Arquivo mensal para 01/05

Cidadã Samba

26/01/05

O concurso Cidadã Samba foi criado em 1963 por Antunes Severo e Rozendo Vasconcelos Lima, diretores da agência de comunicação A. S. Propague.
Por Antunes Severo, de Florianópolis

Desde então, a promoção escolhe todos os anos a melhor entre as sambistas que desfilam nas escolas de samba do carnaval de Florianópolis.

No início a escolha era de responsabilidade da A. S. Propague através do voto dos reportes e locutores que comandavam as transmissões dos desfiles. Posteriormente o concurso passou a integrar o programa oficial da prefeitura da Capital. Alguns anos mais tarde, surgiu o título de “Cidadão Samba” para fazer parte do mesmo evento.

Em 2003, em comemoração aos 40 anos do concurso, foi realizado um desfile na passarela do samba Nego Quirido com a participação de alguns vencedores que fizeram parte da história do “Cidadã e Cidadão Samba”. Na oportunidade, a hoje Propague editou um folder produzido por Dieve Oehme que vai reproduzido a seguir.

Da esquerda para a direita: Jaqueline Aranha, Ivonete Souza Soares, Patrícia Areias, Jutiara, Maristela de Figueiredo e Nega Tide, cidadâs samba que fizeram história no carnaval da Ilha posam para foto em estúdio.
Vencedoras do Cidadâ Samba posam para foto com standard de comemoração aos 40 anos do concurso.
Ivonete Souza Soares
1963/63
Nega Tide
1965/66/67/68/69/70
Maristela de Figueiredo
1976/77/78/79
Jutiara
1982/83/84
Patrícia Areias
1988/89/90
Jaqueline Aranha
1999/2000/01/02/03

Vencedoras do concurso em foto com candidatos a Cidadã e Cidadão Samba 2003, na Passarela do Samba Nego Quirido.

Fotos das candidatas e vencedoras do concurso no desfile das escolas de samba do Carnaval 2003.

Candidatos a Cidadã e Cidadão Samba 2003, na Passarela Nego Quirido.

Jaqueline Aranha e Adilson Coelho, Cidadã e Cidadão Samba 2003.

Anúncio de jornal para divulgação do desfile em comemoração aos 40 anos do concurso Cidadã Samba.

 

As zonas de meretrício

26/01/05

Na capital catarinense de antigamente havia uma modalidade de lazer dos quais os homens faziam uso freqüentemente: as zonas de meretrício.
Por Ricardo Medeiros, de Florianópolis

Afinal de contas, o ser masculino era considerado como alguém que tinha mais necessidade sexual do que a mulher, a sua esposa. Em casa ele deveria agir sexualmente com moderação, freio  dos sentidos e controle da carne.

Sexo no lar… só para procriação dos filhos com a doce esposa que sempre estava às voltas das ocupações domésticas, cuidado com as crianças e com o marido. Como a moralidade da época favorecia as experiências sexuais masculinas, ao mesmo tempo que restringia a sexualidade feminina, os homens de Florianópolis se sentiam  à vontade para buscar, em outros lugares, prazeres no ato sexual que fugissem aos padrões convencionais.

Esses outros lugares  eram exemplificados na zona da Maria Barbosa, vó do poeta Zininho, e zona da Mariquinha. A primeira estava situada na rua Piazza, hoje rua Osvaldo Cruz, no balneário do Estreito. A casa noturna era um reduto visitado por figuras conhecidas da cidade, como uma série de políticos. Jovem na época, Adolfo Nicolich, freqüentava também aquele ambiente, exceto quando os figurões da cidade resolviam se instalar no local em busca de divertimento com as ditas meninas da Maria Barbosa. Quando isso acontecia, a proprietária avisava a Nicolich e colegas: “meus queridos sobrinhos, hoje não dá para entrar, tem muita gente de responsabilidade na casa (…) um ex-governador e o prefeito”. A Zona da Mariquinha, situada numa das encostas do morro do centro da cidade, era o espaço popular onde os menos abastados se refugiavam para uma noite de sexo e bebedeira. “Ali eu mandava”, observa Orlando Campos, que não tinha dinheiro para freqüentar a casa da Maria Barbosa. Porém, independente de qual ambiente noturno, os habitues da zona de meretrício acabavam muitas vezes com problemas de saúde: “quando a gente não pegava nada, pegava chato. As doenças venéreas eram tratadas à base de nitrato de prata” acrescenta Orlando Campos.

Depoimentos de Adolfo Nicolich e Orlando Campos. SIMÕES, Aldírio. Retratos à Luz de Pomboca. Florianópolis: ANCapital/Banco do Estado de Santa Catarina, 1997. P. 136.

Primeira transmissão esportiva do JEC na Arena

26/01/05

A pioneira rádio Difusora de Joinville está novamente com programação esportiva. E mais uma vez entrou para a história fazendo parte da primeira transmissão de um jogo do Joinville Esporte Clube – JEC no estádio municipal Arena Joinville.
Por Ricardo Wegrzynovski, de Joinville
História do rádio a parte, o JEC acabou empatando em 1 x 1 com a equipe do Metropolitano de Blumenau. A partida foi no domingo, 23 de janeiro.

A equipe de radialistas, comentada pelos ouvintes é a seguinte: como narrador o também funcionário da câmara de vereadores de Joinville, Flávio Silveira; comentários com Odirlei Borgonha; repórter de pista JP (João Pedro, o repórter da galera); aparelhagem David Agra Filho; e na mesa do estúdio Rogério Alta Tensão. O novato no ramo esportivo em Joinville é o Borgonha. Segundo ele informou, já trabalhou inclusive como narrador em uma rádio no interior do Paraná. O que é certo é a audiência, que está aumentando entre os boleiros. Informou o ouvinte Leoremar Amintas Gropp que acompanhou pela Difusora todo o primeiro tempo do jogo, depois, porém, acabou mudando para outra emissora não informada. Provavelmente para a rádio Cultura filiada da Jovem Pan Sat, ou a Floresta Negra AM filiada da Globo.

A Difusora ficou alguns anos sem transmitir jogos devido a interesses das diversas equipes de diretores que já passaram por lá. Atualmente a rádio está sob comando da igreja católica. Nos anos dourados, vários dos atuais barões das transmissões esportivas passaram pela Difusora. No ano passado (2004) e retrasado (2003) os funcionários mais antigos, leia-se Davi Agra Filho, e Alcides Dal´ri estavam mostrando sérias preocupações com a questão da cabine de transmissão. Afinal a Arena Joinville estava sendo construída, seria inaugurada, e a Difusora por não ter transmissão esportiva poderia ficar de fora das cabines. Dado o empenho, hoje conta com sua cabine, não perdendo mais uma vez sua postura como rádio também de externas em Joinville.

Vale lembrar que a Difusora é a primeira rádio de Joinville, e apesar de controvérsias quanto a real data de fundação, completará neste ano de 2005 seus 65 anos. A polêmica sobre a data de fundação é grande. Existe um documento de registro da empresa com uma data, se levarmos em consideração a primeira transmissão oficial será outra, se considerarmos os tempos em que Brozig fazia as transmissões via cabo será ainda outra. Mas o que não resta dúvida é que foi a primeira de Joinville. Questionado a respeito o radialista da atual Difusora, Borgonha diz o seguinte: “realmente é 64, tá na história do rádio 64 anos completos em 2004” finaliza.

O que é ser Mané?

26/01/05

Pois agora! Aqui está uma das lições mais completas sobre o assunto. A colaboração chegou graças a gentileza dos assinantes Lourival Amorim e Paulo Brito, de Florianópolis, a quem os Caros Ouvintes agradecem.

SER MANÉ
Por Roney Prazeres e Wilson Pires Ferreira Júnior.

Para ser um verdadeiro Mané tu precisas preencher, pelo menos, 80% dos requisitos abaixo enumerados, caso contrário não adianta receber troféu de Mané e nem freqüentar o Mercado Público todos os dias por cinco anos seguidos, muito menos, morar no Ribeirão da Ilha e se esforçar para falar com sotaque manezês. Para ser um autêntico Mané tu precisas, istepô:

01) Antes de qualquer coisa, ter nascido na Ilha de Santa Catarina, seja na Carmela Dutra, na Carlos Correia ou mesmo de parteira, ou no continente (leia-se  Estreito, ou em puro manezês Streitcho). Não adianta vir com essa história que nasceu fora e veio morar aqui pequenininho;

02) Falar manezês fluente, tão rápido que deixa o cristão que te ouve meio tanso;

03) Falar 60% das palavras no diminutivo (Vash querê um cafezinho com pãozinho ou com bolinho de chuva?);

04) Gostar do cheiro das bancas de peixe do Mercado Público. Nada de tapar o nariz pra comprar camarão;

06) Ter, pelo menos uma vez na vida, subido a Avenida Tico-Tico (Rua Clemente Rôvere);

07) Ter ajudado a fazer ou ter dançado no boi de mamão;

08) Ter participado da farra do boi ou, pelo menos, ter fugido em carreira, todo borrado com medo do pobre animal;

09) Ter se vestido de mascarado e corrido atrás das raparigas nas noites de verão;

10) Ter tomado banho na Lagoa da Conceição sem medo de pegar pereba;

11) Ter comprado empadinha na Confeitaria Chiquinho;

12) Ter tomado picolé de coco ou sorvete de butiá nas sorveterias Satélite ou Ilhabela;

13) Ter saído em bloco de sujo no carnaval, vestido de mulher e continuar gostando de rapariga;

14) Ter guardado no rancho: caniço, tarrafa, puçá, coca, jereré e pomboca (“Prá mó di pega uns sirizinho, uns camarãozinho, uns peixinho…”);

15) Ter comprado na Venda: bala azedinha; pé de moleque; quebra-queixo; Maria mole, pirulito açucarado em forma de peixe, Bala Rococo, Tablete Dalva, Guaraná Pureza ou refresco da Max William.

16) Acreditar em bruxas e ter ouvido pelo menos uma história de Franklin Cascaes;

17) Ter assistido na TV Cultura um filme na Poltrona 6 e, para as senhoras, o programa Celso e a Sociedade (a Metralhadora Platinada);

18) Entender tudo o que o Miguel Livramento fala;

19) Não aceitar nada do que o Paulo Brito diz;

20) Tentar descobrir para qual time da Capital o Roberto Alves torce e não acreditar naquela história de que ele ainda é torcedor do Paula Ramos;

21) Ter ouvido o programa do Jorge Salum e ter tentado ganhar uma caixa de maçãs respondendo perguntas sobre conhecimentos gerais;

22) Sentir enorme prazer ao comer uma boa posta de tainha frita, com “pirão de nailo”, ou então, aquele berbigãozinho ensopadinho derramado sobre um pirãozinho de feijão;

23) Ter curtido um baile de carnaval no Lira, no LIC, no Doze ou no Limoense;

24) Ter assistido desfile de escola de samba e de carro alegórico ao redor da Praça XV;

25) Ter participado de alguma turma da cidade (do muro da Mauro Ramos, do Quiosque, da Marquise etc);

26) Ter dado um tapa na orelha do César Cals na Novembrada e ter chamado o General Figueiredo de FDP;

27) Defender a mudança do nome da Cidade para Nossa Senhora do Desterro;

28) Ter passado pela Ponte Hercílio Luz e não entender a incompetência de nossos governantes que até agora não conseguiram recuperá-la;

29) Ficar horas no Ponto Chic, tomando cafezinho e discutindo sobre política, futebol e mulher (não obrigatoriamente nessa ordem);

30) Ser Figueirense e secar o Avai;

31) Ser Avai e secar o Figueirense;

32) Falar mal de qualquer árbitro que apite um Clássico;

33) Ter andado em ônibus da Taner ou da Trindadense;

34) Ter ouvido a Neide Maria Rosa no “Amarelinho”;

35) Ter comprado um bilhete de loteria federal da Lurdes (com redinha na cabeça e tudo);

36) Ter chorado a morte do Zininho e do Aldírio;

37) Ter conhecido o Bataclan;

38) Ter ouvido as histórias do Capa Preta;

39) Ter ouvido previsões do A. Seixas Neto;

40) Ter freqüentado, ou apenas conhecido, o Miramar e lamentar, profundamente, a burrice daqueles que permitiram a demolição de um dos principais marcos culturais na nossa cidade;

41) Ter entrado como “piru de fora em festa de 15 anos, baile de debutante ou casamento de granfino”;

42) Ter comprado na Modelar, no Ponto 75, na Grutinha (êta nome sugestivo); nas Casas Coelho; na A Capital; nas Casas Macedônia; no Beco; no Saco e Cuecão; na Aki Calças e Aki Camisas e, é lógico, na Miscelânea, que era o paraíso da criançada.

43) Ter assistido, na sessão vespertina, a um filme no Roxy, no São José, no Ritz, no Glória, no Jalisco, no Carlitos ou no Cecontur;

44) Ter assistido peça teatral no Álvaro de Carvalho;

45) Ter visto carnaval com o Rei Momo Lagartixa;

46) Ter “melado a cueca” na boate do Doze, do Lira, na Dizzy etc;

47) Ter dado “uma sarradinha” de madrugada no “Kuxixos”;

48) Ter ido a um baile de formatura no Clube do Penhasco;

49) Ter ouvido muitas histórias dos bailes no Clube Quinze;

50) Ter visto a procissão do Senhor dos Passos descer a Rua Menino Deus;

51) Se emocionar ao ouvir o Rancho de Amor Ilha e cantar baixinho como se fosse uma oração;

52) Reverenciar todas as manhãs a Figueira da Praça XV e ter nela o marco inicial do amor que temos por nossa terra;

53) Adorar vento sul;

54) Amar o verão, pegar tainha no inverno, ver Garapuvu florido e rezar a Nossa Senhora do Desterro pedindo proteção para que o progresso desordenado não destrua nossos últimos valores;
Esta lista, com certeza, pode ser muito maior, entretanto nunca te esqueças, caro leitor, que cada dia que passa é mais urgente o resgate e a preservação de nossa cultura e, assim como é bom receber pessoas vindas de tantas partes do Brasil e do mundo, também é importante a manutenção de nossa identidade cultural.

Ser Mané é saber receber bem quem vem de fora, mas também é saber valorizar as coisas daqui. É defender nossa cultura daqueles que nos acham inferiores ou provincianos. 

Todo Mané tem uma incrível capacidade de amar e de ser gentil, então se tu és Mané ames cada vez mais a nossa Terra e se tu és de fora aprendas a amá-la e, acima de tudo, a respeitar nossa forma de ser.  

Afinal de contas, “se quésh quésh se não quésh diji”.

- Roney Prazeres. Mané, Advogado e torcedor do Figueirense.
- Wilson Pires Ferreira Júnior. Mané, Psicólogo, Bancário e torcedor do Avai.

15 anos de Expressão

26/01/05

Neste mês de janeiro de 2005 faz exatos 15 anos que circulou a primeira edição de Expressão. A revista nasceu mensal e foi evoluindo até se transformar em seis anuários temáticos nos últimos dois anos.
Por Antunes Severo, de Florianópolis

Expressão fechou o ano de 2004 eleita como Veículo do Ano em Comunicação Empresarial, no 18º Prêmio Veículos de Comunicação, promovido pela Revista Propaganda, de São Paulo.

Link relacionado:
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Revista Expressão

Rádio Pará

26/01/05

A emissora Rádio Pará, que chega aos catarinenses via sistema de assinaturas por cabos Sky, tem forte programação esportiva.
Por Ricardo Wegrzynovski, de Joinville

Contam alguns ouvintes que a emissora se refere ao estádio municipal Arena Joinville como o terceiro mais equipado do Brasil.

R$ 4 milhões pela rádio Guarujá

26/01/05

Informações de bastidores dão conta que alguém ofereceu R$ 4 milhões pela rádio Guarujá, de Florianópolis. A direção estaria refletindo.
Por Ricardo Wegrzynovski, de Joinville

Vale lembrar que a mesma família proprietária da Guarujá, já teve em suas mãos a rádio Difusora de Joinville. Até venderem para a igreja Católica.

Desde então os padres têm rezado pacas nos microfones, afastando aqueles ouvintes interessados em política e jornalismo. O que é fato são as demissões que tanto a Guarujá como a Difusora tem promovido, inclusive no tradicional departamento de jornalismo.

Transamérica está com programação ao vivo

26/01/05

A rádio Transamérica está com programação ao vivo direto da praia de Caiobá, município de Matinhos, litoral do Paraná. Instalada praticamente na areia da praia, a Transamérica tem promovido apresentações de bandas ao vivo para o público na praia e para os ouvintes.
Por Ricardo Wegrzynovski, de Joinville
Neste campo do rádio ao vivo, a rede Jovem Pan Sat, com a programação noturna, a partir das 22h30 até à 1h00 está desafiando alguma outra rádio que tenha ‘música e teatro’ ao vivo. Segundo o apresentador Thiago Gardinali, a Pan é a única a ter ‘música e teatro’ ao vivo todas as noites.

O jovem Gardinali tem se destacado em seu trabalho, mantendo em muitos rincões a liderança na audiência nestes horários. E agora lançando desafios.

Encontro da Rede Alcar em 2005

26/01/05

O site da Feevale está no ar com as informações sobre o 3º encontro da Rede Alcar, em 2005.
Por Antunes Severo, de FlorianópolisNele pode-se acessar o jornal da rede, histórico, Cd dos trabalhos apresentados no 2º encontro, as comissões e programação da edição de 2005 e inscrições para os trabalhos.

Entre colóquios, mesas redondas, conferências e GTs, o programa para está definido e confirmado para os dias 14, 15 e 16 de abril de 2005, no Centro Universitário Feevale em Novo Hamburgo.

Link Relacionado
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Fevale

Programação Especial

26/01/05

A rádio Gaúcha e a Band FM estão com programação especial nesta temporada.

Por Ricardo Wegrzynovski, de Joinville

A Gaúcha, AM 600, tem mantido programação especial sobre o litoral, tendo como foco principal as condições das estradas de acesso às praias e a capital, Porto Alegre.

A RBS, proprietária da rádio Gaúcha, está com sua sede multimídia na praia de Capão da Canoa, que fica próxima a Tramandaí, no Rio Grande do Sul.

Em Santa Catarina uma das rádios que está com programação especial de verão é a Band FM. A rádio continua com seu estilo de trazer inclusive artistas durante a temporada. Em outras temporadas trouxeram Zeca Pagodinho. Agora foi a vez do grupo Art Popular. O show de pagode aconteceu no Galpão da Band, mas antes os ouvintes puderam conferir entrevista ao vivo com os integrantes da banda.

Começa o Carnaval!

19/01/05

Rei Momo, ensaio geral, Praça XV, Cidadã Samba, Philarmonica Desterrense, blocos de sujos, Lic Gay e o rádio tocando as marchas e sambas selecionados em mais um concurso de músicas carnavalescas de autores locais. Sonho? Saudosismo? Não! A cidade desperta para mais um “tríduo momesco”, como nas “antigas”, sem preconceitos. Livre, leve e solta. Simples, para todos que ainda têm sensibilidade para ver, ouvir, sentir e viver. Participe.
Da RedaçãoZ Y  Consulado nas Ondas do Rádio
Por Carlos “Duda” Vieira, de Florianópolis

Em 1995 o GRES Consulado optou por efetuar uma grande homenagem a memória do Rádio enfocando mais precisamente a “Fase  Áurea” do Rádio Florianopolitano.
A carnavalização materializou a paixão e a saudade que os ouvintes sentiam desta época de ouro do rádio que não volta mais.
Ouso afirmar que a grande virtude desse carnaval foi prestar “em vida” uma homenagem aos homens e mulheres que efetivamente fizeram o rádio florianopolitano.

É preciso destacar a maneira carinhosa e fraterna com que a “Musa” do rádio CACILDA NOCETI, nos recebeu em sua residência quando efetuávamos a pesquisa, disponibilizando todo o seu acervo pessoal para que pudéssemos obter informações fidedignas de quem contribui para o sucesso  e o engrandecimento do rádio.

Para o lançamento do enredo o GRES Consulado organizou uma festa na quadra do Caeira onde estiveram presentes diversos locutores, radioatrizes e pessoas ligadas ao rádio.

Creio piamente que foi um carnaval emocionante, tanto para quem trabalhou para sua materialização, quanto para os componentes e convidados que desfilaram. Em síntese conseguimos resgatar uma memória adormecida nas mentes e corações da gente da Ilha, bem como dos artistas que viveram a fase áurea do rádio, emocionando a todos.

O enredo em sua primeira parte destacava os Programas de  Variedades, como  “VARIEDADES J7” apresentado por Edgard Bonassis, onde os ouvintes tinham  as previsões astrológicas, e outro que falava do dia a dia feminino com Lígia Santos.

A Hora do Despertador, brilhantemente apresentado todas a manhãs por Dakir Polidoro, destacando também as jornadas esportivas apresentadas pela grande equipe composta por Mário Inácio Coelho, Luiz Osnildo Martinelli, Roberto Alves e Fernando Linhares da Silva, entre outros.

A Segunda parte destacava os Grandes Musicais, dando ênfase aos programas musicais apresentados ao vivo dos estúdios das rádios Anita Garibaldi, Guarujá e Diário da Manhã.

O saudoso Oscar Berendt, com sua voz grave apresentava “Noite de Gala”,  Darci Costa comandava Rapsódia Noturna e também o “Encontro com o Cinema”. Bem cedinho Aldo Silva espalhava sua voz pelos lares da cidade apresentado “Alma Sertaneja”. Nas noites de sexta-feira Antunes Severo, um ícone do nosso rádio, juntamente com Neide Maria nossa estrela maior e Zininho, o grande poeta comandavam “Bar da Noite”, sucesso que esteve no ar por mais de 6 anos.

A terceira parte do enredo resgatava os programas de auditório, como Seqüências a Modelar onde se apresentavam grandes intérpretes como Neide Maria, Helinho, Edi Santana, Claudino Silva, Zanzibar Lima, Dilzo Silveira e Jairo Silva.

Na linha de programas onde os ouvintes participavam destaque para “O Céu é o Limite” onde os participantes respondiam “cabeludas” perguntas sobre temas variados selecionados por Francisco Mascarenhas e apresentados por Antunes Severo.

As manhãs de domingo eram reservadas “a petizada” com show ao vivo animado por Pituca, Maria Alice Barreto e Edgard Bonassis na rádio Guarujá.

Na década de 60 os programas de auditório conquistaram fãs de todas as classes e idades e esse sucesso teve ícones como Zininho, Neide Maria, Edi Santana, Tânia Martinez, Néli Silva, Luiz Flávio, Júlio Marino e Irmãs Sardá, entre outros.

A quarta  parte  do enredo trouxe de volta à passarela Nego Quirido a emoção da radionovela.

Tramas e mais tramas que mesclaram paixão, ódio, amor, intrigas e ação, unindo diariamente famílias inteiras que emocionadas acompanhavam as lágrimas de Isabel Cristina e Albertinho Limonta em o “O Direito de Nascer” sucesso nacional. As grandes novelas de Gustavo Neves Filho, como “As Lágrimas de um Coração” e “O Pecado Daquela Noite” com interpretações maravilhosas das nossas radioatrizes com destaque para Cacilda Nocetti, que desfilou num carro alegórico dessa vez brilhando no palco da Passarela do Samba Nego Querido.

E foi assim que o GRES  Consulado materializou seus enredo e homenageou nossos astros e estrelas da radio difusão.

E foi bastante emocionante ver o público cantado alegremente o Samba Enredo.

Caeira, Ô
Seu universo é poesia
da história trago a poesia  (BIS)
se liga, o Consulado está no ar.
 
Que saudade dá
na sombra da figueira ouvir
“O Direito de Nascer” amor
Vai começar o show de novo
no auditório da Nego Querido
o carnaval é o programa preferido
e o povo é o astro principal

Mais que amor, virou paixão
e mostro neste carnaval             (BIS)
o rádio era mania nacional

Voa, vai meu pensamento
através do tempo, pra recordar
radionovelas, notícias,
esportes, artistas
e novamente a estrela vai brilhar

Nós somos os cantores do rádio
Levamos a vida a cantar

No rádio do Caeira
O samba é de primeira
E faz o povo delirar.

Magia do Cinema

19/01/05

Em Florianópolis, com seus mitos e lendas, o cinema representou para as crianças, jovens e adultos uma das grandes opções de divertimento. Seja no dia de semana ou no sábado e domingo, assistir um filme da sétima arte era uma alternativa para os habitantes da capital catarinense, que comportava nos anos 1960 os cinemas São José, Roxy, Império, Ritz e Glória.
Por Ricardo Medeiros, de Florianópolis.

Uma crônica salientava que o Cine Ritz era uma casa de diversões que se constituía  num ambiente familiar da sociedade florianopolitana, e que havia se transformado  no centro preferido de reuniões daqueles que gostavam da cinematografia ou como simples distração que propiciava um alívio mental. A crônica concordava também  com as idéias de Walter Benjamin ao ressaltar que a evolução tecnológica do cinema – e ali estava o Cine Ritz para provar isso – implicava na  vulgarização e educação artística.

Nascido como Cine Rex, a casa de espetáculo foi batizada com o novo nome, Cine Ritz, a partir dos anos 1940. Era o mais central e de maior capacidade de público, sendo desta forma o que  apresentava os grandes sucessos de bilheteria.

Toda terça-feira havia neste cinema uma sessão popular, onde o ingresso era mais barato do que nos outros dias. Esta sessão era conhecida como Sessão das Moças, mas que na prática abrigava pessoas de ambos os sexos. Na tela passava uma série de filmes românticos, propícios para iniciar um namorico. Todos suspiravam com as estrelas e  galãs da época , no bom estilo de Rita Rayworth e Humphrey Bogart. Um momento em que, principalmente o público feminino, assimilava a moda, os trajes, os penteados, o jeito de andar, dançar, fumar e  beijar de Hollywood.

No domingo, havia no Ritz, às 10 horas da manhã, uma sessão livre de desenhos para a garotada, sobretudo de Tom e Jerry. Porém, o número de adultos neste cinema muitas vezes ultrapassava a quantidade de crianças, pois o marmanjões iam para o Ritz acompanhar as travessuras do gato e o rato com a desculpa de fazer companhia aos pequenos freqüentadores.

O Rox apresentava uma sessão dupla para as crianças com mais de 10 anos, que se deliciavam com «homens voadores, homens invisíveis, intrépidos aventureiros, audaciosos mascarados, foguetes rasgando o espaço, aviões explodindo no ar, automóveis em alta velocidade, perseguições… Eram a sessão dominical, com direito «a sapatear no piso de madeira do velho casarão, quando o filme ‘arrebentava’ justamente quando o cipó de Nioka, a mulher das selvas, partia sobre o rio infestado de jacarés famintos.

A sessão começava às 14 horas e terminava às 18 horas. Todavia, o movimento iniciava por volta do meio dia e meia, tendo em vista que a molecada  chegava cedo para fazer comercio ou troca das histórias em quadrinhos como o Gibi e outras publicações do gênero. Concentrados nessas leituras, enquanto aguardavam o inicio da matinê, todos acompanhavam as aventuras de Capitão Marvel contra o Doutor Silvana, um cientista  que constantemente colocava o mundo em perigo. Liam também as histórias de Tocha Humana e seu parceiro Centelha,  Mandrake e seu amigo Lothar, assim como as peripécias de O Fantasma , Super-Homem , Capitão América, Batman e Robin.

Quando eram 14 horas, começava o primeiro filme, geralmente um western e, em seguida, a criançada assistia o episódio do dia de um seriado dividido em 12 partes, como o de Nioka e de Flash Gordon. No final de cada capítulo, o mocinho era colocado em situação de morte e desta forma o seriado prendia a atenção da molecada que ficava persuadida em retornar ao cinema no próximo final de semana para saber como é que o seu herói iria se escapar de mais esta cilada, provocada por algum malfeitor. Magia do cinema dos anos 1960.

Radiojornalismo

19/01/05

O curso de Comunicação Social – Jornalismo, do Ielusc*, em Joinville, tem conseguido despertar o interesse em alguns alunos por rádio-jornalismo.
Por Ricardo Wegrzynovski, de Joinville

Apesar da cidade não dispor de nenhuma emissora de rádio que priorize o jornalismo, o fato do curso estar estimulando pode gerar algum embrião para o futuro. Entre os professores de rádio que já passaram nos últimos três anos pelo Ielusc destacam-se Luciano Almeida, Jacques Mick, Izani Mustafá e Luciano Bittencourt.

Dos quatro, três homens e uma mulher. A professora Izani Mustafá ficou conhecida em Joinville por sua atuação na Rádio Difusora e agora, mais do que nunca, pelo importante papel de despertar o interesse dos acadêmicos por rádio-jornalismo. Izani Mustafá respondeu para o Caros Ouvintes sobre sua formação acadêmica e experiência em rádio. “Fiz estágio na Rádio Guaíba e depois, em 1991, trabalhei na produção do Jornal da Tarde – 18 horas da Rádio Guaíba. Em Joinville, trabalhei na Rádio Difusora no período de dezembro de 2000 a outubro de 2003. Sou professora de Meios Rádio I e II e Produção e Difusão em Rádio I e II, oriento os projetos experimentais de Rádio e monografias com temas sobre o rádio. Sou formada há 20 anos pela UFSM*. Estou no Ielusc desde início de 2002.”, finalizou. Em suas aulas destacam-se a produção de boletins, com gravador em punhos os estudantes saem pelas pautas. Também há produção de programas de rádio-jornalismo, simulando uma rádio profissional, inclusive com a pressão do dead line. Nesses programas os estudantes se dividem em apresentação, reportagem, direção, roteiro e edição.

O professor e jornalista Luciano Almeida optou por estar fora da sala de aula “ficava complicado dar aula em Joinville e morar em Florianópolis”, argumenta sobre seu pedido de demissão. Atualmente é repórter na Rádio Guarujá, em Florianópolis, depois de ter passado pela CBN Diário, também na capital. Luciano Almeida trabalhou um ano no Ielusc, onde deixou saudade. Formou-se em jornalismo na PUC – RS e fez especialização na UFSC. É um comunicador daqueles intelectuais, que vive com algum livro em baixo do braço (não a bíblia), mas pensadores mundiais e literatura. Nas aulas Almeida comentava muito sobre livros e exigia que os estudantes escrevessem boletins e apresentassem para a turma. Lecionou História do Rádio disciplina que foi extinta com a reformulação da grade. Também foram destaques em suas aulas os programas especiais sobre música popular brasileira produzido integralmente pelos alunos.

O professor e jornalista Jaques Mick terminou doutorado em Ciências Políticas e está passando férias de seis meses na França. Segundo Mick falava em sala de aula, ele praticamente nasceu dentro de uma emissora, pois sua família tinha forte ligação com o meio.

Quanto ao professor Luciano Bittencourt é novo na instituição e ainda não conseguimos o contato, mas em breve deveremos estar abordando mais este profissional do rádio em sala de aula.

______________________________________ 
Ielusc* Instituto Superior e Centro Educacional Luterano
 UFSM* Universidade Federal de Santa Maria

363 dias sem Aldírio

19/01/05

Falta menos de um mês para carnaval. As escolas esquentam os tamborins enquanto lutam pela sobrevivência, quando chega a notícia: morreu Aldírio Simões. Aos que o amaram e o respeitam ainda, a reverência dos nossos Caros Ouvintes. Aldírio, Mané Rei, aqui você é eterno e nunca morrerá em nosso coração. A seguir, o texto de Francisco Hegídio Amante, a reportagem realizada pelo jornal A Notícia com texto de Carlito Costa, Celso Martins e Carlos Damião e o destaque da Protegidos para 2005.
Da Redação

Morre Aldírio Simões
Por Francisco Hegídio Amante*
Aldírio Simões de Jesus nasceu dia 5 de janeiro de 1942, na praia de Canasvieiras, em Florianópolis. Como qualquer garoto do interior da Ilha de Santa Catarina e de família modesta, desde cedo, precisou contribuir com o orçamento familiar, na pesca e na agricultura de subsistência. Freqüentou o Grupo Escolar e, com a vinda para a cidade experimentou alguns trabalhos de “carteira assinada”, dentre eles o de balconista na tradicional Confeitaria Chiquinho e no supermercado A Soberana. Moço inteligente, logo entrou para o meio jornalístico, ao mesmo tempo em que foi nomeado para trabalhar na Prefeitura Municipal de Florianópolis. Exerceu suas atividades no rádio, televisão e jornal.

No rádio, além de repórter esportivo, manteve por muitos anos o programa “Clube do Samba”. Na televisão, igualmente trabalhou no setor esportivo e em outras áreas. Porem, foi a imprensa escrita que o fascinou e jamais deixou de freqüentar os lares  florianopolitanos, com suas histórias carregadas de doses de humor, narrando o quotidiano da cidade e de seus famosos personagens. Publicou dois livros: “Domingueiras”, com uma seleção de suas melhores crônicas jornalísticas, e “Retratos à Luz de Pomboca”, onde estão reunidas as melhores entrevistas que fez com personagens do universo ilhéu.

Profundo conhecedor e grande colaborador do Carnaval, coordenou por algumas vezes o Concurso Oficial das Escolas de Samba de Florianópolis. Foi o segundo superintendente da Fundação Cultural de Florianópolis – Franklin Cascaes (FCFFC), no período entre 1989-1992, onde desenvolveu um trabalho voltado ao incremento das atividades folclóricas e de resgate das tradições ilhoas mais populares. Promoveu inúmeros eventos que marcaram época, corno o Torneio de Dominó, a Maratona, a Paru-Fest e tantas outras culminando com o Troféu Manezinho da Ilha, inserido como uma das grandes festas cidade, homenageando mais de 200 personalidades de todos os segmentos.

Boêmio assumido, não dispensava seus famosos “roteiros etílicos” de fins de semana, razão pela qual era um dos maiores experts e avaliadores dos grandes e pequenos “Pés-sujos”, dos sofisticados e requintados ambientes da Ilha e do bairro do Estreito. Aldírio residia no bairro do Abraão, no lado continental, simpatizava com o Figueirense Futebol Clube e com a Escola de Samba Embaixada Copa Lord. Há oito anos, escrevia coluna diária no jornal “AN Capital”, suplemento do jornal “A Notícia” que ajudou a criar. Na televisão, apresentava o programa “Bar Fala Mané”, no SBT/SC. Profundo conhecedor dos costumes de herança açoriana, em junho deste ano, ele realizaria um de seus maiores sonhos que era gravar um programa especial no Arquipélago dos Açores, cujas tratativas foram seladas no inicio deste mês pela atual superintendente da FCFFC, Lélia Pereira da Silva Nunes.

Aldírio Simões suicidou-se hoje (22/1/2004), por volta do meio-dia, na casa da praia do Sonho, no município vizinho de Palhoça, com um tiro na cabeça. Seu corpo está sendo velado na Câmara Municipal de Florianópolis e o enterro será às 11h00, no cemitério São Francisco de Assis, no bairro Itacorubi.

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Francisco Hegídio Amante. Somos todos manezinhos. Florianópolis: Editora Papa-Livro, 2004.

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http://an.uol.com.br/ancapital/2005/jan/16/1fal.htm
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Bom dia Dakir Polidoro

19/01/05

Conheci Dakir Polidoro em 1957.  Eu era um garoto e ele me foi apresentado pelo meu falecido pai, Ralf Pasold, no então famoso “Bar do Felinto” que ficava no térreo do prédio ao lado no qual estava instalada a Rádio Diário da Manhã, na Praça XV de Novembro.
Por Cesar Luiz Pasold, de Florianópolis

Ele tinha vindo de Laguna para Florianópolis, por convite do então governador Jorge Lacerda. O Dakir ocupava um espaço comunicativo muito estratégico na Rádio Diário da Manhã, ondas médias e curtas: apresentava o programa “A Hora do Despertador”, inicialmente das 06h00 às 07h30, depois das 06h00 às 07h00. Foi um campeão de audiência por muitos anos.

No primeiro ano a empresa da qual o meu pai era sócio foi uma das patrocinadoras do programa, e isto aproximou Dakir e sua esposa Ayêsha, de meus pais Ralf e Erna. Esta amizade foi sendo fortalecida no tempo e de tal forma que meus pais se tornaram padrinhos de batismo de uma das filhas, a Jeanette e eu, embora, muito jovem me tornei padrinho de batismo de outra das filhas de Dakir, a Jádina.

O Programa “A Hora do Despertador” literalmente acordava a população de Florianópolis e dos municípios alcançados pelas ondas da Rádio Diário da Manhã. O tilintar do despertador do Dakir Polidoro era uma de suas marcas registradas, abrindo e fechando o programa e sendo inserido antes de uma chamada comercial, por exemplo.

A audiência era muito grande e leal ao programa e isto foi confirmado de maneira peremptória quando, mais adiante e  em determinado período, o programa foi apresentado na Rádio Guarujá, a então grande concorrente da Rádio Diário da Manhã.

A estrutura básica do programa era:
1) Informações úteis ao início do dia dos ouvintes, como por exemplo, condições do tráfego (à época o congestionamento era fenômeno raríssimo) especialmente na Ponte Hercílio Luz, a única a unir Ilha e Continente. Condições de temperatura e previsão do tempo, isto sempre sob a inspiração do grande amigo do Dakir e nosso, o professor e “bruxo” Amaro de Seixas Neto, o qual durante um bom período comparecia pessoalmente ao programa para dar a informação, sempre com a pronúncia e a dicção prejudicadas pelo inefável cigarro que mantinha pendurado permanentemente ao canto da boca; além disto a movimentação no Mercado Público era noticiada, com detalhes sobre safra de tainha, preço do camarão, carnes e demais alimentos disponíveis. Também problemas surgidos durante a noite na Ilha ou no Continente, eram noticiados e quando fosse o caso, a orientação das autoridades a respeito era repassada para os ouvintes.

2) Veiculação das notícias municipais, estaduais,  nacionais e internacionais mais importantes.

3) Comentários do Dakir sobre assuntos de interesse para a comunidade.

4) Um segmento de cinco a 10 minutos, denominado “A hora estudantil”, apresentado por muito tempo por Dante Braz Limongi, então presidente da União Florianopolitana dos Estudantes, UFE; quando Dante se transferiu para o Rio de Janeiro , eu apresentei durante um certo tempo este segmento.

5) Em alguns programas, entrevistas com políticos ou outros convidados considerados importantes para a comunidade.

6) Alguns momentos musicais. Dakir contava com o apoio operacional do “Quintanilha”, apelido carinhoso do homem que fornecia a infra-estrutura básica necessária a um programa que era popular (não “popularesco!”) e que necessitava ser rápido na recepção das informações e na sua imediata veiculação.

Estive presente inúmeras vezes no programa, assistindo-o “do outro lado do vidro”, ou seja, próximo à mesa de controle  do som, admirando sinceramente à dedicação à comunidade, o amor à sua profissão e ao rádio, o permanente bom humor, a capacidade de improvisação, a criatividade, a verve, a disposição física e, principalmente, a dicção, a empostação e a qualidade da voz do Dakir. O prestígio de Dakir Polidoro e sua aceitação pela população eram tais que foi eleito vereador em Florianópolis, presidiu a Câmara Municipal e, por esta condição, foi Prefeito da Capital Catarinense.

Sinto-me orgulhoso e me considero um privilegiado por ter testemunhado ao vivo um período especialmente áureo do rádio catarinense, no qual pontificaram, além do Dakir Polidoro, o Adolfo e o Walter Zigelli, Antunes Severo, Acy Cabral Teive, Rozendo Vasconcelos Lima, Gustavo Neves Filho, Neide Maria Rosa, Cyro Barreto, Francisco Mascarenhas, Edwin Scott Balster, Iran Nunes, Ciro Marques Nunes, Manoel de Menezes, Aldo Silva, Alfredo Silva, Emílio Cerri Neto, Walter Souza, J.J. Barreto, Aldo Gonzaga, Felix Kleis, Waldir Brazil, Nabor José Prazeres,  entre tantas estrelas que a minha memória agora  me trai e me faz esquecer nomes, possibilitando-me cometer injustiças pelas quais desde logo peço vênia. Através destes nomes faço minha homenagem a todos os que, durante tanto tempo, com muita garra, profissionalismo, amor e qualidade, fizeram uma comunicação radiofônica extremamente eficiente e eficaz e, sobretudo, realizaram a verdadeira função social do Rádio, que, como todos sabem era e continua sendo uma concessão do Estado e, por isto, deve ser permanentemente um prestador de serviços de efetiva utilidade pública, tanto como veículo informativo e formativo, quanto como instrumento de lazer e entretenimento.

 
 
         
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