Arquivo mensal para 06/05

O retorno inesperado

29/06/05

A turma de amigos com quem me reunia na cafeteria da TV Globo antes de ir para a Europa continuava lá. Era alí que paquerávamos papel em novelas e outros shows.
Por Aguinaldo José de Souza Filho

Quando não saia nada, restava sempre as dublagens ao lado de hoje atores famosos como Milton Moraes, Daniel Filho, Reginaldo Farias, Milton Gonçalves e muitos outros. Dublagem pagava o suficiente para um prato feito, um maço de cigarros e o ônibus de volta para casa em Vila Isabel. Reginaldo Farias me convidou para ser assistente de produção do filme que dirigiu e protagonizou em 1969 chamado Os Paqueras, ao lado de Valter Forster. Eu tive o prazer de fazer um paquera numa cena noturna rápida de ‘corrida de submarinos’ na barra da Tijuca com a então badaladíssima Marina Montini. Leila Diniz, Darlene Glória, Adriana Prieto e Suzana Faini são outros nomes que me ocorrem, entre as muitas beldades que desfilaram nessa comédia. A essa altura eu já havia montado uma agência de figurantes e modêlos ao lado da Fundação Brasileira de Teatro, da Dulcina de Moraes, bem ali no coração do Rio, na rua Riachuelo. Alí estudei arte dramática com Dulcina, pantomima com Luis de Lima e direção de teatro com  Adolfo Celi, que acabou sendo um dos ‘bad guys’ de James Bond. Um dos meus caçadores de talentos um dia entrou no escritório com uma jovem chinesa de Macau que iluminou a agência e o meu coração! Foi amor à primeira vista… até eu dizer que era desquitado. Como boa católica, ela seguiu a sua consciência.

Enfim, em pouco tempo montei uma estrutura profissional que muitos invejavam, mas estava faltando algo. Os problemas existenciais que me levaram a sair do Brasil em 1966 estavam ainda lá. Alguns piores! Pensei na rádio Praga, mas nunca mais tive notícias do seu diretor, que me havia dado garantia de emprego. Valdyr, meu companheiro de caronas pela Europa, estava também de volta ao Rio, pressionado por sua família. Saímos juntos um par de vezes mas nada preenchia um vazio inexplicável. Caminhava pela avenida Rio Branco, cabisbaixo, quando esbarro num personagem que teve uma rápida passagem pela minha vida.

“Aguinaldo!” disse Roberto surpreso. “Você aqui? mas não tinha ido para a Suécia?” “Sim, mas por um capricho do destino estou de volta, pensando em como voltar para a Europa. Não estou me adaptando mais, mas as passagens são muito caras!” Seu rosto se iluminou. “Então você encontrou a pessoa certa.” Me procure amanhã lá pelas nove horas no terceiro andar do ministério da aeronáutica. Procure a sala do Correio Aéreo Nacional, o CAN, lembra dele?” “Claro.” “E traga seu certificado de reservista.” Roberto estava sentado na recepção do CAN, encarregado de anotar os nomes das pessoas nas listas dos vôos. O CAN oferecia viagens de graça para as capitais sul-americanas aos que tivessem alguma emergência em seus países de origem.

“Venha comigo”, disse ele, levando-me a uma sala nos fundos. “Dá licença, tenente? Esse é o jovem que lhe falei que quer ir para Lisboa.” “Você tem seu certificado de reservista da FAB?” perguntou o tenente em voz de comando. “Tenho sim senhor”. Ele examinou o documento por alguns segundos, devolveu e deu permissão para Roberto incluir meu nome na lista de passageiros de um avião da FAP, Força Aérea Portuguesa, que iria chegar dentro de sete dias facilitando um intercâmbio estudantil entre Brasil e Portugal. Era um avião grande que voltaria praticamente vazio. “Roberto, eu só tenho uma semana para me preparar? Estou envolvido num monte de projetos….” “Olha, chances como essa são raras. Se eu fôsse você não pestanejaria.” “Ah, sim, não se preocupe. Vou cuidar de tudo. Estarei no aeroporto na hora, pode deixar. Obrigado, amigão.”

Saí dali com minha cabeça girando a cem por hora. Tinha a agência, tinha uma Kombi, que havia sido financiada pela paixão chinesa, e o filme do Reginaldo Farias ainda estava rodando. Mas a adrenalina de voltar para a Europa, que eu via como ‘minha casa’, esquentava as minhas veias. Fui ter com meu irmão mais velho que colecionava divisas. “Você está louco? Ir para a Europa com cem francos?” “Neto, fique tranquilo, a Euorpa virou meu quintal. Cem francos lá é uma fortuna.” Convenci o mano. Agora era a vez de dar uma alegria ao meu sócio na agência. Pelo menos pagou o jantar.

A Kombi devolvi a Marina. Minha família estava confusa. Bem, um pouco, já me conheciam. Eu, nas núvens. Me senti muito mais feliz com esse retorno à Europa que com a minha ida inicial para a Suécia. Na verdade esperar aquele avião partir foi um martírio, ampliado pela ausência da tripulação do avião, que chegou quatro horas atrasada alegando que haviam se esquecido de ‘acertar o relógio’. Sua aparência e olheras contavam outra história.

Eram seis da tarde quando decolamos. Entre os estudantes brasileiros que me acompnhavam, estava um cantor francês com um mico nos ombros e outros que estavam tão felizes quanto eu.

No fim do dia seguinte em que pousamos eu já estava em Paris e com quase todo o dinheiro com que desembarcara em Lisboa. Bastaram duas caronas. Várias cartas de Julius Petrik me esperavam na capital francesa.

Praga estava no bolso, mas antess precisava resolver umas questões em Londres. Falamos mais na semana que vem.


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Procurado pela Interpol!

29/06/05

Pensando que iria matar dois coelhos com uma só cajadada, botei o pé na estrada. Um colega da Alliance Française me deu o nome de uma holandesa e parti para Amsterdam.
Por Aguinaldo José de Souza Filho

Passando por Reims, Bruxelas e Rotterdam, cheguei bem rápido na que considero uma das mais bonitas e acolhedoras cidades da Europa, depois de Praga. A última carona me deixou bem na rua das famosas vitrines das mais antigas profissionais do mundo. O comentário em inglês de uma delas, “mas que pés sujos’, me fez tirar as sandálias e mergulhar os pés naquele canal ainda mais sujo, mas refrescante! Breda, a holandesa que me recomendaram, pediu para eu voltar às 22 horas, quando o café onde trabalhava fechava.

“Você sabe andar de bicicleta?” perguntou ela ao fechar a porta da loja. Para quem cresceu em Joinville, só havia uma resposta. Ela pulou na garupa e partimos em direção a seu habitat, desviando ferozmente das canaletas dos trilhos dos bondes por todo lado.

Breda me ofereceu algo que comer, pôs o pijama,  apontou para o sofá dizendo que tinha aula cedinho, foi dormir. Acordei com ela saindo. “Basta bater a porta ao sair” disse ela, e foi para a escola. Eis uma pequena amostra do lindo povo holandês. No centro estudantíl universitário consegui um trabalho noturno por uma semana numa fábrica de tintas. Por lei havia descanço a cada 45 minutos de trabalho. Os outros empregados, estudantes locais, ao me verem sem nada me ofereciam a metade de seus sanduiches. O coordenador do turno da noite nos levava ao trabalho em sua Kombi VW equipada para camping e à noite me deixava dormir nela. Mais amostras da cordialidade holandesa. A semana passou depressa. Recebi meu salário e fui sentar no ‘Dam Square’, em frente à catedral, correspondente ao Picadilly Circus em Amsterdam. Ali se reuniam os hippies. Para minha surpresa me aparece Montini que ficara em Lisboa mais alguns dias. “A interpol anda te procurando”, disse ele com a maior naturalidade. “A mim? Porquê?”

“Algo a ver com aquela francesinha de Londres.” Fumamos umas e outras e decidi partir para Londres.  Fui de barco de Oostende até Margate, terra da minha futura nora de um filho que mais tarde nasceria em Londres! Fui direto ao endereço que a francesa havia me dado. O porteiro me contou a história. Um soldado americano e ela tomaram LSD no apartamento. Ele, alucinado, pensou que ela era um bicho e a estrangulou. A Interpol encontrara uma carta minha no apartamento dela e passei a ser parte da investigação – até descobrirem o culpado. Até hoje fico pensando que se não tivessem me barrado a entrada no país, ela hoje estaria viva e teria sido a cantora famosa que tanto queria ser. C’est la vie! No dia seguinte já estava dando aulas de português e trabalhando como free-lancer na BBC. Eu narrava tantos programas que fui o único jornalista não contratado que ofereceram o visto de residente permanente na Inglaterra. Ivan Lessa, do tempo do Pasquinho do Rio, costumava me chamar de ‘a voz de ouro da BBC’ o que me deixava todo envaidecido. Eu narrava com ele todos os seus programas. Jader de Oliveira, hoje correspondente da Globo News, era cliente certo. Tinha dois bons empregos, tinha meu espaço, mas faltava alguma coisa. Sem entender bem porque, me vi a bordo de um navio de volta ao Brasil. A surpresa dos amigos no Rio foi tão grande quanto a minha volta.

Mas os quatro meses de volta ao Brasil renderam a participação numa produção do Reginaldo Farias, na frente e atrás da câmera, a criação de uma agência de talentos e modêlos, a paixonite por uma chinesa de Macau e a volta à Europa da forma mais inusitada, como vocês verão na semana que vem.


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‘Faculdade’ de Letras

29/06/05

Como vocês devem se lembrar, Montini, nosso companheiro paulista, foi de trem e já havia se instalado num apartamento na Avenida de Roma, em Lisboa.
Por Aguinaldo José de Souza Filho

Lá deixamos as mochilas e fomos nos registrar na Faculdade. A Fundação Gulbenkian, fundada por um arménio magnata que se apaixonara por Lisboa, estava oferecendo ricas bolsas de estudo para estrangeiros interessados em estudar em Portugal – assim como para portugueses que quizessem estudar fora de Portugal. Nós nos qualificávamos como ‘estrangeiros’ e nos matriculamos no curso de filologia da língua portuguesa – nós e muitos ‘clochards’ brasileiros espalhados pela Europa. Nunca vi tantos cidadãos da terceira idade reunidos, a maioria de Paris! As aulas eram ministradas pelo então famoso Professor Cintra, defensor dos (estudantes) pobres e oprimidos, que liderava passeatas e incomodava o governo de Salazar. Eu passava o tempo dividido entre as aulas e Ula, uma antiga paixão dinamarquesa! Os dez mil escudos não chegaram ao fim da estada.

Consegui emprego de tradutor na ANI (Agência Nacional de Informações), o que durou um mês. O editor-chefe reclamava que tinha trabalho duplo comigo. Corrigir a tradução e o ‘brasileiro’! Na Faculdade ouvi o Prof. Cintra dizer que para ele se fala português em Portugal, crioulo nas colônias africanas e ‘brasileiro’ no Brasil! Foi um lindo verão de 1967 subvencionado em Lisboa. Ula voltara para Copenhaguem e eu conhecera uma jovem francesa que vivia em Londres. Depois de uma semana ‘a la francesa’, me despedi do pessoal e embarquei num vôo para Londres, onde iria ‘co-habitar’ com essa última conquista. Negada entrada por falta de recursos, fui devolvido a Lisboa no vôo seguinte.

Me recuperei da frustração e uma semana mais tarde eu e Valdyr estávamos de dedão em riste na estrada. Tinha que entrar na Inglaterra de qualquer maneira! Um caminhão de vinho nos levou até Elvas, a capital do Alentejo, Portugal. Dormimos no topo daquele muro medieval, tomamos café num bar local, onde ouvimos o povo falar com um sotaque parecido com o nosso, e entramos na Espanha a pé! Carona naquela região do mundo era difícil. Caminhamos muito.

Matamos a sede com frutas de cactus cheios de espinhos, do deserto espanhol, e finalmente conseguimos carona até uma cidade servida de trem. “Não gostamos de dar carona porque os ‘hippies’ cheiram mal”, disse o motorista do pequenino Renault quatre que nos levou até  Mérida. Para quem gosta de aventura, a terceira classe dos trens da Espanha era algo imperdível, com porcos vivos em sacos, espanhóis passando a pipa com vinho avinagrado, galinhas em engradados no corredor! Com a aproximação do cobrador, me lembrei de como chegava a Joinville fugindo das garras dos maristas no Colégio São Luis no meio da noite – pendurado na traseira do trem, até ele ir embora. Repeti várias vezes a proeza até Madri. Chegamos a Barcelona depois de um pernoite em Zaragoza.

Seguimos pela costa do Golfe du Lion, passando por Montpelliet até Arles, onde vivia uma jovem que conheceramos na faculdade em Lisboa, hoje um grande centro cultural. Chegamos na hora do grande petit-dejeuner, que mais parecia um banquete. Convidados para comer e já à mesa, não pude deixar de dar o meu tradicional ‘faux pass’: Alors, on vas bouffer”.

Prontamente criticado pelo pai da Françoise: “On ne bouffe pas. Son les animaux qui buffe. On mange!” ou seja, ‘quem buffe são os animais, nós nos alimentamos’. Foi um ‘repass’ delicioso e silencioso!

Mais tarde Françoise nos levou até Avignon, antiga posseção romana e a morada do papa fantoche Clemente V durante o chamado cativeiro Babilônio, de 1309 a 1378, no reino de Phlip IV, o Belo, que exterminara os cavaleiros Templares.

Passei algumas horas admirando aquelas muralhas até que um jovem estudante num Deux-Cheveaux – aquele carro típico francês que o topo abre como lata de sardinha – me deu uma carona direta até Paris, pernoitando em Lyon, numa casa da família.

Me esperavam em Londres a Language Studies Limited, para dar aulas de português a executivos que viriam dirigir suas filiais no Brasil, e a francesinha mas eu ainda pensava na radio de Praga. Falamos semana que vem. Au revoir.


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Velhas recordações

28/06/05

Os jornais falados dos primórdios do rádio interiorano eram feitos de forma peculiar. As rádios que tinham oportunidade e meios de contratar bons redatores, geralmente polarizavam a audiência nos mais nobres horários do dia, que eram utilizados para os informativos.
Por Agilmar Machado

Se por um lado havia deficiência com a falta de noticiários nacionais e internacionais diretos de agências, por outro lado levavam a que se mantivesse multiplicado os espeços destinado às notícias regionais e locais. Estas eram elaboradas, evidentemente, por redatores próprios. Assim, o ouvinte tinha a oportunidade de conhecer mais rapidamente e com maior precisão os acontecimentos da sua região e da sua cidade.

Os mais categorizados noticiosos contavam com pelo menos um comentário redigido no dia, contendo assunto atual de política, comunidade, ou um evento digno de nota. Os jornais duravam, invariavelmente, trinta minutos cada edição. Duas edições ao dia, normalmente às 12,00 e 18,30 horas, respectivamente (depois, vinha “A Voz do Brasil).

Todas as rádios tinham seus serviços de alto-falantes simultâneos, permitindo, aos que não tinham oportunidade de chegar em casa na hora do noticiário, acompanhá-lo “ao ar livre”. Exigia muito dos redatores essas práticas, face a carência de boas fontes informativas. Com isso, quem “pagava a conta” eram os políticos, governantes e legisladores, sobre os quais recaíam pesadas críticas, geralmente aplaudidas pela comunidade.

Assim que o mercado de profissionais jornalistas completos, isto é, com talento para dinamizar a redação e que, além de redator reunisse as qualidades de reporter, apresentador, locutor, etc.,e não um simples locutor comercial, tinha valores incalculáveis para a época.

Dos que se podiam reputar como completos, contavam-se nos dedos em cada região. As propostas a estes, vindas de outros prefixos, eram coisa quase que cotidiana. Porisso mudavam muito de prefixo.

Quando chegavam a uma nova cidade, contratados por um concorrente da emissora anterior, já tinham o nome feito, pois um trabalho de marketing (essa palavra ainda não existia no rádio da época) já o tinha credenciado previamente. Era uma vida nômade, mas muito variada, gostosa, respeitosa e absolutamente sem rotinas…


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Uma gota de xixi

28/06/05

Nada enlouquece tanto uma mulher quanto xixi masculino no assento do vaso sanitário. Nem precisa molhar muito, basta uma mísera gota levemente amarelada, daquele líquido corpóreo, para a mulher ser possuída por uma legião de demônios e perder completamente a compostura e a capacidade de raciocínio.
Por Léo Saballa

Com a jugular saltada, os olhos vidrados e a boca seca, a mulher se transforma numa pavorosa criatura que grita palavrões impublicáveis. Não basta ofender. É necessário humilhar. Nestes momentos, ela exala um cheiro insuportável de enxofre e seria capaz de matar a mordidas o descuidado mijão. É preciso muita calma nesta hora.

Claro que homem nenhum vai batizar o assento de forma premeditada, só para ver a mulher espumar de raiva. Para que as mulheres possam entender melhor, funciona assim: a urina é expelida em jato contínuo, com direcionamento manual. Geralmente o último pingo é o que sai da rota, desgarrado do fluxo e atraído pela força da gravidade. Ainda não inventaram nenhum equipamento de precisão que canalize, depositando todo o líquido no interior do vaso sanitário, que diga-se de passagem, tem a boca pequena e é muito baixo. Quer dizer, nem mesmo um campeão mundial de tiro ao alvo consegue, na distância de um metro, acertar o tempo inteiro.

Seria interessante que os estudiosos da mente humana se aprofundassem mais nas causas desse fenômeno que em questão de segundos vira do avesso a gentil alma feminina. Pode ser que a mulher instintivamente leve a sério aquela história de demarcar território, temendo que a urina do macho limite a sua área de circulação. Bobagem, a mulher tem trânsito livre no nosso universo e a urina pós-moderna serve apenas para eliminar as toxinas e liberar espaço para mais uma cerveja.

Penso que a mulher exagera quando reage com desequilíbrio. Não há nenhuma inundação nojenta. Ela poderia simplesmente passar um lencinho umedecido naquela minúscula gotinha e procurar se divertir com as diferenças anatômicas. Mesmo porque, não acredito que algum homem vá surtar só porque a mulher esquece na cama, bolas de algodão com cheiro de acetona, lâminas de depilação, lixas usadas, vidros de cremes e esmaltes, alicates e tesouras, que mancham e cortam, prejudicando muito mais que uma inofensiva gotinha de xixi.


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As Pioneiras: Rádio Jaraguá de Jaraguá do Sul

28/06/05

A história da ZYP-9, ao contrário da maioria das emissoras pioneiras aqui focalizadas, tem espaço e registro destacados no site da emissora. Aliás, uma boa parte das emissoras, sequer têm site; e das que têm, são poucas as que se referem à história da emissora.
Por Antunes Severo

A seguir um destaque da história da Rádio Jaraguá, contada pelos seus próprios historiadores.

No início de 1948, Jaraguá do Sul entrava na era do rádio, com a instalação, em fase experimental, do equipamento da Bynhgton & Cia., que funcionava em ondas longas de 1510 quilociclos, 196,8 metros, 250 watts, com a antena instalada no Morro do Brunhns.


Na década de 50 o então candidato a governador
Nereu Ramos, fazendo comício defronte à ZYP-9.

Na manhã de 31 de julho de 1948, tinha lugar a benção e inauguração da rádio com prefixo ZYP-9. Os sócios-fundadores, Werner Stange e Homero Camargo de Oliveira, organizaram um esplêndido  programa que culminou com as irradiações à noite, nos salões do Clube Atlético Baependi, abrilhantado pelo elenco artístico da PRB-2, Rádio Clube Paranaense, de Curitiba.

Foi o maior acontecimento da época na região. Com o passar do tempo, a contratação de locutores como Motta, Arruda Neto, Antônio Pereira, da radiofonia paulista, aumentaram ainda mais os níveis de audiência, incrementando a venda de aparelhos de rádio.

A cidade pulsava na magia do rádio proporcionando informação e uma saudável distração aos seus radiouvintes com programação variada: transmissões esportivas, noticiários, “Rancho do Dadi”, radioteatro, “Brindes sonoros”, entre outros; além dos programas de variedades ao vivo, no auditório da rádio ZYP-9, na Cel. Emílio Carlos Jourdan, especialmente aos domingos. Dessa forma, na época o rádio era o principal elo de comunicação com o mundo, as famílias se reuniram ao seu redor, influenciando o meio social fortemente, papel este que a televisão viria a assumir décadas mais tarde.


Integrantes da Orquestra de Acordeons do Rio de Janeiro, que vieram
se apresentar no Auditório da ZYP-9, nos idos de 1952.

A Broadcasting da ZYP-9 na época, até os idos dos anos 60, mesmo contando com profissionais do nível de Walter Franco, Augusto Sylvio Prodohl, e outros, era formado, em sua maioria por jovens da cidade, que reuniam-se em torno do rádio, como locutores, comentaristas esportivos e radionovelas.

Dentre outros: Antônio (Ico) Zimmermann, Senira Mafra, Edith da Silva, Ruth Braun, Ritta Maller, José Cláudio Giostri, Souza Miranda, José Castilho Pinto, Senízia Mafra Pinto, Olívia Wuenderlich, Arlete Müller, Eugênio Victor Schmokel, Otto Mey, Ademar da Silva, Neide, Helena, Aldo Prada, Evanira e Clodtilde Sansão, Douglas e Miltom Stange…

Mesmo que não fosse para perpetuar-se no microfone, o rádio representava para muitos a realização de um sonho dourado, e muitas vezes servia de trampolim para outras profissões devido a horários menos rígidos e mais flexíveis, possibilitando muitas vezes, a continuação dos estudos.

A Rádio Jaraguá mereceu também o registro de Ricardo Medeiros e Lúcia Helena Vieira, no livro História do Rádio em Santa Catarina:

No final da década de 40, Jaraguá do Sul possuía pouco mais de 20 mil habitantes. Os parques ajardinados integravam o cenário da cidade, bem como a estação ferroviária, parte da linha que ligava Rio Grande do Sul a São Paulo. A economia girava em torno da agricultura.

Neste ambiente nascia a Rádio Jaraguá, cuja inauguração aconteceu na manhã de 31 de julho, nas dependências do Clube Atlético Baependi. A festa contou com a participação do elenco artístico da PRB-2, Rádio Clube do Paraná.

A primeira sede da ZYP-9 foi à rua Emílio Jordão, de onde  se ouvia as vozes de Cícero Motta, Arruda Neto e Antônio Pereira, precursores no microfone da emissora.

Seus transmissores, com antena instalada no morro Bruhns, tinham potência de 250 watts. Na freqüência de 1510 quilociclos, um dos programas da Rádio Jaraguá era a Hora Alemã, que daria origem mais tarde ao Musical Alemão. Ataíde Machado comandava , a partir de 1954, o Rancho do Dadi. Conhecido como o poeta do sertão, o apresentador abria espaço para os novos valores da música agreste.

Aos poucos a emissora começou também a cobrir eventos externos, como manifestações sociais diretamente do salão paroquial Cristo Rei.

Participaram da história da Rádio Jaraguá nos primeiros tempos  Walter Franco, Augusto Sylvio Prodohl, Antônio Zimermann, Cenira Mafra, Edith da Silva, Ruth Braun, Rita Maller, José Cláudio Geostre, Margarida Paterno, Souza Miranda, José Castilhos Pinto, Olívia Wunderlich, Arlete Muller, Eugênio Vítor Schnockel, Otto Mey, Ademar da Silva, Aldo Prada, as irmãs Ivanira e Clotilde Sansão, além de Douglas Stange.

Fontes:
http://www.jaraguaam.com.br/

Vídeo Jaraguá do Sul no tempo do Rádio. Realização do Grupo Adulto de Teatro SCAR. Roteiro e direção de Gilmar Moretti, 1997.


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Radiojornalismo em Blumenau

28/06/05

Dois jornais falados marcaram a cidade de Blumenau durante os anos 1950. Um deles era o “Repórter catarinense” e o outro o “Grande jornal do ar”.
Por Clóvis Reis e César Martins

O “Repórter catarinense” foi um programa jornalístico criado por Manoel Pereira Júnior, na Rádio Clube de Blumenau.

Foi inspirado no Repórter Esso, da Rádio Nacional, do Rio de Janeiro. O nome “Repórter catarinense” deve-se a seu patrocinador, a Drogaria Catarinense. Seu horário na grade de programação ao longo dos anos sofreu poucas alterações, indo ao ar das 18h às 18h30min.

Braga Mueller (2003) lembra que o “Repórter Catarinense” tinha grande audiência: “Era impressionante, todos paravam para ouvir. O que se falava no programa estava falado. Estava sacramentado” . O programa era muito bem produzido e redigido. O redator do programa durante muitos anos foi Reinaldo de Oliveira Ferreira, tendo como superior direto Tesoura Júnior.

Grande jornal do ar

O “Grande jornal do ar” era o programa de maior prestígio da Radio Nereu Ramos e desfrutava de grande audiência.

Na abertura, havia um editorial, sob a responsabilidade de Ismael Correa. Nos últimos 10 minutos, a entrevista do dia, a cargo de Álvaro Correa.

Álvaro Correa (2003) lembra com orgulho daquela época: “O programa era o best-seller da rádio. Era o grande programa” . Lazinho (2003) observa que, como o comércio fechava ao meio-dia, naquele tempo, e não existia o hábito de almoçar no centro, todos íam para casa. Por isso, o programa começava às 12h15min. Era o tempo necessário para chegar em casa e almoçar, ouvindo as notícias.

O “Grande jornal do ar” era o produto mais valorizado na grade de programação da Rádio Nereu Ramos e possuía quatro cotas comerciais exclusivas.


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Produtores de sonho em rádio

28/06/05

Pouco a pouco quando a radionovela se implantava no Brasil, nos anos 1940, havia a necessidade de criar uma equipe de profissionais especialistas neste tipo de produção.
Por Ricardo Medeiros

Se no início os folhetins eram importados de Cuba e Argentina, logo em seguida surgiram os textos escritos por autores nacionais. Não se tratavam de escritores famosos, mas de pessoas que escreviam para jornais, teatro ou que atuavam dentro de outros setores das próprias emissoras de rádio, que passaram agora a acumular um know-how em literatura melodramática.

O primeiro escritor de radionovela no Brasil foi o teatrólogo Oduvaldo Viana. Após sua estada na Argentina, maravilhado com os dramas por lá transmitidos, ele mergulhou no mundo de sonhos. Ao todo ele escreveu 100 novelas, perfazendo cerca de 2 mil capítulos entre 1941 e 1972. Depois de “Fatalidade”, a primeira novela nacional, ele escreveu outras como “Renúncia” e “Alegria”, história de uma cigana, baseada na vida de Gilda de Abreu. Mas na sua lista há ainda obras como “Amor”, “Chuvas de Verão”, “Manhãs de Sol”, “Tormenta”, “A Mancha Vermelha”, “Ele te Dominará” e “Tortura”.

Oduvaldo Viana passou por situações pitorescas nessas três décadas redigindo radionovelas. Ele recebia cartas e telegramas de ouvintes que se queixavam do rumo que determinado personagem tomava, por ter morrido, ficado doente, não ter casado com tal pessoa. Se não bastasse, o autor tinha a pressão dos patrocinadores. Oduvaldo Viana conta que um dia foi requisitada a sua presença diante de um diretor norte-americano da Sydney Ross, uma das empresas que bancavam as novelas na Rádio São Paulo. Este senhor exigia que uma tal novela, que fazia sucesso, continuasse a ficar no ar por mais um período, o que forçou o escritor, mesmo a contra gosto, escrever outros capítulos até então não previstos. Tudo para contentar a Sydney Ross.

Além disso, Oduvaldo Viana passou por várias situações de aperto, que surgiam de repente. Muitas vezes ocorria que um ator ficava doente e Viana era obrigado a reescrever várias cenas para igualmente adoecer o personagem desse artista. No final, tudo se tornava simples : intérprete e personagem ganhavam alguns dias de repouso.


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Guarujá reina soberana durante mais de 10 anos

28/06/05

Caros Ouvintes, obra que será lançada no dia 4 de agosto em Florianópolis, é dividido em duas partes, cada uma contemplando três capítulos.
Da Redação

O primeiro capítulo, “Os Pioneiros e a Rádio Guarujá”, faz inicialmente um breve relato sobre as primeiras emissoras surgidas em Santa Catarina: Rádio Clube de Blumenau (1936), Rádio Difusora de Joinville (1941) e Rádio Difusora de Itajaí (1942).  Em seguida, registra uma tentativa frustrada de instalação de uma emissora de rádio em Florianópolis, sob o comando da “Radiodifusão Brasileira S.A”. Na seqüência, o capítulo se dedica integralmente à ZYJ-7, surgida em 1943, graças ao empreendedor Ivo Serrão Vieira, que três anos mais tarde vende à estação para o pessedista Aderbal Ramos da Silva, futuro governador do Estado. Será pelas mãos deste político que a Guarujá vai reinar soberanamente nas ondas do rádio da capital  até os primeiros anos da década de 1950.


Cast da Rádio Guarujá: Pituca & Cia.

O segundo capítulo, “Fim do Monopólio: surgem a Anita Garibaldi e a RDM”,  dedica-se ao relato da trajetória das emissoras que vão dividir as atenções do público com  a Guarujá. No ano de 1954 aparece a Rádio Anita Garibaldi, do médico J. J. Barreto e no ano posterior é a vez de entrar no ar  a Rádio Diário da Manhã (RDM), da família Konder-Bornhausen, ligada à União Democrática Nacional (UDN). A partir do momento que a RDM passa a fazer parte da vida dos Florianópolis, a Guarujá perde o seu posto de  “mais ouvida” para a emissora da ala udenista.


Auditório da Rádio Diário da Manhã

É por este canal que a população acompanha o programa de auditório “Seqüências A Modelar”, as radionovelas e o jornalístico “Vanguarda”.

O livro Caros Ouvintes, que relata a  trajetória de mais de 60 anos do  rádio em Florianópolis, será lançado a partir das 19 horas, do dia 4 de agosto,  na Assembléia Legislativa do Estado de Santa Catarina. A obra leva a assinatura de Antunes Severo e Ricardo Medeiros. A edição é uma parceria entre  a Editora insular e  a Associação Catarinense de Imprensa (ACI).

Na próxima semana estaremos abordando o terceiro capítulo da obra Caros Ouvintes. 


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Rádio – tudo o que você precisa ouvir

28/06/05

A segunda edição do Festival de Comunicação e Arte do Curso de Comunicação Social do IBES – Instituto Blumenauense de Ensino Superior, discretamente aponta alguns dos temas que ainda constrangem o rádio à condição menor dentre os mais poderosos meios de comunicação que a sociedade moderna dispõe.
Da Redação

Tendo o rádio como tema, o encontro colocou diante de uma platéia de alunos de jornalismo, publicidade e propaganda e relações públicas, uma visão com a qual grande parte dos participantes sequer imaginava.


Abertura do encontro

Começando pelo depoimento do prefeito João Paulo Kleinubing que surpreendeu com a revelação de sua atividade como radialista atuante ao microfone da Rádio Clube de Blumenau há mais de seis anos.


João Paulo Kleinubing, Prefeito de Blumenau (SC)

“Outra importante presença do meio jornalístico e publicitário na noite de abertura foi a de Antunes Severo”, destacou a professora Janine Kuroski Fischer, coordenadora do evento. Criador de uma das maiores agências de Publicidade e Propaganda do estado, a A S Propague, Severo falou sobre suas histórias e de sua paixão pela comunicação. Professor universitário, disse para os acadêmicos que ao escolher a profissão na área da comunicação, o profissional faz uma opção de vida, quase como um sacerdócio.


Antunes Severo, Diretor Geral do Instituto Caros Ouvintes

A segunda parte da noite foi dedicada a realidade das emissoras de rádio em Blumenau. Os empresários Edélcio Vieira (Rádio Clube Blumenau); Carlos Alberto Ross (Rede Fronteira de Comunicação – CBN) e Rubens Olbrisch (Rádio União FM/Antena 01), falaram sobre suas experiências e principalmente da mudança do perfil do profissional que hoje chega para trabalhar no mercado.

Ambos foram enfáticos ao afirmarem a necessidade de uma mudança de conceito no comportamento das agências de publicidade em relação as rádios de um modo geral. Pediram aos futuros profissionais um novo olhar, um novo tratamento que certamente fará diferença no mercado. Dos desafios enfrentados pelos jornalistas e radialistas lembraram que a Internet, o celular e outros equipamentos eletrônicos que ameaçaram o rádio, hoje são os principais aliados. Para eles, o rádio se consolida no mercado, e volta agora como o velho aliado que foi dos áureos tempos da chamada Época de Ouro.

O último dia de programação do 2º Festival de Comunicação e Arte do IBES foi dedicado à história do rádio. A professora Cristiane Neder, doutoranda em Cinema na USP, apresentou um trabalho inédito feito pela rádio BBC, de Londres sobre a trajetória do rádio no Brasil. Finalizou destacando: “Mesmo com tantas mudanças em períodos de globalização, o rádio continuará a ser um dos mais importantes e respeitados meios de comunicação, seguindo as tendências da pluralidade, atendendo cada vez mais nichos específicos de ouvintes”.


Professora Cristiane Neder

Em seguida, alunos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda apresentaram resultados de pesquisa sobre o perfil de programas de emissoras de rádio locais.

A programação foi encerrada com o debate voltado para a importância dos programas interativos reunindo os comunicadores Joelson dos Santos (Rádio Nereu), Arnaldo Zimmermann (Rádio Blumenau) e a Secretária de Comunicação Social da Prefeitura de Blumenau, Fabrícia Zucco.


Bate-papo final

Para a organização do Festival, a programação encerrou cumprindo seu papel. O coordenador do curso de Jornalismo, professor Fernando Arteche Hamilton, destacou a importância do evento para todos os interessados em conhecer mais sobre a comunicação profissional na região, os problemas, os desafios e as possibilidades de soluções que se desenham.


Professora Janine Kuroski Fischer

Já a professora e também coordenadora do Curso de Publicidade e Propaganda, Janine Kuroski, destacou: agora é pensar na terceira edição do festival, consolidando o evento junto ao meio acadêmico e profissional.

Fonte:
http://www.unibes.com.br/


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Vinte minutos

28/06/05

A pioneira das rádios all news foi a WINS, de Nova York, criada em 1965 pelo então poderoso (e hoje extinto) Group W de emissoras.
Por Adhemar Altieri

O “W” é de Westinghouse, empresa mais conhecida no Brasil por suas geladeiras e máquinas de lavar roupa, mas que na época dominava o processo nos Estados Unidos de ponta a ponta: fabricava transmissores, aparelhos de rádio, e era dona de algumas das mais tradicionais emissoras do país.

A CBS News, outra grande rede de rádio e televisão, adotou o formato all news em várias de suas emissoras e consolidou o chamado ciclo de 30 minutos, com noticiários consecutivos, no ar pontualmente nas horas cheias e meias horas.

Na década de 1980 surgiu o formato que a Band News FM acaba de adotar, com ciclos de 20 minutos – noticiários atualizados na hora cheia, aos 20 e aos 40 minutos de cada hora.

Criado por uma das rivais da CBS – a NBC News -, o ciclo de 20 minutos foi desenvolvido a partir de pesquisas mostrando que o tempo disponível do ouvinte americano estava ficando cada vez mais escasso. Em 1985, muitos já achavam 30 minutos tempo demais para dedicar a um noticiário.

Para lançar a novidade e enfatizar a vantagem dos ciclos mais curtos, a NBC utilizou o slogan “Give us twenty minutes, and we’ll give you the world” (você nos dá 20 minutos e nós lhe entregamos o mundo), aliás muito próximo do slogan que a BandNewsFM está utilizando: “Em 20 minutos, tudo pode mudar”.

Texto publicado no site www.observatoriodaimprensa.com.br


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Publicidade é um diálogo com o consumidor: precisa ter continuidade

28/06/05

Quantas vezes o publicitário esquece do princípio elementar que diz que a publicidade, em qualquer meio, significa, sobretudo, uma “conversa” com o consumidor, um diálogo permanente. Algo que exige continuidade. Leia mais…

O amigão do rádio, agora em Santa Catarina

28/06/05

Marcelo Luiz, “O Amigão”. Popular radialista está agora na 105 FM. Marcelo Luiz já foi inclusive candidato a deputado estadual pelo Paraná e por pouco mais de duzentos votos não ocupou a cadeira.
Por Ricardo Carvalho Wegrzynovski

Trabalhou na RCA, hoje BMG, uma das mais conceituadas gravadoras de discos, teve como colega de trabalho o hoje popular, mas antes humilde radialista, Carlos Massa, o Ratinho, entre outros feras da comunicação. Roberto Carlos, o cantor, faz parte de algumas das tantas histórias irônicas do radialista.

Marcelo Luiz atualmente traz para os ouvintes todas as manhãs diversas histórias que encantam. Perguntado sobre qual o radialista que tem como modelo não pensa duas vezes antes de falar “Hélio Ribeiro, ele foi o cara” e ainda sugere o site www.helioribeiro.com.br para conhecer um pouco de quem chama de “mito do rádio”.

Emissora all news é a novidade no ar

22/06/05

O recente lançamento em São Paulo da BandNews FM, uma rede de emissoras FM que transmite exclusivamente notícias, merece os mais efusivos
aplausos.
Por Adhemar Altieri

 Trata-se de um acréscimo valioso para o radiojornalismo brasileiro, que chega por iniciativa de uma empresa com sólida tradição no meio rádio: o Grupo Bandeirantes nasceu em 1937 com a Rádio Bandeirantes, três décadas antes da chegada da TV ao grupo.

A BandNews FM traz novidades em várias frentes, e a maioria delas chega ao Brasil com um certo atraso. Por exemplo, é a primeira emissora do país a adotar, de fato, o formato all news, transmitindo notícias o tempo todo em noticiários consecutivos atualizados continuamente, 24 horas por dia.

O que se viu no Brasil até agora foram emissoras erradamente chamadas de all news, pois apresentam notícias mescladas com programas de debate, entrevistas longas e, em alguns casos, futebol. Esse formato, adotado, por exemplo, pela rede CBN, não é all news e sim news-talk – e a diferença entre os dois é acentuada.

Texto publicado no site www.observatoriodaimprensa.com.br


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O Jornalista do Apagão

22/06/05

Antonio Flores Dias Neto, da Rádio CBN Diário de Florianópolis, participou no mês de maio do “Estação Estácio”, um programa radiofônico de entrevistas  organizado pelos alunos do curso de jornalismo da Faculdade Estácio de Sá de Santa Catarina.
Por Antonio Morossino
Aluno da 7ª fase de Jornalismo – Estácio de Sá/SC

Neto, 27 anos, é formado em jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC/RS) e em Engenharia Agrônoma pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Além disso, é pós-graduado na área de Novas Mídias, pela Universidade Regional de Blumenau (Furb).

O Porto-Alegrense, criado no bairro Menino Deus,  teve seu contato com a imprensa aos 17 anos, quando estudava no terceiro ano do colégio Julinho. “Conheci uma menina estudante de jornalismo e na época ela cursava o segundo ano da Fabico (Faculdade de Comunicação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul). Na tentativa de conquistar a moça, consegui um emprego onde ela trabalha, o jornal de bairro ´Oi Menino Deus´. A partir daí desisti da carreira de ser médico e entrei de cabeça na comunicação”, relembra Neto.


Antônio Neto (ao centro) com os apresentadores Adriane Ferreira e Antonio Morossino.

O jornalista conta que durante seus primeiros passos como repórter, logo ao iniciar suas matérias no jornal “Oi Menino Deus”, fez de tudo. “Eu era colunista de comunidade, escrevia  coisas do bairro, como problemas de buracos nas ruas, intrigas entre comerciantes, preço do Iptu, festas comunitárias, entre outras pautas ”.

Antonio Neto relata que então surge a primeira grande oportunidade: uma vaga de radio- escuta na tradicional Rádio Gaúcha. “Ali acredito que tenha começado definitivamente minha carreira”. Aos poucos, Neto passa de radio-escuta para auxiliar de produção da rádio, e, ao terminar a graduação, já ocupa a função de produtor executivo do programa Gaúcha Hoje.

A mudança para Santa Catarina, mais precisamente Florianópolis,  deu-se em função de uma transferência interna da empresa. “Vim cobrir férias no jornal de Santa Catarina como repórter de Geral, daí acabei ficando mesmo”. Repetindo a “sina” que o fez mergulhar no jornalismo, um outro amor platônico em terra catarinense arrastou o jornalista para morar em Florianópolis.

“Com muito esforço e luta consegui uma chance como produtor na Rádio CBN Diário, onde estou exercendo a função de repórter, produtor e também faço o plantão esportivo, desde 2003.”

Nesta emissora de rádio jornalista fez a cobertura do “Apagão”, que deixou Florianópolis um verdadeiro caos, em outubro de 2003. O convidado lembra que foram dias e dias de trabalho ininterruptos, dormindo mal, até mesmo junto aos funcionários da empresa responsável pela distribuição e manutenção da energia elétrica, Celesc. “A equipe toda da CBN se dedicou exaustivamente durante aquele período de escuridão e falta de água na cidade. Foi uma experiência inesquecível como profissional, pois a rádio tornou-se naquele momento um meio de informações extremamente importante para orientar e acalmar a população”.

O jornalista também cobriu, em junho de 2004, a semana de manifestações de estudantes contra  o reajuste das tarifas de passagens no transporte coletivo da capital catarinense.

Ao ser questionado sobre qual conselho poderia dar aos futuros profissionais de jornalismo, Neto ressalta que os alunos devem  estar  prontos para entrar diretamente no mercado de trabalho, cada vez mais acirrado.  Além disso, observa Neto, o recém formado deve igualmente ser versátil, pois é uma  exigência atual  dos veículos de comunicação. Acrescenta também que : “é importante que vocês leiam muito, dominem ao máximo a técnica jornalística para executar um bom trabalho”.


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