Arquivo mensal para 08/06

A simplicidade na Publicidade de rádio ainda é o caminho da sabedoria. Como era há 50 anos.

28/08/06

O creme Rugol era um grande sucesso de vendas na década de 50 do século 20. E o rádio, por sua vez, disputava com o jornal o primeiro lugar no ranking de importância como mídia de massa. A Televisão, inaugurada em 1951, dava os seus primeiros passos. Mas, sem saudosismo, é preciso reconhecer que as peças publicitárias de rádio naqueles tempos brilhavam principalmente pela simplicidade.
 Por Chico Socorro

É preciso reconhecer, as coisas mudaram muito na publicidade brasileira nos últimos 10/15  anos. Para falarmos apenas da mídia eletrônica (brevemente digital), além do amadurecimento da Televisão, agora estamos vivendo o desabrochar de uma nova mídia que é a Internet. Para a qual, diga-se de passagem, por enquanto, a publicidade ainda não encontrou o formato e a linguagem adequados. É claro que o consumidor mudou. Entre essas mudanças, ele desenvolveu novos hábitos em relação ao  consumo de mídia. E é óbvio também que vivemos uma aceleração de tudo. As coisas acontecem com uma rapidez que a maioria de nós não tem como acompanhar. É comum hoje o jovem  pesquisar algo  para seus estudos na Internet e ouvir uma música no rádio, tudo ao mesmo tempo. Isso quando ele não está ligado numa terceira coisa… Ninguém tem tempo para nada. As pessoas não conseguem se concentrar em nada.
Resumindo, num mundo cada vez mais complexo, o que todos querem e precisam é de simplicidade. O que não quer dizer simplismo. Mais do que nunca precisamos voltar às mensagens simples, claras e bem direcionadas.
O Rádio tem sido, historicamente, a mídia mais popular. Daí também a necessidade de mais clareza ainda em sua comunicação publicitária. O que se nota, no entanto, é que muitas mensagens veiculadas no rádio atualmente ou são   “gritadas”, sinal dos tempos, ou contem partes  incompreensíveis para a  maioria das pessoas. Ou então, elas não se fixam numa idéia, diluem a mensagem em 3 ou 4 idéias.
Para ilustrar essa nossa tese da necessidade de ser simples no rádio, buscamos um exemplo da década de 50 do século passado.
Muitos dos Caros Ouvintes  da Melhor Idade, principalmente as mulheres, certamente se lembrarão de um jingle antológico.
Trata-se do jingle  do Creme Rugol. A simplicidade começa pelo nome. Nada mais explícito do que esse nome para dizer para que serve o produto.
 
Essa peça publicitária, ainda  hoje gostosa de ouvir, contém uma única idéia, a idéia de que o creme Rugol contribui para a beleza feminina.
 


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Radiojornalismo de vanguarda (Parte 8)

28/08/06

Caro companheiro de jornada nesta série de lembranças de coisas que passaram, mas que continuam vivas. Somente a introdução do que compete ao redator de notícias é suficiente convite à meditação do que o profissional de comunicação deve ter como fundamento de sua atividade. Mais importante ainda é que em Adolfo Zigelli essas recomendações vão além de simples sugestões. São, na verdade o evangelho em que ele acredita e como ele o pratica.
Por Antunes Severo

Para Adolfo Zigelli, um redator de notícias é o filtro de um complexo de informações. Deve saber intuitivamente o que é mais importante. Não redige aquilo que pode parecer mais importante, mas aquilo que é realmente importante. É um bandeirante que penetra pelos campos fascinantes da notícia, dando-lhe a sua personalidade, burilando-a, cuidando dela como o joalheiro cuida do seu brilhante. A notícia deve sair da redação como jóia burilada, sem nenhum defeito. Sem palavras supérfluas, sem considerações irrelevantes. Deve constituir-se numa fórmula, acrescentada ela a personalidade do redator.
A fórmula é simples e clara: 3Q+CO+O+p = Notícia. Didático, Zigelli insiste: Lembre-se, sempre, dessa fórmula. Responda a estas perguntas: Que? Quem? Quando? Como? Onde? Por quê? E você terá a notícia. E concluía: Desses elementos, destaque, na primeira frase, o mais sugestivo, capaz de interessar imediatamente o ouvinte. Antes de dizer que na rua tal, Fulano de Tal matou cicrano de tal, lembre-se do impacto e comece assim:
Florianópolis – (AZ) – Com um tiro na cabeça o senador Silvestre Péricles…
Desenvolva a notícia segundo a ordem decrescente de importância e atualidade de cada pormenor. Lembre-se que rádio é atualidade. Jamais use as palavras ontem e anteontem, salvo se para acrescentar um detalhe. Nunca use a expressão ontem quando estiver contando um fato pela primeira vez.
E a lista de recomendações segue, na mesma balada, derrubando por terra os principais lugares-comuns das redações arcaicas:
:: Escreva o mínimo. Dê o máximo de informação.
:: Conte o fato com boa gramática, sem pompa e sem afetação.
:: Mãe é mãe e não genitora.
:: Quem volta não regressa.
:: Doença não é enfermidade.
:: Advogado não é causídico.
:: Médico não é esculápio.
:: Churrascada, necessariamente, não é suculenta.
:: Catarinense não é ilustre conterrâneo.
:: Data não é efeméride.
:: Morte não é passamento.
Não use expressões como “segundo informou o mesmo”, ou “disse que o mesmo estava” ou ainda “disse o referido”.
:: Abraço não é amplexo.
:: Deitado de costas não é decúbito dorsal.
Evite o pernosticismo de expressões do jargão profissional, salvo aqueles já correntes na linguagem.  
:: “Furo de reportagem” é coisa do passado.
Grandes jornalistas há diversos. Que são ou que se julgam. Bons jornalistas, muito poucos. Verdadeiros jornalistas, quase nenhum. Seja um deles.
O horário legal é de cinco horas. Mas só se é jornalista 24 horas por dia.
:: Evite como a peste, as palavras desnecessárias.
Elimine os qualificativos, principalmente os tendenciosos e as frases feitas, salvo as que vão diretamente ao entendimento do ouvinte.
Evite as palavras chulas e da gíria, não incorporadas à linguagem geral. Nada de palavras preciosas e frases sensacionalistas.
:: Leia sempre a matéria que escreveu antes de entregá-la.
Freqüente dicionários, enciclopédias e outras fontes de informação e referência.
:: O catálogo telefônico é uma das melhores.
Evite fórmulas e expressões genéricas, sempre que dispuser de informação e elementos preciosos.
Não comente jamais a notícia. Se o jogo foi dois a dois, interessa apenas ao comentarista se ele foi fraco ou bom.
Nunca generalize a uma classe o que foi feito por um ou por um grupo de indivíduos.
Pensei reproduzir o manual até o seu final nesta edição. Mas, estou gostando tanto de rever estas recomendações e de relembrar os papos que se estendiam pelas madrugadas quando, muitas vezes, nos sentíamos meio solitários. Dom Quixote e Sancho Pança, não tem? Felizmente, para nós, pelo menos, as dúvidas noturnas morriam afogadas numas boas talagadas de conhaque Dreher no Bar Universal, ali no início da Jerônimo Coelho seguidas do calor reconfortante dos braços da mulher amada. Até semana que vem, de preferência com os seus comentários.


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Rede da Legalidade, há 45 anos, o rádio como garantia constitucional (2)

28/08/06

É no domingo, 27 de agosto de 1961, que começam as transmissões da Rede ou Cadeia Nacional da Legalidade. O primeiro pronunciamento do governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola, pouco depois das 14h, estende-se por 36 minutos. Discos com marchas militares – muitos deles do programa Aí vem a Banda, da própria Guaíba – alternam-se com proclamações e manifestos.
 Por Luiz Artur Ferraretto Leia mais…

Rádio MEC: setenta anos de história na história do rádio do Brasil

28/08/06

Bem se sabe que a idade cronológica é apenas um dos indicativos que contam na história de um ser ou coisa qualquer. Agora, quando se trata de uma emissora de rádio os anos vividos precisam representar significativa contribuição à cultura, à arte e à informação dos ouvintes. Pois é o que acontece com a jovem setentona carioca Rádio MEC.
Da Redação

O mês de setembro será todo dedicado à programação especial de aniversário a ser cumprida dentro e fora das emissoras que compõe o sistema Rádio MEC. O programa, como informa Lílian Zaremba que concebeu e coordena o evento conta com a participação do Museu de Arte Contemporânea de Niterói que completa 10 anos de existência. As comemorações pretendem “brindar o público com um evento que agregue ousadia, criatividade, paixão e espírito público”.
Uma exposição reunindo obras plástico-sonoras, audições de programas especiais da Rádio MEC, rádio shows ao vivo e mesas redondas, visam desnudar a sintonia entre arte e o rádio, parte desta comunhão simbólica que a corrente MAC MEC trás para desfrute do público que freqüentará o MAC durante o mês de setembro. Este é apenas o começo de uma revolucionária parceria que poderá vir a oferecer muitos frutos no futuro, com toda certeza para alegria daqueles que amam a cultura, a arte e o rádio, lembra Lílian.
Leia mais: http://www.radiomec.com.br/


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Astros do crime

28/08/06

No momento em que a violência generalizada ataca a imprensa, é hora de se fazer uma reflexão sobre o excesso de divulgação das ações de bandidos e organizações criminosas, feitas pelos meios de comunicação. A exposição desses criminosos na mídia e tudo o que eles querem.
Por Jamur Júnior

Na década de setenta apareceu em Curitiba um bandido que deu muito trabalho à polícia e fez a alegria de repórteres policiais. O dito cujo recebeu da imprensa o apelido de Chacal. Com muita freqüência Chacal ocupava a primeira página de jornais especializados no setor, contando detalhes de seu último crime. O bandido acabou na cadeia, seu endereço mais adequado.
O detalhe que chama atenção e que motiva este comentário é a entrevista que  concedeu no momento de sua prisão. Chacal declarou aos repórteres que gostava muito de ver seu nome e sua fotografia nas páginas dos jornais, ouvir suas histórias de crimes no rádio e na televisão. A divulgação constante das ações desse marginal contribuiu para que Chacal se transformasse num ídolo de bandidos menores e líder no seu meio.
A lembrança vem a propósito do grande destaque que órgãos de comunicação estão dando para essa nova safra de criminosos, como Fernandinho Beira-Mar, Marcola e outros bandidos que, a exemplo de Chacal, precisam de grande exposição na mídia para manter sua condição de líder da bandidagem.
Marcola – o líder de rebeliões e da guerrilha urbana que vem atormentando a população de São Paulo, no alto de sua importância como bandido de prestígio, faz questionamentos sobre transferência de presídio e participa de negociações com membros do governo paulista, ao mesmo tempo em que mantém sua liderança sobre bandidos presos e bandidos soltos.
Fernandinho, quando de sua transferência, ganhou grande espaço na imprensa como o primeiro inquilino do presídio federal em Catanduvas. O fato foi noticiado como se fosse um privilégio para alguém importante, um feito honroso. “Fernandinho, o número UM, em Catanduvas” foi a manchete de um jornal.
 
Com tanta exposição não se assustem se qualquer dia aparecer um deles na televisão fazendo comercial de bebidas, celulares e pistolas.
Não seria o caso de se promover um grande pacto da imprensa brasileira e eliminar da pauta dos veículos todo tipo de crime e seus autores? Pelo menos uma experiência de 90 dias, sem notícias de crimes e bandidos, para ver o resultado.
É provável que sem mídia, muitos bandidos irão protestar e pressionar as autoridades para que a imprensa volte a divulgar suas atividades criminosas.
Sem a fama que a mídia lhes dá viram bandido comum, sem prestígio, força e poder.     
*Jamur Júnior, destacado profissional de comunicação do Paraná, começou a carreira de radialista em 1950. No final da década de 1960 viveu boa parte do auge do rádio em Florianópolis trabalhando nas rádios Jornal A Verdade e Diário da Manhã. Escreveu dois livros: o primeiro lançado em 2001 conta a “Pequena história de grandes talentos”, onde narra os primeiros passos da televisão no Paraná e o segundo, Sintonia Fina – histórias do rádio, lançado em 2004.


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Donato Ramos: inquietação, banzo ou angústia?

28/08/06

Fiel companheiro, amigo de longa data, Donato Ramos, agora é um projeto de mané. Projeto de mané ilhéu, porque mané (e caipira, que é quase a mesma coisa) ele é desde quando era paulista, no século passado. Como muitos outros, o pequeno está estranhando o ritmo do andar da carruagem nestas paradisíacas paragens. Então, escreve todo choroso.
Por Antunes Severo

Claro que você já pensou, mas vai um reforço: que tal – lembrando a Revista do Rádio – o surgimento de “CAROS OUVINTES-REVISTA”, contando a vida dos radialistas antigos e novos, da programação radiofônica atual, comparando-a as antigas programações, as formas de fazer rádio, o advento das FMs e, agora, da Digital?
Vamos nos lembrar que nem todos os radialistas acompanham o Caros Ouvintes na Internet, até pela impossibilidade de se obter um computador doméstico. Radialista hoje, tenho a impressão, não é mais profissional, a não ser pouquíssimas exceções.
A única emissora que pagou bem aos seus profissionais foi a Rádio Clube de Itajaí, sob o seu comando e de Silveira Júnior nos idos de 1957/58. O Caros Ouvintes-Revista seria um grande apoio ao que sobrou de radialistas bem intencionados.
Por falar em Rádio, fui conhecer uma emissora comunitária, aqui do Campeche. Como aposentado sem ter nada o que fazer, tornei-me sócio  (trinta reais por ano) e ofereci os meus préstimos. Doei meus livros, doei uma máquina de escrever, participei de reunião, levei uns quadros que pintei para colocarem nas paredes (A emissora só tem quatro paredes mesmo!) e lhes dei alguns CDs que gravei com o meu conjunto de músicos antigos – o Somar Trio.
Resumo:
:: Não leram os livros.
:: Não usaram a máquina.
:: Não penduraram os quadros.
:: Não manifestaram interesse algum em meus préstimos.
:: Não tocaram – nunca! – os meus discos.
Num dos dias que lá estive bisbilhotando, também se fez presente uma quase formada  jornalista, oferecendo-se para ajudar a discutir a grade de programação que a emissora estava anunciando para breve. Ninguém quis saber do seu papo de “oferecida”. Falei com ela, disse que era jornalista e radialista aposentado e que, também, estava oferecendo os meus préstimos e sugeri que aguardássemos que nos chamassem.
Acho que ela também desistiu de ajudar de alguma forma a Rádio Campeche. Se você ligar domingo à tarde vai sentir por quais caminhos eles pretendem caminhar. É tenebroso quando o gajo diz:
ALOOOOOOOOOôõõõ… COMU NIDAAAAAAADEEEEE!
Vamos agora pro dicionário conhecer “palavras novas…”.
Aí o Donato, faz pausa, respira fundo e continua:
Antunes: eu precisava contar essas coisas pra você. Você sabe que eu nunca desisto. Saiba de outras incursões deste velho de setenta anos, procurando fazer alguma coisa para integrar-se na vida da comunidade à qual pertence agora, já há quatro meses. Como estou pertinho da Lagoa da Conceição, fui conhecer a Feirinha. Pouco divulgada, fica lá, às moscas, com tanta coisa bonita para ser mostrada ao povão.
Conheci um tocador de violino, muito do louco, mas muito do competente. Tinha, apenas, um “cedezinho” feito em casa. Comprei o CD. Tirei diversas cópias e dei pra ele vender. Fiz capas novas para o CD, incluí algumas músicas do meu CD e dei um título: “Feras da Feira”.
Conheci outro que fabrica os mais incríveis instrumentos musicais, inclusive tal de Bambu-Sax. Uma flauta de bambu com palheta de sax verdadeiro. Uma maravilha! Também tinha um CD gravado em casa. Fizemos uma troca de discos e tirei diversas copias pra ele vender. Criei novas capas de CD e incluí os três CDs no feras da Feira.
Conheci outro artista: também – como eu, tocador de gaita de boca. Um artista consagrado, vindo de Minas Gerais há pouco tempo. Tem uma respeitável loja na Lagoa e discos gravados com grandes músicos do eixo Rio-São Paulo-Minas (roda de três eixos). Levei o CD pra casa. Fiz a mesma coisa: incluí no Feras da Feira.
O pensamento era reunir todas as tardes de domingo na Feira da Lagoa, os músicos que por aí existem sem chances, tocar juntos e promover a venda das suas produções musicais.
Conheci outros dois: ritmo e Clarineta. Eles tocam em restaurantes e passam o chapéu para obter uns trocados e vivem disso. Sugeri que gravassem um CD e, ao final da apresentação, vendessem os CDs. Seria menos constrangedor do que “passar o chapéu”.
Pois bem, resumindo:
:: O tocador de violino sumiu.
:: O inventor de instrumentos nunca mais apareceu na Feira pra vender os seus magníficos instrumentos musicais.
:: O gaitista é rico e já famoso. Não deu bola pro projeto do Feras da Feira.
:: E aqueles “que passam o chapéu” – quando eu telefonei pra casa deles – disseram que era mais conveniente passar o chapéu do que vender CDs. Dava mais lucro daquela forma e menos trabalho que ficar gravando.
Novamente, como se nada tivesse acontecido, Donato volta a atacar.
Fui a um local que achei sensacional: Café do Poeta!
Como sou imortal da Academia Cascavelense de Letras, já imaginei reuniões com os poetas e escritores da Ilha, naquele local, com apresentações das obras – que são muitas! – pululando por aí em cada esquina. Esta terra tem mais artista que aposentado do governo!
Falei com o dono do local.
Resposta:
:: Dá muito trabalho e essa gente não gasta nada. Ficam aí conversando e tomando só cafezinho!
Ontem assistindo a “Zúlia” da Belíssima (parece que só me sobrou isso mesmo, assistir as novelas), o grego Nikos disse uma frase lapidar: O homem deve viver onde ele existe!
Mas lhe pergunto Eurides Antunes Severo:
Neste andar da minha carruagem, onde é que existo?


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Sem medo de errar

26/08/06

1. “Maguary,
Maguary,
É o suco!”

2. Você não imagina a sensação que sentimos quando a agência onde trabalhamos conquista uma nova conta.
Por Eloy Simões

É como se tivéssemos um orgasmo triplo, disse-me uma vez famoso publicitário. Não sei se dá pra descrever de outra forma esse sentimento.
Mas isso que é maravilhoso pode ser uma armadilha. Às vezes recebemos um cliente que usa um excelente conceito de comunicação. E apesar de ele ter caído no gosto do consumidor, ficamos loucos de vontade de mudá-lo. Então, cometemos um assassinato.
3. Certos de que somos capazes de fazer melhor, simplesmente o abandonamos. Trocamos por outro, da nossa laia, que não pega, porque a partir dali fazemos a comunicação perder o rumo.
Veja, por exemplo, a Brastemp, que atirou no lixo o “não tem comparação”, e o bordão “não é nenhuma Brastemp”, por ele gerado. Olha o que está acontecendo agora, com a comunicação dessa marca.
Lembra-se do “a número um”, da Brahma? Pois é. Tomara que não cometam a loucura de abandonar o “desce redondo”, da Skol.
Ainda bem que alguns crimes às vezes são reparados. Recentemente vimos
O “vem pra Caixa você também” ser ressuscitado. Agora é a vez do
baixinho da Kayser, do Garoto Bom Brim e do mordomo daquele papel
higiênico.
 
4. Vivi essa tentação uma vez, quando a agência que ajudava a dirigir pegou a conta da Maguary. Recebi o brief e logo me veio à memória a assinatura utilizada, durante vários anos, para essa marca e que algum gênio largou pelo caminho.
Movi céus e terras, até descobrir o nome do autor. Que na época já havia falecido. Encontramos a viúva, negociamos com ela e ressuscitamos a vinheta.
Baita sucesso. Para minha surpresa, gente que não havia nascido ou era muito criança quando ela foi veiculada da primeira vez, lembrava-se dela. Não sei como.
5. Ou sei: a vinheta, como escrevi outro dia, tem uma força extraordinária. E vai ficando em algum canto da cabeça das pessoas, à espera de que alguém a faça voltar. E por alguma razão – qual eu não sei – vai passando por gerações, estranhada que fica na memória popular. Mas isso é coisa para os psicólogos e psiquiatras explicarem.
 
6. Claro que manter no ar uma peça em cuja criação não tivemos a menor influência, exige uma alta dose de profissionalismo e muita humildade. Mas vale a pena.


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Excelente iniciativa

22/08/06

A Secretaria de Estado da Educação, Ciência e Tecnologia do Estado de Santa Catarina, através do Centro de Educação Profissional Dr. Jorge Lacerda-CEDUP-JL, realizou, em Florianópolis, um Curso inédito em Santa Catarina.
Por Cesar Luiz Pasold

O Curso teve por título “Comunicação em Rádio e TV”, ministrado de março a julho de 2006, com o apoio da Federação das Entidades mantenedoras das Rádios Comunitárias, Rádios e TVs Educativas de Santa Catarina-FEMARCOM/SC. A Coordenadora do Curso foi a Professora Maria Nilda Martins e o Ministrante coordenador foi o Advogado e Professor MSc. José Braz da Silveira, este último Diretor da Rádio Biguaçu FM, Emissora Comunitária de Biguaçu/SC.
O objetivo fundamental do referido Curso foi “qualificar profissionais de comunicação, apresentadores, programadores e locutores de Rádios e TVs, dotando-os de conhecimento técnico, cultural e científico para exercerem suas atividades com maior eficiência”. Ele foi concebido a partir da constatação por parte de seus idealizadores da “sua real necessidade”, uma vez que “as emissoras de Rádio e TVs sentem a necessidade do aperfeiçoamento constante dos seus colaboradores para que estes possam prestar um serviço cada vez melhor à Sociedade”.
O Projeto do Curso de “ Comunicação em Rádio e TV”, enfatizou um aspecto muito importante da realidade e que merece divulgação : “ as Rádios Comunitárias, TVs e Rádios Educativas prestam seus serviços muitas vezes por meio da colaboração voluntária das pessoas da própria comunidade. Falta, entretanto, dotar estas pessoas de conhecimentos básicos de comunicação e expressão para que a Sociedade possa receber um serviço de maior qualidade. Praticamente todos os profissionais que atuam nas Rádios Comunitárias, o fazem em forma de serviço voluntário, entretanto, a Sociedade espera um trabalho exercido com eficiência. Muitas dessas pessoas não possuem elevada experiência na área , mas é visível o interesse em ampliar os seus conhecimentos”.
Os temas abordados no Curso foram : Comunicação e Expressão; História e Geografia Catarinense; Legislação específica; Comunicação Social; Ética na Comunicação; Arte de Comunicar, além de aulas práticas de locução.
Tive a honra e o prazer de ser o Ministrante do tema ÉTICA NA COMUNICAÇÃO e , convivendo por quatro horas aula com os Participantes do Curso, pude constatar a validade desta iniciativa e o elevado interesse e completa atenção dos Alunos oriundos de todas as regiões do nosso chão Barriga Verde. Excelente iniciativa! Parabéns aos seus promotores!!!
Que esta idéia extraordinária prolifere e mais Cursos dirigidos à qualificação  de quem trabalha  em veículos de comunicação de massa sejam ofertados, imediatamente, em nosso Estado!


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Jornalismo de Vanguarda (Parte 7)

22/08/06

Para que você leitor mais jovem possa analisar uma das fases mais tumultuadas vividas pela política brasileira em meados do século passado, um pouco de história é fundamental.
Por Antunes Severo

O golpe militar de 1964 que manteve o país em regime ditatorial por mais de 20 anos, pode ter começado em 1945. Explico: Getúlio Vargas, ditador desde 1937 quando criou o “Estado Novo”, foi deposto em 1945. Nesse ano institui-se a Terceira República que no período de 1945-1965 teve 10 mandatários. Entre os quais João Belchior Marques Goulart eleito vice de Jânio Quadros e derrubado do poder em 31 de março de 1964. Fazer jornalismo – impresso, radiofônico ou televisivo – nessa época era mais do que um desafio, muitas vezes era mesmo um perigo.
Em Santa Catarina embora de forma mais branda ou menos ostensiva reinava a censura iniciada com a tomada de posse do governo pelos militares. A Rádio Diário da Manhã, inaugurada em janeiro de 1955, destacava-se pela audiência de dois programas de rádio Jornalismo: A Marcha dos Acontecimentos, um programa crítico-opinativo de caráter político e o Correspondente Renner, uma série de quatro edições diárias de oito minutos ao estilo do consagrado modelo do Repórter Esso. Adolfo Zigelli, com uma equipe de mais seis profissionais, produzia e apresentava ambos, além de exercer as funções de diretor da Divisão de Radiojornalismo da emissora.
Adolfo Zigelli percebendo a pressão diária feita sobre a linha editorial da emissora, viu na criação de um documento que chamou de Regras de Redação, o instrumento que lhe daria mais força para defender a profissionalização do radiojornalismo como instrumento de credibilidade da emissora e de respeito para com os ouvintes.
Na edição da semana passada apresentamos os pontos básicos do manual e até uma notícia de como exemplo de aplicação do modelo. Hoje, portanto, passaremos a apresentação do manual com base na metodologia adotada por Moacir Pereira em seu livro Adolfo Zigelli – jornalismo de vanguarda, inclusive respeitando a ortografia da época.
RDM –Divisão de Rádio-Jornalismo. Regras de Redação
Comecemos com algo realmente importante: aqui todos têm direitos.
Mas, para obtê-los, lembre-se que existem deveres. 
É dever de quem reclama direitos cumprir os seus deveres.
Em segundo lugar, também é importante recordar que aqui vivemos o nosso trabalho; e se aqui trabalhamos vamos trabalhar juntos, num clima de cordialidade. É vantagem para cada um e vantagem para todos. Se algum colega lhe pedir a cobertura de um horário, faça o possível para atende-lo. Lembre-se que amanhã quem pode desejar ir a uma festa ou a um cinema, é você. Se o seu colega faltar e não lhe prevenir, faça-o do mesmo jeito. No mínimo ele lhe ficará agradecido.
Não cobre os favores que fizer. Um favor espontâneo – fique certo – é retribuído, hoje ou amanhã.
O rádio – no estágio atual do desenvolvimento brasileiro – é um veículo poderoso.
Quando tiver que prejudicar alguém no interesse público, pense duas vezes. Quando tiver de favorecer alguém, em particular, pense dez vezes. Quando tiver de prejudicar o interesse público, nem precisa pensar: rasgue o que escreveu.
O seu melhor crítico é você mesmo. Se você não estiver satisfeito com o que produziu, imagine a insatisfação do seu superior.
A sua missão é informar.
Por isso, mantenha-se bem informado.
Até a próxima semana com a apresentação de mais uma parte das Regras de Redação de Adolfo Zigelli.


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Finalmente, o Rádio

22/08/06

“Eu sempre achei que aquele monte de artistas ia mesmo ao seu programa.” Quando meu amigo me disse isso, não entendi. Há muitos anos a gente não se encontrava, havia muita coisa pra nos dizermos, e ele saia com aquela. Achei que ele tinha pirado.
Por Elóy Simões

“Do que você está falando?”
“Do programa que você tinha na rádio Urânio”.
(Rádio Urânio de Cachoeira Paulista, 1510 kilociclos (quilociclos? Não sei como se escreve isso, talvez você possa me ajudar) falando para o Vale do Paraíba, Sul de Minas e Baixada Fluminense. Era assim que nós dizíamos).
Lembrei-me: ele se referia a um programa que cujo nome não me lembro mais, em que eu imitava o que o Chacrinha apresentava no rádio carioca.
Era simples: ele lá e eu cá, naturalmente copiando-o, dizíamos que o programa era apresentado diretamente de um clube. Colocávamos de fundo um disco (sim, naquele tempo era de vinil) ora de palmas, ora de vozes, e anunciávamos o cantor ou a orquestra como se ele ou ela estivesse se apresentando ali, ao vivo.
Simples, mas eficaz: o programa fazia um enorme sucesso. E, como você viu pelo depoimento do meu amigo, é lembrado até hoje.
É exatamente por ter vivido, ainda muito jovem, a experiência de fazer rádio, que sou fanático por esse meio. E não me canso de defendê-lo, de elogiá-lo.
O curioso disso tudo é que sendo um meio tão importante, tem sido quase ignorado por médios e grandes anunciantes e por agências de publicidade. Tremenda injustiça.
Lembro-me de quando criamos, recentemente, a partir de uma idéia do Chico Socorro, o Prêmio Acaert de Rádio. A primeira reação que sentimos dos publicitários e até de alguns radialistas foi de ceticismo.
“Prêmio para o rádio? Não funciona. Nunca ninguém fez isso”. 
Funcionou. Surgiu e se consolidou o primeiro prêmio voltado exclusivamente para o rádio brasileiro.
Há pouco o jornal Propaganda e Marketing informou: o rádio foi incluído entre as categorias a serem premiadas no Festival de Cannes. Afinal, embora tardiamente, o reconhecimento internacional pela importância desse meio.
Está certo, foi o último meio de comunicação a ser incluído naquele evento, o que mostra o pouco caso com que ele foi tratado até aqui. Mas tudo bem: antes tarde do que nunca.
Por que festejo essa decisão? Por que, infelizmente, os publicitários (e, cá pra nós, os anunciantes também) são movidos a prêmio. E pode anotar: daqui para frente, eles vão caprichar mais. Vão correr atrás dos leões.
Sorte do rádio. Sorte nossa.


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Rádio só tem um ouvinte

22/08/06

O fato do rádio só ter um ouvinte enfraquece ou fortalece a importância desse meio de comunicação? O rádio sempre só teve um ouvinte? E quando a turma se reúne para acompanhar uma partida de futebol, como é que fica? O rádio sempre foi um meio de comunicação de um ouvinte só? Em duvida? Então leia o artigo de José Paulo Lanyi que selecionamos para você.
Da Redação

José Paulo Lanyi (*)
(Baseado em fatos reais)

Profissional 1 (editor-chefe de um novo programa de rádio e oriundo da TV):
-Olha, muda aí, “você vai ouvir” pra “vocês vão ouvir”.
Profissional 2 (especialista em rádio):
-Mudar pra quê?
Profissional 1:
-Muda, a gente tá falando pra várias pessoas.
Profissional 2:
-Claro, eu sei, mas em rádio não se usa plural pro ouvinte, isso é básico.
Profissional 1:
-Em TV a gente usa os dois, singular e plural. Qual é o problema?
Profissional 2:
-Bicho, rádio é “eu e você”. Não tem essa história de falar pra um monte de gente.
Profissional 1:
-Como não? Tá louco?
Profissional 2:
- Meu amigo, você já viu alguém dizer: “Bom, pessoal, é hora de ouvir rádio!” ou “Vamos todos ouvir rádio agora”? Isso não existe!
Profissional 1:
-Já ouvi, sim.
Profissional 2:
-Quando?
Profissional 1:
-Na hora do futebol.
Profissional 2:
-Isso é exceção, eu falo de programa. Imagina a cena. Todo mundo na sala, batendo papo, de repente um cara diz: “Fulana, pega o rádio, vamos lá no quarto ouvir o programa do Bolota Júnior”.
Profissional 1(rindo):
-Bolota Júnior?
Profissional 2 (diverte-se):
-É, Bolota Júnior, nome fictício. Um amigo meu usou na novela dele.
Profissional 1:
- Sei… E aí?
Profissional 2:
-Ninguém faz isso, bicho, ninguém convida ninguém pra ouvir rádio hoje em dia.
Profissional 1:
- Ah, mas nos confins do Brasil…
Profissional 2:
- Nos confins do Brasil é televisão, meu amigo! Televisão. Nego não tem grana pra comprar comida, não tem banheiro, mas tem televisão. Tem rádio também, mas esse não é o ponto, não tem isso de convidar pra ouvir. Se acontece é raro, é exceção, e exceção não conta.
Profissional 1:
- Tudo isso por causa de um plural.
Profissional 2:
- Pra você é bobagem porque não conhece o veículo, desculpa a sinceridade. O cara que ouve rádio ouve sozinho, no carro, na cozinha, o cara tá sempre fazendo outra coisa. O rádio é o companheiro, é a outra ponta do diálogo, entendeu? O ouvinte tá na rua, no trabalho, no raio-que-o-parta, tá sempre ocupado, você tem que chamar a atenção dele, o cara não pára só pra ouvir. (ironiza) Bom, só na hora da oração da Ave-Maria, né. Aí, sim, o cara pára tudo. Mas sozinho. Não é missa, é falar com a santa, entendeu? 
Profissional 1:
-Tá legal, deixa no singular mesmo.  
Profissional 2:
-Beleza.
Profissional 1:
-Me diga uma coisa.
Profissional 2 (saindo):
-Fala. 
Profissional 1:
-Você ouve a Ave-Maria?
Profissional 2 (bem-humorado):
- Às vezes…
(sai)
(*) Jornalista, escritor, ator, é autor de quatro livros, um deles com o texto teatral “Quando Dorme o Vilarejo” (Prêmio Vladimir Herzog). No jornalismo, tem exercido várias funções ao longo dos anos, na allTV, TV Globo, TV Bandeirantes, TV Manchete, CNT, CBN, Radiobrás e Revista Imprensa, entre outros. Tem no currículo vários prêmios em equipe, entre eles Esso e Ibest, e é membro da APCA (Associação Paulista de Críticos de Artes).
Nota da Redação: a matéria foi publicada no site: http://www.comunique-se.com.br/ 


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Morrendo triste na praia

22/08/06

O PEG (Programa Eleitoral Gratuito) começou amplamente comentado pela mídia e por todo mundo. Referências ao PT desapareceram, o vermelho sumiu, a estrela se foi, o nome Alckmin foi vetado, a barba do Enéas a quimioterapia levou. Parece um mundo novo onde nada mudou – apenas omissões e censuras. Dizer que a gente tem que chamar o candidato do PSDB de Geraldo porque Alckmin é difícil de dizer, é uma bobagem. Há muitos anos, não votamos em Juscelino Kubitschek? Eta nomezinho difícil! Ele venceu apesar disso.
Por Anna Verônica Mautner

Acho Geraldo genérico demais; Lula sem PT, um soco na barriga; PT descolorido, uma bobagem; estrela minimizada um suicídio que pode redundar em vitória final. Tudo pode acontecer quando tudo “tanto faz”. Foi decretado o fim da vontade popular. Já vai longe o tempo, nem falo das “Diretas Já”, mas sim do Juscelino, do Jânio, sem esquecer o Getúlio e seu herdeiro Jango. Também não há mais esquerda ou direita.
Mas não é isso que interessa a nós, ouvintes de rádio. A quarenta dias da eleição, eu ainda não decorei um jingle sequer. Estou até pensando, hoje, 18 de agosto, se tem jingle ao todo. Será que proibiram jingles? Tem uma música no começo do programa, mas não é música de entoar.
Marketeiros, marketeiros, jingle é bom. Quando pega ninguém apaga.
E as palavras de ordem? Até hoje me lembro do “Para frente, para o alto”, “Lula lá, Lula lá”, etc. O que é que aconteceu? Além da falta natural de entusiasmo, temos agora marketeiros envergonhados? Partidos se escondendo?
Foi decretada a falência geral. Falir é sempre uma vergonha. Até o dia 18 de agosto, data em que escrevo estas mal traçadas linhas, não vejo eco, não vejo saudação, perscruto o mundo à procura de esperança. Em verdade vos digo, caro leitor, que o Presidente será eleito presidente por força de uma imovível inércia.
Não. Não. Não. Eleição sem jingle e palavra de ordem não existe não. Eu sinto muito ter que assinar que em torno de mim vejo o voto dos desesperançados, que nem ao menos ostentam a panela vazia, símbolo de tantas eleições. Nem descamisados existem mais, nem cinqüenta em cinco.
Agonizamos na falta de fé. Agonia da falta de esperança. Já nem peço bons candidatos. Satisfaço-me com bons marketeiros. Qual a diferença entre a Hora do Brasil e o PEG? Na Hora do Brasil tem, pelo menos, Carlos Gomes anunciando o início.
Podemos dizer que eliminar os elementos das técnicas da publicidade talvez signifique eleição civilizada, politizada. Ao invés de jingle, palavra de ordem funcionando como mantra, estaríamos tendo eleitores pensantes que estariam a avaliar os programas, as propostas dos candidatos.
Será?!
Desejo, mas não creio.


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Somos os patrões dos políticos. A eleição serve também para demitir, sem justa causa

22/08/06

Hoje, aproveitando o momento político e o início da propaganda eleitoral, vamos mudar um pouco de assunto. Vamos falar da campanha da Justiça Eleitoral que está sendo veiculada em todas as rádios (e TV) do País que diz que somos os patrões dos políticos. E falar de políticos, infelizmente, implica também em falar da corrupção desenfreada que assola o país.
Por Chico SocorroBem, nem tudo está perdido neste país, onde, a cada diz surge um novo escândalo.
A bola da vez é a Operação Dilúvio, da qual Santa Catarina não ficou de fora, estando bem representada pelo assessor especial da Secretaria da Fazenda, Aldo Hey Neto, que tinha guardado em suas duas casas uns trocados, cerca de 2 milhões de reais, entre dólares e reais.
Mas, seu advogado já ajuizou o devido hábeas corpus para que ele responda pelo crime em liberdade…. mesmo considerando que toda a mídia – nacional e catarinense, tivesse mostrado uma foto eloqüente de parte dessa montanha de dinheiro. Precisa de mais provas do que isso?
Mas, voltando ao tema, somos informados através da Mídia pela Justiça Eleitoral, em boa hora, de que somos patrões dos políticos.  Não há como negar que essa campanha de conscientização revela um amadurecimento da Justiça Eleitoral em nosso país. Uma prova desse amadurecimento esteve nos jornais dos últimos dias: o Presidente Lula foi multado pela Justiça Eleitoral em 900 mil reais por ter feito propaganda eleitoral fora do tempo legal. Um valor que ultrapassa o valor do patrimônio do Presidente.
Mas o Presidente ainda pode recorrer da multa e, no limite, se perder a causa, o PT paga com os fundos da campanha. A pessoa física – o senhor Lula da Silva, não será penalizado.
Então, como o eleitor pode fazer justiça e demitir os maus políticos?
Em primeiro lugar, registre-se que a Mídia, em geral, tem feito bem o seu papel de denunciar: tem publicado os nomes e fotos de todos os implicados nos dois maiores escândalos que abalaram o país nestes dois últimos anos: Mensalão e Sanguessugas. Embora o povão mesmo tenha pouco acesso aos jornais, a Televisão tem se incumbido de divulgar os nomes e fotos dos implicados.
Para demitir certos políticos, cabe agora ao eleitor simplesmente barrar a reeleição daqueles políticos implicados coma corrupção e que estão na Mídia, usando o direito do voto.
Na dúvida, procure sempre uma opção melhor.
Vamos ajudar a limpar os legislativos, Estadual e Federal de pessoas que querem se reeleger apenas para se locupletarem.
Qualquer patrão faria isso com um empregado que frauda a sua confiança. Certo?


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Rede da Legalidade, há 45 anos, o rádio como garantia constitucional (1)

22/08/06

– Peço a vossa atenção para a comunicação que vou fazer. Muita atenção. Atenção, povo de Porto Alegre! Atenção, Rio Grande do Sul! Atenção, Brasil! Atenção, meus patrícios, democratas e independentes, atenção para minhas palavras.  Por Luiz Artur Ferraretto Leia mais…

O que é um bom jingle?

16/08/06

1. “Varre, varre,
Vassourinha,
Varre, varre,
a bandalheira
o povo,
já está cansado,
de viver,
desta maneira…”
Por Elóy Simões

2. Jingle, quando é bom, faz o cidadão cantar, comprar a idéia ou a mercadoria. E é inesquecível. Os anos passam e ele não sai da nossa cabeça.
O problema é identificar o bom jingle.
Tenho aqui comigo uma idéia. Um roteiro que me guia quando tenho de analisar um.
Vamos ver se você concorda.
3. Em primeiro lugar, o jingle tem de ser fiel ao conceito da empresa, do produto ou serviço, da campanha. Como todo bom conceito, ele precisa fazer o público-alvo – consumidor ou cidadão – visualizar. Tem de usar o poder do som,  de gerar imagem na cabeça de quem o ouve.
Veja, por exemplo, o jingle cujo pedaço citei no início destas mal traçadas.  Ele faz lembrar a vassoura, símbolo que o então candidato Jânio Quadros carregou desde o início da sua carreira militar.
4. Em segundo lugar, tem de ser simples. Nada de palavras difíceis – a menos que elas sejam utilizadas para ressaltar o humor. Nem de música sofisticada. Quanto mais simples, na letra e na música, mais assimilável. As antigas marchinhas de carnaval, que faziam o povo cantar nos salões e nas ruas,  são um bom guia. Quem se envolve na criação e na análise de um jingle devia ouvi-las. Intensamente.
5. Em terceiro lugar, deve-se caprichar no que se vai dizer. Jamais limitar o texto em uma mera repetição do brief. O autor precisa ser criativo, na hora de escrever a letra. E o responsável pela aprovação da peça, sensível.
6. É a minha receita. Se os ingredientes agradarem você, misture-os a vontade. E sirva-se a gosto.


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