A turma de amigos com quem me reunia na cafeteria da TV Globo antes de ir para a Europa continuava lá. Era alí que paquerávamos papel em novelas e outros shows.
Por Aguinaldo José de Souza Filho
Quando não saia nada, restava sempre as dublagens ao lado de hoje atores famosos como Milton Moraes, Daniel Filho, Reginaldo Farias, Milton Gonçalves e muitos outros. Dublagem pagava o suficiente para um prato feito, um maço de cigarros e o ônibus de volta para casa em Vila Isabel. Reginaldo Farias me convidou para ser assistente de produção do filme que dirigiu e protagonizou em 1969 chamado Os Paqueras, ao lado de Valter Forster. Eu tive o prazer de fazer um paquera numa cena noturna rápida de ‘corrida de submarinos’ na barra da Tijuca com a então badaladíssima Marina Montini. Leila Diniz, Darlene Glória, Adriana Prieto e Suzana Faini são outros nomes que me ocorrem, entre as muitas beldades que desfilaram nessa comédia. A essa altura eu já havia montado uma agência de figurantes e modêlos ao lado da Fundação Brasileira de Teatro, da Dulcina de Moraes, bem ali no coração do Rio, na rua Riachuelo. Alí estudei arte dramática com Dulcina, pantomima com Luis de Lima e direção de teatro com Adolfo Celi, que acabou sendo um dos ‘bad guys’ de James Bond. Um dos meus caçadores de talentos um dia entrou no escritório com uma jovem chinesa de Macau que iluminou a agência e o meu coração! Foi amor à primeira vista… até eu dizer que era desquitado. Como boa católica, ela seguiu a sua consciência.
Enfim, em pouco tempo montei uma estrutura profissional que muitos invejavam, mas estava faltando algo. Os problemas existenciais que me levaram a sair do Brasil em 1966 estavam ainda lá. Alguns piores! Pensei na rádio Praga, mas nunca mais tive notícias do seu diretor, que me havia dado garantia de emprego. Valdyr, meu companheiro de caronas pela Europa, estava também de volta ao Rio, pressionado por sua família. Saímos juntos um par de vezes mas nada preenchia um vazio inexplicável. Caminhava pela avenida Rio Branco, cabisbaixo, quando esbarro num personagem que teve uma rápida passagem pela minha vida.
“Aguinaldo!” disse Roberto surpreso. “Você aqui? mas não tinha ido para a Suécia?” “Sim, mas por um capricho do destino estou de volta, pensando em como voltar para a Europa. Não estou me adaptando mais, mas as passagens são muito caras!” Seu rosto se iluminou. “Então você encontrou a pessoa certa.” Me procure amanhã lá pelas nove horas no terceiro andar do ministério da aeronáutica. Procure a sala do Correio Aéreo Nacional, o CAN, lembra dele?” “Claro.” “E traga seu certificado de reservista.” Roberto estava sentado na recepção do CAN, encarregado de anotar os nomes das pessoas nas listas dos vôos. O CAN oferecia viagens de graça para as capitais sul-americanas aos que tivessem alguma emergência em seus países de origem.
“Venha comigo”, disse ele, levando-me a uma sala nos fundos. “Dá licença, tenente? Esse é o jovem que lhe falei que quer ir para Lisboa.” “Você tem seu certificado de reservista da FAB?” perguntou o tenente em voz de comando. “Tenho sim senhor”. Ele examinou o documento por alguns segundos, devolveu e deu permissão para Roberto incluir meu nome na lista de passageiros de um avião da FAP, Força Aérea Portuguesa, que iria chegar dentro de sete dias facilitando um intercâmbio estudantil entre Brasil e Portugal. Era um avião grande que voltaria praticamente vazio. “Roberto, eu só tenho uma semana para me preparar? Estou envolvido num monte de projetos….” “Olha, chances como essa são raras. Se eu fôsse você não pestanejaria.” “Ah, sim, não se preocupe. Vou cuidar de tudo. Estarei no aeroporto na hora, pode deixar. Obrigado, amigão.”
Saí dali com minha cabeça girando a cem por hora. Tinha a agência, tinha uma Kombi, que havia sido financiada pela paixão chinesa, e o filme do Reginaldo Farias ainda estava rodando. Mas a adrenalina de voltar para a Europa, que eu via como ‘minha casa’, esquentava as minhas veias. Fui ter com meu irmão mais velho que colecionava divisas. “Você está louco? Ir para a Europa com cem francos?” “Neto, fique tranquilo, a Euorpa virou meu quintal. Cem francos lá é uma fortuna.” Convenci o mano. Agora era a vez de dar uma alegria ao meu sócio na agência. Pelo menos pagou o jantar.
A Kombi devolvi a Marina. Minha família estava confusa. Bem, um pouco, já me conheciam. Eu, nas núvens. Me senti muito mais feliz com esse retorno à Europa que com a minha ida inicial para a Suécia. Na verdade esperar aquele avião partir foi um martírio, ampliado pela ausência da tripulação do avião, que chegou quatro horas atrasada alegando que haviam se esquecido de ‘acertar o relógio’. Sua aparência e olheras contavam outra história.
Eram seis da tarde quando decolamos. Entre os estudantes brasileiros que me acompnhavam, estava um cantor francês com um mico nos ombros e outros que estavam tão felizes quanto eu.
No fim do dia seguinte em que pousamos eu já estava em Paris e com quase todo o dinheiro com que desembarcara em Lisboa. Bastaram duas caronas. Várias cartas de Julius Petrik me esperavam na capital francesa.
Praga estava no bolso, mas antess precisava resolver umas questões em Londres. Falamos mais na semana que vem.
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Pensando que iria matar dois coelhos com uma só cajadada, botei o pé na estrada. Um colega da Alliance Française me deu o nome de uma holandesa e parti para Amsterdam.
Como vocês devem se lembrar, Montini, nosso companheiro paulista, foi de trem e já havia se instalado num apartamento na Avenida de Roma, em Lisboa.
Os jornais falados dos primórdios do rádio interiorano eram feitos de forma peculiar. As rádios que tinham oportunidade e meios de contratar bons redatores, geralmente polarizavam a audiência nos mais nobres horários do dia, que eram utilizados para os informativos.
Nada enlouquece tanto uma mulher quanto xixi masculino no assento do vaso sanitário. Nem precisa molhar muito, basta uma mísera gota levemente amarelada, daquele líquido corpóreo, para a mulher ser possuída por uma legião de demônios e perder completamente a compostura e a capacidade de raciocínio.
A história da ZYP-9, ao contrário da maioria das emissoras pioneiras aqui focalizadas, tem espaço e registro destacados no site da emissora. Aliás, uma boa parte das emissoras, sequer têm site; e das que têm, são poucas as que se referem à história da emissora.


Dois jornais falados marcaram a cidade de Blumenau durante os anos 1950. Um deles era o “Repórter catarinense” e o outro o “Grande jornal do ar”.
Pouco a pouco quando a radionovela se implantava no Brasil, nos anos 1940, havia a necessidade de criar uma equipe de profissionais especialistas neste tipo de produção.
Caros Ouvintes, obra que será lançada no dia 4 de agosto em Florianópolis, é dividido em duas partes, cada uma contemplando três capítulos.

A segunda edição do Festival de Comunicação e Arte do Curso de Comunicação Social do IBES – Instituto Blumenauense de Ensino Superior, discretamente aponta alguns dos temas que ainda constrangem o rádio à condição menor dentre os mais poderosos meios de comunicação que a sociedade moderna dispõe.





A pioneira das rádios all news foi a WINS, de Nova York, criada em 1965 pelo então poderoso (e hoje extinto) Group W de emissoras.
Antonio Flores Dias Neto, da Rádio CBN Diário de Florianópolis, participou no mês de maio do “Estação Estácio”, um programa radiofônico de entrevistas organizado pelos alunos do curso de jornalismo da Faculdade Estácio de Sá de Santa Catarina.
