Arquivo mensal para 11/05

Bolsa de Emprego

29/11/05

O radialista Diney Monteiro Escafura, do Rio de Janeiro, gostaria de trabalhar em uma emissora de rádio da Grande Florianópolis. Ele diz estar disponível de imediato para se deslocar para Santa Catarina.
Da Redação

Diney Monteiro narra qualquer tipo de esporte e tem experiência em reportagens externas.
Além disso, o profissional faz corretagem publicitária e é operador de áudio. Contatos com o radialista podem ser feitos pelo telefone celular: (22) 8112-1639 ou pelo e-mail arufacse@yahoo.com.br.

CURRICULUM VITAE

I – Dados Pessoais:
Nome – Diney Monteiro Escafura
Naturalidade – Campos dos Goytacazes – Rio de Janeiro – RJ
Data Nasc. – 18/03/57
II – Dados Escolares
2º Grau Completo
III – Experiência Profissional
Firma – Rádio Sociedade Salvador (BA)
Função – Radialista
Firma – Rádio Itatiaia (Belo Horizonte -MG)
Função – Radialista
Firma – Rede Bandeirante de Rádio (Campinas- SP)
Função – Radialista
Firma – Rádio Educadora de Limeira (SP)
Função – Radialista
Firma – Rádio Campos Difusora (Campos Dos Goytacazes- RJ)
Função – Radialista
Firma – Rádio Educadora do Vale Do Aço (Coronel Fabriciano- MG)
Função – Radialista
Firma – TV Jornal de Limeira (SP)
Função – Apresentador
Firma – TV Itapoan Salvador (Bahia)
Função – Apresentador


Deixe abaixo o seu recado para o Diney.

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Todos ao redor da Praça XV

29/11/05

O mundo tem lá seus caminhos imprevistos para chegar aos nossos sonhos. Vindo de Porto Alegre, desembarca em Florianópolis em 1942, o desempregado Ivo Serrão Vieira para se tornar o pai do rádio da capital de Santa Catarina.
Por Ricardo Medeiros e Antunes Severo

Embora chegando de Porto Alegre, Ivo Serrão Vieira é catarinense de São Francisco do Sul, onde nasceu em 11 de março de 1921. No entanto, ainda pequeno, vai com a família morar na capital gaúcha. Lá mesmo, aos 21 anos, tenta ingressar na Rádio Gaúcha. Porém, o diretor artístico da emissora, Rui Figueira, reprova o jovem postulante a um cargo de locutor. Motivo: o sotaque catarinense de Serrão Vieira que salienta um “R” arrastado.7
No retorno a seu estado natal, Ivo Serrão Vieira dá-se conta que a Capital está no marco zero da comunicação radiofônica. Assim sendo, uma semana depois de sua chegada à Florianópolis retorna a Porto Alegre a fim de formar uma sociedade com dois colegas para pelo menos colocar no ar em terras catarinenses um serviço de alto-falantes. Ivo Serrão Vieira se une a José Carlos da Costa Gama e a Dionísio Ferreira Derquim para juntos ratearem os 10 contos de réis, que seria o custo inicial do projeto. O pioneiro do rádio em Florianópolis relata: “Fechei negócio com a Siemens do Brasil para a compra dos equipamentos necessários, alto-falantes de rua, fios, microfones e mesa de controle com toca disco, tudo instalado e funcionando, por três contos de réis. Paguei adiantado e tratei de pensar na discoteca – 200 discos da época (78 rotações), com uma música de cada lado, deveriam bastar para começar o negócio e tomei o primeiro ônibus para Florianópolis com a sensação de quem vai ao encontro da glória, da realização total”8.


Florianópolis em 1940.
(
Acervo do Velho Bruxo)

Para viabilizar o projeto Ivo Serrão Vieira conta ainda com a situação político-administrativa da cidade a seu favor, pois o prefeito Rogério Vieira é seu tio. Desta forma, a prefeitura libera o alvará para a instalação do sistema de propaganda Guarujá, uma homenagem à região homônima do litoral santista de onde eram emitidos sinais da Rádio Atlântica, muito bem captada em algumas partes de Santa Catarina.
Para convencer o seu tio de que a sua idéia é interessante, Ivo Serrão Vieira argumenta para Rogério Vieira que o sistema de alto-falantes é o ponto de partida para uma estação de rádio na capital do Estado. A isso, o prefeito contra-argumenta que os alto-falantes iriam fazer muito barulho. O sobrinho não deixa por menos e ataca: “Mas é fazendo muito barulho que a gente acorda as pessoas para os problemas, tio. Florianópolis é só uma ponte maravilhosa que liga nada a coisa nenhuma. As autoridades precisam se comunicar com o povo e o povo com o povo. E isso uma estação de rádio faz. Para conscientizar as autoridades é que nós vamos fazer barulho na cidade… bastante barulho. Será um barulho ilhado… mas um dia nossa voz atravessará a ponte e alcançaremos o continente. Então, até o governador virá se servir do nosso microfone”.9
Situação regularizada junto à prefeitura, o trabalho de instalação dos alto-falantes é feito de madrugada, em quatro pontos. Um alto-falante fica em cima de uma árvore junto à Praça XV, onde hoje em dia funciona uma banca de revista, e os demais são afixados junto às marquises de casas comerciais. O outro ponto é defronte à Livraria Xavier, na primeira quadra da rua Felipe Schmidt, mas um outro na segunda quadra da mesma rua e um quarto alto-falante é localizado na esquina das ruas Trajano com Conselheiro Mafra, na marquise da loja A Capital.
O estúdio da empresa está localizado nos altos da Confeitaria Chiquinho, esquina da Trajano com Felipe Schmidt, estabelecimento comercial bastante freqüentado na época. A sala é pequena, na qual trabalha o operador em uma mesa de madeira com os dois pratos para rodar os discos. Do outro lado ficam os locutores a postos para ler a propaganda, recados, poesias, esportes e noticiários, principalmente sobre a Segunda Guerra Mundial. Há ainda mais uma saleta para atender as pessoas que vêm conhecer o estúdio, contratar publicidade ou fazer oferecimento musical.
A Empresa funciona das 8 horas até às 20 horas. Depois desse horário a velha Florianópolis adormece. Os oferecimentos musicais são pagos, cerca de cinco mil réis por música rodada, o que ajuda a fazer o caixa da Guarujá. A maioria que oferece uma canção, a dedica a amigos, parentes e, sobretudo, a namorados e namoradas quando da entrada e saída do comércio. Uma outra atração musical do sistema de alto-falantes é Alma Portenha, programa de tangos e boleros. Por sua vez, A Hora Literária tem o comando de Lourival de Almeida, um funcionário do Banco Mercantil, que lê poesias para posteriores comentários do professor Osvaldo Mello. No final do dia entrava no ar, pontualmente às 18 horas, o Instante da Prece, apresentado por Acy Cabral Teive. Neste momento, muita gente se concentra no miolo central da cidade para, compenetrado, ouvir sempre uma oração em exaltação à Virgem Maria, tendo ao fundo a música Ave Maria. “Que seja mais este dia em louvor à Maria”, finaliza o apresentador.
Mas nem todos são unânimes na aceitação do novo serviço. Através da imprensa Rubens de Arruda Ramos faz chacota do serviço em sua coluna “Frechando” no jornal O Estado. Ele apelida os alto-falantes de boca de Jacaré, o que para alguns não é assim tão injusto, face ao fato das caixas que protegiam a aparelhagem parecerem muito com a boca do animal. Além disso, o jornalista resolve fazer um trocadilho com o nome da empresa. A invés de chamá-la de Guarujá, prefere intitulá-la de Maracujá.


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Sayão Lobato, o homem do “Não diga não”

29/11/05

Com emissoras como Itaí, Caiçara, Difusora e Farroupilha disputando os ouvintes das classes C e D em Porto Alegre, a forma espontânea e agitada garante, nos anos 70, o apelido de Magrinho Elétrico a João Baptista Sayão Lobato. Aproveitando a rima fácil com o próprio nome, o radialista ganha espaço com uma brincadeira que marca época no rádio do Rio Grande do Sul: o “Não diga não”. Por Luiz Artur Ferraretto Leia mais…

Milton Jung, a pronúncia mais precisa do Brasil

29/11/05

Quem acompanha o noticiário radiofônico no Sul do Brasil sabe. Não há pronúncia mais perfeita do que a de Milton Ferretti Jung, locutor titular do principal informativo da Rádio Guaíba, de Porto Alegre:
– Aqui fala o Correspondente Renner, editado pelo Departamento de Jornalismo da Rádio Guaíba, com notícias do Correio do Povo, da Folha da Manhã, da Folha da Tarde, da Central do Interior, da Associated Press e UPI. Por Luiz Artur Ferraretto Leia mais…

Difusora é a segunda rádio mais ouvida pela Internet

29/11/05

De acordo com o ranking do Portal Terra, a Rádio Difusora (AM 1060) foi a segunda rádio em ondas médias de Florianópolis mais acessada pela Internet no mês de outubro. A primeira foi a Rádio CBN/Diário.
Por Jean Schutz

*A Rádio Difusora tem uma programação bastante diversificada, com programas jornalísticos, de variedades e religiosos. Seu site é www.radiogazetaam.com.br.
*Jean Schutz é jornalista e apresentador do programa Domingo Especial, transmitido pela Rádio Difusora das 13 às 14h.


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O Rádio e o Carnaval

29/11/05

O carnaval na TV já é chato. Imagine transmitido pelo rádio.
Comentou-se muito nas últimas semanas a possibilidade de Joinville voltar a ter desfiles carnavalescos promovidos por blocos, associações e escolas. Já que acabaram com a Fenachopp penso que é mais uma, se é que existe outra opção para quem curte festa popular.
Por Léo Saballa

Sempre gostei de carnaval e não concordo quando dizem que Joinville não tem vocação para este tipo de festa. Bobagem, Joinville é uma grande cidade e o carnaval só não acontece no nosso quintal porque falta vontade e sobra preguiça.
Cada centavo investido multiplica-se na aquisição de fantasias, em mais postos de trabalho para bares, postos de gasolina, motoristas de táxis e ônibus, garçons, músicos, seguranças e tantos outros segmentos que faturam neste período.
É dinheiro que circula, é emprego temporário, é gente alegre que permanece na cidade. Era assim no começo dos anos 80. Naquela época o carnaval de rua em Joinville fazia muito sucesso, levando milhares de pessoas ao Centro da cidade para assistir aos desfiles e depois brincar nos clubes. A cidade agora fica deserta neste período. Vamos todos gastar fora.
O carnaval na TV já é chato. Imagine transmitido pelo rádio. O professor Carlos Luiz Weber e o repórter Sérgio Corrêa eram os encarregados dos eventos carnavalescos da Rádio Cultura.
Uma festa que despertava o interesse dos foliões era o concurso de fantasias promovido pela Sociedade Harmonia Lyra. Maleta de som instalada, microfones acoplados, som equalizado e os dois repórteres em posições estratégicas. Tudo pronto para a transmissão. Weber ficou com a missão de entrevistar os carnavalescos e Corrêa, sentado no mezanino, fazia os comentários, orientado pelo roteiro e histórico das fantasias, fornecidos pela organizada diretoria do clube. 
Quando surgiu uma fantasia bem colorida, asas brilhantes e penas à vontade Sérgio resolveu testar os conhecimentos carnavalescos do seu colega e perguntou: Weber, que nome você daria a essa fantasia? O repórter pensou um pouco e lascou: “borboleta desasada”.
Com ar de sabedoria, o comentarista corrigiu: “Não, essa fantasia chama-se A Epopéia de Luiz XVI e foi toda confeccionada com tiras de saquinhos de leite”. Como o som da orquestra estava muito alto, Weber não ouviu direito, fez uma pequena confusão e saiu com essa: “Não sei muito bem o que é taquinho de leite, mas a fantasia está muito bonita”.


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Galvão Filma Eu

26/11/05

Hoje resolvi usar meu lado publicitário e “bolei” um título que pudesse fisgar o internauta desavisado. O artigo de hoje tem tudo a ver com dois acontecimentos recentes que vivenciei.
Por Chico Socorro

O primeiro, é que, por dever de ofício, como consultor de Marketing e Comunicação, conclui recentemente um estudo sobre o rádio em Florianópolis – a história das rádios pioneiras, sua evolução, o que aconteceu com elas, etc. E, entre os vários fenômenos que estudei, está uma das questões vitais do rádio moderno que é a interatividade.
Mais adiante explico melhor essa questão. O outro fato, é a frase que ouvi de uma pessoa a quem admiro pelo seu conhecimento técnico da Internet e que acessa habitualmente o site Caros Ouvintes. Essa pessoa “deixou escapar” o comentário de que os jovens internautas estão cansados do time de “vehinhos do rádio” do www.carosouvintes.org.br que só falam do passado. 
Putz, de imediato, após ouvir a frase, me senti um tanto jurássico e decidi, até prova em contrário, mudar o enfoque da minha coluna uma vez que  a galera não está gostando muito ou nada mesmo do que escrevo. Mas vamos em frente.
Primeiro, a explicação do título. Tenho certeza de que muitos dos que assistem o futebol pela Globo devem ter visto, num dos jogos transmitidos este ano, a faixa portada por um torcedor nas arquibancadas do estádio e dirigida ao polêmico locutor esportivo mas, diga-se, carismático patrício: “Galvão, filma eu”.
Escrita assim mesmo, como, infelizmente, uma parcela ainda expressiva do nosso povo fala e escreve. Essa frase ficou na minha memória e hoje teve um uso, serviu de inspiração para esta coluna onde, doravante, pretendo abordar aspectos do rádio c o n t e m p o r â n e o. Atenção Editor: manter os espaços entre as letras!!!
Ser Cada Vez Mais Interativo – Um dos Segredos do Sucesso do Rádio.
Acontece com qualquer emissora de rádio,  principalmente com as  rádios AM. É impressionante a quantidade de ouvintes que ligam para a rádio e, orgulhosamente, entram no ar e falam com  o apresentador  do programa – em especial os de futebol ou jornalístico.
Para citar um único exemplo. Um dia destes, sintonizei a Guarujá 1420 AM no programa do Hélio Costa em que ele, simpaticamente, abre espaço para os ouvintes.
Durante vários minutos ouvi um verdadeiro diálogo entre o apresentador e um ouvinte que, sentindo-se em casa, conversava com o comunicador de rádio  considerado, ao lado de Mário Motta, o melhor da cidade. Como se fosse seu amigo de todos os dias. Fiquei imaginando como essa pessoa, envaidecida, iria contar esse episódio aos seus amigos. Ele certamente diria que conversou, em pleno ar,  com  o seu amigo Helio Silva e até trocou algumas idéias com ele.
Isso é humano – todos desejam ter os seus 5 minutos de fama. A TV é o maior exemplo desse fenômeno com o Big Brother. O meio Rádio, caros internautas, tem tudo para ser muito mais interativo pois quem ouve tem a imaginação a seu favor para compor o perfil das pessoas que estão diante do microfone. E isso, vale ouro.
Para finalizar, um pedido, continue dando um clique de acesso para esta coluna…


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Era só o que faltava…

23/11/05

“Eu já tinha ouvido falar de uma emissora FM numa praia da França que emitia um sub-som para espantar mosquitos. Depois desta pesquisa, talvez todas tenham que fazer isto”.
Eduardo Medtisch:: Clique aqui (PDF)
 


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A era digital

23/11/05

Hoje é consenso geral ser o rádio A.M. possuidor de um sério problema técnico que é a qualidade do som, motivo para afastar muitos ouvintes.
Por Murilo Cavalcante Brígido
Jornal do Leitor
http://www.noolhar.com/
[12 Novembro 18h54min 2005]

Não se admite em plena era tecnológica, com inúmeros avanços ter de ouvir mais ruídos do que som. É pois correta a reclamação de muitos. Explicando assim o grande entrave do A.M. em contraponto ao F.M.,
enquanto o primeiro permite todo tipo de interferência, o que o deixa muito vulnerável, o outro não permite. É uma concorrência desleal e extremamente injusta.
O som, no caso específico do rádio, desempenha um fator de extrema importância; não pode ser mais ou menos, tem que ser de boa ou má qualidade.
Investir em equipamentos é uma decisão muitas vezes difícil, principalmente em A.M., visto ser muito improvável chegar a qualidade do F.M.. Diante disso continua a acomodação até que chegue a era digital, decisão governamental que deverá ser tomada mais cedo ou mais tarde.
Com isso nos distanciamos cada dia mais dos países desenvolvidos, onde emissora que opera A.M., oferece som com qualidade digital, não ficando atrás de emissoras que operam em frequência modulada.
Quando ocorrer a digitalização do A.M., em idênticas condições do F.M., ocorrerá obrigatoriamente o grande resgate da amplitude modulada, e satisfeito plenamente este item técnico, em termos de programação veremos então quem é quem no mundo radiofônico.
Não teremos mais aquela desculpa de não ouvir boa música no A.M., e a interatividade plenamente exercida nessa faixa reinará total.
São novos tempos que se avizinham, embora saibamos que de início o preço dos equipamentos no caso os receptores podem ser mais caros do que os convencionais, de qualquer forma vale a pena.
A continuar o raio de penetração do A.M., emissoras irão reconquistar imensa legião de ouvintes fascinados pela pureza do som digital.
Existirá então dois momentos distintos, em que a era digital, será como um divisor de águas, de um lado da montanha simbolizará o antes da digitalização; do outro lado, a nova era do som. Poderemos então
reconhecer no progresso sonoro o novo porvir do rádio.
Vamos redescobrí-lo fazendo assim, estaremos desfrutando de um lazer inenarrável, prazer continuado; ninguém se furtará a possuir um rádio digital. Ele será, antes de ser um objeto físico, um companheiro fiel cuja parceria confundir-se-á com o proprietário, haja companheirismo nisso!
Murilo Cavalcante Brígido é educador


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1940: o ano para Florianópolis ter uma emissora de rádio

23/11/05

Na antiga Desterro dos anos 1940 circulam  jornais, como O Estado, Gazeta e o vespertino Diário da Tarde. Mas a comunicação mais eficaz, dizem alguns, é feita pelo DVA-Departamento de Informações da Vida Alheia, instuição célebre para também dar apelido a todo mundo, cuja cúpula  se reúne no Ponto Chic, Miramar ou sob à sombra da Figueira da Praça XV de Novembro.
Por Ricardo Medeiros e Celestino Sachet

Quanto às notícias radiofônicas, as « últimas » são captadas  pelos poucos aparelhos receptores que sintonizam as ondas curtas oriundas de São Paulo, Rio e Porto Alegre.
Naquela época, a pacata cidade de 46 mil habitantes, é uma  das menores capitais do país. No alvorecer do dia as ruas são sempre silenciosas. Pouco são os caminhantes, os operários que se destinam às fábricas de pregos, rendas e bordados , gelo ou de fundição Arataca. A exceção é no Mercado Público onde  é grande a quantidade de pessoas fazendo seus negócios em torno do peixe, camarão, doce de banana, marmelo, feijão, amendoim. Aos poucos, as ruas centrais  se despertam e  estão cheias de transeuntes pela Praça XV, Felipe Schmidt, Conselheiro Mafra, Trajano.
No café Rio Branco, os empregados do comércio, dos escritórios, dos bancos se aglomeram para solver um «pretinho ».  O comércio agora está em pleno movimento com a Casas Três Irmãos, A Soberana, Livraria Moderna, Confeitaria Chiquinho e A Capital. Ao anoitecer, os luminosos começam a se acender na Casa Hoepecke, Oficina Ford e Casas Cardoso. É hora também das moçoilas da cidade fazerem o seu footing diário, caminhar pela Felipe Schmidt em busca de um olhar e do enganjamento de uma conversação, com quem sabe  com o seu futuro namorado. Há quem prefira ir direto aos cinemas Ritz, Odeon, Imperial  ou Roxy. Mais tarde, a cidade começa a se recolher. A partir das 11 horas da noite « não é hora de moça direita andar na rua », esbravejam os conservadores.
É nesta cidade de antigamente que o sábado, dia 24 de fevereiro de 1940, pode ser marcado como uma das primeiras iniciativas para a instalação de uma emissora de rádio na Capital. Sob o patrocínio do jornal “A Gazeta” e da firma Gerher e Cia, representante dos rádios Philips, é retransmitido ao público do centro de Florianópolis, por meio de alto-falantes, o jogo de futebol entre brasileiros e argentinos, em disputa da Copa Roca, no Parque Antártica, em São Paulo. O Brasil perde o jogo.
Em setembro desse mesmo ano de 1940, nasce desta vez  em Florianópolis a possibilidade da fundação de uma estação radiodifusora, que promete ser uma das maiores e mais modernas do Brasil. A emissora entraria no ar, com as seguintes características técnicas: raio mínimo de ação: 1.000 quilômetros; potência nas antenas: 2 mil watts; potência com modulação: 8 mil watts; e freqüência de trabalho: 1420 quilociclos.
A estação seria de propriedade da Radiodifusão Brasileira S. A. e a instalação e construção ficaria a cargo da Sociedade Técnica Paulista Ltda, firma brasileira, especializada no assunto, e  que já montara na Capital os transmissores e rádio-faróis da VASP e da Base de Aviação Naval. Para um entendimento com as autoridades civis e militares do Estado sobre  escolha do local da instalação dos estúdios, passam pela Capital o diretor-presidente da Radiodifusão Brasileira, J. C. Matos Penteado, e Itajibe Santiago, diretor da Sociedade Técnica Paulista Ltda.
A inauguração da primeira emissora de rádio da Capital, cujo o gerente designado é o senhor Guilherme Stagnet, deveria ocorrer dentro de 120 dias. Mas a notícia da inauguração morre nas páginas não escritas da história do rádio em Santa Catarina, embora em 21 de maio de 1941, “A Gazeta” anunciasse que fora autorizado o funcionamento da nova emissora.


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Emissoras comunitárias

23/11/05

“O Rádio liberta e estimula o teatro da imaginação, é palco para os melhores músicos do mundo e a maior arquibancada de esportes que se conhece”.
Por Donato Ramos

Radialista desde o ano de 1956 em Paraguaçu Paulista, passei por Paranavaí, Astorga e Curitiba, no Paraná; e em Itajaí, Blumenau, Rio do Sul, Taió e Florianópolis, em Santa Catarina, colocando a Emissora que dirigia sempre como aliada da comunidade, lançando as mais diversas campanhas, defendendo projetos, enfim, colocando o Rádio exatamente no seu lugar de destaque, por menor que fosse a cidade que o abrigasse.
Ao editar o livro “Rádio, o seu melhor amigo” – já em duas edições – deixei de lado as Emissoras Comunitárias, porque estavam ainda embrionárias. Quando esse movimento começou a crescer, vi que minha produção a respeito da profissão iria servir enormemente a esse segmento. Daí, então, surgiu este novo livro sobre o assunto
Rádio: Emissoras Comunitárias.
Enfoco, prioritariamente, o lado romântico do Rádio, gostoso de se ouvir, onde todos encontrem o que mais precisam em suas horas de lazer: orientação para poder sonhar, pois o sonho é o alimento da vida.
“O Rádio liberta e estimula o teatro da imaginação, é palco para os melhores músicos do mundo e a maior arquibancada de esportes que se conhece”.
Cada ouvinte de Rádio é um co-produtor, desenha seus próprios figurinos, escolhe o melhor ângulo, decide se é preto e branco ou colorido.
“O Rádio é informação. O primeiro a dar as boas e as más notícias. Claro que as análises e os comentários mais profundos dos jornais, as fotos impecáveis das revistas e a imagem da TV são de um fascínio e de uma importância inegáveis para a cultura humana. Mas você está muito enganado se pensa que, por causa disso, o Rádio vai morrer. O Rádio não morrerá enquanto a imaginação humana não morrer”. (MPM)
Aquilo que hoje é notícia, amanhã será história. Daí, a importância também do Rádio, como destaque no trabalho constante dessa divulgação, na dinâmica do mundo. O Rádio, desde o seu surgimento, é a testemunha viva e atuante em todas as condições!
Minha parte sempre fiz escrevendo. Acredito que o livro Emissoras Comunitárias será de grande valia principalmente aos integrantes – novos heróis do Rádio, do Rádio, somente agora chamado de Comunitário. O que sempre foi.
E-mail do autor: donatoramos@uol.com.br


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A terra é boa, Herculano

23/11/05

Um amigo do Alegrete me escreve perguntando se pode vir firme, sem perigo, passar uns dias na Ilha. Diz que é uma velha vontade, mas se confessa ainda ressabiado com aquela famosa sucessão de empurrões, calçapés e nomes feios desferidos contra altas autoridades, em pleno centro de nossa capital, há uns tantos anos.
Por Flávio José Cardozo

“É um negócio já antigo, eu sei”, explica ele, “mas foi tão chocante que é como se tivesse acontecido hoje de manhã.” Ele refere-se à dramática passagem do presidente Figueiredo por aqui. Meu amigo é um tipo evidentemente impressionável, que lembra também alguns desastres, como aquele da Transbrasil no Morro da Virgínia, e fala até de enchentes, como se o Itajaí-Açu fosse um rio desterrense, ignorância que o bom povo de Blumenau e adjacências há de perdoar.
Por fim, ele perora: “Eu quero conhecer as tais quarenta e duas praias, ouvir o tal chiado nos sss do pessoal, comer os tais camarões que vocês colocam tão alto quanto nós aqui colocamos Sepé Tiaraju e Mário Quintana. Quero ir aí queimar o lombo, ficar uma semana boiando em absoluta preguiça. Agora, apanhar de vocês eu preferia que fosse pra mais adiante e morrer afogado ou dar de cara num morro não é bem o meu maior desejo. Dizem que isso aí é um viveiro de bruxas, chê! Me responda, por caridade: sim ou não?
Pois respondo ao medroso.
Herculano: a terra é boa e quem disser o contrário mente como um filho da mãe. Esta frase (com exceção das palavras “como um filho da mãe”, que são uma contribuição minha) é do nosso fundador Dias Velho, que turistas argentinos, que digo eu?, que piratas ingleses despacharam desta vida lá pelos idos de 1689. Invoco a frase do patriarca porque ela exprime a nossa maravilhosa verdade, é curta, rasteira e reta como poucas frases de propaganda já o foram. Esta Ilha de Santa Catarina, Herculano, não é santa apenas no nome – ela é santa em quase tudo e acho que meus trinetos, por mais que as coisas do mundo se compliquem, estarão dizendo o mesmo lá por 2040. Todos são bem-vindos ao seu terno regaço, sejam imperadores ou sejam farofeiros, venham em jatão da Transbrasil ou em desvairadas motocas. Venham até mesmo nesses carrinhos infames que a Argentina tem a coragem de parir e soltar pelas estradas. A notícia de que temos bruxas e de que elas, de vez em quando, deixam suas tocas e vêm bagunçar um pouco este paraíso, sei lá, pode até ser uma notícia exata, nisso não meto minha mão, sou um racionalista mas também não sou um debochado contra as crenças alheias. Nosso bruxólogo-mor, o pesquisador Franklin Cascaes, tem aí umas histórias sobre o assunto e os desenhos dele dando corpo a essas etéreas criaturas são de deixar os mais fracos, entre os quais evidentemente não estou, de cabelinho em pé, Herculano. Mas pode ficar tranqüilo, amigaço: a terra é boa, te manda sem receio, te manda que já estou encomendando meio balaio de siri ao Seu Dedeco da Barra da Lagoa.
Não vou te humilhar dizendo que multidões de forasteiros estão neste momento trafegando por nossas ruas e estradas, todos eles sem a mínima preocupação como essa que manifestas. Deles não te falo. Mais sutil, te mando pelo correio um volume danado de bom trazendo relatos de velhos viajantes que por aqui andaram. Quando souberes o que de nós já se dizia em séculos passados, vais perder a cisma, ficas logo sabendo que nossa hospitalidade é uma vocação histórica. Porque em verdade eu te digo, Herculano: apesar dos arranha-céus intrusos e dos tantos estragos já feitos na paisagem, sobrevive nesta Ilha muito do espírito terno e caipira que mereceu tanto louvor de bocas como as de Frezier, La Perouse, Langsdorf, Chamisso, Saint-Hilaire. Sobrevive, sim. Para eles, éramos um povo dócil e generoso e nada pareceu mais lindo ao experiente Saint-Hilaire que os nossos arredores. Lê essas referências cheias de entusiasmo e vais entender que o meu ufanismo tem raízes. Outros falaram mal de nós, claro, mas de quem não se falou mal neste mundo? Um certo Shelvocke, vais ver no livro, nos chamou sonoramente de bandidos. Bandidos, mestre Herculano. É evidente que isso nem nos ofende: na boca dum pirata safadão como Shelvocke todo agravo é elogio, não é mesmo? Pernetty escreveu que nossos ares eram perniciosos, que aqui se comia macaco todo dia e que vivíamos cercados de muita fera, cobra e bicho-do-pé. Um morrinha esse francês. Para não dizer essa francesa frescalhona. O escocês Lisle disse que a Ilha era fertilíssima mas os habitantes muito preguiçosos. Quer dizer, aquele bebedor de uísque numa tremenda mordomia, passeando pelo mundo, e nós que vivíamos numa dureza dos diabos é que éramos os vadios. Conto estas abjetas implicâncias para que saibas, Herculano, que não é de hoje que sai uma ou outra bobagem a nosso respeito.
A verdade é que não terás olhos, como não os teve Dom Pedro Segundo, para medir nossa hospitalidade. Uma vez, Dom Pedro Segundo ia passando em direção aí do Rio Grande e desabou sobre seu imperial navio uma tempestade. Devia ser o nosso vento sul, que é um festival belíssimo de bruxas que cultuamos sempre com devoção e espanto. Pois bem: adivinha onde se abrigou Dom Pedro? Na Praia de Fora, sim, senhor. Três dias ele ficou ali, quietinho, resguardado, mais seguro do que se estivesse na cama do palácio. A tormenta passou, Dom Pedro foi ao Rio Grande e sabes que na volta ele fez questão de descer cá nesta Ilha para retribuir nosso acolhimento? Dizem que até distribuiu presentes aos moradores. Conto isto para que saibas, Herculano do Alegrete, que temos um bruxedo bom e que as pessoas ficam docemente cativas dele.
Existem então as bruxas? Não sei. Elas por aqui têm fama e não sou dos que fecham agressivamente as portas ao debate do transcendental. Mas, sim ou não, te bota na estrada, índio velho! Vale a pena, isto aqui é coisa de não se perder nunca. Trezentas mil bruxas e lobisomens não conseguiriam jamais quebrar o nosso encanto. Depois, um homem é um homem, pombas!, ainda mais sendo um bombachudo dos pagos do Alegrete. Em todo caso, que Deus te acompanhe. E que não te largue. Um abraço.
(Do livro Senhora do meu Desterro, Florianópolis, Lundardelli / Fundação Franklin Cascaes, 1991)


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Saudade

23/11/05

Foi no supermercado, na hora das contas.
– O que é isto? – pergunta o homem diante do que a moça dá. Ela se surpreende, então não está vendo que são duas balas?
Por Flávio José Cardozo

– Para adoçar a vida – diz, querendo ser simpática.
– Mas quem que pediu bala? Não me lembro de ter pedido. Pedi?
A moça, que está num dia de imenso contentamento, pois voltou às pazes com o namorado, acha lá com os botões de sua blusinha que o freguês está brincando. De vez em quando, mesmo na crise dos diabos que se atravessa, surge alguém fazendo graça na hora de pagar as compras. Deve ser um desses.
– Pedi bala? – ele repete, numa interrogação agora mais severa.
Pô, parece zangado mesmo, o lábio inferior está até tremendo. Ela então explica o óbvio: com a falta de troco, tem sempre umas balinhas à mão. Ninguém reclama.
– Pois eu reclamo! A senhora perguntou se eu queria bala?
– Não, não perguntei.
– Estou em idade de chupar bala? Olhe bem pra mim: estou?
– Bem, acho que uma balinha uma vez ou outra…
– Que uma vez ou outra, moça! Não sou homem de balinha. Tenho filho em idade de chupar bala?  
– Quem sabe os netos… – ela arrisca.
– Meus netos estão no interior do Mato Grosso. Um bocadinho longe para levar as balas, não acha?  
– Quem sabe algum menino da vizinhança… – ela insiste, risonha.
Ele dá um tapa no balcão. É atrevimento demais. Então não basta querer empurrar as balas em lugar de dinheiro, quer ainda lhe ensinar o que fazer com elas?
– Moça, vou dizer uma coisa. Ando por aqui com vocês dos supermercados. Outro dia, num aí, me vieram com caixinha de fósforo. Noutro, com um tal de troco da bondade. O que eu briguei por causa desse troco da bondade! Supermercado não pode obrigar a gente a deixar lá o troco pra ele fazer caridade. Exigi meus cinqüenta centavos.
– Cinqüenta centavos?!
– Cinqüenta centavos, sim. Embirrei, a moça também embirrou, eu a querer meu dinheiro, ela a dizer que não tinha, que todo mundo recebia como troco aquele cuponzinho que ia colocar lá numa urna chaveada. Ficamos naquilo. Até que um freguês da fila, brabo com a demora, arranjou os cinqüenta centavos.
Peguei. E então, só pra mostrar que meu caso não era de pão-durismo, fui lá e joguei o dinheiro vivo dentro da urna. Pensavam que eu não era capaz duma bondade?
– O senhor é fogo.
– Sou mesmo.
– Vou ter que arranjar seus vinte centavos. O senhor não quer adoçar a vida…
– Que adoçar a vida coisa nenhuma.
– Hoje estou tão feliz, se o senhor soubesse…
Ela põe olhos no infinito, fala das pazes que fez, ainda bem que não há movimento nenhum, é só ela e o homem naquele momento. E ele a escuta. E pensa: que tola, está tão tolinha que é bem capaz de começar a bater errado o preço das coisas, a dar troco demais pra todo mundo. Ah, os 18 anos…
- Estou tão feliz… – ela diz de novo, meio inebriada.
Sim, está mesmo muito feliz, vê-se isso com uma clareza de sol primaveril. Como não achar bonita essa alegria?
E então:
– Vou levar as balas – ele decide, numa voz solene como se anunciasse algo muito grave. – Vou levar as balas.
Em sua homenagem, só por isso.
– Que bom. Leve para a sua mulher…
Ele ouve aquilo e sente um travo. Sua mulher…
- Ela vai gostar… – a moça inocentemente machuca.
- Sim, sim, vou levar.
Sai e logo adiante põe a bala na boca, mas ai que vida a minha  que nada mais adoça.
(Do livro Coisas do azul, a publicar)


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Perdidos e achados

23/11/05

Ela foi à farmácia comprar um creme para a pele e esperava o troco quando alguém, ligeiro como um corisco, carregou-lhe a carteira. Gritou mas o safado sumiu pelos lados do terminal de ônibus.
Por Flávio José Cardozo

Caiu então num pranto de entristecer o mundo. Depois soube que perto havia uma delegacia e foi lá  registrar queixa.
- E quanto ele lhe roubou, dona Madalena? – pergunta o delegado.
- Ai, doutor, uma fortuna. Não em dinheiro, não, não. Eu estava só com os 10 reais que dei pra pagar o creme. Dinheiro ele não levou – ai, antes fosse dinheiro.
O delegado quer sentir o gostinho das conjeturas: que fortuna será essa? um par de brincos com diamantes? um bilhete de loteria premiado? algum documento precioso? uma oração milagrosa?
- Era uma fotografia, doutor. Uma fotografia de muita estimação. Eu e o Geraldo juntos.
- Só isso?
- O senhor diz só isso? Não fale assim, doutor.
- Bem, uma fotografia…
Ela agita a cabeça com desconsolo:
- O senhor vai ter de achar minha carteira, doutor. Aquela foto era minha vida. Quantas vezes eu estava triste, olhava o Geraldo me pegando daquele jeito e…
- De que jeito, Dona Madalena?
Ela abana a cabeça, a saudade é transparente:
- Pela cintura, firme, rostinho colado. Estávamos  dançando, foi na primavera de 55…
Dona Madalena se cala, como que ouvindo uma música lá longe. O delegado se pergunta: onde será que eu estava em 55?, ah, sim, estava servindo no Exército, e volta às conjeturas: será ela viúva, será solteirona, será o quê essa mulherzinha que, olhando bem, até que não está mal para quem já dançava em 55?
- A senhora é viúva? – indaga.
- Sou.
- E faz tempo que o Geraldo morreu?
- O Geraldo?
- Sim, o Geraldo, não é Geraldo o nome dele?
- Mas quem que disse que o Geraldo morreu?
- Ué!
- Meu marido é que morreu, ano passado. O Geraldo nunca mais vi desde aquele baile. Ele contou que era viajante, que estava hospedado no Hotel Lux, no outro dia fui lá, já  tinha ido embora. Depois vi a fotografia na vitrina do Foto Alvorada, com outras que tiraram do baile, comprei, depois casei e ela ficou 35 anos escondida até a morte do Afonso.
- Bonito.
- Pois é, também acho, e agora vem esse ladrão nojento e… O senhor tem de pegar esse nojento, doutor, de qualquer maneira!
O delegado explica que não é fácil. A esperança é que, não encontrando dinheiro, o ladrão jogue fora a carteira.
- Vamos ter fé. Temos aqui na delegacia um serviço de achados e perdidos. A senhora me procura uma ou duas vezes por semana pra saber se temos novidade. De repente…
Ela diz que sim e ele bota os óculos para olhar, de mão no queixo, o balanço que ainda é bom naquele corpo que se afasta. Amigo das conjeturas, fica pensando: sendo eu, por novelesco capricho do acaso, também chamado Geraldo, e por acaso também viúvo… hein? hein?
(Do livro  Uns papéis que voam, São Paulo, FTD, 2003)


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A Noite dos Desesperados

23/11/05

Na década de 30, na Grande Depressão, os Estados Unidos viveram uma fase marcada pela decadência humana.
Por Léo Saballa

Famintos e desesperados, os casais se inscreviam em competições nas quais deveriam dançar incessantemente, às vezes, até a morte, em troca de comida, de roupas e de um prêmio insignificante em dólares, oferecido pelos patrocinadores.
No limite das suas forças, alguns farrapos humanos passavam dias e até semanas se arrastando numa pista de dança. Quem pagava para assistir a esse espetáculo grotesco vibrava na certeza de que as suas vidas não estavam tão desgraçadas assim. Horace McCoy ficou imortalizado ao retratar jornalisticamente a degradação da sociedade, mostrando em 1935 este lado mais miserável da América. Em 1969, o diretor de cinema Sidney Pollack, levou para as telas toda a crueldade da época.
O filme A Noite dos Desesperados foi indicado para nove Oscars. Jane Fonda e Michael Sarrazin brilharam nos papeis principais. O filme é angustiante e incomoda a quem assiste. Os valores humanos são pisoteados entre os dejetos incontinentes depositados no chão. É quase possível sentir o cheiro da podridão humana.
Pois bem, para minha surpresa vejo que este massacre está sendo reeditado em uma forma mais moderna em Joinville. Para faturar comercialmente, uma empresa decidiu usar do mesmo expediente. Oferece um prêmio para quem suportar mais tempo em cima de uma moto.
Candidatos não faltam. Algumas pessoas desempregadas, desesperadas, se inscrevem para ganhar a premiação testando os seus limites físicos e emocionais. Podem até comprometer a saúde ou morrer, pouco importa, mas pelo menos buscaram os 15 minutos de fama.
O que impressiona é o caráter competitivo que tentam impor a essa barbárie, a esse vale-tudo. Não tem nada de esportivo ou de saudável. É pura exploração, vampirismo que conta até com apoio irresponsável de alguns veículos de comunicação. Onde estão as instituições, a polícia, o Ministério Público, a Igreja, a Imprensa, o Centro de Direitos Humanos, a OAB e tantas outras entidades que defendem a dignidade humana?
Se providências imediatas não forem tomadas, daqui a pouco vamos ter exibições macabras em praça pública onde o vencedor será quem conseguir se suicidar com uma faca de corte cego, sem fazer careta, para delírio do público.


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