Arquivo mensal para 03/07

A ALMA DO NEGÓCIO

26/03/07

Na década de sessenta o conceito dos publicitários não era dos melhores. Grande parte dos comerciantes entendia que publicidade era um gasto desnecessário que atendia somente o interesse “desses corretores de anúncios” que alguns chamavam de picaretas.
Por Jamur Júnior

Para eles a melhor propaganda era feita de boca em boca. Os profissionais que atuavam na prospecção de novos clientes eram freqüentemente mal recebidos e  muitas vezes nem recebidos eram. Gino era um destes. Amante da musica erudita, era cantor nas horas vagas. Tenor e dos bons. Nos finais de semana participava de apresentações publicas, cantava no rádio e em alguns programas de televisão.
Cantava muito e ganhava pouco. Para se manter exercia a atividade de publicitário. Falava bem, conhecia o assunto e sabia como poucos conquistar um cliente com simpatia e bons argumentos. Durante algum tempo vendeu publicidade para a Rádio Colombo de Curitiba. Depois de passar por uma serie de outros veículos resolveu montar sua agencia de publicidade. Uma empresa individual que na época chamavam de “Agencia de Sovaco”. Uma pasta embaixo do braço, sem escritório, funcionários e apenas um telefone, quase sempre o da residência para alguns contatos iniciais e receber recados.
Nos meios publicitários, especialmente entre  os proprietários de empresas maiores, melhor organizadas, os publicitários que operavam com suas ” Agencias de Sovaco”  eram chamados de “Picaretas” . Muitos desses chamados “picaretas” tiveram grande sucesso na atividade publicitária criando agência de bom porte, bem estruturadas  e invejável credibilidade no mercado.
Certa ocasião foi a Rio Negro na divisa com Santa Catarina, tentar a conquista da conta de uma pequena industria local. Chegou cedo à cidade e foi direto para tentar uma entrevista com o diretor proprietário, um alemão de poucas palavras, nenhum simpatia e mal humorado. Gino entrou na empresa, perguntou por “Seo” Heinz.
- Esta lá pelo fundo – informou um funcionário com cara de poucos amigos.
    
Depois de caminhar por um longo corredor encontrou “Seo” Heinz, embaixo de um carro, sujo de graxa e o rosto muito vermelho no meio de manchas de óleo. 
- Eu sou o Gino, o publicitário de Curitiba que telefonou avisando que estaria aqui para um contato. Depois de ouvir o pequeno discurso, Heinz levantou , limpou as mãos sujas, olhou para o publicitário e pronunciou com carregado sotaque alemão uma frase que encerrou a visita.
-Quer dizer que a senhor é propagandista, não? Então estou diante de um picarrrretas, não?
 


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FUTEBOL E SNOOKER

26/03/07

No período em que eu ainda não era funcionário da Rádio Nereu Ramos, no começo de 1964, disputava-se a primeira fase do Campeonato Catarinense. Numa tarde de  domingo o Palmeiras de Blumenau foi jogar em São João Batista contra o Usati Social e Esportivo, que era time da Usina de Açúcar Usati.
Por Edemar Annuseck

Como lá só existia uma linha de transmissão, o Ivo Sutter que já tinha passado pela emissora da cidade,  acertou com o Jener Reinert a transmissão da partida pela Rádio Clube de São João Batista, com a Rádio Nereu Ramos recebendo o som.
A transmissão foi do próprio Ivo Sutter, comentários do Álvaro Correa. Eu fiquei em Brusque juntamente com o Oswaldo “Ventania” Jacobsen, chefe de operações externas da rádio. Nos instalamos na saída de Brusque para São João Batista, num Bar e Restaurante.  Naquele local havia um telefone, coisa rara na época. 
O “Ventania” instalou um rádio receptor de grande potência e captou o som da Rádio Clube de São João Batista. Conectado pelo telefone do estabelecimento, foi enviado para os estúdios da Nereu em Blumenau. Montado o esquema, colocamos no ar a transmissão de Usati e Palmeiras. Eu informava do local  tudo sobre o  clássico Carlos Renaux e Paisandu, que estava acontecendo em Brusque. Foi uma festa. Enquanto rolava a transmissão jogávamos snooker e no giro do placar ou quando os gols aconteciam no clássico brusquense, eu informava, como se estivesse no estádio Augusto Bauer. Assim eram superadas as dificuldades do rádio nos anos 60.


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RÁDIO DIÁRIO DA MANHÃ FAZ DEMONSTRAÇÃO DE TV EM FLORIANÓPOLIS

26/03/07

Numa noite tranqüila de primavera, sem anúncios prévios Chiquito Mascarenhas, o diretor artístico da Rádio Diário da Manhã surpreende os habitues do footing da Praça XV e os ouvintes dos 1010 quilociclos da emissora com um programa de televisão transmitido ao vivo e em preto e branco, porque as cores ainda não existiam para a TV.
 Por Antunes Severo

As primeiras imagens de TV em Florianópolis, e portanto em Santa Catarina, foram geradas em 1956, durante uma demonstração em circuito fechado transmitida do auditório da Rádio Diário da Manhã.
O fato me foi narrado por Sandro Mascarenhas em entrevista gravada em 28 de março de 2003 quando fazia pesquisa para o livro Caros Ouvintes – Os 60 anos do Rádio em Florianópolis, publicado em 2005 com a parceria de Ricardo Medeiros. Sandro é filho do então diretor da emissora, Francisco Mascarenhas, e, à época era técnico de som (o que hoje se chama de operador de áudio) da emissora. Entretanto, como o objetivo da pesquisa não era a televisão, confesso que deixei o assunto meio de lado.
Quando no final de 2005 comecei a pesquisar para outro livro – TV Catarina, a menina dos seus olhos, ainda não publicado – resolvi voltar ao assunto. Passei a buscar depoimentos de colegas que trabalhavam na Rádio Diário da Manhã na época referida pelo Sandro. Ele mencionara que a demonstração de televisão havia sido feita no início de 1956 e eu ainda não estava em Florianópolis. Eu aportei na Ilha somente em novembro de 1956.
Entre os entrevistados obtive informações afirmativas de Carminatti Júnior, Fernando Linhares da Silva e Augusto Mello. Carminatti confirmou haver participado como um dos locutores do programa transmitido. Fernando Linhares da Silva, além de confirmar lembrou da participação de Humberto Fernandes Mendonça, outro locutor da emissora.
E Augusto Mello, que era sonoplasta (operador de áudio com maior qualificação), completou o quadro descrevendo parte do equipamento utilizado na transmissão.
Como tudo aconteceu
Não obstante o ineditismo da iniciativa, tudo foi muito simples. O espetáculo era uma audição rotineira dos programas musicais de auditório que contou com o reforço de cantores do elenco da TV Tupi de São Paulo. A apresentação foi comandada por Francisco (Chiquito) Mascarenhas com locução comercial de Carminatti Júnior e Nívea Marques Nunes e a participação da orquestra e cantores do elenco fixo da emissora.
Os monitores foram instalados na marquise do prédio sede da rádio, no primeiro andar do número 11, da praça XV de Novembro, também sede do Banco INCO das famílias Bornhausen e Miranda Lins.
A iniciativa de Francisco Mascarenhas, primeiro diretor da Rádio Diário da Manhã, associada a outros investimentos feitos em programação e tecnologia de transmissão é um dos fatores que levaram a RDM à liderança do rádio local e o destaque que obteve no rádio brasileiro através das transmissões em ondas curtas nas décadas de 1950 e de 1960.
::  Trecho da Entrevista de Sandro Mascarenhas


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UMA VITÓRIA DOS RADIOUVINTES

26/03/07

Foi aprovada pela Câmara Municipal de Fortaleza a lei nº 9.165, que institui neste município o Dia do Ouvinte do Rádio, que será comemorado a 21 de Setembro.
Por Por Francisco Djacyr Silva de Souza
Ondas do Rádio – ISSN 1519-7670 – ANO 11 – Nº 425 – 20/3/2007

Tal data tem uma significação política de grande importância, pois estará prestando uma justa homenagem àqueles que dão vida e vez a um meio de comunicação tão combalido, mas que resiste ao turbilhão das incompreensões práticas que não fazem parte dos verdadeiros objetivos da comunicação. O ouvinte de rádio tem seu valor, pois sem ele não haveria razão de ser de qualquer tipo de emissão radiofônica.
Os ouvintes devem ser valorizados e respeitados não apenas com um dia comemorativo, mas com uma programação que valorize os ideais éticos, a construção da cidadania e a busca de um mundo de justiça social para todos, indistintamente. Os ouvintes têm grande importância a partir de sua interação com os que fazem o rádio, pois os meios de comunicação precisam ouvir o que seus usuários para levar em frente sua missão de construção de uma sociedade justa.
UMA NOVA ORDEM
A data em questão abre uma esperança de que os proprietários, diretores e radialistas conquistem espaços para que o ouvinte possa dizer o que pensa da programação e mudá-la de acordo com seu pensamento, e não o de interesses políticos e econômicos.
A partir da compreensão de que o rádio precisa do ouvinte, achamos válida sua manifestação e valorização, pois muitas vezes ele é desrespeitado através de programas de piadas sem graça, maledicências e uso político. A data em questão abre um debate firme que resultará numa nova relação entre a população e um meio de comunicação que resiste a todas as formas de incompreensão.
O cerne da questão é este: o Dia do Ouvinte está aí e sabemos que possibilitará uma nova ordem no meio radiofônico, pois os ouvintes agora têm vez , voz e dia. Não serão mais conhecidos como “malas” ou outros apelidos pejorativos; serão ouvintes que merecem respeito e têm de ser atendidos para que o rádio seja melhor e mais cidadão.
PS: O Dia do Ouvinte foi criado através do projeto de lei de autoria do vereador e atual deputado estadual Ferreira Aragão, radialista e advogado.
(*) Francisco Djacyr  Silva de Souza – Presidente da Associação de Ouvintes de Rádio do Ceará – Aouvir/CE


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MINICOM CONCLUI, EM JUNHO, O ESTUDO DA RÁDIO DIGITAL

26/03/07

Até o dia 14 de abril, as diversas entidades envolvidas com a rádio digital vão indicar os representantes para o Conselho Consultivo da Rádio Digital que vai apresentar uma proposta para ser levada à apreciação da Casa Civil.
Redação, Tele Síntese – 21/03/2007

O Minicom realizou reunião preparatória para tratar da elaboração desse conselho, com a presença de representantes dos Ministérios do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, da Cultura, da Educação, Ciência e Tecnologia, Agência Nacional de Telecomunicações, do Conselho de Comunicação Social do Congresso Nacional, de empresas do setor e de associações ligadas ao setor de rádios (comunitárias, acadêmicas e particulares).   
O Conselho Consultivo da Rádio Digital terá 60 dias, prorrogáveis por mais 30, de prazo para discutir e avaliar qual o melhor modelo para ser adotado no Brasil. Costa acredita que no fim do mês de junho a Casa Civil vai ter em mãos esse projeto. O ministro deixou claro que a deliberação do Minicom é para que as rádios tenham liberdade para testar qualquer sistema disponível, para depois dizerem qual é o melhor. Ele acredita que, provavelmente, até o começo do ano que vem, o rádio digital vai estar funcionando no país.
 
“Nós já temos 16 emissoras de rádios brasileiras testando os sistemas americano e europeu, e a cidade de São Paulo foi o ambiente escolhido para esse teste”. Ele explicou que o sistema americano tem a vantagem de funcionar nos aparelhos já existentes, de forma analógica e, ao mesmo tempo, pode receber o sistema digital, e atende a emissoras de FM, AM e ondas curtas. Apesar disso, Costa disse que o Minicom não tem preferência, mas vai escolher o modelo que possa permitir a transferência de tecnologia, além de levar em conta o impacto econômico que essa mudança pode trazer.
TV DO EXECUTIVO
Hélio Costa declarou ainda que estão confundindo e tirando conclusões equivocadas sobre suas declarações da semana passada, quando anunciou a criação da TV do Executivo. “O que eu disse, é que existem os meios técnicos para que se faça uma TV pública, canais públicos, sem entrar no mérito do conteúdo, e a Radiobrás poderia ser a base da proposta que o governo está fazendo”.  Como formas de financiamento de uma TV pública ele sugere que pode ser feito algo similar às PPPs (Parcerias Público Privadas), ou então, poderia ser dada isenção fiscal para empresas que investissem nessa área. Costa frisou que essas são algumas idéias para viabilizar a TV pública no país.
Participe do e-Fórum enviando sugestões de pautas, informes, notas, eventos para a agenda e críticas. Escreva para imprensa@fndc.org.br.
 
Secretaria: HIGS-707, Bloco R – Casa 54 – 70351-718 – Brasília-DF – Fones: (61) 244.0650 / 244.0531 – Fax: (61) 242.6616 secretaria@fndc.org.br


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CHEGA DE GRITO!

26/03/07

1. Gritar, gritar / Nós queremos gritar / Irritar, irritar / Nós vamos te irritar / Já que somos irritantes /  Se preparem, pra escutar / Ninguém manda na gente / Vamos te incomodar / Daqui ninguém nos tira / Se tirar vamos voltar / Gritinhos ardidinhos / Vão ter que aturar… /     Gritar, gritar / Nós queremos gritar / Irritar, irritar / Nós vamos te irritar / Menininhas nojentinhas / Nos dão motivo pra gritar /  Com vozes desafinadas / 3 acordes, vamos lá / Punk rock de calcinha / Saias, frangas de franjinhas / Gritando e irritando / 1, 2 , 3 , 4 e começando… / Gritar, gritar / Nós queremos gritar / Irritar, irritar / Nós vamos te irritar / Lá lá lá , lá lá lá lá lá lá….
Por Elóy Simões

2. Virou moda: agora, os anunciantes, um atrás do outro, entram aos berros na casa da gente. Cada um tentando gritar mais alto do que o concorrente.
Estão se esquecendo de uma coisa: quando ligamos a televisão, queremos entretenimento. Não gritos – no máximo, os do Faustão. Quando sintonizamos uma emissora, estamos atrás de música, de notícia ou de um programa divertido, descontraído, criativo – este, convenhamos, coisa rara, infelizmente. Aí, o anunciante se intromete na programação para mandar a  mensagem de venda.  Duvido que ele goste que alguém entre em sua casa aos berros.
Pois é exatamente o que fazem, com uma freqüência crescente.
3. Se não, não vende, alguns vão dizer. E o nosso negócio é vender.
4. Canso de ouvir isso, mas não aceito. O grito não vende coisa nenhuma. Só irrita.O que vende é a oferta, o preço. No mais, do jeito que estão fazendo, só irritam a audiência e – pior, ainda – mandam a marca para as cucunhas.
O pior é que poucos percebem isso. A maioria não aceita a opinião da agência de publicidade– quando a tem. E continua errando, baseada nos resultados do passado.
5. Gente, estamos no século XXI. Na segunda metade da primeira década. O mundo, o mercado, o consumidor, os próprios meios de comunicação, mudam todo dia. No entanto,  essa algazarra que vocês fazem continua a mesma do século passado. Criando um excesso de ruídos.
6. Proponho uma aposta: aposto que uma campanha inteligente, criativa, sem gritos, vende mais do que essa coisa horrível e desrespeitosa que está sendo veiculada agora.  E que quem topar a aposta – se houver alguém suficientemente corajoso – faça, agora, uma pesquisa sobre o valor da imagem da empresa. E a repita depois  da campanha ser veiculada. Vai ver o tamanho do estrago.
Se quiserem irritar, como destaca a música do Bisk8, vão em frente.
No entanto, se o negócio for vender mais, com inteligência, com criatividade, com respeito ao consumidor, construindo valor para a marca, libertando-se da escravidão do preço, parem com os gritos. Contratem uma agência de publicidade realmente profissional, deixem-na trabalhar, e corram pro abraço.


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O RÁDIO PODE VOLTAR A SER CISNE?

26/03/07

O publicitário paulista Agliberto Cerqueira publicou em 2006 o livro O quá quá quá do Cisne Preto – um passeio ao som do rádio. Trata-se, na verdade, de uma espécie de hino de amor ao Rádio.
Por Chico Socorro

Livro raro, embora despretensioso, prefaciado pelo papa do Marketing Promocional, João De Simoni. Um livro de histórias de criança e juventude do autor em que o rádio é o protagonista.  Escolhi para ser o foco deste artigo a história que abre o livro e que inspirou seu título: Patinho Feio, E.T. e Diadorim.
Antes de entrar no tema central do artigo de hoje, vale a pena comentar um neologismo criado pelo Agliberto e que está na orelha do livro dele.
Refiro-me ao termo Ouvidiosom que, segundo o Agliberto, resume, em sua essência, todos os formatos de áudio e som que ouvimos. Um verdadeiro Festival do Áudio, certo Dom Emílio Cerri? O criador da palavra Ouvidiosom nos informa que quando se precisa definir o emissor do som, o que vêm naturalmente à cabeça das pessoas é o “velho” Rádio, uma imagem invariavelmente associado à coisa antiga.
Já Ouvidiosom, esclarece o nosso Agliberto, “são todos os sons que podem ser captados pelos nossos ouvidos, sejam eles pelo rádio tradicional, pelo áudio na TV, por Web Rádio, pelo celular. No MP3, MP4, no Ipod, por um Podcasting e outros nanoaparelhos que vão surgir em breve. O Rádio agora é tudo isso”. A convergência do áudio agora é Ouvidiosom [grifo nosso].

Bem vamos entrar logo no “causo” que prometi abordar, pois o comentário ficou longo demais…
A primeira parte da história Patinho Feio, E.T. e Diadorim pode ser resumida no fato de que o Rádio, que já foi o principal veículo de comunicação no período que vai dos anos trinta até metade dos anos cinqüenta do século 20 perdeu o seu reinado para a Televisão, até virar o Patinho Feio das mídias existentes hoje. Essa parte, já foi objeto de inúmeros artigos deste articulista.
O Rádio hoje, na distribuição do bolo publicitário, está à frente apenas da TV a cabo e da Internet. A Internet, como é de amplo conhecimento, cresce muito acima da média do crescimento dos outros meios e poderá ultrapassar o Rádio em volume de investimento publicitário nos próximos anos. Isso, caso o Rádio – grande parte das emissoras -, permaneça numa atitude passiva e não invista o suficiente em modernização tecnológica (digitalização), na profissionalização e, principalmente, em novos conteúdos. Essa é uma face da questão. A outra face, tão importante quanto a primeira, é a valorização do rádio através de eventos que promovam o Rádio como Mídia. Uma área que o Instituto Caros Ouvintes vem trabalhando já há algum tempo.
Mas, o que de fato desejamos abordar aqui é a crença do Agliberto, que, aliás, é também daqueles que fazem o site Caros Ouvintes, de que o Rádio tem um enorme espaço potencial para crescer. Inúmeras possibilidades de conteúdos novos estão sendo desenvolvidas. Outro fato é que muitos dos profissionais que atuam nas agências de Publicidade e nas Empresas anunciantes ainda olham com desdém o Rádio como Mídia publicitária, sem perceber o seu valor e eficácia.
Agliberto encontrou uma maneira metafórica inteligente de chamar a atenção para a importância do Patinho Feio usando o recurso de duas criações geniais: o personagem ET de Spielberg e Diadorim, o personagem do romance Grande Sertão: Veredas de João Guimarães Rosa. Diadorim, como todos sabem, foi consagrado na mini-série exibida pela TV Globo em 1985 pela belíssima atriz de olhos verdes reluzentes Bruna Lombardi, o cisne que o jagunço Riobaldo só descobriu quando já era tarde demais.
A seguir, numa espécie de homenagem ao Agliberto, vamos reproduzir alguns trechos do capítulo do livro que ele chamou de Patinho Feio, E.T e Diadorim.
“Eu mesmo num dos meus textos criei uma analogia entre o E.T. de Spielberg com o Rádio. Você se lembra dele: cabeça enorme, olhos grandes, enrugado, feio. Imagine-se cara a cara com aquele extraterrestre no meio do mato numa noite escura. A primeira reação é correr e depois perguntar. É assim que eu penso que algumas pessoas e entidades do nosso meio, agências e anunciantes, se posicionam “estrategicamente” quando ouvem falar a primeira vez sobre o rádio. Mas, passado o susto e desde que aceitem um contato imediato começa a perceber as qualidades do E.T. e do Rádio. Ele pode fazer o ouvinte voar de bicicleta quando toca uma melodia maravilhosa e, enquanto voa e pedala, experimentar o seu produto…
Uma coisa, porém, me incomoda. É que o tempo está passando, tem muita gente boa fazendo rádio, existem empresas sérias criando novas alternativas para o segmento e, para decepção geral, aqueles profissionais que deveriam AGORA prestar atenção às coisas do Rádio, estudar suas oportunidades, descobrir novos negócios, gerar receita para suas agências e vendas para seus anunciantes, estão admirando a vaca caminhar para o brejo. E nem percebem que estão afundando juntos.
É o que eu chamo de Complexo de Riobaldo quando critico as pessoas e não o veículo.
Riobaldo, do romance Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa, era um jagunço que passou boa parte de sua vida internado nos sertões de Minas a pelejar com a vida e com os homens, assim como nós passamos boa parte de nossas vidas dentro de agências de propaganda a pelejar com veículos e anunciantes.
Até que um dia Riobado conheceu Diadorim, um outro jagunço que se juntou ao seu bando. Só que Diadorim era um jagunço um tanto diferente daqueles que Riobaldo conhecia. E ele não soube lidar com a incerteza e com o medo que esse jagunço estranho provocava. Como aqueles que só vêm o Patinho Feio no Rádio e não enxergam o Cisne [grifo nosso].
Assim como aqueles que vêm à casca do E.T., mas não crêem nos seus poderes. Riobaldo passou a vida próximo, muito próximo, porém com a alma distante de Diadorim. Até que um dia, numa batalha feroz, Diadorim foi ferido de morte. E, nos preparativos para a reza e enterro, ao desnudarem o corpo para trocar a roupa suja e sangrada do jagunço, Riobaldo só aí percebeu que Diadorim, na verdade, era mulher. Por fora um jagunço lutador, destemido e determinado Por dentro uma mulher esperando ser descoberta e amada…
O Rádio, meus amigos, é a mesma coisa. Por fora um patinho feio, um extraterrestre, um jagunço estranho. Por dentro um cisne que pode embelezar uma marca. Um E.T. com o poder de aumentar as vendas de um produto”.
Agliberto Cerqueira é Diretor da Cobram, empresa de Marketing Promocional de São Paulo. O livro O quá quá quá do Cisne Preto – Um passeio ao som do rádio foi publicado em 2006 pela RCS Editora, São Paulo.


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50 ANOS DA RÁDIO GUAÍBA: BRENO CALDAS E ARLINDO PASQUALINI

26/03/07

– Para Breno, Arlindo era “o major”. Para “o major”, o diretor era simplesmente “o Breno”. Pasqualini era o único que rompia o sagrado silêncio e o recolhimento do gabinete do diretor da toda-poderosa Companhia Caldas Júnior, na hora em que “Doutor Breno” – como o chamavam os demais simples mortais… – dedicava-se a folhear algum volume da fabulosa Enciclopédia Espasa Calpe, que recheava as prateleiras envidraçadas do armário de livros. Seu divertimento favorito. Por Luiz Artur Ferraretto Leia mais…

QUANDO A REALIDADE AMEAÇA O SONHO

26/03/07

Desde semana passada estamos encarando uma tremenda saia justa: a correspondência do Caros Ouvintes que vem crescendo muito além do previsto nestes últimos meses está ameaçando a nossa capacidade de administrá-la satisfatoriamente. O que fazer? Mudar. Mas, mudanças incomodam, principalmente se mexem com a comodidade – a nossa e a sua.
Por Antunes Severo

As mudanças ficam ainda mais difíceis quando atingem ideais cultivados, muitas vezes, a duras penas. Este é o caso. O Instituto Caros Ouvintes foi concebido e criado com o compromisso de trabalhar pela preservação da memória da comunicação social de Santa Catarina e manter o livre acesso às informações reunidas. E assim vem sendo feito nestes quase quatro anos de atividades.
Acontece, porém, que o livre e anônimo acesso fica à mercê do grau de civilidade de quem recorre ao site. E, sucessivas vezes, neste período recebemos mensagens incompatíveis com os objetivos do projeto. O que, passou a exigir uma vigília direta de 24 horas por dia.
Por isso a súbita decisão de alterarmos o sistema de recebimento de mensagens dos leitores diretamente no pé do artigo publicado. Mas, o canal não foi interrompido. Apenas o caminho é outro.
Como parte da alteração retiramos do ar as mensagens até agora enviadas. Elas não estão perdidas e nem foram descartadas. Estão arquivadas e assim que tivermos o novo formato para o sistema elas serão exibidas normalmente.
Esperando contar com a sua compreensão e apoio, renovamos o compromisso de continuar este trabalho voluntário que muito nos alegra por poder contar com a sua contribuição. E, porque, com certeza a realidade nunca vai superar o sonho.


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TV LULA, DEPOIS DO AEROLULA ERA SÓ O QUE FALTAVA

19/03/07

Um tema recorrente em nossos encontros das 5as. feiras é a necessidade de nós, colunistas, não nos desviarmos  do foco central de Caros Ouvintes que, como diz o seu slogan-conceito representa “a primeira comunidade on-line de apaixonados por rádio do Brasil”.
Por Chico Socorro

Ops! Para me certificar da frase, fui ver na capa do site e percebi agora que nosso decano, Antunes Severo, acrescentou ao slogan original,  o primo rico da radiodifusão, a Televisão…  Mas, deixemos isso de lado que o tema de hoje é a TV pública que o Lula deseja implantar.
Os jornais desta semana (escrevo no sábado) publicaram extensas matérias sobre o último insight do Poder Executivo que é implantar, com investimentos de R$ 250 milhões,  uma nova TV Pública. Segundo foi revelado pelo ministro das Comunicações, Hélio Costa, a nova TV será transmitida em sinal aberto (entre os canais 60 e 90) disponíveis em todos os Estados.
O ministro defende a idéia dizendo que falta espaço na mídia para o Poder Executivo discutir projetos de interesse público. Ou seja, segundo ele, o Governo precisa “mostrar suas idéias”.
 
Ao defender essa espantosa e insensata proposta, Helio Costa produziu esta frase lapidar: “a nova TV será menos chapa branca do que a Radiobrás e poderia até mesmo criticar o governo, desde que a crítica fosse correta”.
O ministro parece acreditar que meia gravidez é possível. Por seu lado, o presidente da Radiobrás, Eugenio Bucci, que não acredita em meia gravidez, retruca que “se  Hélio Costa vai fazer comunicação menos chapa branca, só  posso aplaudir”.  Tudo isso está na Folha de São Paulo do dia 16 de março.
Vamos aos fatos. . Em primeiro lugar, já existe  a TV estatal do Poder Executivo, denominado canal institucional NBR e que  faz parte da Radiobrás, o complexo de mídia eletrônica do Governo Federal. Incumbida de – com o apoio de imagens -, trazer ao cidadão a nossa velha conhecida e anacrônica A Voz do Brasil.  Ganha um pirulito quem souber dizer o número do canal NBR.
 
A respeito da confusão entre estatal e pública, vale a pena reproduzir a opinião  do presidente da ABTU – Associação Brasileira de Televisão Universitária, Gabriel Priolli, estudioso do assunto: “se é uma rede e vai usar um canal da União tocado por órgãos estatais, não é uma TV pública, é estatal. Vamos dar nome aos bois”.
Pergunta que não quer calar: qual seria então o destino do canal NBR em face de uma nova TV estatal que se esconde sob o nome de TV Pública?
Outra questão é o seguinte: quem tem um mínimo de familiaridade com a Mídia em nosso país sabe que as redes de televisão privadas sempre disponibilizam seus espaços sem nenhum ônus para o Governo para o Poder Executivo fazer os seus pronunciamentos de interesse público. Até porque elas tem perfeita consciência de que a radiodifusão constitui uma concessão pública e funcionam à titulo precário – podem ser cassadas pelo Governo.
Mas, vamos abordar o assunto sob um outro ângulo. O ângulo da audiência.
No controle remoto, ao lado da miríade de canais privados, abertos e fechados, há outra  grande quantidade de canais: municipais, estaduais, educativos, culturais, tudo custeado com o dinheiro dos impostos que pagamos. A maioria não chega a conquistar 1% de audiência. O motivo dessa indigência de audiência é simples: programação totalmente desinteressante. Curiosamente, algumas dessas emissoras “chapa-branca” só são sintonizadas quando o assunto é escandaloso: CPI do mensalão, dos Correios etc. Será que o Governo não teria uma destinação mais inteligente para os R$ 250 milhões de reais?
Finalizamos a coluna de hoje com uma observação sobre o assunto muito apropriada de um companheiro dos encontros das 5as. feiras: se for pra ser uma TV  meio “chapa branca” ela é totalmente desnecessária, pois o Jornal Nacional da Globo já cumpre com competência essa missão…

 

Fonte: Folha de São Paulo – 14 e 16 de março de 2007


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RÁDIO ANTENA ESTÁCIO TEM NOVA PROGRAMAÇÃO

19/03/07

A partir do próximo dia 26 de março, a Rádio Antena Estácio estará com nova programação, sob o comando dos alunos das sétimas fases do Curso de Jornalismo da Faculdade Estácio de Sá (SC).
Por Ricardo Medeiros

Através do endereço www.antenaestacio.com.br os internautas poderão acompanhar uma grade voltada para música, cultura, cinema, cidadania, meio ambiente, esporte, gastronomia, radioteatro, ações comunitárias, moda, entre outros assuntos. 
Cada turma, uma pela manhã e outra no período da noite, ficou encarregada de produzir o conteúdo das atrações da emissora experimental. A idéia foi fazer com que os alunos se integrassem em produções com as quais eles tenham afinidades. Desta forma democrática, eles poderão desenvolver um trabalho com muito mais afinco.
Voltados para música, existem três programas, sendo dois de rock: “Raio X” e “Let´s Rock”, enquanto a música popular brasileira é contemplada através do “Perfil MPB”. Relacionado à cultura popular a emissora on-line propõe o “Arrombassi” que traz à tona costumes e tradições do litoral catarinense. Além dessa atração há o “Pontuando” e “Blitz cultural” dedicados ao teatro, dança, literatura e outras manifestações.


Alunos da sétima fase noturna do Curso de Jornalismo:
Tranqüilidade e certeza de uma boa produção.

Alguns acadêmicos decidiram por fazer uma produção que desse atenção ao setor policial, por isso foi criado o “Resumo Policial”. Existem ainda os quadros “Estação Educar”, “Estação Saúde”, “Estação Meio Ambiente” e “Estação Gastronomia”, com matérias e entrevistas especiais. 
O esporte tem o seu espaço com “Esporte On-line” e os problemas comunitários estão no “Rádio Cidade”. Um grupo de alunas comanda o “Nécessaire”, um bate papo descontraído sobre temas diversificados e o “Radioteatro” desenvolve esquetes garantindo ficção através do humor e casos do cotidiano. A programação é integrada também por “Élégance”, que aborda as tendências do mundo da moda.


Alunos da sétima fase da manhã do Curso de Jornalismo:  contagem regressiva
para a estréia da nova programação da Antena Estácio.

O cinema garante a sua vez com “Sessão Maldita”, uma mescla de história, música e programação da sétima arte não comercial. O “Minuto Estácio” traz notícias dos vários cursos e serviços da Faculdade e o “Fique por Dentro” traz informações sobre cidadania e qualidade de vida, uma parceria entre a Estácio de Sá com o SESC-SENAC.


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UM SERVIÇO PELO AR

19/03/07

Todas as sextas-feiras, um grupo de juízes de Tubarão se reúne para participar de um programa de rádio que tem ajudado a população a se orientar e buscar solução para os mais variados problemas.
Por Marcelo Becker*

Durante uma hora e meia, o Rádio Justiça, que vai ao ar pela da Rádio Tubá, vira um tribunal informal, onde os magistrados recebem questionamentos através de telefonemas ao vivo e o público acompanha os esclarecimentos pelo rádio sem precisar sair de casa.


Grupo de Juízes
Foto: Marcelo Becker, especial/DC

De acordo com o apresentador do programa, Geraldo Salvador (na foto, ao fundo), a idéia de reunir os juízes surgiu há dois anos.
- Os ouvintes faziam algumas perguntas e nós as encaminhávamos aos magistrados para, no outro dia, apresentar as respostas. Foi quando o juiz Paulo Brusque sugeriu que alguns colegas se reunissem na rádio para um programa de esclarecimentos sobre os problemas da comunidade – conta.
Assim, às 10h de toda sexta-feira, Salvador recebe os convidados que comandam as varas Civil, Criminal, Justiça Federal e Justiça Trabalhista da Comarca de Tubarão. Teve programas em que oito juízes compareceram para ajudar os ouvintes, que, sem precisar se identificar ao telefone, expõem seus problemas.
No Rádio Justiça aparece de tudo um pouco: desde questões envolvendo heranças de famílias até demissões em empresas, divórcios, adoções, Previdência Social, aposentadoria e problemas de negociações de imóveis ou veículos.
Para o juiz federal Mauro Sbaraini (à direita na foto), o programa na rádio aproxima os magistrados da comunidade.
- Muitas vezes estamos trabalhando nos gabinetes e as pessoas não têm acesso a nós. As explicações são fundamentais para que elas se orientem diante dos problemas.
O juiz Ricardo Kock Nunes (à esquerda na foto) acredita que o conselho para um único ouvinte serve de parâmetro para outros.
- Algumas pessoas têm problemas semelhantes e uma breve explicação de certos procedimentos ajuda bastante. O importante é que ajudamos a comunidade – observa.
*DC 15/03/2007. Um serviço pelo ar. Marcelo Becker – Tubarão.
(marcelo.becker@diario.com.br)


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RÁDIO DIGITAL CHEGA PARA DISPUTAR PUBLICIDADE

19/03/07

A digitalização prevista para o rádio deve trazer novas perspectivas e desafios ao mercado publicitário. O novo formato revitaliza o centenário meio de comunicação e se despede do sistema analógico e suas limitações. Com a novidade, as transmissões realizadas em freqüência AM terão qualidade de áudio semelhante a das FM tradicionais, que por sua vez, estarão parelhas ao som reproduzido pelo CD.
Da Redação Adnews

Além disso, o rádio digital também permite que imagens e vídeos, estes de baixa resolução, sejam enviados simultaneamente como mensagem. Ou seja, torna-se viável agregar o audiovisual à informação de forma a incrementar a percepção do ouvinte.
Se a estrutura está prestes a mudar, os investimentos comerciais devem seguir a mesma linha de evolução. “As produtoras serão as maiores beneficiadas, mas precisam de qualidade nos conteúdos para que possam ser absorvidos de forma atrativa pelo mercado”, adverte o publicitário e radialista Paulo Mai. Para ele, as emissoras não comportam produzir tal material extra e por isso recorreriam às produtoras.
Por outro lado, os anunciantes começam, mesmo que de maneira intencional, a promover publicidade em canais digitais. Segundo o radialista, empresas acompanham o crescimento da Internet com maior atenção que o rádio. Porém, ao disponibilizar e bancar conteúdos exclusivos, com customização de freqüências ou podcasts, elas começam a demandar automaticamente o serviço digital. Mai acredita que as agências de publicidade também direcionarão as verbas de seus clientes para este no formato. “Se a audiência for satisfatória, as agências obviamente vão apostar nas emissoras e esse relacionamento vai gerar receita no bolo publicitário”, prevê.
Implantação do sistema no Brasil
Apesar de algumas emissoras nacionais terem iniciado os testes para a digitalização, a alternativa ainda não foi implantada no Brasil. Imbróglios políticos divergem sobre o padrão a ser adotado, embora o mais cotado seja o Iboc (In Band On Channel), dos EUA. Estima-se que a malha radiofônica brasileira leve cerca de meia década para se adequar à nova era.
Os EUA abrigam cerca de 16 mil estações de rádio, das quais 10% optaram completamente pela adoção do novo sistema. “O Brasil vai pegar todo esse mercado rejeitado no exterior. Vai dar mais certo por aqui do que lá”, afirma Mai.
O publicitário já adianta, inclusive, novas opções a serem acopladas ao digital. Ele crê na junção do AM/FM com o serviço de rádio via Web, ou seja, meio pelo qual é possível acessar várias emissoras espalhadas pelo mundo por meio de um aparelho portátil. Testes iniciais sobre o projeto estão sendo desenvolvidos na Europa.


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QUANTO MAIS VELHO, MELHOR

19/03/07

Guardar e saber os detalhes da história de objetos é uma mania para Gabriel Lúcio Silva, 35 anos. Embora negue que tenha apreço por “coisas velhas”, ele compra, ganha e mantém objetos de décadas bem anteriores ao seu próprio nascimento. No apartamento em que mora com a mulher, em Joaçaba, um quarto é reservado para as preciosidades de Gabriel.
Por Lílian Simoni*

Uma pequena pasta contém vários réis. Junto, um livrinho de capa azul, praticamente um minimanual das moedas brasileiras até a década de 1960, guarda os segredos das moedas. Em cima de um armário, quatro carros em miniatura. Não chega a ser uma coleção, mas são objetos dos quais Gabriel não se desfaz.


Foto: Gabriel Lúcio Silva.

Mas a paixão de Gabriel são mesmo os rádios antigos. Ele compra, vende e restaura os aparelhos. A recuperação é até motivo de um sonho de mudar do apartamento para uma casa.
 
- Em uma casa quero um local destinado a uma oficina, para ter mais espaço para os reparos. Em apartamento é complicado.
Em breve deve colocar no ar um site (www.radiolandia.hpg.ig.com.br) com informações sobre a história do rádio. Enquanto isso, entre válvulas, parafusos, fios e tomadas, realiza-se com os rádios.
Um dos aparelhos de valor inestimável para ele é um Zenith comprado pelo pai de seu sogro em 1943. Quando pegou o rádio, no ano passado, Gabriel constatou as marcas do tempo – o aparelho estava rachado e já não funcionava. Ele o desmontou, mandou fazer a caixa e a parte eletrônica – teve problemas maiores que seus conhecimentos – foi feita por um eletrotécnico de Florianópolis.
O rádio ficou numa caixa de madeira, trancado por um período. Na época foi proibido aos descendentes de alemães ouvir as notícias da 2ª Guerra. Um nó na madeira ajudou a família do pai de seu sogro a ouvir as novidades. Com um buraco aberto no nó, eles usavam uma chave de fenda para ligar e desligar o aparelho.
- As coisas antigas têm valor porque possuem uma história.
A mania de Gabriel em guardar coisas é tanta que até mesmo um exemplar do primeiro Diário Catarinense ele tem.
- Meu pai levou para casa o jornal, era novidade. Um dia vi numa caixa e resolvi guardar.
Gabriel Lúcio Silva
*DC Gente 13/03/2007. Quanto mais velho, melhor.
LILIAN SIMIONI – Joaçaba.


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AO VELHO E BOM RÁDIO

19/03/07

Leitora de jornal que sou, televisionária que me tornei, ouvinte de rádio sempre que posso, diria que sou antenada. Mas algumas coisas ainda me deixam surpresa, por exemplo, a persistência com que determinado canal de televisão é citado por um crítico, sendo que este canal, cujos filmes me fazem babar, a gente não descobre nem o número, nem a quem pertence.
Por Anna Verônica Mautner

Depois de gastar muitos pulsos de telefone para falar com funcionárias de telemarketing absolutamente ignorantes, tentei pela Internet. O tal de canal Turner é um canal para poucos, porém muito bem anunciado.
Na minha grade, que é a rede mais completa que existe, já esteve o canal do SESC, o canal da Metro, o canal alemão, que somem e desaparecem, viram pó de mico, sem qualquer aviso. Eu queria o meu SESC de volta. Que a Turner seja só para quem tem digital na TVA, isto é, para poucos e bons, eu até relevo. Mas por que o canal do SESC evapora? Eu até que tentei colocar digital na minha casa. Devia estar em fase de teste, não funcionava. No dia em que vieram retirar e me devolver meu bom e fiel analógico, perguntei se eu era a única insatisfeita, ao que ele respondeu:
- Não, senhora, este é o terceiro que vou retirar.
 
Eu até que não tenho medo de rato, mas não quero ser cobaia. Fiquei com meu velho analógico. A NET fez mais uma estripulia: suprimiu Tom e Jerry. De um dia para o outro, Tom e Jerry – caput. Por quê? Serei eu a única que quer SESC, Turner, Tom e Jerry?
Queria tanto ser bem tratada… Será que vou ter que retroceder, desligar a televisão, e voltar ao rádio que por incrível que pareça, não me desrespeita?
Queixando-me das televisões, aproveito para dar loas ao bom rádio. Na hora certa, o programa está ali. Os canais por assinatura me fazem sentir em toda a opulência a minha impotência.
É mau, é muito mau.


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