Arquivo mensal para 11/06

CASCALHO, O DA MAGRINHAGEM DOS ANOS 70

27/11/06

– Seis da tarde! Aqui, Bier Boy! Aqui na Continental, Bier Show! Creedence Clearwater Revival, Greeeeeennnn River… Às 18h daquele 4 de maio de 1970, a voz quase gritada e em ritmo de metralhadora estréia ao microfone da Continental AM, nos 1.120 kHz de Porto Alegre. Por Luiz Artur Ferraretto Leia mais…

O CHEIRO DO CAFÉ A GENTE SENTE PELO RÁDIO

27/11/06

A primeira pessoa a ter um rádio em Braço do Norte, no sul catarinense, é o senhor Jacó Batista Leandro, um rádio à bateria. A vizinhança, formada pelos que não tem rádio, juntam-se na casa dele para escutar aquelas vozes maviosas oriundas do receptor.
Por Ricardo Medeiros

O aparelho fica numa mesinha e ao redor todos sentam ao chão, velhos, adultos e crianças. Num determinado dia a dona da casa diz para o pessoal:
-Enquanto vocês ficam escutando o rádio, eu vou fazer um cafezinho.
Por coincidência, no mesmo momento em que a senhora passa o café na cozinha, é veiculada no rádio uma propaganda sobre uma marca do produto. Presente à casa do senhor e senhora Batista Leandro, uma mulher faz a seguinte observação:
-Engraçado, até o cheiro do café a gente sente pelo rádio.
A história ilustra o poder e a fascinação deste meio de comunicação junto à população. Nascido em território brasileiro em 1922, o rádio trilha por várias fases e sobrevive, ao contrario do que muito pessimistas apregoavam.
As décadas anteriores aos anos 1940 e 1950 servem de experiência para o que vai se suceder. Ao serem fabricados no país, os receptores ficam mais baratos e acessíveis, pelo menos para quem mora nos centros urbanos. O rádio começa então a ser considerado uma necessidade, um objeto fundamental dentro de casa. Mais um utensílio a ser adquirido pela família.
Não importa a marca do aparelho-seja Philips, cujo receptor é anunciado como « A chave que lhe abre o mundo », seja General Eletric, RCA Vítor ou Semp- ele ganha um lugar de destaque nos lares : ele repousa sobre uma mesa na sala de estar ou na sala de jantar. É uma era , considerada a de ouro do rádio, em que cantores e cantoras, radioatores e radioatrizes,  e locutores, os « speakers », tornam-se famosos e venerados pelo público. É a era de cantar com as irmãs Miranda: « Nós somos as garotas do rádio, levamos a vida a cantar”.
Quando da chegada da televisão, diversos programas e muitos profissionais migram para o veículo que une a imagem e som. Assim sendo, em momentos de incertezas, o rádio vira um vitrolão deixando de lado as grandes produções em prol da música. No entanto, o setor se reergue e vai ocupar o espaço que sempre foi seu no seio brasileiro.
As emissoras buscam o seu caminho, através de rádios genéricas, de músicas, notícias e de utilidade pública. Em tempo de bonança, o público continua fiel e seguindo o ritual de ligar o aparelho do Telégrafo Sem Fio (TSF) para ouvir as “últimas” proporcionadas pelo imediatismo do veículo.
Com a transmissão digital, o companheiro de todas as horas, ganha mais fôlego. Pelo sistema, haverá maior capacidade de transmissão de informações, podendo ser inseridos dados na programação veiculada, com grande capacidade de oferta de serviços. O som da emissora AM terá som de FM e a freqüência modulada terá som de CD.
Há 84 anos o rádio faz parte do nosso cotidiano. Vibramos, choramos, sonhamos com esse velho-moço. Todo dia é dia de rádio. É dia de emoção.


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O SONHO

27/11/06

1. “Eu quero,
um bangalô cor de chocolate,
com gradinhas em frente,
Luluzinho que late,
peixinhos vermelhos,
nadando,
num lago azul,
no centro de um jardim,
passarinhos cantando,
para você
e para mim.”
Por Elóy Simões

“Lá dentro,
a criançada brincando,
numa gaiola dourada,
papagaio falando
de amor,
então, sim,
dona felicidade quer,
morar conosco eternamente,
se você quiser.”
2. Quando criamos, a partir de uma idéia do Chico Socorro, o Prêmio Acaert de Rádio, sugerimos que logo após a realização da sua primeira edição, ele ganhasse dimensão nacional. Era, até então, uma idéia inédita e vimos que, através dela, o prestígio do rádio catarinense poderia se projetar em todo território nacional.
Não foi possível, e o Grupo de Profissionais de Rádio – GPR lançou, em seguida, o Prêmio dele. Claro: como a sede da entidade fica em S. Paulo, sua repercussão foi muito maior do que a iniciativa da Acaert. E o prêmio GPR de rádio roubou,  pelo menos na cabeça da imprensa, o pioneirismo dos catarinenses.
Acontece que o GPR dá tão pouca importância para o rádio de Santa Catarina, que ao se expandir para o Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul, simplesmente desconheceu nosso Estado.
3. Fizemos, naquela mesma oportunidade, outra sugestão à Acaert. De que ela, ao lançar nacionalmente o Prêmio, promovesse em Florianópolis o Festival do Rádio. E criasse, em conseqüência, o Palácio do Rádio. Um local onde tudo o que se relacionasse com esse meio – relíquias, história, negócios, informações diversas etc – estivesse reunido. Lembramos, inclusive, que a Câmara Municipal estava para mudar de endereço. E o Palácio do Rádio poderia funcionar ali.
(Outra coincidência: de lá para cá o Rádio passou a fazer parte do Festival de Cannes.)
Mas a idéia do Palácio do Rádio, um sonho deste velho sonhador, ficou esquecida.
4. Tomara que ele não surja em outro Estado.
E que o meu devaneio não fique naquele sonho composto pelo prof. Miranda e gravado na década de cinqüenta pela Neyde Fraga,  que reproduzi lá em cima.


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RÁDIO CATARINENSE: 61 ANOS À FRENTE

27/11/06

Nestas últimas 158 semanas, só eu pessoalmente, já percorri umas 200 vezes os 45.500 km² desta terra abençoada de Santa Catarina. Tenho a impressão que nem Marco Pólo bate esta marca. O que faço? Bisbilhoto, pesquiso, estudo e cada vez mais me surpreendo e animo com o que vejo. Uma das minhas redescobertas: a veteraníssima sessentona e campeã ZYJ-765 – Rádio Catarinense de Joaçaba.
Por Antunes Severo

Acompanho a história da Rádio Catarinense desde 1956 quando vim para Florianópolis. Aqui encontrei os joaçabenses Walter e Adolfo Zigelli, recém, chegados à Ilha de Santa Catarina. Como éramos “estrangeiros”, conhecíamos praticamente ninguém na cidade, acabamos formando uma irmandade com mais dois outros colegas: Edwin Scott Balster vindo de Curitiba e Alfredo da Silva de Tubarão.
 
Agora, em 2005 com a matéria sobre os 60 anos da emissora acabo reencontrando o Nelson Paulo e conhecendo o Tiago Diersmann. O Paulo, então gerente e o Tiago escrevendo o livro Rádio Catarinense – 60 anos de história. O livro está na internet e representa importante registro da emissora e dos personagens que a tornaram conhecida e admirada entre seus ouvintes e respeitada e enaltecida pelo muito que representa na história da radiodifusão de Santa Catarina.
Da nossa conversa por e-mail, seguem mais alguns detalhes da programação realizada.
Como foi o planejamento das comemorações dos 60 anos?
Para lembrar/festejar a passagem dos 60 anos, ocorrido em julho do ano passado, priorizamos a programação e o ouvinte. Durante todo mês de julho desenvolvemos uma série de atividades na programação diária com sorteio de muitos prêmios, alguns de valor, outros apenas lembranças como relógios de parede, camisetas, radinhos, tudo personalizado com a logomarca da empresa. Externamente desenvolvemos atividades culturais lembrando, também, a época do auditório. No teatro municipal fizemos, por exemplo, Festival de Videokê, Noite Cultural, com transmissão ao vivo. Um sucesso. Tanto que era para ser apenas para comemorar os 60 anos, mas  viraram eventos tradicionais.
E o livro, como surgiu a idéia?
O livro nasceu de uma necessidade de resgatar a história da Rádio que até então não tinha nenhum registro, a não ser as pessoas que diziam que tinham trabalhado aqui, conheciam alguém que tinha passado por aqui ou lembravam de fatos interessantes. E esta necessidade cresceu a partir da instalação dos cursos de Rádio e TV e Propaganda e Publicidade na Unoesc (universidade) já que os alunos recebem dos professores, como trabalho de aula, pesquisa sobre o rádio e aí, como a Catarinense é a mais tradicional, tem a maior estrutura, audiência, é a mais pesquisada.
Além da internet o livro terá alguma outra versão?
Vamos deixar a história por um tempo só na internet para ver se aparece mais alguns fatos interessantes para enriquecer o material. O objetivo é fazer o livro impresso. Quanto ao livro falado não pensamos, pode ser uma boa sugestão.
Site relacionado:
:: Clique aqui


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MEUS PERSONAGENS PREDILETOS – 001

27/11/06

De colaborar eventual, a partir de hoje Aderbal Machado, assume espaço quinzenal neste trabalho a muitas mãos e a alguns bilhões de neurônios em festa. Aderbal, como você verá – e daqui a pouco ouvirá – também tem lá suas idiossincrasias, assim como as têm os personagens de que falará. Por exemplo: se você chegar e disser “identifique-se meu caro comunicador”, ele logo responderá: “O apelido de comunicador eu rejeito – sou locutor mesmo, radialista da gema”.
Da Redação

Seixas Neto, de prenome Amaro (ele detestava o prenome, pois significa “amargo”, e ele não era), era também radialista e jornalista, além de escritor, astrônomo, astrólogo, climatologista. Membro das Academias de Ciências de Roma e de Madrid, tinha hábitos espartanos e uma simplicidade invejável.
Eu ia sempre à sua casa, para conversar fiado. Ele adorava sair do sério. Tinha 14 gatos, que circulavam por tudo, até por cima da mesa na hora da refeição.
E eu dizia: “Seixas, que negócio é esse?”. Dizia Seixas que os gatos são animais sagrados e só trazem bons presságios. Um dia, vendo sua mesa desorganizadíssima, com papel, livros, caixas e poeira de metro, só com um pedacinho de espaço livre, perguntei-lhe: “Seixas, o que você faz só com esse cantinho de mesa para escrever?” E ele, com uma gargalhada: “Jogo de bicho”. Seixas é meu patrono na Academia de Letras de Balneário Camboriú.


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RETRATOS DA VIDA E PORTAL DE POESIA

27/11/06

Retomando nossa conversa vamos falar hoje de alguns tópicos do programa Empório da Palavra que atualmente apresento na Rádio Garibaldi AM de Laguna.
Por Atanázio Lameira

Trata-se de um programa que se dispõe a falar de tudo um pouco em forma de crônicas: comportamento humano, política e outros temas do cotidiano, em dois segmentos: Retratos da Vida onde de forma sintética procuramos abordar os temas atuais, usando o bom humor e mensagens de otimismo e o Portal de Poesia, atração apresentada no desfecho do programa, que finaliza com uma oração.
Vivemos para o outro
Amar simplesmente, ou seja, ir amando. Querendo o mágico sentimento povoando o coração. Não ser displicente no amor. Não deixar passar nenhum momento. Cada olhar na direção do outro. Um par. Um atrevido olhar. Marcação de pés. Tudo se transforma para melhor, quando estamos perto do amor. Não há dinheiro, nem carro novo, nem aquele jogo de sala, um quadro novo, uma viagem à Nova Iorque. Um passeio pelo Cristo Redentor, no Rio, nosso belíssimo Rio de Janeiro. Com nosso amor.
Comer cachorro quente na cabeceira da ponte Hercílio Luz, em Florianópolis nos bons tempos. Sentar na praça. Poder tocar seu rosto livremente.  Como menino sonha. Ouve a música. Sente o perfume. Enche os olhos de lágrimas. Disfarça segue adiante. Refeito para novo e necessário amor. Sem o que, nada tem sentido. Nem de se levantar. Cortar a barba. Tomar café. Vestir uma roupa. Qualquer manifestação do ser humano, mesmo inconsciente está fazendo para o outro.
Quinze pétalas de flor
I
Tu és linda
a idade compreendida/ então
fascina
II
tu és maravilha
da cidade és a ilha
descortina
III
tu és fantasia
das pegadas pela praia
magia
IV
tu és porto de certeza
de navios bem amarrados
desenhados na correnteza
V
tu és sonho
quinze pétalas de flor
voando /através de teu amor


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A Comunicação Social e a Constituição Brasileira: Conclusão do panorama

27/11/06

Estou finalizando através do presente artigo, o atendimento ao pedido que me foi feito para fornecer um panorama sobre o posicionamento da Constituição Brasileira vigente quanto ao exercício da chamada Comunicação Social em nosso País. Encerrei o panorama parcial com o registro de que no artigo 222 e seus parágrafos a nossa Constituição se ocupa de uma relevante questão que é a propriedade de empresa jornalística e da radiodifusão sonora e de sons e imagens, ressaltando que esta propriedade “é privativa de brasileiros natos ou naturalizados há mais de dez anos, ou de pessoas jurídicas constituídas sob as leis brasileiras e que tenham sede no País”. Leia mais…

VIVA O RÁDIO

27/11/06

O bom e velho rádio continua sendo o que sempre foi em eficiência nas comunicações, apesar de desdenhado por muitos publicitários e descuidado por outro tanto de radiodifusores. Quem acompanha ou simplesmente lê sobre o assunto, sabe que o rádio é um veiculo que chega onde outros nem passam perto.
Por Jamur Júnior

Na roça, na cidade, nas ilhas distantes ou nas grandes avenidas, nos carros, bares e lares, há sempre um radio informando, distraindo e alegrando a vida dos brasileiros. Como se isso não bastasse, o rádio tem uma função social e política de extraordinária importância para a vida de todos nos, especialmente dos moradores em pequenas localidades. E ele o grande defensor e guardião dos interesses das pequenas comunidades.
Uma pesquisa recentemente divulgada pela revista Época, revela a importância do rádio para o controle do apetite desonesto de alguns administradores públicos que costumam “colocar a mão no jarro” (outros levam o jarro pra casa) quando assumem o poder executivo municipal.
A pesquisa mostrou que nos municípios onde havia emissoras de rádio, os índices de corrupção na administração municipal caiam em media 40%, ou seja, bem acima da media mundial.
A explicação dos pesquisadores mostra claramente como é importante a presença do rádio na vida do cidadão. Com a divulgação sistemática dos atos dos prefeitos e as ações dos vereadores, especialmente os opositores que costumam levantar suspeita sobre a administração, o publico fica mais informado e os políticos inibidos e até mesmo, acuados pela população bem informada. E viva o Rádio.


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SITUAÇÃO DA AUDIÊNCIA DE RÁDIO NA GRANDE FLORIANÓPOLIS

27/11/06

Embora seja mais de interesse dos publicitários, em especial dos Mídias das Agências de Publicidade, creio que muitos internautas gostariam de saber quais emissoras são mais ouvidas na Grande Florianópolis. O trabalho apresentado aqui se restringe apenas a uma série de comentários sobre o assunto e foi elaborado com base em consultas a alguns profissionais de Mídia de Florianópolis.
Por Chico Socorro

Deve-se a Antunes Severo e Ricardo Medeiros o registro histórico da evolução do meio rádio em Florianópolis, exposto no livro Caros Ouvintes, publicado em agosto de 2005, talvez a única obra do gênero no país. O livro mostra num determinado capítulo, como o rádio chegou a Florianópolis e revela também as características das principais emissoras.
Situação geral do meio rádio hoje em Florianópolis.
Florianópolis conta hoje com 17 emissoras de rádio em funcionamento, entre AM e FM (apenas 15 aparecem nos estudos de audiência, pois duas delas têm audiência irrelevante). Deve-se destacar a presença de rádios que fazem parte de redes nacionais: CBN, Bandeirantes, Jovem Pan e Antena 1.
Um fenômeno relativamente novo que também merece ser ressaltado são as 6 emissoras religiosas em operação – 4 evangélicas e 2 católicas. A soma da audiência das 4 rádios evangélicas, por exemplo, já é expressiva colocando esse bloco entre as 10 no ranking geral de audiência (AM+FM).
Vamos começar mostrando a situação das Rádios AM.
Na Grande Florianópolis a emissora de São José, Rádio Guararema AM exerce há mais de 10 anos a liderança absoluta com mais da metade da audiência.  Um pouco menos de 50% restantes estão distribuídos entre as outras 7 emissoras AM.
A CBN AM é a 2ª. colocada no ranking. Mas, seria injusto não destacar aqui a qualidade da CBN, uma emissora que, na opinião deste articulista, conta com o melhor quadro de comunicadores do rádio da Grande Florianópolis, tanto a nível local como nacional.  O 3º lugar está ocupado pela Rádio Mais e as outras 4 estão praticamente emboladas num mesmo pelotão.
Agora vejam o que acontece com as emissoras FM.
No segmento de rádios FM, a audiência está mais bem distribuída.
A emissora líder, com perfil mais popular, Band FM, está muito próxima da 2ª colocada, a Jovem Pan, de perfil jovem. O destaque vai para a novata Rádio Regional de Santo Amaro da Imperatriz que já ocupa o 3º lugar e com tendência de crescimento em toda a Grande Florianópolis. A Regional FM, cuja Audiência majoritária está localizada na periferia apostou na música de gosto popular e está ganhando a aposta, algo que se revela em sua crescente audiência.
O que acontece com o quadro geral de audiência se juntarmos as emissoras AM e FM
No ranking na Grande Florianópolis (AM + FM) o quadro se mantém: a Guararema AM permanece na liderança absoluta, seguida pela Band FM, Jovem Pan FM, Atlântida FM e Regional FM.
O Rádio em Florianópolis se alimenta, basicamente, de 3 segmentos: Música, Notícias (da Cidade, do Bairro, Estaduais, Regionais, Nacionais e Internacionais) e Esporte (essencialmente futebol). Outros conteúdos como horóscopo, bolsa de empregos, brindes, brincadeiras, fofocas de novelas, etc complementam a programação.
Cabe ressaltar que, ao se programar publicidade no meio do rádio, além do perfil de programação e a audiência, deve-se levar em conta também a cobertura geográfica (alcance de seu sinal) que tem relação com potência do transmissor operado pela emissora.
As emissoras com programação religiosa, católica e evangélicas, Rádio Cultura AM, Rádio Novo Tempo FM e Rádio Aleluia FM tem perfil notadamente adulto, (mais de 70% são mulheres) e os ouvintes dessas emissoras pertencem, basicamente, às classes C, D e E.
Algumas emissoras penetram mais fortemente na periferia, como a Novo Tempo FM, Gazeta AM, Regional FM e Guararema, enquanto que outras são mais ouvidas na Ilha – como a Itapema FM, CBN AM, Antena 1 FM, Guarujá AM e Aleluia FM.
Merece um registro todo especial os apresentadores carismáticos, com forte penetração na periferia e que abrem espaço para participação direta do ouvinte via telefone, como: Hélio Costa e Miguel Livramento, entre outros, responsáveis diretos pelo ganho de expressivos pontos de audiência das emissoras onde atuam.
 
Exemplo recente disso é o programa de Hélio Costa na Rádio Mais Alegria que fez migrar audiência de outras emissoras para lá. Helio Costa, na minha visão, pode ser considerado como um dos melhores apresentadores de Rádio em Florianópolis e, embora com estilo bastante diferente, muito próximo do imbatível e celebrado Mário Motta, da CBN Diário.
E, Como já foi dito, um dos importantes componentes da audiência de rádio é, sem dúvida nenhuma, o hábito, boa parte da grade de programação da Rádio Mais é beneficiada pelo programa do Hélio Costa.
Vale lembrar, a propósito, uma das conhecidas estratégias da Rede Globo de Televisão para manter-se na liderança de audiência em todo o Brasil: um arranjo tal de sua grade de programação que faz com que um programa transfira boa parte de sua audiência para o seguinte, e assim por diante.
Voltando à líder absoluta de audiência. Qual é o segredo da Guararema, líder do segmento rádio na Grande Florianópolis nos últimos 10 anos?
Especialistas em Mídia defendem o ponto de vista de que ouvir uma determinada Rádio assim como preferir este ou aquele jornal, é uma questão de hábito. Mas o que precede e forma o hábito no caso da Guararema? Inegavelmente a resposta é uma só: a sua programação ostensivamente popular.
Vejamos como Antunes Severo e Ricardo Medeiros registram o fenômeno Guararema no Livro Caros Ouvintes:
“Nos anos 2000, a Rádio Guararema comemora a liderança de audiência na Grande Florianópolis à base de uma programação popular e de outros ingredientes que chamam a atenção das camadas mais baixas da população.
A grade de programação da emissora dá destaque para as músicas sertanejas, tradicionalistas, pagodes e sambas, além de dedicar espaços para a musica romântica e canções do passado. Somado a esse repertório musical, a 1.230 AM busca atrair o público abrindo espaço para que o ouvinte mande recados para a sua ”cara metade” e para parentes. Outra forma utilizada para conquistar simpatia dos ouvintes é a divulgação dos signos do zodíaco e o resumo de novela de televisão”.
A apresentação deste artigo sobre a audiência de rádio tem mais o objetivo de chamar a atenção das agências de publicidade, dos publicitários e dos anunciantes para o poder de comunicação do rádio, muitas vezes esquecido ou subestimado. Um meio de comunicação que não é utilizado mais intensamente nas campanhas publicitárias também por falta de maiores informações a respeito da audiência.


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A REVANCHE 4

27/11/06

A revanche parou. Afinal, o amedrontado do Oswaldo precisava de um tempo. O suor corria-lhe à testa e a adrenalina, no sangue. Mas a revanche precisa continuar. Oswaldo enfia a mão no bolso esquerdo de sua calça, arregala mais os olhos, abaixa o olhar em direção ao bolso.
Por Fernando Góes

O movimento faz com que o suor de sua testa escorra para o chão. Oswaldo mexe, insistentemente, sua mão dentro do bolso como alguém que procura algo muito importante, mas não acha. Ele solta um sorriso tímido. Lembrou de algo engraçado que aconteceu naquele mesmo dia pela manhã. O lenço que ele sempre carrega foi deixado de “brinde” na lixeira do banheiro da rodoviária. Para Oswaldo, lenço é para isso mesmo: não passar por maus lençóis, pelo menos em banheiro de rodoviária.
Em fila de banco, dá-se um jeito. Oswaldo tira a camisa de dentro da calça e com ela, limpa o suor de sua testa. O nervosismo dele já se denuncia pelo suor excessivo. Oswaldo tenta acalmar-se, levanta a cabeça, olha para cima, fecha os olhos, respira fundo, vai abaixando a cabeça enquanto solta o ar bem devagar ao mesmo tempo em que vai virando o rosto em direção à lixeira. Oswaldo abre os olhos e então descobre o policial em sua mira, ao lado da lixeira, saboreando um copo d’água, encarando-o. Imediatamente, Oswaldo tira os olhos do policial, mas percebe que, antes de o homem de cara de poucos amigos voltar para o seu lugar na fila, ele olhou para dentro da lixeira. Oswaldo passa a mão na testa encharcada, limpa o suor com a manga da camisa, olha para baixo e logo vem em sua cabeça duas perguntas. Será o policial, na verdade, um assaltante disfarçado de policial? Uma pegadinha? Uma única certeza. O olhar do policial não é de quem está interessado em alguém, mas, afinal o que aquele policial pode querer com Oswaldo?
Oswaldo não quer perder tempo pensando em respostas. Ele se conhece, e sabe que só tem um jeito de resolver a aflição pela qual está passando. A angústia só terá fim quando ele for até a lixeira de novo e comprovar se o chiclete que jogou fora, caiu dentro de alguma coisa e permaneceu por lá. A probabilidade é muito grande do chiclete ter caído dentro de um copo plástico, por exemplo, e ter ficado lá dentro. Afinal a lixeira está debaixo do garrafão de água que está ao lado de um suporte com vários copos de plástico, e com certeza, pelo menos alguns caíram de cabeça para cima. Oswaldo, quando jogou fora o chiclete, não comprovou se ele caiu dentro de algo e permaneceu ali. Ele desconcentrou-se com a encarada do policial. Se o chiclete caiu dentro de alguma coisa e permaneceu por ali, Oswaldo acredita em azar na vida, como por exemplo, passar por debaixo de escada ou ver gato preto. Para Oswaldo, o que for jogado por ele em uma lixeira ou em outro recipiente qualquer, não pode cair dentro de alguma coisa e permanecer por ali. Se Oswaldo comprovar que caiu e tirar, não tem problema. O problema é não retirar, se ele comprovar que caiu dentro. Essa é a superstição de Oswaldo que decidi esquecer o policial e ir lá comprovar se o chiclete realmente caiu ou não dentro de algum copo. Antes, porém, Oswaldo levanta a cabeça, fecha os olhos, faz uma massagem com as mãos no ombro, balança a cabeça de um lado para o outro, e vai virando a cabeça para onde está a lixeira. Oswaldo abre os olhos, toma um susto, arregala mais ainda os olhos, o coração acelera. Oswaldo sente um pingo de suor da axila direita escorre-lhe pelo braço quando vê a servente do banco se aproximando da lixeira com um saco nas mãos. Caro ouvinte, com a aproximação da servente, mais uma A REVANCHE se aproxima do final. Até a próxima.


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MÁRIO LAGO E SUA CRIAÇÃO IMORTAL: NADA ALÉM.

20/11/06

Os que acompanham esta coluna sabem da minha admiração por Mário Lago. Um caso raro de alguém que teve mais de 150 músicas gravadas e que, por exemplo, deixou a sua marca na inesquecível Amélia. Foi ele que, com seu parceiro predileto, Custódio Mesquita, compôs o fox-canção Nada Além, gravado com 10 cantores diferentes. O motivo de estarmos lembrando e homenageando Mário Lago é que ele, no próximo dia 26 de novembro, faria 95 anos.
Por Chico Socorro

Na era de ouro do rádio brasileiro – entre a segunda metade dos anos 30 e que avança até os anos 50 do século 20, compor era um bom negócio e, principalmente, um meio de vida para muita gente.
Hoje vamos contar um pouco da história da criação de um fox-canção que teve 10 gravações diferentes: Nada Além, criada por Mário Lago em parceria com Custódio Mesquita.
Custódio Mesquita foi um dos parceiros mais freqüentes de Mário Lago durante a sua primeira fase (1936-1941). A primeira composição de Mário Lago, a marcha Menina, eu sei de uma coisa, interpretada por Mário Reis, foi criada em parceria com Custódio Mesquita, em 1936. Apesar de seu temperamento difícil, Custódio e Mário tinham muitas coisas em comum: amavam o teatro, a música e a vida boêmia.
Convém lembrar que os compositores, em geral, eram quase todos de origem humilde. E viviam basicamente de compor músicas populares. Na época, era muito comum vender músicas – a questão do copyright era ainda muito incipiente.
Com relação a Nada Além, Mário relata no livro Boêmia e Política a história curiosa de como se processou a venda dos direitos autorais:
“Em 1937, vendi Nada Além, parceria com Custódio Mesquita, para os irmãos Vitale. Eles eram editores e, como era comum na época, fui pedir um vale. A situação estava difícil, acabei vendendo a música que depois estourou. Mas surgiu Amélia, outro estouro, e o Vitale também quis comprar. Finquei o pé e pedi a ele para anular o contrato de venda de Nada Além. Como a música já tinha rendido muito, ele concordou: me pagou os direitos e cancelou o contrato. Concordou também em registrar o copyright de Amélia para mim e o Ataulfo Alves. Mas, na pressa, acabei esquecendo da anulação de Nada Além e aquela música não me rendeu ”nada além” do que recebi”.

Nada Além se destaca na história da MPB por vários motivos.
Antes de tudo, ela é simplesmente imortal, sua letra não sofreu nenhuma corrosão, após quase sete décadas. Criada em 1937, teve 10 gravações diferentes.
A gravação original, consagrada até hoje, foi feita em 1938 com Orlando Silva, o Rei das Multidões. Nos anos 70, foi a vez de Maria Bethânia interpretar Nada Além. Em 1988, exatamente 50 anos depois da gravação original, Nada Além foi utilizada como abertura musical da novela Vida Nova, da TV Globo na voz de Nelson Gonçalves.
Nada Além teve o seu revival no ano de 2005, através do espetáculo teatral e musical Orlando Silva – O Rei das Multidões, grande sucesso em São Paulo, Rio de Janeiro e também em Florianópolis.
Para vocês poderem conferir a atualidade de Nada Além, reproduzimos a seguir a sua letra:
Nada além,
Nada além de uma ilusão.
Chega bem, é demais.
É demais para o meu coração
Acreditando em tudo que o amor
Mentindo sempre diz,
Eu vou vivendo assim
Feliz na ilusão de ser feliz.
Se o amor
Só nos causa sofrimento e dor
É melhor,
Bem melhor a ilusão do amor.
Eu não quero e não peço
Para o meu coração
Nada Além de uma linda ilusão.
Clique aqui
E ouça agora essa preciosidade na voz de Orlando Silva, o cantor das multidões.
Mário Lago faleceu no dia 30 de maio de 2002 aos 91 anos de idade.


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PROJETO CÊNICAS NA RÁDIO NA UDESC: RESGATE HISTÓRICO E NOVAS EXPERIÊNCIAS

20/11/06

O projeto de extensão Cênicas na Rádio teve início em agosto de 2005, foi elaborado por Vívian Coronato, então acadêmica do curso de Artes Cênicas da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), sob a coordenação do professor Milton de Andrade.
Por Joana Santos Neitsch
Bolsista do Projeto Cênicas na Rádio

O objetivo principal é conquistar um espaço para os acadêmicos do Centro de Artes (CEART) na programação da rádio UDESC através de programas de rádio que trabalhem com resgate histórico-cultural, possibilitem experiências na área de interpretação, dramaturgia e sonoplastia aos alunos do CEART, promovendo assim um maior contato dos alunos com o meio radiofônico e da comunidade em geral com  meio acadêmico.


Rosane Faraco e Pedro Alvarés gravando o texto da peça “A Desmazelada”, do
catarinense Gustavo Neves Filho.

Atualmente o projeto tem seu trabalho desenvolvido através de um grupo formado por alunos do curso de Artes Cênicas da UDESC. O grupo faz pesquisas de textos de radioteatro, especialmente os escritos aqui em Florianópolis. Neste semestre (2006/2) foram feitas gravações no estúdio do curso de Música do CEART de peças de Aldo Silva e de Gustavo Neves Filho.


Da esquerda para direita: atores Pedro Alvarés, Diogo, Joana Neitsch,
Vivian Coronato, Rosane Faraco e Lurécia Silk.

Estas peças gravadas serão veiculadas no hall do Centro de Artes e a intenção é de serem também incluídas na programação da Rádio UDESC.  O trabalho de resgate histórico além de focalizar as possibilidades de interpretação e sonoplastia dos radiodramas, também procura refletir sobre os valores e contextos sociais descritos nos textos, buscar quais possíveis influências estes tinham no imaginário dos ouvintes e os relacionar com a contemporaneidade: com os dramas transmitidos hoje em dia não só através do rádio, mas em todos os novos meios de comunicação.


Técnico Diogo na mesa de som.

Além do trabalho com radioteatro, o projeto também propõe uma oportunidade para os acadêmicos exporem o que é produzido na universidade. Uma das experiências do grupo é acompanhar as produções de peças dirigidas pelos próprios alunos da UDESC, através das disciplinas de Encenação e Interpretação. A intenção é mostrar não apenas a divulgação da agenda dos espetáculos ou os espetáculos prontos, mas discutir e apresentar o processo de criação dos espetáculos, dando, assim, uma nova dimensão sobre o que é a formação acadêmica na área artística.


Lucrécia Silk, interpretando a Vizinha em “A Desmazelada”.

Como parte das atividades programadas pelo projeto, no próximo dia 24 de novembro será realizado o encontro “Radioteatro em Sintonia” que contará com a participação de especialistas no assunto: Ricardo Medeiros, Antunes Severo e Valci Zuculoto já confirmaram a presença. O encontro será realizado no auditório do bloco amarelo Centro de Artes da UDESC, localizado no Itacorubi, às 18:30 horas.


Rosane Faraco, interpretando Sônia Maria de “A Carta que eu não Escrevi”.

A entrada é gratuita. Todos estão convidados a comparecer, para juntos buscarmos novas sintonias!


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AH, AMANHÃ SERÁ OUTRO DIA PRO SOL BRILHAR

20/11/06

1. “Ah, amanhã será outro dia pro sol brilhar
E poder sair da rotina, ir proutro lugar
Um lugar bem longe daqui onde eu possa ver o mar
E sentir seu perfume na brisa
Numa praia, o sol nascente
Cenário perfeito pro amor da gente
Vem cá, vem me abraçar e deixa a vida… a vida nos guiar”
Por Elóy Simões

2. Andam me dizendo que tenho sido excessivamente crítico com o rádio. Que as coisas não estão tão ruins assim. Talvez não estejam mesmo. É possível, até, que eu esteja sendo injusto. Mas eu vou continuar assim.
Sabe por que?
3. Por que eu amo minha profissão. E adoro esse meio de comunicação. A ponto de escrever, na coluna que marcou minha estréia neste Caros Ouvintes, que eu quero ser radialista. E quero mesmo.
4. Há anos, eu ainda morava em S. Paulo, fui convidado pelos diretores de uma das mais badaladas agências de publicidade de lá. O objetivo era me dizer que eu estava sendo pessimista com as críticas que fazia ao desempenho da profissão.
“A situação não está tão ruim assim”, disseram-me.
Estava. No mínimo para aquela agência, que por coincidência ou não,
enfrentou gravíssima crise logo em seguida.
5. A resposta que lhes dei? A mesma que dou aqui: quando a gente ama, quer que o ser amado melhore. Por isso, a gente opina. Critica. Sugere o que fazer. Numa boa.
6. Essa a razão pela qual  reproduzi, no início desta conversa, o Amanhã, composta pelo jovem Felipe Gondin, músico, poeta e compositor que uiltima seu primeiro disco. Vai ser um sucesso.
“Amanhã será outro dia pro sol brilhar”, diz ele.
Será mesmo. Desde que a gente não perca a capacidade de criticar. E de, baseado na crítica, melhorar. Sempre. Porque assim, a vida vai nos guiar. Para melhor.


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EU ODEIO RÁDIO

20/11/06

Ela me olha.
-eu odeio rádio.
O ano é de 2005. Dou aula para a sétima fase do Curso de Jornalismo da Faculdade Estácio de Santa Catarina.
Por Ricardo Medeiros

-Eu não escuto rádio. Ah, às vezes só a FM- continua a aluna.
É o meu segundo semestre naquela instituição após quatro anos e meio longe da posição de professor, pois estava na França fazendo doutorado.
A aluna, com sua sinceridade peculiar, vai mais fundo.
-Não sei escrever pra rádio.
Noto que teria um grande desafio pela frente. Respiro fundo e começo as minhas atividades. Digo à aluna e aos demais acadêmicos que gosto do que faço. Faço com paixão. Acrescento que estou em busca de uma sintonia com eles. Asseguro que teremos um final feliz.
Tento implementar em minhas aulas uma harmonia entre teoria e prática e entre seriedade e descontração. Uma aula cheia de informações e sem prática ou vice-versa não é nada atraente. Não combina também um professor que não dê um pouquinho de espaço para o lado lúdico. Além disso, a minha palavra de ordem é: vamos fazer juntos. Aprender juntos.
No meio do semestre a aluna já não mais repete as frases pesadas de antigamente. Já sorri pra mim, pedindo explicações do que não entende. Faz o mesmo exercício várias vezes. Torna-se extremamente aplicada na aula de rádio.
No final do semestre, ela se dirige a mim.
-Professor Ricardo, preciso falar com o senhor.
-Pois não-digo eu, um pouco apreensivo.
-Professor, quero convidá-lo para ser o meu orientador. Está decidido, vou fazer o meu Trabalho de Conclusão de Curso, TCC, na área de rádio.
Boquiaberto, surpreso e até emocionado, balbucio um sim de felicidade.
Semana passada, ao terminarmos, os retoques no seu trabalho de rádio, ela dispara. -Lembra professor, eu odiava rádio. O senhor foi o responsável por ele ser agora uma das minhas paixões.
Um nó surgiu em minha garganta.


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A COMUNICAÇÃO SOCIAL E A CONSTITUIÇÃO BRASILEIRA: PRIMEIRO PANORAMA

20/11/06

Atendo, através de dois artigos seqüenciais e a começar por este, o pedido que me foi feito por leitores para fornecer um panorama sobre o posicionamento da Constituição Brasileira vigente quanto ao exercício da Comunicação Social em nosso País. Fiz uma seleção das disposições constitucionais a respeito deste tema, procurando dar uma visão geral sobre a disciplina da matéria.
Por Cesar Luiz Pasold

Inicialmente ressalto que, do artigo 220 aos 224 inclusive, encontramos um Capítulo denominado “DA COMUNICAÇÃO SOCIAL”.
 
Ali, logo no princípio está estabelecido que, observado o que estiver disposto na Constituição, “a manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo não sofrerão qualquer restrição”. Logo em seguida, no parágrafo 2º do artigo 220 está a regra que proíbe “toda e qualquer censura de natureza política, ideológica e artística”. De outra parte, estão previstas as possibilidades legais de restrições à propaganda comercial de tabaco, bebidas alcoólicas, agrotóxicos, medicamentos e terapia, a qual “conterá, sempre que necessário, advertência sobre os malefícios decorrentes de seu uso”.
 
O parágrafo 5º do mesmo artigo 220 dispõe que “os meios de comunicação social não podem, direta ou indiretamente, ser objeto de monopólio ou oligopólio”.
Lembro aos leitores que monopólio é o controle exclusivo de uma atividade por parte de uma determinada empresa ou grupo de empresas ou entidade. Já o oligopólio é a característica do mercado em que a oferta de produtos e/ou serviços é controlada por um pequeno número de vendedores ou fornecedores, e na qual a competição se baseia na propaganda e em pretensas diferenças de qualidade e não nas variações de preços.
Merece destaque também o parágrafo 6º do artigo 220 ao dizer que “a publicação de veículo de comunicação, independe de licença de autoridade”, isto é, a edição de jornais não depende de autorização/licença de nenhuma autoridade. Na realidade o que é necessário é o registro da pessoa jurídica proprietária do jornal no Cartório de Registro Civil de Pessoas Jurídicas. 
Na seqüência, no artigo 220, estão claramente descritos os quatro princípios a que está sujeita a produção das emissoras de rádio e televisão, os quais, nunca é demais repetir, são: 1º – dar preferência a finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas; 2º – promoção da cultura nacional e regional e estímulo à produção independente que objetive sua divulgação; 3º – regionalização da produção cultural, artística e jornalística, conforme percentuais estabelecidos em lei; 4º – respeito aos valores éticos e sociais da pessoa e da família.
O artigo 222 em seus parágrafos se ocupa de uma relevante questão que é a propriedade de empresa jornalística e da radiodifusão sonora e de sons e imagens, ressaltando que esta propriedade “é privativa de brasileiros natos ou naturalizados há mais de dez anos, ou de pessoas jurídicas constituídas sob as leis brasileiras e que tenham sede no País”.
Em próximo artigo encerrarei o panorama sobre a Constituição e a Comunicação Social iniciando pelo detalhamento das restrições à propriedade das empresas de comunicação social.


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