Arquivo mensal para 06/06

Ética e cidadania: o jornalismo político em tempo de eleições

30/06/06

Os alunos da 5ª fase matutina do Curso de Jornalismo da Faculdade Estácio de Sá de Santa Catarina produziram um programa radiofônico sobre o tema ética para o trabalho interdisciplinar do primeiro semestre 2006. 
 Por Ronaldo Bittencourt e Paloma Bock

A dupla Paloma Bock e Ronaldo Bittencourt falaram em seu trabalho sobre o comportamento do jornalismo político em tempo de eleições.

Foram entrevistados jornalistas,  pesquisadores, políticos e citaram alguns artigos do código de ética profissional. Neste programa podemos conferir a opinião sobre o assunto da jornalista Delis Ortiz da Rede Globo de Tevisão, bem como do Deputado Federal pelo PPS , Roberto Freire. Além disso estão presentes O Diretor-executivo da ONG Transparência Brasil , Cláudio Weber Abramo, e do Professor do Curso de Jornalismo da UFSC e especialista em ética , Francisco José Karan,   e o  Presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI),  Maurício Azedo .


Ronaldo Bittencourt entrevista o parlamentar Roberto Freire.

O programa contou com a participação especial do radialista  Silvio Fortini de Oliveira. Os trabalhos na técnica foram executados pelos sonoplastas Márcio Goebel e Davi da Silva. Paloma Bock e Ronaldo Bittencourt fizeram a produção, apresentação e as reportagens.  


O charme de Paloma Bock.

 
O Olhar 43 de Ronaldo Bittencourt.

 


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O cofre do morto

27/06/06

O filho mais velho veio ver a mãe. Depois de alguma conversa, apontou para o cofre. Disse que deviam abri-lo. A mãe sabia o segredo? Ela estremeceu. Concordara em desfazer-se das roupas do marido, não tinha mesmo sentido ficar com elas, mantê-las seria apenas aumentar a tristeza.
Por Flávio José Cardozo

Concordara em dar o relógio para o mais velho, a caneta para o mais moço, e sabia que outros objetos acabariam saindo também de seu controle. Mas isso de mexer no cofre, não, não queria. O cofre era tão dele, de certo modo tão ele. Não gostava nem um pouco daquela idéia de abri-lo.
Respondeu que não sabia o segredo. E falava a verdade. Nunca ele disse qual era e nunca lhe perguntou. Desde logo ela entendeu que aquilo que o pedreiro veio embutir na parede era um território dele, exclusivo. Já havia sido bem claro quando chegou com o embrulho: na sua habitual voz baixa, disse que tinha comprado um cofre, e dando um pouco mais de peso às palavras, um cofre para guardar suas coisas. Nem precisava dizer, já não o conhecia? Nem passou pela cabeça dela a conveniência de guardar ali, ao abrigo de algum ladrão, também as suas jóias simples mas bem-amadas, o colar, um anel, os brincos que eram da mãe e que usou no casamento. Continuou guardando-as, como sempre, numa gaveta da cômoda.
O filho insistiu que deviam abrir o cofre. Tornou a perguntar pelo segredo, de novo ela respondeu que não sabia, agora num tom mais impaciente. Não sabia e, pronto, não queria mexer naquilo. Pra quê? O que podia interessar já não estava fora? Antes de fazer o que fez, ele não se preocupou em tirar do cofre aquilo de que a família depois ia precisar, seus documentos, a escritura da casa? Se não tirou mais nada é porque ou não havia mais o que tirar ou porque queria que o que houvesse ficasse ali para sempre.
Precisavam abrir, sim, rebateu o filho. Qualquer coisa lhe dizia que o pai, que teve aquele jeito todo dele, que gostava tão mais da rua que da casa, e que em casa parecia sempre um estranho, caladão e esquivo, algo lhe dizia que naquele cofre ele deixou um pouco do seu coração difícil, quem sabe alguma lembrança, quem sabe alguma surpresa, uma carta explicando que foi do jeito que foi  e fez o que fez sem a menor intenção de feri-los.
A mãe olhou o filho com melancolia. Ora, ora, essa idéia de romper um cofre e seu particular mistério, no que uma revelação dessas pode ajudar aqueles que os rompem? Repetiu a resolução de deixar o cofre como estava. Quando morresse, tudo bem, fizessem o que bem entendessem.
Está certo, está certo, disse o filho, mas ela sentiu que a concordância dele não era sincera e que ele saiu  com uma decisão tomada. Não tinha dúvida de que logo ele ia aparecer com alguém que entendesse de segredos.
Então, sem perder tempo, ela apelou para um vizinho: por favor, viesse ajudá-la, tinha de arrancar da parede um cofre que já não servia para mais nada. E o vizinho assim fez, sua picareta libertou o cofre.
A mãe levou o cofre pra onde?, perguntou mil vezes o filho, quando veio no outro dia com um homem que entendia de segredos.
Ela então brincou: pra onde? ele aí que descubra, se é que entende mesmo de segredos.
(Do livro Coisas do azul, a publicar)


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RC 19 – A Teoria dos Sete Conhecidos

27/06/06

Leitores e ouvintes, eis um assunto que é sério, e portanto adequado a um rádio criativo número par como o de hoje, e que também toca o coração, porque diz respeito ao relacionamento humano. Falo da teoria de que, através de sete conhecidos, chegamos a qualquer pessoa do universo. Teoria cuja prática cabe perfeitamente no nosso querido rádio, como vou mostrar aqui.
Por José Predebon Leia mais…

Radinho de pilha como companheiro dos solitários

27/06/06

Um comercial de televisão da copa mostra o papel do rádio como companheiro das pessoas que exercem determinadas funções solitárias. Embora essa não tenha sido a intenção do comercial, o protagonista do comercial, um segurança, revela o papel importante que o rádio ainda exerce para  um segmento profissional importante: aqueles que trabalham à noite e precisam se sentir conectados com o mundo. Considero esse comercial de TV em si hors-concours.
Por Chico Socorro

Por um vício de profissão, tenho prestado uma atenção especial nos principais comerciais inspirados no tema do momento: a copa mundial de futebol.
O meu outro vício, a paixão pelo rádio, me levou a prestar mais atenção ainda no comercial do MasterCard que a agência de publicidade McCann-Erickson do Brasil, responsável pela criação do mesmo, batizou de Sala de Troféus.
Estou seguro de que todos aqueles poucos Caros Ouvintes que porventura venham a ler este artigo viram esse comercial mais do uma vez pois o Brasil todo está ligado na copa. Considero esse comercial de TV um dos melhores com a temática da Copa.
Ele destaca-se pela sua originalidade, produção extremamente bem cuidada e a  excelente interpretação do ator que protagoniza o segurança. E vejam que ele aparece na telinha não mais do que 7 segundos, mas o seu tipo físico, seu gestual natural perante a cena surrealista em que os troféus de vários esportes ganham vida e, contagiados pelo clima da copa, começam a jogar, é convincente.
 
Mas, o que também chamou a minha atenção no comercial foi a presença  do radinho de pilha, aquele modelo com anteninha nas mãos do segurança.
 
A mensagem do comercial é que você pode comprar tudo com o MasterCard, mas, Todo mundo louco pela Copa do Mundo não tem preço. Simplesmente magistral como frase-conceito.
Convido vocês, aqueles que gostam de publicidade, a prestarem atenção nos detalhes do comercial – ele estará no ar até o fim da copa. Vocês vão notar que a cada veiculação descobre-se uma coisa diferente.
Um exemplo, os esportes representados são 4: futebol, beisebol, tênis e esgrima. E tudo comprimido em 30 segundos…
Agora voltando ao tema central do artigo, o rádio como companheiro de muitas profissões.
 
A presença do rádio como companheiro de quem exerce uma atividade solitária à noite é um fenômeno bastante conhecido.
É claro que em alguns casos, dependendo a profissão exercida, o radinho de pilha já foi substituído por aparelhos de TV de tamanho  bastante reduzido.
Ou então, nos dias atuais, os mais antenados tecnologicamente e com melhor padrão de vida e dependendo do ofício exercido já usam os modernos tocadores digitais de música  MP3, IPod, etc. ainda uma minoria, certamente.
E, no futuro, muito próximo,  entrarão em cena e serão popularizados gradualmente os celulares que reproduzirão o conteúdo da televisão – o modelo digital japonês permite que o sinal seja captado diretamente, sem passar pelas companhias telefônicas.
De acordo com  notícias veiculadas na imprensa nos últimos dias, o Ministro das Comunicações do Japão estará em nosso país no próximo dia 29 de junho para assinar o convênio que acaba de vez com a polêmica sobre o modelo digital a ser adotado, fazendo o Brasil entrar definitivamente na era digital através do modelo japonês.


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Em edição extraordinária, Joelma em Chamas

27/06/06

Uma edição extraordinária é caracterizada pela difusão de um acontecimento importante que interrompe qualquer programação de uma emissora. De acordo com a repercussão, a rádio poderá se concentrar durante longo tempo no assunto enquanto houver novidades. É o caso do incêndio no edifício Joelma, ocorrido na cidade de São Paulo.
Por Ricardo Medeiros

O número 225 da Avenida 9 de julho foi palco das atenções em 1º de fevereiro de 1974. As estações deixaram de lado as coberturas previstas para o dia para se concentrar no fogaréu ocasionado  por uma sobrecarga elétrica que gerou um curto-circuito no sistema de ar-condicionado do edifício comercial de 25 andares.

Uma das emissoras que esteve acompanhando a tragédia foi a Joven Pan AM que às 8h55 entrou ao vivo do local, através de Milton Parron. O jornalista conta que foram doze horas de transmissão ininterrupta. Juntaram-se a ele outros colegas da rádio, uns inclusive que estavam de férias. Quase todos foram deslocados para guarnecer pontos estratégicos, como hospitais, departamento de trânsito, delegacias, IML e Corpo de Bombeiros, Gabinete do Prefeito e Palácio do Governo.   
No palco do horror, as pessoas tentaram se refugiar no telhado do prédio, onde a temperatura chegou a 100 graus.  O ouvinte Joelmo, às 10h30, ligou para a Joven Pan informando no ar que uma mulher encontrava-se pendurada numa janela do prédio em chamas prestes a se atirar.  Milton Parron colocou um fone de ouvido no Capitão Caldas, um dos oficiais dos bombeiros, que tomou ciência da situação. Detalhando tudo para a Joven Pan, o jornalista relembra que, em seguida, o Capitão orientou o sargento que operava a escada magirus para se dirigir até onde estava a mulher. O sargento ficou equilibrado no último degrau da escada conversando com a mulher e tentando pegá-la pelas pontas dos dedos. De repente a mulher despencou. A vítima caiu sobre o bombeiro e ambos rolaram pelos degraus. Estavam feridos, mas vivos. A multidão eclodiu em aplausos.

Milton Parron só deixou as imediações do edifício Joelma às 10 horas da manhã do dia 2 de fevereiro, depois de ficar mais de 24 horas em função da tragédia. E tudo começou com uma edição extraordinária num dia ensolarado de sexta-feira. O rádio cumpriu seu papel de veículo de informação e de prestação de serviço.

O resultado do incêndio foi assombroso. Oficialmente foram mortas 188 pessoas, dentre as quais 40 se suicidaram saltando dos vários andares. Uma menina de 15 anos pulou do edifício utilizando um guarda-chuva como pára-quedas.  O incêndio do Joelma provocou ainda ferimentos em 345 pessoas.


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De 1974 a 1986: a Copa do Mundo e a ascensão da Rádio Gaúcha

27/06/06

Depois do fracasso da Seleção Brasileira na Inglaterra, em 1966, e da redenção do tricampeonato do México, com a Guaíba, na voz de Pedro Carneiro Pereira, liderando entre as emissoras do Sul do país, a Gaúcha vai, de certa forma, devolver a esperteza tecnológica do off tube aplicada por Flávio Alcaraz Gomes oito anos antes. A emissora da família Sirotsky vale-se de uma indiscrição para começar o lento e longo processo que vai levá-la à liderança no segmento de radiojornalismo no Rio Grande do Sul. Por Luiz Artur Ferraretto Leia mais…

Moça com gaiola

19/06/06

Foi justo no dia da primeira caminhada para os lados de Sambaqui. Uma mulher levando uma gaiola. Achou curioso, nunca viu mulher fazendo isso. Muitos homens desta ilha pegam seus sabiás, seus curiós, seus coleiras, e passeiam com eles pelas ruas, mas mulheres não, não é verdade? Ele ao menos nunca viu. Pois aquela ia de gaiola na mão, num andar onduloso, vagaroso, de quem pensa, e era uma cena bonita. Sobretudo porque era uma mulher bonita.
Por Flávio José Cardozo

Enganou-se. Não era um passeio, como o dos homens: ela apenas atravessou a rua e pendurou a gaiola com o sabiá numa das amendoeiras da praia. Em seguida, em passos ainda mais melancólicos, e não menos lindos, voltou para a casa que ficava ali defronte. Entrou, desapareceu lá dentro. De certo modo, ele se sentiu frustrado, pensou ter dado com uma descoberta lírica, no entanto parecia não ser mais que uma tarefa doméstica, o cumprimento quem sabe de uma instrução do marido que saía cedo para o trabalho e queria o sabiá, mais tarde, tomando sol diante da baía. Continuou a marcha, na volta não viu sinal da mulher, só escutou o sabiá dobrando, a cabecinha atenta ao ritmo da iluminada manhã.
Ficou com a imagem da moça, seria bem agradável revê-la. No outro dia, no entanto, encontrou a gaiola já na árvore. Noutro, ela não estava ainda posta, só a viu na volta. A dona era irregular nos seus horários. Em mais uma manhã, o sabiá já cantava na amendoeira e na janela da casa ele viu o rápido passar do vulto dela.
Deu-se depois uma semana de chuva em que não foi andar. E em que, naturalmente, o sabiá não tomou seu posto na árvore. Ele pensou apenas uma ou duas vezes na moça triste levando a gaiola. Só foi lembrar-se dela quando o sol voltou e reatou as caminhadas. Saiu com a convicção de que ia encontrá-la, sim, como da primeira vez, quando aquilo lhe pareceu esquisito e logo depois adquiriu um sugestivo, um delicioso toque pictórico. Saiu um pouco mais cedo nesse dia e ainda assim encontrou a gaiola já em seu lugar. Foi adiante e, ao voltar, teve a surpresa. Já de longe foi vendo que ao pé da amendoeira, olhando o mar, estava ela. Vestia-se de branco e estava descalça. O sabiá cantava, o bico apontado para além das ilhas Ratones.
Ele criou coragem e, fazendo-se alegre, perguntou:
– É de muita estimação esse sabiá, não é mesmo?
Ela assustou-se, não esperava aquele atropelo em seus pensamentos. Mas não ficou contrariada, chegou mesmo a sorrir.
– É, sim, é de muita estimação – respondeu.
O rosto, fixo nas lonjuras do Continente, sustou o sorriso ao terminar essa frase.
– Ia perguntar se não queria vendê-lo, mas já vi que não faz isso por dinheiro nenhum do mundo – ele mentiu simpaticamente, pois não pensava em comprar passarinho nenhum, queria apenas conversar com aquela mulher que se destacou nas suas manhãs de um modo assim inesperado.
– Por dinheiro nenhum do mundo… – murmurou ela. Tirou os olhos da distância e elevou-o à gaiola. O sabiá não cantava, alisava as penas. – Olhe, se o senhor quiser, lhe dou de presente.
Havia em seu olhar um relutante brilho de lágrima. Depois falou, apontando com o queixo o mundo lá longe:
– Quem cuidava mais dele…
E mais não disse, só disse que, por favor, o levasse. E o homem ia recusar, mas não teve coragem – saiu com o sabiá, na cabeça a boa intenção de lá adiante soltá-lo.
(Do livro Momentos, a publicar)


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1966: Flávio Alcaraz Gomes e o off tube na Copa da Inglaterra

19/06/06

O narrador Jorge Alberto Mendes Ribeiro, há quase quatro anos na Rádio Gaúcha, esganiça-se ao microfone no Estádio de Wembley, neste dia 11 de julho de 1966, onde, em poucos instantes, vai começar a Copa do Mundo da Inglaterra: – A Gaúcha é a única! É a única emissora do Rio Grande do Sul a transmitir aqui do estádio! Por Luiz Artur Ferraretto Leia mais…

RC 18 – Vende-se um microfone

19/06/06

Ouvintes leitores, hoje é dia de rádio criativo número par, dia de chutar a canela do nosso guardião lógico que fica castrando as bobagens que pensamos. Entonces, arriba, vou contar a vocês o caso nada lógico do meu amigo Benê, que desistiu de fazer rádio jornalismo de um jeito diferente – anunciando a venda do seu microfone.
Por José Predebon Leia mais…

Notícias em flash

19/06/06

Se vamos ao dicionário Aurélio, verificamos que a expressão “flash” significa clarão rápido e intenso, capaz de fornecer a luz necessária para se fazer uma fotografia em ambiente onde a luz natural não é suficiente.
Por Ricardo Medeiros

No caso do rádio, o termo designa uma matéria curta com o objetivo de passar aos ouvintes algumas informações básicas sobre determinado assunto.
O flash não faz parte de algum programa específico, podendo ser planejado a inserção dele em qualquer parte da grade de uma emissora. Costumeiramente, a duração deste tipo de difusão da informação é de no máximo 30 segundos. Isto quer dizer que o repórter terá espaço para dar orientações mínimas ao receptor a respeito de um evento.
 
O flash pode ser feito ao vivo ou gravado. O material será constituído de apenas um texto do repórter ou mesclado com a intervenção de uma fonte.
Mas qual a diferença direta entre um flash e uma matéria clássica? Simples: o tempo de duração. O tempo empregado no flash é muito curto, com direito restrito de se informar que algo está ocorrendo, sem
maiores pormenores. Quanto a uma matéria, que sem sonora varia de 40 a 60 segundos, dá condições para que seja feito um relato um pouco mais detalhado de uma situação.
CABEÇA DE UM FLASH
A CANTORA DANIELA MERCURY SE APRESENTA HOJE À NOITE NO RIO DE JANEIRO. // O SHOW ACONTECE NO MARACANÃZINHO, DE ONDE FALA AO VIVO O REPÓRTER LUCIO BAGGIO.//
TEXTO DO REPÓRTER LÚCIO BAGGIO
O PÚBLICO ESPERADO AQUI NO MARACANÃZINHO É DE 15 MIL PESSOAS. // A FILA É QUILOMÉTRICA PARA AQUISIÇÃO DOS ÚLTIMOS BILHETES PARA ASSISTIR A POP STAR BAIANA. // DANIELA MERCURY FARÁ UMA APRESENTAÇÃO DE 1 HORA E MEIA DE DURAÇÃO. // ELA VAI MESCLAR ANTIGOS SUCESSOS, COM CANÇÕES DO SEU NOVO CD: “FANTASIA”. // O SHOW COMEÇA ÀS 9 HORAS. // LÚCIO BAGGIO PARA O GIRO DE NOTÍCIAS. //


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Os inimigos do rádio – de ontem e de hoje

19/06/06

A necessidade de escolher um tema me leva, muitas vezes, a buscar inspiração na  “bíblia” do rádio catarinense, o livro Caros Ouvintes  de Antunes Severo e  Ricardo Medeiros. Um de seus capítulos foi denominado de Inimigos do Rádio. Vale a pena recordar um pouco o passado e ver o que acontece hoje: quais inimigos foram vencidos e quais ainda jogam contra o rádio contemporâneo.
Por Chico Socorro

Os autores começam o capítulo afirmando que em nosso país o “rádio nasceu pobre e capenga. E, por ironia, no Centenário da Independência, em 7 de setembro de 1922.
Em 1931, o Governo Federal regulamenta o funcionamento de sociedades de radiodifusão e permite que sejam difundidos programas de entretenimento, de música popular e de textos publicitários “.
Como se observa, o rádio mal tinha nascido e   o Estado já o colocou sob as suas asas “protetoras”.
Alguns anos depois, em 1935, seria criado o famigerado programa chapa branca A Hora do Brasil que conseguiu resistir  bravamente até os dias de hoje, apesar de todos os esforços dos radiodifusores visando extingui-lo.
 
O livro já referido nos informa também que em 1939 existiam cerca de 500 aparelhos de rádio espalhados em todo o país e   que, na hora do programa do Governo, a audiência caia a níveis próximos de zero. O que, diga-se, não é muito diferente dos dias atuais.
Nesse mesmo ano de 1939, era criado aquele que foi um dos mais odiados instrumentos de repressão da  Ditadura Getulista, o DIP – Departamento de Imprensa e Propaganda  que, por sua vez, instituiu imediatamente a censura prévia no rádio e em toda a mídia impressa.
 
Resumindo, o Estado tem sido, historicamente, um inimigo do rádio e da imprensa livre em geral.
Desde 1985, com a redemocratização do País, a censura  prévia deixou de existir.
Um aspecto curioso abordado no livro refere-se a dois inimigos do rádio de seus primórdios e que hoje, felizmente, não existem mais: o vizinho e o intelectual – este último entendido como o ideológico, radical.
Vale a pena transcrever uma espécie de código vigente nos Estados Unidos e Europa nos anos 30 e 40 do século passado e que certamente teve os seus defensores entre nós naqueles tempos. Vejamos quais eram as suas regras:
:: Lembre-se que a seu lado vivem pessoas de inclinação [ideológica] diferente;
:: O rádio é seu, mas o som ultrapassa as paredes de sua casa;
:: Um aparelho com tais defeitos precisa ser controlado;
:: Durante o dia, o rádio pode ser apenas uma impertinência; à  noite, com certeza, ele é um objeto de tortura;
:: Nem todos vivem como você, que não trabalha e anda sempre de rádio ligado;
:: Rádio funcionando à noite é um mau hábito que precisa ser corrigido;
:: Se não estiver disposto a sofrer restrições, procure viver numa casa isolada.
O conteúdo como inimigo do rádio
É claro que o conteúdo de muitas rádios ainda deixa a desejar.  No meu entendimento, a  análise feita por Antunes Severo e Ricardo Medeiros no livro que é fonte deste artigo continua válida e, portanto,  justifica-se a transcrição literal deste trecho eloquente:
“ O que não falta nas ondas do rádio da região de Florianópolis é música de todos os estilos, muitos brindes e brincadeiras para entreter os ouvintes. No entanto, quando se fala em um rádio comprometido com a Informação e com a Cultura, a radiodifusão local preenche a sua programação com “silêncios”. Com exceção da CBN Diário, que se dedica 24 horas ao jornalismo, a região carece de outras emissoras do gênero. O abismo é ainda maior quando se fala em rádio engajado culturalmente”.
A Publicidade de baixo nível de qualidade também joga contra o rádio
Um outro inimigo que ainda persiste em parte no  rádio é, em alguns casos, principalmente nas rádios AM, a publicidade de baixo nível de qualidade. Ela é, em geral, produzida diretamente pelas rádios. Esse assunto já foi objeto de comentários do articulista em outro artigo.
Uma pérola do mau gosto publicitário
É claro que hoje estamos muito distantes de barbaridades como a que reproduzimos a seguir, extraída também do livro Caros Ouvintes, um exemplo extremo do mau gosto  publicitário, cometido por um fabricante de  panelas:
“—Minha senhora! Dê um pau na cabeça de seu marido; dê-lhe uma bengalada, um tiro. Se ele não morrer, meta-lhe na cara uma panela da casa tal porque as panelas desta casa são inquebráveis…”.


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Trabalho Interdisciplinar supera expectativa da banca

19/06/06

Personalidades do jornalismo e da política de Santa Catarina participaram no último dia 8 de junho de programas de rádio produzidos pelos alunos das primeiras fases de jornalismo da Faculdade Estácio de Sá, em São José. 
 Por Sandro Braga

Entre os jornalistas e radialistas destaque para Fabian Londero, Moacir Pereira, César Valente, Cacau Lino, João Cavalazzi, Leda Limas e Flávio Roberto. O panorama político foi discutido juntamente com os vereadores Antônio Batisti (São José), Ângela Albino (Florianópolis) e Roberto Stahelin (São Pedro de Alcântara).

 
A aluna Ana Paula Amorim (centro) conversa com os jornalistas Leda Limas,
da TV Sul, e Fabian Londero, da RBS TV.

O programa promoveu debates centrados na ética, tema que norteou os Trabalhos Interdisciplinares de todo Curso de Jornalismo de Estácio. Segundo a banca avaliadora, composta pelos professores Daniela Risson, Lucio Baggio e Sandro Braga, o nível dos trabalhos superou a expectativa criada no início do semestre.


Da esquerda para direita, os professores-avaliadores dos TIS do período matutino:
Daniela Risson, Sandro Braga e Lucio Baggio.

Para a professora Daniela Risson, esse momento é muito importante para a formação dos alunos, pois é a hora de avaliar conteúdos aprendidos e projetar a busca de novos conhecimentos.O acadêmico Guilherme Lira afirmou que o bom nível dos trabalhos é o resultado do esforço dos alunos e também pela maneira como as disciplinas são trabalhadas pelos professores em sala de aula.


Na extrema esquerda está o aluno Carlos Augusto da Silva que entrevista o jornalista
Carlos Eduardo Lino (extrema direita), da RBS TV e CBN Diário.

A média do Trabalho Interdisciplinar vale no mínimo 25% da segunda avaliação do semestre para todas as disciplinas. O TI agrega num só momento teoria e prática jornalística.
*Sandro Braga é jornalista e professor de Língua Portuguesa do Curso de Jornalismo da Faculdade Estácio de Sá


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Em tempo de Copa, em todos os tempos

12/06/06

Na verdade, na verdade vos digo meus caros ouvintes, o título poderia ser – e talvez ficasse melhor – Em tempo de Copa, em todos os templos. Jogo de palavras? Não, por certo que não.
 Por Antunes Severo

Vim convidar-lhes para uma reflexão. Sim, uma reflexão no exato momento em que a Seleção Brasileira estréia na Copa Mundial de Futebol, em busca do hexa campeonato.
No dia 13 de fevereiro de 1974 – la se vão 32 anos – eu ganhei um presente especial do Zininho: o LP Poemas para rezar com oito poemas do padre e escritor francês Michel Quoist, com tradução de Lucas M. Neves. Tanto a seleção dos poemas, como os intérpretes foram selecionados a dedo. Coube a Floriano Faissal a direção artística do projeto. A interpretação ficou a cargo de Paulo Gracindo, Roberto Faissal e Isis de Oliveira. Lourival Faissal foi o responsável pela sonofonia da gravação que foi realizada nos estúdios da Rádio Nacional do Rio de Janeiro.

Um dos poemas é Futebol, onde o autor narra uma partida disputada entre duas equipes imaginárias. Duas equipes as quais não basta ganhar, mas é preciso saber se cada um dos oficiantes aproveitou a disputa para dar e receber a contribuição que os torcedores esperavam.
Com votos de um belo jogo e que vença o que mais merecimentos tiver, deixo para sua reflexão na palavra de Paulo Gracindo: Futebol.
Serviço:

:: LP – abreviatura de long play usada para identificar os discos de vinil de 12 polegadas, gravados na velocidade de 33 1/3 rpm.
:: Sonofonia – som ornamental, fundo e passagens musicais utilizadas para intensificar o clima de determinados diálogos em radioteatro. Mais conhecida como sonoplastia.
:: Oficiante – No sentido de jogador da partida.
:: O disco Poemas para Rezar é uma edição filantrópica que antecedeu a realização do VIII Congresso Eucarístico Nacional, realizado em Brasília em 1970
Site relacionado:
:: Escola de Rádio


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Rádio Ponto na Copa

12/06/06

Os alunos do Curso de Jornalismo da UFSC aproveitam a copa pra praticar rádio.
Divulgação

Transmitem os jogos, produzem programas especiais, matérias, reportagens e veiculam toda esta produção na Rádio Ponto UFSC.
Link Relacionado
:: www.radio.ufsc.br


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Pulos de gato

12/06/06

A senhora gorda raspa os três bilhetes, faz uma cara de desencanto, diacho, não tem sorte mesmo, o cego então dá o palpite: que ela compre mais três e os leve para raspar em casa, tem o pressentimento de que, raspando mais três em casa, ela ganha.
Por Flávio José Cardozo

É um palpite que lhe veio agora, sabe lá se… Ela pondera, sabe Deus se um ceguinho desses às vezes não vê coisas que a gente nem imagina – e compra os bilhetes e vai embora, com renovada ânsia.
Boa técnica a que o cego inventou para aumentar as vendas, o pessoal não resiste mesmo a uma certa mística. Em seu banquinho estabelecido rente à parede de uma loja, ele está contente. A tarde esquentou, o bom seria arrumar um lugar mais fresco, mas ali naquele ponto é que dá freguês. Seus óculos escuros e sua postura desamparada atraem os esperançosos. Esta cidade é ótima para trabalhar, que beleza não há de ser quando chegar o verão, a turistada?
Dois sujeitos estão ali por perto, quem serão?
– Vamos lá! – diz o mais velho.
– Está bem, vamos – concorda o mais moço.
A idéia do roubo das raspadinhas veio por acaso. Os dois iam indo, na maior dureza, quando o mais velho, vendo o cego com a caixeta de raspadinhas no chão, teve o estalo. Sim, que dinheirão não podia estar dentro dela! Meter a unha num monte de raspadinhas, pensaste? Ao mais moço, de início, a proposta soou repugnante: sempre ouviu dizer que roubar de cego é o cúmulo da covardia. Mas o parceiro argumentou, argumentou, neste país se rouba de todo jeito, o que fazem os grandões senão roubar das  crianças, das velhinhas e dos cegos quando garfam o dinheiro público, então por que vamos ter esse sentimentalismo? Está certo, está certo, seria uma tolice.
Ficaram tempo observando o cego e seu negócio. O plano que bolaram é simples: numa hora de menos movimento, um deles passa, ao acaso esbarra na caixa do dinheiro e das raspadinhas, continua andando, e a caixa espirra para um canto, junto àquele cesto de lixo, onde já se encontra o outro malandro. Enquanto o cego vai procurar com as mãos aflitas onde foi parar a caixa que o descuidado transeunte sem querer chutou, tudo estará sendo consumado. Depois os dois se encontram em algum lugar discreto da Praça Quinze e vão ver o que a sorte lhes trouxe.
O cego fareja a tarde e promete aos seus fregueses que “não tem erro: raspou, achou, ganhou, é só buscar o dinheiro na Caixa Econômica, minha gente!”. O assaltante mais velho está por perto do cesto de lixo, o mais moço vai caminhando – e é agora. Com sangue frio e perfeita pontaria, chuta a caixa e segue à frente, nem quer ver o que fica acontecendo. E o que fica acontecendo é que o cego, mal dado o chute, pára a cantilena, vira a cabeça no rumo da caixa, e voa atrás dela. Sim, é fantástico: voa atrás dela, felino, supersensitivo, e abraça-a… junto com uma perna. Claro, a exata perna do meliante, que em vão tenta escapulir. É um cego forte, tem dois braços que são duas cadeias.
Dá-se o rolo. Chega gente, todos elogiam a instantânea reação do ceguinho, comentam a sabedoria da natureza, que compensa esses infelizes com o refinamento dos demais sentidos. Chega a polícia. O ladrão confessa suas turvas intenções, denuncia o paradeiro do comparsa, vão todos para a Praça Quinze.
O cego fica arrumando suas raspadinhas, verifica que não falta nenhuma. Pensa na malandragem do nosso tempo: os filhos da mãe hoje em dia andam roubando até de cego. Vão trabalhar como eu, canalhas, venham agüentar o calor neste banquinho. Idiotas, por esta vocês não esperavam. (Por esta não esperavam, e os idiotas nem sabem de nada, repete para si mesmo, entre parênteses, risonho, olhando discretamente o relógio e vendo que é hora de ir até o bar ali perto comer uns pastéis.)
(Do livro Coisas do azul, a publicar)


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