater, podem me prender…; do João Gilberto e Não, Não chega de saudade – viva a saudade; Carlinhos Lyra e do Lobo bobo; do Edu Lobo e o Upa, Neguinho na Estrada; da Alaíde Costa e o Hoje a noite não tem luar…
Isso sem falar das coisas do esporte. Mas isso fica para outra vez.

Recado do Severo

17/06/07

Estamos implantando uma nova proposta aqui nos Caros Ouvintes. A “áudio-coluna” de Emilio Cerri, marqueteiro, publicitário, mentor e palestrante. Mas que nunca deixou de ser um radialista que começou carreira ao microfone da extinta Rádio Anita Garibaldi há mais de 40 anos.
Por Antunes Severo

O “Spot de 60, formato de propaganda consagrado no rádio, vai tratar de temas variados, com uma certa tendência à informação e análise das transformações na mídia digital. De fato, vai ser um “podcasting” com freqüência semanal (pelo menos existe a promessa), com comentários do Emilio e de seus convidados.
Sim, porque ele vai convidar veteranos da mídia, da propaganda e do mercado – e até alguns caros ouvintes – para registrarem aqui seus depoimentos. As únicas condições são: o tempo não deverá ultrapassar (muito) os 60 segundos e todos os convidados serão de 60 anos ou mais. Espero que você goste da idéia. Eu gostei muito.
Clique abaixo e ouça o comentário de estréia:

:: O áudio ameaça a civilização ocidental

 
 
         
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