Itajai, um dos mais importantes pólos estratégicos da política e da economia de Santa Catarina, tem na imprensa destacado papel. Desde o semanário Itajahy lançado em 10 de maio de 1884 por Mestre Janja (João da Cruz e Silva), até o Diarinho dos dias de hoje os jornais locais contam-se às centenas. Leia mais…
Arquivo mensal para 03/05
Castelan, cidadão de Florianópolis
Altair Debona Castelan, foi agraciado com o Título de Cidadão Honorário de Florianópolis pelos serviços prestados à Capital do Estado. A entrega da comenda ocorreu no último dia 23 de março, no plenário do Tribunal de Justiça, durante sessão solene comemorativa aos 279 anos de Florianópolis.
Por Antunes SeveroNatural de Criciúma, Castelan, que também é maestro e pianista com participação destacada em eventos culturais catarinenses, é o segundo servidor mais antigo ainda em atividade no TCE, onde é auditor.

Natural de Criciúma (SC), onde nasceu em 28 de junho de 1935, Castelan veio estudar em Florianópolis, como interno do Colégio Catarinense onde concluiu o segundo grau. Sempre atento à música, logo estava integrado com os profissionais da Capital, enquanto dividia o seu tempo com a preparação para os vestibulares de Contabilidade e Direito. Em 1954 ingressou na Rádio Guarujá como acordeonista, pianista e arranjador. Com o surgimento da Rádio Diário da Manhã em 1955, assumiu a direção do Conjunto RDM, onde permaneceu até 1957.

Graduado em Contabilidade e Direito, em 10 de novembro de 1959, ingressou no Tribunal de Contas como contador. Exerceu diversos cargos de chefia e direção antes de ser nomeado auditor, em 1979. Como auditor e conselheiro-substituto, nas várias oportunidades em que foi convocado para substituir os conselheiros do TCE, sempre contribuiu com a marca de sua vasta experiência, sensibilidade e competência. A outorga do título de Cidadão de Florianópolis ao maestro Castelan foi uma proposição do vereador Xandi Fontes.

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A rádio e o estilo – 4
A grande diferença que se estabelece entre o veículo eletrônico e o impresso é que no primeiro o texto deve facilitar a audição, enquanto que no segundo a informação sempre pode ser lida mais de uma vez.
Por Paulo Brito, de Barcelona
O redator de rádio deve escrever, sempre, pensando que o seu ouvinte, normalmente, não tem a atenção voltada exclusivamente para o rádio. Deve levar em conta, também, que entre ele e o ouvinte interpõe-se o locutor, encarregado de interpretar a mensagem. Por isto, objetividade e simplicidade serão sempre os melhores fatores para estabelecer uma boa comunicação.
Uma boa maneira de superar os eventuais problemas de um texto de rádio é lê-lo em voz alta. Facilmente se conseguirá, assim, tornar menores as frases, dando mais ritmo à leitura, além de substituir os trechos que torna difícil o entendimento da informação. A musicalidade da frase também será melhor sentida com esta leitura. Se o redator tiver dificuldades de ler o texto que acaba de fazer, é provável que isto ocorra em maior grau com o locutor. E se o locutor não conseguir dar uma interpretação correta, o grande prejudicado será o ouvinte, que não entenderá a informação.
A ordem direta deve ser a preferida, mas existem informações em que a ordem inversa melhorará o entendimento da informação.
Exemplo:
ERRADO - A Companhia de Energia Elétrica informa que vai faltar luz hoje no centro, das duas às seis da tarde.
CERTO – Vai faltar luz no centro, das duas às seis da tarde.
O bom senso do redator, buscando facilitar o entendimento do ouvinte, é o melhor juiz para determinar a melhor fórmula a ser usada.
Também devem ser preferenciais as frases e as palavras curtas. Ou, no máximo, as frases médias de até duas linhas. Para não se chegar a uma seqüência de frases curtas – o que tornaria o texto “foguete”, – o ideal é a alternância com frases médias.
É sempre bom tentar-se chegar ao lead de rádio. Isto é, uma frase de abertura que sintetize a notícia ou transmita no início a principal informação. Existem aquelas informações curtas, de duas ou três linhas, que são o próprio lead. Mas para as notícias médias – as de até seis linhas, que devem dominar os noticiários – é uma exigência. No momento em que escreve, normalmente o redator sabe o que os demais redatores estão escrevendo. Por isto, pode avaliar a importância que a sua informação terá no contexto do programa a ser editado. Isto deve ser levado em conta para determinar o tamanho da notícia, que deve ter a dimensão exata da sua importância no contexto do noticiário. Se todos escreverem notícias longas, o informativo se tornará monótono. Ao contrário, se todos escreverem notícias curtas, o noticiário ficará por demais telegráfico e é provável que o editor não terá o número de linhas suficientes para o fechamento do noticiário.
O boletim do esporte
Normas gerais – A cabeça do boletim deve trazer sempre a notícia mais importante. Parece óbvio, mas não é: tem repórter abrindo boletim com detalhes de treino físico para só depois dar a principal informação do setor.
Adotar um tom mais pessoal – “conversei com fulano”, “sobre o que” – ao invés do plural de modéstia. É o repórter falando na primeira pessoa, dando seu testemunho sobre o assunto que está cobrindo.
A informação de tempo só quando estiver relacionada com o assunto da cobertura. Evitar todos os chavões possíveis. Exemplos clássicos:
- “Reina grande expectativa”.
(Ora, se não fosse assim não estaríamos cobrindo o assunto).
- ”O técnico está otimista”.
(Se ele estiver mesmo, que diga no microfone.)
- “O time quer ganhar”.
(Nem tem sentido querer o contrário, perder).
O locutor deve também corrigir o texto quando achar que não obedece a linguagem do rádio. Não pode nunca ler textos de jornais, pois a linguagem escrita é diferente da linguagem falada.
O repórter que estiver cobrindo, fazendo a cobertura jornalística do time adversário dos clubes da cidade sede da rádio, sempre, devem incluir informações sobre a arbitragem em seu boletim.
O repórter responsável pela cobertura do clube ou time da sede da emissora deve dar o preço dos ingressos, a fim de orientar o torcedor. Incluir, se possível, também dados sobre o jogo da preliminar.
O preço dos ingressos não se aplica aos boletins de fora do Estado, a não ser quando se tratar de curiosidade. Vale o bom-senso.
Incluir a posição do clube na tabela de classificação do campeonato na apresentação do jogo.
Normalmente os boletins para a edição noturna são mais longos, mas nem por isso devem ser menos atrativos. Se o material do repórter indicar que o boletim será mais longo do que o normal, a solução é fazer dois boletins: a primeira parte com o noticiário do time local, por exemplo, e a segunda com o adversário. Basta, ao final da primeira parte, fazer a chamada para a segunda. Só a segunda levará a assinatura.
Gravações nos boletins: obrigatória em todos os horários, exceto no caso excepcionais ou de um boletim analítico. Não esqueça que a ilustração enriquece e dá credibilidade ao noticiário.
Nas gravações inseridas nos boletins deve imperar o bom senso: três perguntas para um só entrevistado é o máximo que alguém agüenta ouvir. Mais do que isso só se a entrevista for com o ou um Pelé.
Fora do horário noturno, uma ou duas perguntas é o ideal.
Ao dar a hora não esqueça que no rádio ela é sempre coloquial, ou seja duas horas da tarde e não 14 horas. Ninguém fala assim – quatorze horas, todo mundo fala duas horas se a locução estiver bem perto ou seja, se a você esta falando a tarde, não precisa dizer duas horas da tarde, basta dizer duas horas. Use daqui a pouco, logo mais, ainda pouco, hoje pela manhã, logo mais à noite, dentro de instantes, etc. Nunca diga duas e quarenta mas sim faltam vinte para as três horas.
Fale no rádio como você conversa com os amigos. Seja simples e claro, não procure mostrar erudição ou inventar sinônimos. As assinaturas devem ser as mais simples possíveis: de preferência o nome e o local.
Em viagem ou quando de eventos especiais, permite-se realçar o assunto que está merecendo cobertura. Boletins feitos no estúdio não levam, em hipótese alguma, o local na assinatura. Neste caso, o local é substituído pelo assunto.
Desnecessário dizer que o boletim é especial para determinado programa. Se ele foi divulgado naquele programa é claro que só foi para aquele programa.
Na próxima semana: A entrevista radiofônica e a forma de realização da entrevista.
Sintonia rara em Joinville
Em raros momentos e estando em pontos de boa recepção, podemos sintonizar em Joinville, emissoras de diversos pontos do país. Só em AM passa de uma dezena. Veja a lista, embora nem todas estejam identificadas.
Ricardo Wegrzynovski, de Joinville
O equipamento utilizado para recepção foi um CD Player JVC automotivo, com antena original de carro popular. Algumas emissoras não foram identificadas, embora tenham sido capturadas no dial digital do JVC. A sintonia ocorreu entre as 18h00 e às 19h00 de uma tarde nebulosa que pode ter facilitado a propagação, já que não é comum sintonizar-se tantas emissoras em Joinville. O registro foi feito no bairro Costa e Silva, que fica próximo a serra Dona Francisca.
AM 600 (Rádio Gaúcha); AM 700 (Rádio Eldorado de São Paulo); AM 840 (Bandeirantes de São Paulo); AM 870 (Rádio São Francisco, de São Francisco do Sul); AM 970 (Não identificada); AM 1040 (Rádio Capital, de São Paulo); AM 1090 (Não identificada); AM 1150 (Rádio Tupy, de São Paulo); AM 1250 (Rádio Cultura, de Joinville); AM 1280 (Não identificada); AM 1370 (Não identificada); AM 1450 (Não identificada); AM 1480 (Rádio Difusora, de Joinville); AM 1520 (Não identificada); AM 1590 (Não identificada).
Casinha de Abelha
Em Minas Gerais os aparelhos de rádio antigos são chamados de “Casinha de Abelha”. O motivo é que é uma caixinha, meio feia, que emite um chiado danado. “Meu avô ficava ouvindo aqueles radinhos pequenos, o som era igual de casinha de abelha de tanto que chiava”, diz sorridente a mineira de Governador Valadares, Éster Ferreira Neves, 41, que mora atualmente em Joinville.
Novas da Difusora de Joinville
Começou nesta semana na Rádio Difusora de Joinville o programa “A vida como ela é” apresentado por Sandra Regina, que também responde pelo departamento comercial da emissora. Entre os quadros do programa, destaca-se o de entrevistas intitulado “Café da tarde”.
Refeita e equipe da Difusora. Veja no site www.difusora.net.
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Ricardo Wegrzynovski [wricardo@hotmail.com], é estudante de jornalismo e trabalha em rádio e TV em Joinville.
A filha do Pedro
O diretor da Rádio Cultura de Joinville, Ramiro Gregório voltava de uma festa, na madrugada, quando passou em frente à rádio. Parou o carro silenciosamente e resolveu ver se estava tudo em ordem.
Por Léo Saballa, de JoinvilleAndou pelo estacionamento e nada de encontrar o guardião. Imaginou que ele estaria na guarita dos fundos, tomando café ou dormindo. Seguiu pé por pé até abrir a porta e deparar-se com uma cena constrangedora: o guarda estava em pleno ato de masturbação, concentrado numa revista.
Ao perceber a visita inesperada, não hesitou em oferecer a mão ao chefe dizendo: “Boa noite, seu Ramiro”. Mesmo diante deste decoro, Pedro foi mantido no emprego. Só que a galera da rádio tomou conhecimento do fato e nasceu o apelido de “Pedro Punheta”. O mural se transformou num festival de criatividade, tendo sempre como alvo preferido o Pedro Punheta. Chamá-lo assim virou rotina, até para a ala feminina da rádio.
Certa vez, uma adolescente de 15 anos, chegou na portaria da rádio para entregar um documento ao pai dela.
- Quem é o seu pai? Perguntou a recepcionista.
- É o seu Pedro – respondeu timidamente a garota.
- Aqui nós temos quatro funcionários com este nome. Pedro de que?
- Pedro Punheta – disse ela, baixando o tom da voz e olhando envergonhada para os lados.
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Léo Saballa é radialista em Joinville
Língua de radialista
Que coisa maravilhosa, amigo. Aí teremos “Navio Negreiro” de Castro Alves …Andrada, arranca esse pendão dos ares, Colombo, fecha a porta dos teus mares!
Por Odemar Costa, de Urussanga
Gostaria que isso estimulasse outros profissionais de rádio a gravarem também as suas preferidas. Lembra de Oswaldo Robin, Ciro e Aibil Barreto, Souza Miranda,e outros?
Vejo no site indagações de como ser locutor? Exercícios de respiração, leitura em voz alta, dicção, leitura de crônicas e poesias, seriam bons treinos Afinal, foi com lata de leite condensado vazia que em 56, no colégio em Jaraguá do Sul, que eu imitava Sérgio Paiva da Tamoio/Tupi do Rio e treinava narração de futebol, chamando os colegas pelos nomes dos jogadores do Vasco ou Flamengo. Chamavam-me de louco. Mas deu certo!
Esscutei sua entrevista com Adão de Los Viñales. Claro! É evidente que em 60 o padrão de rádio era muito superior ao atual. Como zelávamos pela correção de linguagem e pela boa pronúncia!. E o rádio que você montou em Itajaí, hem? que quando conheci me disseram que no seu tempo era muito melhor e sentiam saudade. Quando vi aquilo fiquei impressionado! Que modernidade! Chavões proibidos! Gongo desligado! Honestidade com o anunciante com entrega de comprovantes de veiculação!
Tínhamos até uma crônica diária, no bom estilo César Ladeira, com nosso amigo Donato, cujo endereço e telefone ando à procura.
Antunes, cheguei a São Paulo com essas manias perfeccionistas e armei muita celeuma.
Hoje, quando vejo os apresentadores da Globo falarem duzentos gramas, dou risada. Foi Odemar quem definiu esse padrão. Eu era o único locutor de comerciais que tinha velocidade para fazer em 14 segundos as gravações para filmes de 15 segundos da rede Peg&Pag. E dizia lata de ervilha Cica com duzentos gramas. Da técnica, o publicitário falava ,”Duzentas gramas”! Eu respondia, o certo é “duzentos gramas” O publicitário retrucava, fala duzentas, o cliente quer assim. Odemar era categórico, duzentas não gravo! Como outro locuor não tinha velocidade pra falar as 3 ou 4 ofertas daquele comercial, renderam-se. Assim também foi em comerciais da Sears. Queriam que dissesse, pijama infantil nas cores vermelho, amarelo e azul, eu gravava, nas cores vermelha, amarela e azul.
Afinal os tons é que são vermelho e amarelo. As cores são vermelha e amarela e azul que não tem flexão de gênero!
Assim também foi com a história de TV em cores, que os publicitários, em grande parte traídores da língua e da cultura nacionais, americanizando tudo, insistiam que se dissesse TV a cores. Ora, por acaso é tv a preto e branco? ou em preto e branco? Portanto se não é a preto e branco é em cores!
Em italiano é in colori; em inglês, in colors; em espanhol, en colores; em francês, en colleurs; em português, em cores com toda certeza! Ainda não me conformei com a preferência da globo por récorde, em vez de recorde! E os circuítos e otras cositas más que escutamos a todo momento? Bom seria Antunes se os novos tivessem o gosto pelo bem falar e bem escrever que tínhamos e buscamos preservar, modéstia à parte.
É uma calamidade! Com milhares de jornnalistas saindo anualmete das faculdades de comunicação, são de causar espanto as cartas de solicitação de emprego e os curriculos que anexam a elas eque enviam para nossa editora DBO, em São Paulo.
Espero poder oferecer minha contribuição modesta para mudar um pouco, quem sabe, eese estado de coisas. Um grande abraço, Odemar.
O estilo difundido em toda a América Latina de encenação radiofônica não veio dos Estados Unidos, porém, de Cuba. Havana, a capital, possuía proporcionalmente um número maior de emissoras de rádio que Nova Iorque e no país, no ano de 1932, a estimativa era que para cada quatro ouvintes havia um receptor.
Por Ricardo Medeiros, de FlorianópolisAssim como nos EUA, a Ilha de 111 mil quilômetros quadrados, ainda sob o sistema capitalista, tornava popular as ondas do rádio. Nesse ambiente, por volta de 1934, as emissoras locais irradiavam o embrião do gênero radionovela-histórias de aventuras de Chan Li Po, inspiradas no detetive chino-americano Charlie Chan, assinadas pelo escritor Félix Caignet. Regularmente o detetive entrava nos lares cubanos para desvendar enigmáticos crimes, que para outros homens seria quase impossível elucidá-los, menos para Chan Li Po. O mundo da ficção fazia parte da vida de cuba com o patrocínio das empresas de sabão Crusellas e Savatés, que ainda nos anos 1930 foram incorporadas respectivamente por Colgate-Palmolive e Procter and Gamble.
Com esta experiência em radioteatro de aventura, em 1935 Cuba se lançou aos dramas novelescos utilizando o tom melodramático, cujas raízes remontam ao século XVII, quando na Europa o espetáculo popular de teatro passou a ser encenado sem diálogos, isto é, sem falas e cantos, para não perturbar o verdadeiro teatro , os das classes altas. Interditos igualmente no início de se apresentarem em espaço fechados, as troupes ambulantes íam de feira em feira para fazerem apresentações. Com a ilegalidade dos diálogos em cena, os atores usavam como expediente a mímica, o que resultou numa necessidade de excesso de gesto e de expressividade dos sentimentos. Dito de uma outra forma : « tudo no melodrama tende ao extremo. Desde uma encenação que exagera os contrastes visuais e sonoros até uma estrutura dramática e uma atuação que exibem descarada e efetivamente os sentimentos, exigindo o tempo todo do público uma resposta em risadas, em lágrimas, suores e tremores. Julgado como degradante por qualquer espírito cultivado, esse excesso contém contudo uma vitória contra a repressão, contra uma determinada ‘ economia ‘ da ordem, a da poupança e da retenção ».
Longe das histórias americanas intermináveis que atravessavam décadas, os melodramas cubanos eram discilplinados com início, meio e fim. Em termos de estrutura dramática, a trama trazia à tona quatro personagens básicos : o traidor, o justiceiro, a vítima e o bobo. O traidor era o vilão, é quem encarnava a figura do mal e concomitamente tornava-se um sedutor que chegava a fascinar a mocinha. Por seu lado, a vítima era a própria mocinha, a heroína. Uma figura que requisitava todo tempo proteção e que passava boa parte da história sofrendo e sendo humilhada. Já o justiceiro era responsável por uma série de ações heróicas : ele tirava a mocinha das garras do vilão e fazia com que a verdade resplandecesse. O personagem o Bobo era incumbido de incorporar o lado cômico, que provocava no público alívio, distensão e relaxamento emocional, após vários momentos de tensão.
Munido dessa estrutura melodramática, onde o lado trágico era privilegiado, o sistema radiofônico cubano entretinha os ouvintes com as radionovelas Angeles de La Calle (Anjos da Rua), El Derecho de Nacer (O Direito de Nascer), Divorciadas, Mujeres que Trabajam (Mulheres que Trabalham), Yo no Quiero ser Mala (Eu não Quero ser Má) e El Dolor de Ser Madre (A Dor de Ser Mãe).
Á frente da produção das radionovelas cubanas estava a Rádio CMQ, uma espécie de império das ondas sonoras incumbido diariamente de produzir aquela avalanche de adultérios, suicídios, paixões, encontros, heranças, devoções, coincidências e crimes que se espalhavam pela América Latina. No meio radiofônico mundial, a CMQ simbolizava algo mítico, como a Hollywood da época para os cineastas.
O depoimento de um dos maiores escritores de novela de rádio, Félix Caignet, reforça esse caráter de que a novela tinha maior impacto entre as mulheres menos abastadas, que tiravam proveito dos dramas como uma válvula de escape para o seu dia-a-dia miserável. O mesmo relato deixa claro que o sexo feminino não só se emocionava com o mundo dos sonhos a domicílio, como não desapontava os patrocinadores : « Elas consumiam os produtos que meus programas anunciavam. Eram pobres e sofriam. Desejavam chorar para desafogar suas lágrimas. Eu estava obrigado a escrever para elas e facilitar-lhes o que elas necessitavam, porque enquanto choravam meus dramas, descarregavam sua própria angústia. Então abri a válvula do pranto ».
Em se tratando de América do Sul, os argentinos são considerados os mestres deste produto da indústria cultural, ao entrarem no ramo a partir de 1935. A favor disso, havia uma estrutura favorável que contabilizava uma rápida popularização do meio rádio : em 1922 havia mil receptores nos lares argentinos e em 1936 este número subiu para um milhão e meio de receptores.
Via suas agências de publicidade as multinacionais instaladas em território portenho, inventavam formas para melhor chamar a atenção do público-ouvinte. O Departamento de Rádio da Lintas, agência da atual Unilever, que por sinal produzia as suas novelas, tinha um sistema eficaz de divulgar as suas atrações. A Lintas montou um estúdio fotográfico e lá eram feitas fotos de cenas de radiodramas com os próprios intérpretes do folhetim eletrônico em questão. Os artistas de rádio, bem caracterizados, eram colocados num set detalhadamente decorado, conforme as indicações do script da radionovela. Após essa sessão de fotografias, todo o material de divulgação era oferecido às revistas e jornais da época, especializados no tema. Foi exatamente através das novelas da Lintas que um nome se projetou para o mundo, o de Maria Eva Duarte, que se tornou Eva Perón, a legendária Evita.
Enfim, diariamente tanto os ouvintes dos Estados Unidos como da América Latina, sejam pelas soap-operas ou pelas novelas lacrimejantes, estavam envolvidos com aquelas vozes sem corpo, vinda daquele receptor que se iluminava para clarear o caminho da fantasia. O aparelho, protagonista desta façanha, ficava repousado sobre uma toalha, quem sabe de renda bordada, ecoando os diálogos dos personagens no fundo da alma e nos corações do público cativo formado por milhares, milhões de pessoas anônimas. O dito aparelho moderno passava a fazer parte da casa trazendo para o lar a descontração, a alegria, o choro, as ideologias e os produtos das multinacionais. E o ouvinte ? Em cada voz, que invadia o seu lar, colocava o rosto e o corpo de seus desejos.
Referências bibliográficas
MARTIN-BARBERO, Jesus. Dos Meios às Mediações: comunicação, cultura e hegemonia. 2° edição. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 2001. ORTIZ, Renato, BORELLI, Sílvia e RAMOS, José Mário. Telenovela : história e produção. 2° edição. São Paulo: Brasiliense, 1991. P. 24. LLOSA, Mário Vargas. Tia Júlia e o Escrivinhador. São Paulo : Companhia das Letras, 1996. P. 11. Ver igualmente LÓPEZ, Oscar Luis. La Radio en Cuba. 2° edição. Havana : Editorial Letras Cubanas, 1998. MARTENSEN, Rodolfo Lima. O Desafio de Quatro Santos. São Paulo : LR Editores, 1983. P . 244 e 245. MEDEIROS, Ricardo. Dramas no Rádio : a radionovela em Florianópolis nas décadas de 50 e 60. SEVCENKO, Nicolau (organizador). História da Vida Privada : da belle époque à era do rádio.Volume 3. São Paulo : Companhia das Letras, 1998. P. 58. MARTENSEN, Rodolfo Lima. O Desafio de Quatro Santos. São Paulo : LR Editores, 1983. P . 244 e 245.
Democracia nas antenas
O direito de antena é um instituto jurídico, presente no artigo 40 da Constituição da República de Portugal, que visa à democratização do acesso de organizações políticas e sociais aos meios de comunicação social – concessões públicas.
Por Osmar Gomes, de FlorianópolisNesse sentido, são vários os exemplos contidos em deliberações da Alta Autoridade Para a Comunicação Social (AACS), também instituída por artigo constitucional, responsável tanto pela regulação do funcionamento das empresas de comunicação como pelo atendimento ao público em geral e aos grupos interessados em propor mudanças, adaptações ou ocupar tempos em rádios e tevê através do direito de antena.
As organizações inserem seus produtos, sem mediação das empresas, em tempos determinados pela AACS, em canais de rádio e tevê. São citados casos em que a AACS concedeu espaço para movimentos sociais que antes não tinham acesso aos meios de comunicação como também o aumento do tempo concedido a organização que encaminhou reclamação por escrito. Tanto a aplicação do direito de antena como o funcionamento da AACS são regulamentados por leis complementares, a exemplo da Lei do Rádio e a Lei da Televisão. Detalhe importante: apesar da Constituição portuguesa ser promulgada no início dos anos 70, as leis complementares que regulamentam esses dispositivos datam dos anos 90. A AACS é um organismo independente e autônomo, apesar de receber apoio técnico e financeiro da Assembléia da República.
O direito de antena não é o direito de resposta. É, sim, a possibilidade de grupos sociais veicularem seus discursos, suas idéias, seus sentimentos, suas constatações, sua leitura acerca das relações sociais em uma sociedade democrática em um Estado laico, que deve garantir tanto a liberdade de expressão e pensamento como o pluralismo. A sociedade brasileira busca há décadas a efetivação legal de mecanismos que garantam a democratização dos meios de comunicação. No ano passado (2004), o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal, por exemplo, publicou carta com propostas para a democratização dos meios de comunicação, entregue ao presidente Lula, não muito diferente de outras cartas e documentos publicados durante cerca de quatro décadas.
São escassas as referências teóricas, no Brasil, a respeito do direito de antena. Porém, esse instituto é tido como eficaz para democratizar o acesso dos grupos sociais às empresas de comunicação. São passagens em textos sobre regulação das empresas de comunicação e uma maior participação da sociedade. Há também quem defenda que o direito de antena, de certa forma, está contemplado no ordenamento jurídico do Brasil, a exemplo de Celso Fiorillo. O autor diz que ao ser criado o bem ambiental, na CF 88, o ar atmosférico é de domínio da população, que pode utilizar, assim, o espaço eletromagnético para se comunicar, desde que não afete canais de comunicação concedidos pelo Estado Democrático de Direito e consiga o Relatório de Impacto Ambiental (RIMA).
A questão é saber, portanto, quais seriam os critérios para definir, no Brasil, que grupos teriam acesso aos meios de comunicação social através do direito de antena. Mas esse é um espectro enorme para amplo debate entre todos os segmentos envolvidos. O mais importante é, ao menos, permitir o debate, o exercício democrático que visa a uma comunicação social pública mais pluralista e, portanto, mais democrática, para que a formação da opinião pública revista-se de diferentes pontos de vista. Mas seria um passo, bastante largo, em um país onde as empresas ditam as regras e em muitas circunstâncias o jogo político, à mercê da participação democrática efetiva da população na regulação do funcionamento destas, que são concessões públicas com roupagem de propriedade privada.
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Osmar Gomes, jornalista e ator, autor da monografia “Direito de Antena e a Democratização dos Meios de Comunicação no Brasil”. ANcapital, 19/3/2005, p. 3.
As pioneiras: Joinville no ar
A série As Pioneiras iniciada há cinco semanas, visita hoje a segunda estação: a ZYA-5 Rádio Difusora de Joinville. Os que estão acessando o site pela primeira vez podem se atualizar no próprio site clicando em Localizar.
Por Antunes Severo, de Florianópolis
Para quem está acompanhando a série desde o início, vale lembrar que nesta trajetória vamos cobrir as 20 primeiras emissoras do estado de Santa Catarina. A base desta reconstituição está no livro História do Rádio em Santa Catarina de Ricardo Medeiros e Lúcia Helena Vieira, lançado em 1999, pela Insular.
Um dos principais objetivos desta jornada começa a se materializar com o interesse dispensado pelos nossos assinantes, em particular, os estudantes dos cursos de comunicação social das universidades catarinenses. Isso, se verifica pelos índices de leitura das matérias e pela correspondência que temos recebido. Mais importante do que isso, porém, é a manifestação do interesse pelo estudo da história da comunicação em nosso estado.
Por isso, queremos enfatizar que o espaço do site Caros Ouvintes está a disposição de todos os interessados em publicar os seus estudos, pesquisas e trabalhos. Nesta fase, o assunto é o rádio, mas proximamente abriremos espaço para a televisão. Acaba de ser aprovado o projeto TV Catarina – comunicação, cultura e cidadania -, que vai resultar na produção de um livro, uma série de três documentários de televisão, áudio visual para palestras e seminários e um site específico do assunto. O objetivo do projeto TV Catarina é “reunir, identificar, reproduzir e apresentar documentos, depoimentos e informações da televisão em Santa Catarina no período que vai da primeira transmissão em circuito fechado, em 1956 em Florianópolis, até o ano de 2005”. O conclusão desse projeto está prevista para o final deste ano.
Agora, com a palavra Ricardo Medeiros e Lúcia Helena Vieira e seus convidados.
Joinville no ar
Irreverência, teimosia, perseverança e visão de futuro. Talvez estas palavras definam Wolfgang Brosig, homem cujo empenho conseguiu abrir caminhos para as ondas sonoras numa Joinville que, no final da década de 1930, somava cerca de 20 mil habitantes. Com a grande maioria da população falando alemão, era natural que no setor comercial da emissora a preferência para ocupação de vagas fosse dada a pessoas que dominassem o idioma germânico, tal a influência européia na região.
Wolfgang Brosig, que estudou na escola Deustche Schule, na Manchester Catarinense, só veio a conversar fluentemente o português a partir dos 14 anos. Lidar com meios de comunicação parecia ser o destino de sua família, pois o avô era dono do jornal alemão mais antigo do sul do Brasil, o Kolonie Zeitung.
Devido à sua intimidade com a eletrônica, Brosig foi trabalhar no sistema de alto-falantes da cidade em 1938. Naquele ano, juntamente com alguns amigos, decidiu transmitir, no dia 7 de setembro, o pronunciamento à nação do então Presidente da República, Getúlio Vargas. Para que tudo saísse a contento, Brosig irradiou o discurso da sua casa, uma vez que a recepção do serviço era precária. Montando um pequeno transmissor à rua Pedro Lobo, ele abriu espaço, não apenas para a voz do chefe de estado, mas para a população joinvillense. Estava lançada a semente da primeira emissora de rádio da cidade, acostumada às ondas hertzianas brasileiras da Record e Excelsior, além da Escuela Universal, da Argentina.
O embrião da estação tinha como estúdio o porão da casa de Wolfgang Brosig que, solitariamente, comandava a programação de seis horas, fazendo locução, operando a mesa de áudio e colocando discos. A rádio informal ficava no ar do meio dia às 14 horas e das 16 até às 23 horas.
“A programação, como registrou A Notícia, era apenas musical. Na hora do almoço tocavam músicas calmas, clássicas e populares. Depois, tangos e sambas e à noite havia um programa ao vivo de moda de viola. Mais tarde vieram as propagandas e a transmissão de solenidades cívicas, como desfiles militares e discursos”. (A Notícia. Caderno Anexo, 11 de fevereiro de 1996).
Em 1940 a emissora teve suas instalações transferidas para a rua das Palmeiras. Iniciou-se assim o processo de legalização da estação, que conseguiu naquele ano a outorga de autorização do governo federal para execução de serviços de radiodifusão, pela portaria 527, datada de sete de outubro e publicada no Diário Oficial do dia seguinte. Em 1º de fevereiro de 1941 era fundada oficialmente a Rádio Difusora de Joinville, tendo à sua frente Wolfgang Brosig, Walter Brand, Eugênio Boehm e João Piepper.
O primeiro locutor oficial da ZYA-5 foi José Gonçalves, um cabo armeiro, recém egresso do Exército, que tinha boa dicção. Ele disputou a vaga com mais 35 inscritos. Segundo Brosig, “ele falava bem o português e estava desempregado, podendo ficar à inteira disposição da emissora (…)” (Wolfgang Brosig, depoimento em 23 de setembro de 1994).
Juntamente com o popular J. Gonçalves integrava a equipe Orlando Beyerstedt na mesa de áudio e Brosig na parte técnica. A parte comercial ficou ao encargo de Juracy da Luz, uma cabocla por quem o idealizador da emissora se enamorou e casou, preterindo enlace com uma moça de descendência alemã. Foi um verdadeiro escândalo na cidade. “Como pode um alemão casar com uma blaue (azul), termo alemão usado de forma pejorativa, com o mesmo significado de cabocla”. (A Notícia. Caderno Anexo, 11 de fevereiro de 1996).
Na década de 1950, ocupando o edifício Colon, a Difusora já contava com mais nove profissionais. Vieram reforçar o quadro os locutores Aírton Conod, Omar Claro, Newton Barriola e Ruth Costa. Como operadores ingressaram na emissora Leopoldo Alípio, Renê Gonçalves, Romeu Gonçalves e Wenceslau Candido. Na discoteca estava Maria Gonçalves.
A ZYA-5 em seus primórdios registrou uma série de campanhas de solidariedade. Uma delas foi para a arrecadação de alimentos e agasalhos para os flagelados do Rio Grande do Sul, conforme o Jornal de Joinville: “(…) Expoente máxima dos grandes empreendimentos, atalaia sempre alerta da cidade, que se dispôs vibrar aos infindos céus da terra brasileira o grito estridente do valor e do progresso da ‘Manchester Catarinense’, a ZYA-5, não quis emudecer a sua voz em face da mais benemérita campanha promovida em todo o país para socorrer as vítimas do flagelo riograndense”. (Jornal de Joinville. Nº 64, 5 de junho de 1941).
Uma outra campanha foi feita em favor do Asilo Municipal de Órfãos Abdon Batista. Como parte da mobilização, a emissora decidiu gravar uma apresentação do coral infantil da instituição. Só que nem tudo saiu como planejado, conta Wolfgang Brosig: “Naquele tempo o gravador era grande e as fitas, de papel. Geralmente só tinha uma. Então gravamos toda a cantoria e depois fizemos a montagem, que consistia nas seguintes etapas: ouvir o canto, cortar, colocar de lado, fazer a parte falada e grudar os pedaços de fita com durex. Depois que eu e minha mulher já tínhamos deixado tudo arrumado em cima de uma mesa grande e fomos começar a colagem, aconteceu um desastre: entrou um gaiato, abriu a porta e voou tudo com o vento. Levamos uns três dias para acertar aquilo de novo”. (A Notícia. Caderno Anexo, 11 de fevereiro de 1996).
Na próxima semana: Difusora de Itajai, a rádio que surgiu como uma curiosidade.
Rádio Regional FM 106,5: a rádio do coração. Esse é o slogan da mais nova rádio de Santo Amaro da Imperatriz (SC) que começou a operar, em caráter experimental, no último dia sete de março deste ano.
Por Gisele Machado, de Florianópolis
A rádio obteve a concessão no dia 10 de novembro de 2004, sob o nº 898/2004, com o decreto de autorga em 21 de fevereiro publicado no Diário Oficial em 22 de fevereiro de 2005. Com um perfil noticioso e de entretenimento musical, a rádio funcionará 24 horas e sua programação está direcionada aos públicos das classes socioeconômicas B, C e D com repertório voltado para sertanejo, mpb e axé.
No momento a Rádio Regional FM 106,5 está operando com 1000 watts de potência, que representa 15% da potencial total autorizada, enquanto aguarda os transmissores que estão vindo da Itália. Segundo Luiz Carlos Goedert, diretor geral e proprietário, a inauguração oficial está prevista para o dia primeiro de abril e cobertura abrangerá 22 municípios incluindo a grande Florianópolis. Já é possível ouvir a programação e ajudar construir a “cara” da Rádio Regional FM 106,5, basta ligar (48) 201-1065 e deixar seu recado.

Quem é Luiz Carlos Goedert? Filho de Arlindo do Nascimento Goedert e Marta da Silva Goedert, Luiz Carlos Goedert, 39, é natural de Santo Amaro da Imperatriz, onde reside. É o oitavo filho de uma família de nove irmãos. Jornalista provisionado e acadêmico do curso de Direto pela Unisul, Luiz iniciou sua carreia na área de comunicação em 1985 quando foi colunista do extinto jornal O Expresso. Em 1988 fundou o jornal semanário O Regional que circula até hoje e em 1992 passou a idealizar o projeto da REGIONAL FM. Inseriu Santo Amaro da Imperatriz no Plano Nacional de Radiodifusão FM e venceu a concorrência 103/2000 do Ministério das Comunicações para o canal 293.
É ótimo sabermos que nosso pai, Odemar Costa, tem passagem marcante por grandes emissoras de rádio e famosos estúdios de gravações de spots e jingles de São Paulo, desde 64.
Por Marco Antônio e Luiz Augusto Sato Costa, de São PauloA experiência como profissional da voz foi lapidada nos microfones das rádios Bandeirantes, Piratininga e Globo e nos requisitados estúdios de som Pauta, Scatena, Sonima, Gravodisc, Sonotec e tantos outros.
Odemar cursou Geografia, na USP. Apaixonou-se por fotografia e hoje tem seu foco apontado para árvores, flores e paisagens rurais. Em 1976, Odemar foi convidado a se tornar Leiloeiro Rural, e ao lado do amigo Djalma Barbosa Lima muito ajudou a consolidar esse moderno sistema de venda de animais. Nessa atividade, em 82, como jornalista, que também o é, Odemar fundou, com seus irmãos Demétrio Costa e Daniel Bilk Costa, “DBO Jornal de Leilões” que evoluiu para Revista DBO, hoje, verdadeiro ícone na comunicação rural do país, havendo sido escolhido como “Veículo do Ano, em 2002″, pela ABMR, Associação Brasileira de Marketing Rural.

Para atender às necessidades de DBO e de outros clientes do Agribusiness, em 91, Odemar montou a Ruralgraf bureau de produção gráfica que hoje atende agências, editoras e indústrias com a produção de banners, fachadas, painéis, fotolitos de catálogos, revistas, anúncios e impressos em geral. Passando-nos o comando da Ruralgraf Odemar decidiu-se por estar muito de bem com a vida e retornar à atividade de locutor de comerciais e narrador de vídeos, que sempre o fascinou muito. Desde seu homestudio, hoje, Odemar atende aos seus clientes em todo o Brasil, enviando-Ihes suas locuções com muita rapidez, graças às facilidades oferecidas pela Internet. O portfolio das locuções de Odemar pode ser ouvido nos links abaixo:
>> www.vozdobrasil.com.br
>> www.vozesbrasileiras.com.br
>> www.odemarcosta.voice123.com de Nova York.
Para contatar o homestudio de Odemar envie e-mail para odemarcosta@uol.com.br
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Odemar hoje divide seu tempo com as gravações, fotografias, os colibris, a piscina e a família, em Urussanga sua terra natal e curtas temporadas em São Paulo.
Locutor a força! 6
Deus existe! Foi quando voltei para a escola. Cursei a Fundação Brasileira de Teatro, da atriz Dulcina de Moraes, ali na Cinelândia, e consegui emprego nos estúdios da Voz da América, na embaixada americana.
Por Aguinaldo José de Souza Filho, de Florianópolis
Trabalhei como engenheiro de som e assistente do cinegrafista da embaixada, e fazia algumas reportagens para a Voz da América. O curso de ator me aproximou de algumas personalidades da televisão, como Reginaldo Faria, Daniel Filho, Milton Ribeiro e outros, no mundo da dublagem, além de algumas pontinhas em novelas no começo da TV Globo. Paralelamente fazia trilhas sonoras dos documentários da Jean Manzon – o que não durou muito.
Em 1962 a Voz da América decidiu reiniciar suas transmissões para o Brasil. Abriram testes. Eu fiz. Fui classificado entre os melhores. Lillian Lamacchia, então diretora do serviço, veio ao Rio para entrevistar os candidatos aprovados. Eu já estava de mala e cuia nas escadarias da embaixada americana, pronto para partir. A nata do Rio e de São Paulo estava lá para a reunião. Depois das boas vindas, Lillian me chamou para tomar um café. “A coroa gostou de mim”, pensei orgulhoso.
“Gostei do teu teste e da tua voz, mas você precisa de um pouco mais de experiência”, disse ela para mim. Meu coração quase parou!
Lá estava eu, casado, uma filha, desempregado, tendo arriscado tudo pelo sonho de ir para o exterior. Eles só estavam interessados em grandes nomes do rádio – e eu ainda era um João ninguém!
Fui trabalhar na rádio Tamoio – ‘música, exclusivamente música’, que tinha um biombo atrás dos locutores para a voz “reverberar” e sair mais grossa, passei uns meses noutra, chamada rádio Continental, que pertencia a um deputado. Um dia, descendo as altas escadas para sair na rua Riachuelo no centro do Rio, lá estava o deputado dono da estação, exibindo a farta colheita de frutas e legumes de sua chácara na traseira de seu enorme chevrolet ‘station wagon’, enquanto que eu, com mulher e um recém-nascido – assim como muitos outros funcionários – estavam sem receber salário há três meses. Aquilo me revoltou o estômago, xinguei o desgraçado de tudo quanto era nome e contratei um advogado. Levou um ano para a justiça tomar algumas máquinas de escritório da estação e leiloar para pagar o que a estação me devia. Os outros? teriam que fazer o mesmo se quisessem receber!
A idéia de ir para o exterior começou a crescer dentro de mim. Passei a ouvir a BBC de Londres, a Rádio Suécia, a VOA (Voz da América), a Rádio Canadá, Vaticano, Praga e muitas outras. Comecei a ficar com febre de viagem! O paliativo era escrever para todas! Entre uma pontinha em novela, uma dublagem ou um papel no palco com Luis de Lima, a busca era implacável. Fiz testes e mais testes, até que a Rádio Suécia abriu vaga. Vários locutores se candidataram e alguns foram aprovados, mas só havia uma vaga, que foi oferecida para um candidato de São Paulo, que não gostou do salário. Eu estava em segundo lugar!
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Aguinaldo José de Souza Filho – rapdesousa@earthlink.net
Anchorman, ator, produtor, locutor, narrador e tradutor, é professor de fotografia e consultor de comunicação.
Estácio vai ganhar rádio interna
A Faculdade Estácio de Sá Santa Catarina planeja contar com um serviço interno de rádio, sob a incumbência do Núcleo de Comunicação, NUCOM, do Curso de Jornalismo da instituição.
Por Josué da Rosa Coelho, de Florianópolis
A idéia é aproveitar os acadêmicos para levar este projeto em frente. Desta forma, além de ajudar a instituição os alunos terão a oportunidade de mostrar as suas habilidades e se aperfeiçoarem no meio radiofônico.
O prazo para implantação do sistema depende ainda da aprovação do projeto pela direção geral da Faculdade Estácio de Sá, no Rio de janeiro. O serviço contará com um sistema de áudio nos corredores da Estácio, sendo que a praça de alimentação concentrará o maior número de caixas de som.

A estação interna estará ativada de segunda à sexta-feira, de acordo com os horários da Faculdade. Para David Pinto Pinheiro, coordenador do Nucom, a rádio se transformará num espaço cultural e de utilidade pública. A programação da emissora dará atenção a entrevistas, notícias e músicas. Informações e eventos referentes à comunidade acadêmica igualmente vão fazer parte da cobertura da estação. Conforme David Pinheiro, a futura estação poderá ser captada igualmente na Internet, através da página da Estácio: www.sc.estacio.br.
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Josué da Rosa Coelho é aluno do curso de Comunicação/Jornalismo da Faculdade Estácio de Sá, de Florianópolis.
Tiro na bola
A melhor historia do João Küerten, o homem que colocou o nome de Rádio JK e todos pensavam ser em homenagem a Juscelino Kubitschek mas na verdade era a João Küerten mesmo, foi quando ele comentava um jogo do Hercílio Luz em Tubarão, seu time do coração e o arbitro de um pênalti que ele entendeu não existir.
Por Roberto Alves, de Florianópolis
Saiu da pista de onde transmitia, entrou em campo e foi até a marca do pênalti e deu um tiro na bola não permitindo a cobrança. O João era fantástico.
Tinha dificuldade em pronunciar nomes com a letra “éle”. Quando o Palmeiras jogou em Tubarão ele se deu mal. Toda a defesa tinha a letra indesejável. Olha como ele analisou: a defesa do Parmeira tem Vardir, Djarma Santos, Vardemar, Ardemar e Gerardo. Historias meu caro.
Pequeno Engano
Quando os astros se alinham e conspiram contra o comunicador, fatos hilariantes acontecem. Foi assim com a Tuzi, no Festival de Dança de Joinville, que numa mistura de frio, distração e conhaque, acabou arrancando deliciosas gargalhadas do público.
Por Léo Saballa, de Joinville
A locutora de rádio e apresentadora de televisão, Lúcia Helena de Souza, a Tuzi, possui a voz feminina mais marcante de Joinville. Leitura firme, comunicativa, simpática, visual impecável, transformaram a Tuzi numa figura muito requisitada para apresentações de eventos.
No Festival de Dança era presença obrigatória, tanto na apresentação quanto na produção do roteiro. Ela conhecia tanto a seqüência de exibição dos grupos e suas respectivas coreografias, que raramente precisava ler as fichas. A cada grupo que se apresentava Tuzi voltava ao palco com seu vestido de gala, preto, cheio de brilhos, que realçavam mais ainda quando o canhão de luz a focalizava. Como estava uma noite muito fria, realmente gelada no ginásio de esportes, a apresentadora, se recolhia à coxia, bebia um generoso gole de conhaque e jogava um velho cobertor de lã, cinza-claro sobre os ombros.
Ainda faltavam três apresentações e a garrafa já estava quase no fim. De repente, para espanto do público e da coordenação do festival, surge na mira do canhão de luz, a apresentadora, que esqueceu de retirar o cobertor dos ombros. Quando percebeu a gafe, discretamente enrolou o pano no braço e tratou logo de anunciar a próxima atração, uma companhia de São Paulo que iria apresentar a coreografia “A Cavalgada das Walquirias”. Em vez disso, perturbada e sob o efeito do conhaque, acabou pronunciando um pouco diferente:
- “Senhoras e senhores, no palco, a cavalada das vacarias!”.
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Léo Saballa é radialista em Joinville
