Arquivo mensal para 12/04

Boas festas, caros ouvintes!

23/12/04

Preparamos uma mensagem especial de Final de Ano para você. Através das vozes privilegiadas de Celso Freitas, Hervielto Gelle, Mário Motta, Maria Alice Barreto, Ricardo Medeiros e Antunes Severo, transmitimos nossa mensagem de fé, esperança e perseverança em realizar.
 Clique aqui e ouça as mensagens.

Influência da radionovela

17/12/04

Estudo de Ricardo Medeiros aponta a importância da programação de rádio nos anos 60
FÁBIO BIANCHINI
Edição nº 6818 – 14/12/04

O jornalista Ricardo Medeiros apresentou no último dia 6 de outubro, na França e na UFSC, em teleconferência, sua tese de doutorado Radionovela e Publicidade: memória da recepção em Florianópolis nos anos 1960.

O estudo pesquisou a influência das radionovelas de 40 anos atrás nos hábitos da população da Capital e deve render livro a ser lançado até o fim do ano que vem.

As radionovelas começaram a ser produzidas em Florianópolis em 1949, pela Rádio Guarujá, inaugurada em 1943 e a primeira a operar em Santa Catarina. A Diário da Manhã, atual CBN Diário, surgiu em 1955 e tornou-se a mais influente da cidade nos anos 60, quando atraiu vários profissionais, anunciantes e ouvintes. Os folhetins eletrônicos, como eram chamados, da emissora, eram apresentados em cinco horários: dois pela manhã, dois à tarde e um à noite. Nelas atuavam nomes como Zininho, Neide Mariarrosa e o autor Gustavo Neves Filho.

Nos anos 70, a chegada da televisão diminuiu o poder e a influência desses radiodramas, que não são mais produzidos ou transmitidos pelas principais emissoras de Florianópolis, mas ainda existem em várias cidades do Brasil e do mundo. A pesquisa de Medeiros concentrou-se na Diário da Manhã durante os anos 60 e foca a relação dos ouvintes com os produtos anunciados nos intervalos comerciais das radionovelas. Havia três tipos de anunciantes: locais (ligados principalmente ao comércio), de redes nacionais e empresas multinacionais.

O jornalista aplicou questionários a 57 antigos ouvintes de radionovelas, que moram em Florianópolis, Palhoça e São José e hoje têm, em média, 61 anos de idade, sobre seus hábitos em relação aos dramas transmitidos pela emissora: nesse ponto, sua conclusão é de que os folhetins funcionavam como agregador familiar, já que a maior parte dos entrevistados escutava-os em casa, à noite, com a família.

Outro questionamento foi sobre os comerciais. Mais da metade (56%) dos questionados lembra da publicidade veiculada com as radionovelas e 52% do público recorda o nome das empresas que publicavam os reclames. A taxa de pessoas que disseram imitar as personagens é de 51,7% e 6,8% batizaram crianças com nomes em homenagem a estas.

Medeiros iniciou sua tese na França, em 2000, e no ano letivo 2001/2002, recebeu diploma de estudos aprofundados (equivalente a mestrado) no Departamento de História da Universidade de Maine, em Le Mans. Em 2002, retornou ao Brasil para pesquisa de campo. Voltou então à França para concluir a tese. Os orientadores foram a francesa Brigitte Waché, doutora em História Contemporânea, e Eduardo Meditsch, doutor em jornalismo, professor da Ufsc.

Sua pesquisa com radionovelas iniciou em 1996, quando escolheu o tema para seu trabalho de especialização, que rendeu o livro Dramas no Rádio – a Radionovela em Florianópolis nas décadas de 50 e 60. Depois publicou também A História do Rádio em Santa Catarina e, em parceria com Dieve Oehme e Cláudia Barbosa, Zininho, Uma Canção para Florianópolis. Em março de 2005, deve lançar, com o publicitário Antunes Severo, Caros Ouvintes, sobre os 60 anos do rádio na Capital.

Astros e Estrelas

16/12/04

Ziza, aqui fala o Antunico, das madrugadas sem fim, das noites de boemia, do trabalho incansável, das dúvidas existenciais, das grandes alegrias, das fossas monumentais.
Por Antunes Severo

E agora, Ziza você me vem com essa, de pegar o trem da meia noite! Logo você que nunca desligava o gravador da tomada, nem se dava por vencido, mesmo quando as dívidas se derramavam aos borbotões. Aliás, até hoje desconfio, as dívidas é que nos mantinham acessos, de orelha em pé, respiração ofegante, sempre apostando na esperança.

- Ziza: to falando de esperança do verbo esperançar, que eu pensei que não existia, mas que está la no dicionário de mestre Houaiss e que eu aprendi com o Mário Motta. Nada de babaquice como aquele ditado ingênuo de que a esperança é a última que morre. Esperança é pré-condição para agir, ação efetiva, agir pela vida, pelo amor. Ih, rapaz, me empolguei.  Mas, cara, chega um dia e você resolve entregar os pontos. Por causa de uma doencianha sem vergonha, que chateia mas não mata. Sinceramente, acho que foi mesmo falta de comunicação.

- Falta de comunicação?
- É. Logo entre nós!
- Que loucura!
- Calma. Nada é irreversível.

A parábola de que a vida é uma viagem de trem é mesmo um convite à reflexão. Desde quando “pegamos” o trem, até quando convivemos com quem encontramos, com quem nos descobre, quem nós descobrimos, quem vem e que passa, quem vem e que fica e quem vem e nos leva. E como nós vamos. E como nos sentimos. E aí vem a pergunta: o que se passa, afinal?

- Se passa… Ai, ai, ai!!!
- Se passa que nós não passamos.
- Ops! Como não passamos?
- Nós só passamos quando ninguém mais lembra de nós.

Aqui está prova provada: Ziza, o garoto quase estrábico, “sem berço”, nascido de família pobre, criado “por aí”, deu no que deu: Zininho, o conselheiro. “Clóvis” das tertúlias das primeiras horas da madrugada. O “detalhista” recortando com gilette uma fita magnética de gravação de áudio, para tirar ou colocar um “s” que o locutor deixou escapar?

Pois este é o Ziza amado, poeta Zininho, gentleman do samba, cidadão ternura, Cláudio Alvim Barbosa. Oi, Ziza, conta pra gente, como é que você foi pegar aquele trem da meia noite? Logo você tão experiente, com tantas idas e vindas por tantos recantos destas terras do sul? Fala aqui pros nossos Caros Ouvintes, onde anda você?

Zininho, uma canção para Florianópolis

16/12/04

Aqui começa o relato da história do amigo, poeta e compositor narrada por três cúmplices de Zininho: um apaixonado assumido, uma pesquisadora dedicada e uma filha deslumbrada. Nada mais cristalino e belo do que falar apaixonadamente. Assumir a emoção, a voz travada, a lágrima rolando, a vontade de morrer também, ou de viver se for preciso.
Por Ricardo Medeiros, Dieve Oehme e Cláudia Barbosa.

Trem da meia-noite

Era quase meia-noite e Cláudio Alvim Barbosa preparava-se para uma nova viagem. Foram tantas idas e vindas por diversos cantos do sul e sudeste do Brasil que, para ele, esperar o trem já era quase uma rotina nos últimos anos. A família, apegada como sempre, começava a sofrer de saudade antes mesmo de vê-lo partir. Cláudia, a filha caçula, olhava atenta para o pai como a implorar um último afago. Afinal, o poeta vivia dizendo que ela era o seu “neném”, a “temporona”.

Com cinco minutos de atraso, o expresso chegou devagarinho e estacionou para Zininho embarcar. Despediu-se da mulher, filhos e netos, mas certamente não estava de todo triste, pois iria encontrar com outros parentes que não via há muito tempo e matar as saudades de alguns velhos amigos de boemia. 

No caminho, trocou de roupa e vestiu-se como sempre gostou: terno branco, camisa de gola olímpica preta e sapatos brancos. Era o Gentleman do Samba, personagem que marcou a época de ouro na Rádio Guarujá, no final da década de 40. O reencontro com os familiares parecia ser inesquecível.

Já era dia quando o trem chegou finalmente ao destino. As manhãs de primavera são sempre muito bonitas, em qualquer lugar do mundo. Como que a procurar alguém, o compositor desceu na estação, e olhou para os lados até encontrar o que esperava. Sim, estavam todos lá para recebê-lo, os parentes e os amigos queridos.

Enquanto caminhava ao encontro dos familiares, a vida passava rápido por sua mente. Lembranças das homenagens, do último disco gravado ao vivo no Teatro Álvaro de Carvalho, em 1994, e dos tempos da Diário da Manhã e da Rádio Guarujá. Andando um pouco mais depressa, vinham imagens nítidas das noites nos bares de Florianópolis, entre “cervejotas” geladas; o salão Dó-ré-mi, o serviço de som Tabajara, o primeiro carro de praça na cidade, o dia do casamento com Ivette, 31 de dezembro de 1947, resultado de um curtíssimo namoro. E, de repente, ao chegar, viu-se ainda menino, na década de 30, já apaixonado pelo mundo do rádio. Voltando um pouco mais no tempo, estava quase sendo batizado como Orzino pelo pai, que acabou mudando de idéia e lhe dando o nome de Cláudio. Se escapou de integrar a lista de nomes esdrúxulos do Cartório do Estreito, porém, não pôde evitar ficar conhecido e entrar para o rol dos “iluminados” com o apelido que lhe restou daquele nome esquisito:

- Zininho. Que bom que você veio!

Feliz, o poeta sentou-se com o grupo que o recebeu com grande carinho, no primeiro bar que encontrou na estação. Era preciso comemorar o tão aguardado reencontro. Entre uma música e outra, uma cerveja e outra, o compositor olhou para todos ali… a mãe Teodora, o brilhante jogador “Camisa”, a avó Maria Barbosa, Luiz Henrique, Adolfo Zigelli, Neide Mariarrosa e muitos outros amigos. Voltou os olhos ao redor do ambiente, deu uma pitada no cigarro, e entre as pequenas nuvens de fumaça, viu ao fundo a placa da estação “Eternidade”. Naquele momento, num rasgo de inspiração, letra e música surgiram de repente, como lhe era peculiar. Compôs então o seu último rancho… Rancho do Amor Eterno. Mais uma vez, o título foi dado por Zigelli, porque sabia que esteja onde estiver, o poeta será amado e lembrado eternamente em Florianópolis.

Quem dera Zininho não tivesse partido, ou que a sua viagem tivesse volta marcada. Mas, infelizmente, quando dizia estar esperando o “trem”, era apenas mais um jeitinho debochado e brincalhão de encarar os problemas de saúde e a própria morte, sempre à espreita.

Cláudio Alvim Barbosa faleceu na madrugada do dia 05 de setembro de 1998, no apartamento n° 9 do Hospital Nereu Ramos, vítima de enfisema pulmonar, câncer de próstata e complicações renais. Ele, que durante muitos anos coordenou o serviço de som do plenário da Câmara de Vereadores, foi velado em seu local de trabalho. Com os acordes do hino que compôs para a cidade que tanto amou, o Rancho do Amor à Ilha, executado pela Banda Comercial de Florianópolis, o poeta recebeu as últimas homenagens.

A notícia de seu falecimento foi manchete dos principais jornais da cidade.

“Zininho partiu num sábado chuvoso, deixando a cidade de luto. Pela manhã, quem passava pela Praça XV, em frente à Câmara Municipal, parecia não saber que no interior da sede do legislativo estava sendo velado o autor do Rancho do Amor à Ilha. Ele deixou a mulher, quatro filhos e oito netos. Zininho foi sepultado vestindo um temo branco, com uma comenda de cidadão honorário de Florianópolis na lapela e camisa de gola olímpica preta. Sobre seu corpo foram colocados crisântemos brancos e amarelos. Entre os dedos magros da mão, um rosário de prata”.

Cláudio Alvim Barbosa foi sepultado às 17 horas de sábado, dia 05, na alameda B do Cemitério São Francisco de Assis, no Itacorubi. Além de deixar muitas saudades entre familiares e amigos, Zininho deixou também um acervo de mais de três mil fitas de rolo, vídeo e cassete, com gravações dos principais programas de rádio das décadas de 40 a 70, entrevistas com políticos, artistas e personagens do mundo do samba, que representam boa parte da memória cultural de Florianópolis.

No estúdio que mantinha, num apartamento no Abraão, ficaram também cerca de 700 discos e 300 fotos. Todo o material dará suporte à criação de um museu da Imagem e do Som na Capital, batizado de Casa da Memória, coordenada pela Fundação Franklin Cascaes.

Capítulo 1, do livro Zininho, uma canção para Florianópolis, de Ricardo Medeiros, Dieve Oehme e Cláudia Barbosa. Florianópolis: Editora Insular/Fundação Franklin Cascaes, 2000.

Sintonia fina – histórias do rádio

16/12/04

O paranaense Jamur Júnior lança segundo livro e desta vez fala do rádio e de seus personagens, alguns muito conhecidos do público catarinense.
Da Redação.

Jamur Júnior, um dos mais destacados profissionais de comunicação do Paraná, começou sua carreira como radialista em 1950. No final da década de 1960 viveu uma boa parte do auge do rádio em Florianópolis trabalhando nas rádios Jornal A Verdade e Diário da Manhã. Neste segundo livro – o primeiro, lançado em 2001 -, conta a “Pequena história de grandes talentos”, onde narra os primeiros passos da televisão no Paraná.

Em Sintonia Fina, Jamur se dedica a tarefa de recuperar uma boa parte da história do rádio paranaense e dos personagens que o tornaram um dos meios de comunicação mais importantes. Em Sintonia Fina, ele fala das emissoras, dos empresários que as montaram e dos radialistas que as tornaram conhecidas e respeitadas. Entre os radialistas ganham espaço nomes conhecidos do público catarinense.

Como o paranaense Souza Miranda, que depois de peregrinar por emissoras do estado do Paraná, de São Paulo e do Rio de Janeiro, não resistiu aos encantos da Ilha da Magia onde se encontra desde 1954 trabalhando ininterruptamente até hoje. Aliás, a Ilha da Magia é pródiga em seduzir radialistas. Em 1956, foi a vez do gaúcho Antunes Severo que em Curitiba se consagra como o melhor animador de programas de auditório pela PRB-2, Rádio Clube Paranaense. Outro personagem focalizado é Manoel de Menezes que no início de sua vida de “artista”, se notabilizou como poeta e declamador num programa que se tornou conhecido em todo o sul do Brasil, o Retalhos D’Alma. Também de Santa Catarina, o gasparense J. Pedro, fez carreira no Paraná, chegou a atuar no Rio de Janeiro e depois dominou o mundo trabalhando no serviço brasileiro da Rádio Suíça Internacional. Jamur, abre espaço ao trabalho inovador do joinvillense Jair de Brito, a quem trata de mestre, que praticamente reformou o rádio do Paraná com a sua maneira ousada de encarar as mudanças como uma forma de vitalizar o meio rádio. Também lembra de Edwin Scott Balster, um nobre inglês nascido no povoado de Três Barras em Santa Catarina que trabalhava como operador de som em Curitiba e que veio para Florianópolis juntamente com Antunes Severo e daqui não saiu mais. A lista de Jamur incluiu ainda uma das figuras mais conhecidas do rádio de Florianópolis no final da década de 1950: o paranaense Robin Fatuch, aqui conhecido como Osvaldo Robin. Ao microfone da Rádio Anita Garibaldi, Osvaldo Robin, com uma voz empostada e vibrante emocionava a audiência fazendo uma reportagem ou declamando poesias a meia noite com aquele sotaque anasalado e que soava assim: “bentirosa bulher que tanto amei…”.

Sintonia Fina – histórias do rádio, de Jamur Júnior, é uma edição Sesquicentenário. Curitiba, 2004.

Olá! Bem vindo Ricardo

16/12/04

Ricardo Medeiros, a partir de hoje entra também de corpo total na faina diária do site partilhando a editoria e escrevendo para os nossos Caros Ouvintes. Hoje ele fala um pouco do muito que precisamos para continuar buscando, identificando e disponibilizando a história construída pelos nossos Astros e Estrelas do rádio.

Sinto falta deles
Por Ricardo Medeiros

Momento de confraternização na casa de Dakir Polidoro, na praia de Ponta de Baixo, em São José, no final da década de 1950. A partir da esquerda: Alda Jacintho (radioatriz), Edgard Bonassis da Silva (locutor), Edi Santana (cantora), Sílvio (piston), Álvaro (trombone), Neide Maria (cantora), Tereza Maria (radioatriz, irmã da Neide), Tida (bateria), Aldo Gonzaga (piano), Demaria (contrabaixo), Luiz Flávio (cantor), Zequinha (violão), Janine Lúcia (radioatriz), Félix Kleis (radioator) e  Jairo Silva (cantor).

Exilo-me  temporariamente no Velho Continente, na cidade francesa  de Le Mans (a 200 quilômetros de Paris) para fazer doutorado na área de rádio, abordando as radionovelas em Florianópolis durante os anos 1960, precisamente às veiculadas na antiga Rádio Diário da Manhã. Mas por que sair então de Floripa, para do outro lado do oceano atlântico, falar sobre nossa terra? Breve parêntese. Vera Dias, minha esposa, gostaria igualmente de fazer uma tese e escolheu aquele país para desenvolver um trabalho acadêmico de comparação de habitação popular entre Florianópolis e Le Mans.

A chegada a Florianópolis se dá  no dia 20 de novembro, uma tarde ensolarada de sábado que me permite acompanhar as belezas naturais da Ilha e a fidelidade da torcida  do Avai que joga na Ressacada contra o Brasiliense  sonhando com a série A do campeonato brasileiro de futebol.

Neste retorno à cidade sinto falta de pessoas que me ajudaram a fazer uma das possíveis leituras sobre as radionovelas. Figuras que viveram intensamente o meio radiofônico durante as décadas de 1940, 1950 e 1960 e que me relataram essas experiências através de seus depoimentos.

Na verdade, ao conhecê-las já comecei a  perdê-las. Foi o caso da pequena e grande atriz Cacilda Nocetti. No ano de 1997 fui até a casa dela no Abraão para termos um “dedo de prosa” a respeito dos folhetins eletrônicos. Dias depois soube que a estrela da RDM havia partido, como dizem os franceses, para o outro lado do espelho. Foi quem sabe se encontrar com um dos seus parceiros de cena, como  Oscar Berendt, com quem formava uma dupla imbatível para encarnar preto-velho e preta-velha.

Hélio Teixeira da Rosa, radioator e maestro, é outro que deixa saudades. Fiquei maravilhado com sua trajetória no ramo radiofônico, tanto em Florianópolis como em Joaçaba, meio oeste catarinense. Em 2002, em uma passagem rápida pelo Brasil para fazer pesquisa de campo para a minha tese, ligo para a sua casa. Falo com dona Reinalda, esposa de Hélio Teixeira. “Bom dia, eu me chamo Ricardo Medeiros, jornalista. Eu gostaria de falar com o senhor Hélio Teixeira, por favor”. Indignada com a minha ‘audácia’ dona Reinalda vem à carga : “Mas quem é mesmo que quer falar com o meu marido?” ‘Ricardo Medeiros’, respondo novamente. Dona Reinalda é então direta: “ele já morreu senhor”. Senti neste momento um vazio. Fiquei em silêncio por alguns segundos. Em seguida, desculpei-me com a dona  Reinalda dizendo-lhe que não sabia do falecimento de Hélio Teixeira.

Meses antes de retornar em definitivo ao país tomo conhecimento que a radioatriz Alda Jacintho também nos deixou em agosto. Radioatriz de primeira linha ela era das integrantes do cast da RDM que recebia freqüentemente cartas de todo os cantos, como a de sua fã de Brasília, Celina Maria de Rezende, que em 15 de setembro de 1965 não poupa elogios aos personagens da manezinha Alda Jacintho: “Adoro você em todos os papéis que vives nas novelas! A queridíssima Cacilda! A Lavínia correta! A buliçosa Hilda! Todas perfeitas! Parabéns queridinha! Desejo de todo coração o teu sucesso, a tua glória!

Ao pisar em solo florianopolitano, soube de mais uma baixa. O maior escritor de radionovelas de Santa Catarina havia falecido: Gustavo Neves Filho. Um homem que tinha em sua bagagem 53 novelas e um número incontável de peças completas.

Vivemos constantemente numa corrida contra o relógio para colhermos depoimentos de pessoas como Cacilda Nocetti, Hélio Teixeira, Alda Jacintho e Gustavo Neves Filho. Gente que simboliza a história do rádio e da cidade de Florianópolis.  Que os homens e mulheres, sensíveis e de boa vontade nos ajudem nesta empreitada: a de salvar a memória deste meio de comunicação de massa. Que nos ajudem  na coleta de depoimentos dos astros e estrelas que o tempo nos leva.

Correspondente em Londres

16/12/04

Pois aqui está ele fazendo a sua primeira incursão como cronista e faz esta estréia no estilo self made man que o distingue: o texto, as fotos e a diagramação – como se dizia a algum tempo -, são de sua lavra. Mauro Corbeta Regis, ao som das trombetas da Rainha Victoria apresenta a sua “LONDON-FLORIPA CONNECTION”.
Por Mauro Regis

Primeiro metrô do mundo
Por Mauro Régis, de Londres
Neste momento nosso relógio registra 7:56 h (pelo horário de Greenwich)  e o inverno Londrino fica evidenciado pela presença de um frio cortante e uma escuridão  noturna, enquanto iniciamos a jornada em busca da matéria number one  para nossos CAROSOUVINTES.

Em poucos minutos alcançamos a estação de Upton Park e no guichê compramos o One Day Travel Card, um ticket  que nos permite (até as 4 horas da madrugada de amanhã) entrar, sair, voltar, pegar  ônibus (de qualquer linha urbana),  e voltar tantas vezes quantas nossa resistência agüentar ou esgotar o tempo limite.
A estação de Upton Park fica no bairro de West Ham e é apenas uma das 257 existentes no sistema, que abrange mais de 400 km de extensão, servidos por 14 linhas que se cruzam num emaranhado de túneis e  viadutos.
Poderíamos tranqüilamente trabalhar nos limites de nosso próprio bairro (zona 3), onde a presença predominante de indianos, iranianos, iraquianos, africanos … sugere a existência de um laboratório genético experimental, com toda a exuberância dos coloridos específicos e dos já mesclados.
Mas não querendo passar a idéia de um trabalho de tão pouco empenho, vamos avançar 14 estações pela linha verde (District Line) , mudar para a linha marrom (Bakerloo Line) na estação de  Embankment e avançar mais 4, até chegarmos em Baker Street, a primeira e mais antiga estação de metrô do mundo, ou será que  estamos enganados?
Ao desembarcarmos, a visão de modernidade insinua um equívoco. Nada melhor, então, do que consultar um nativo e de preferência um funcionário da estação (uniformizado).
Please, can you help-me ?
Off course – responde o funcionário.
Esta não é a primeira estação de metrô do mundo? – pergunto.
Com um sorriso que não aparentava  vergonha, mas educadamente, disse não saber e em seguida, sem nenhum gesto prévio, pelo rádio, consulta algum colega que, agora pasmem pra valer, também não sabe.
Indignado, continuo a caminhar pela  estação e observando a ausência de traços arquitetônicos do  século passado, a convicção de engano é reforçada, enquanto uma inesperada luz aponta-nos para a estação de Paddington, famosa pela grandiosidade de suas instalações e pelas conexões com linhas de trem para a Europa e interior da Inglaterra.
Então vamos lá conferir. Duas estações adiante e  Upton Park se apresenta com toda a  imponente majestade.
Escadas rolantes de última geração, elevadores, praças de alimentação, agências de viagem, bares, cafés, restaurantes, casas de câmbio, hotel cinco estrelas, trens, muitos trens de alta velocidade e de aparência futurista…mas e a nossa tão procurada estação original ?
Pelo labirinto de alternativas vamos atravessando subterraneamente  ruas e linhas, sempre deslumbrados com a contrastante visão de passado e futuro, lado a lado sim, mas cada qual com sua personalidade, estilo e beleza.
A impaciência parece já tomar conta da situação e nada como uma boa ducha de água fria para aliviar a cabeça e isto é o que se pode chamar de verdadeiro choque térmico.
Com o corpo aquecido pela climatização de todo o ambiente subterrâneo, alcançamos a rua a céu aberto e como brinde, uma leve brisa soprando 60 graus centígrados.
É hora do How much is it.
Sim CAROSOUVINTES, precisamos criar nossos mecanismos de sobrevivência em terra tão distante, comunicação tão difícil e clima tão frio.
A  técnica é simples e consiste em entrar em qualquer loja que venda qualquer produto e dirigir-se ao vendedor – Please, How much is it?
Esta perguntinha mágica nos concede o tempo necessário para reaquecer o corpo antes de voltar para o gélido frio da rua e assim sucessiva e alternadamente, sempre que sentirmos nossa bateria enfraquecendo.
Numa destas entramos pelo cano, pois tentando aplicar a técnica no atendente de uma lanchonete, este prontamente respondeu  – Óh brasléiro, extaixxx a falaire um Inglêxx trrível.
É desnecessário dizer que surgia ali mais uma relação de amizade em Londres.
Rimos, trocamos idéias, paguei a “Tuna” que acabei comendo, bati fotografia do trio português (foto acima) que administra a casa e voltei direto para a estação de BAKER STREET, pois o meu novo amigo Antônio (um professor de História improvisado) confirmara BS como a primeira estação de metrô do mundo.
Agora sim, com as orientações do Antônio (estão vendo como não é verdade que em Portugal todos os homens se chamam Manoel ou Joaquim?) encontrei o pavilhão original, onde parte de suas paredes abriga um acervo histórico sobre THE WORLD’S FIRST UNDERGROUND RAILWAY,

Estava ali o tempo todo e não encontrávamos porque na realidade BAKER STREET (hoje) não é mais uma simples estação de metrô e sim um complexo de 5 estações (lines) que desde 1863 foram se agregando ao pavilhão original.
Levei uma surra, concordo, mas a diversão foi além da expectativa e é inexplicável o prazer de ter feito isto para os 2.603 CAROSOUVINTES, por intimação do Antunes,
Já voltando para casa, fizemos uma parada técnica no Café Rio, uma espécie de Embaixada Brasileira em Londres, onde acidentalmente conhecemos um nordestino que está trabalhando a 40 metros dali, no EXOTIC FOOD (ele havia acabado de preparar uma sobremesa de escorpião ao chocolate)… perdão, perdão, este assunto ficará para uma próxima oportunidade.
Até breve. Mauro Regis

Caros Ouvintes na Casa do Jornalista

16/12/04

Antunes Severo e Ricardo Medeiros, autores do livro Caros Ouvintes – Os 60 anos do Rádio em Florianópolis, foram os convidados da Casa do Jornalista para falar do projeto Caros Ouvintes no coquetel de confraternização de final de ano realizado na última terça-feira.
Da Redação com fotos de Cida Schmidt

Ao final da palestra, o presidente em exercício Moacir Pereira, ofereceu a sede Associação Catarinense de Imprensa (Casa do Jornalista) para

Ricardo Medeiros, Moacir Pereira e Antunes Severo

que as reuniões e eventos do projeto Caros Ouvintes ali se realizem e também hipotecou total solidariedade à campanha que está sendo feita para a captação de incentivos fiscais que permitam a impressão do livro ainda no primeiro semestre de 2005.

O projeto Caros Ouvintes – Os 60 anos do Rádio em Florianópolis, foi aprovado de pelo Ministério da Cultura para captar recursos oriundos do imposto de renda, de acordo com o previsto na Lei Rouanet. Estiveram presentes, além dos associados da Casa do Jornalista, o editor Nelson Rolim de Moura, o diretor da Rede TVSC, Marcelo Petrelli e o presidente da Acaert Ranieri Moacir Bertoli.

Cyro Barreto, Carlos Alberto Ferreira, Antunes Severo, Moacir Pereira e Nelson Rolim de Moura.

Na oportunidade foi prestada homenagem ao radialista Souza Miranda como o mais antigo profissional do microfone que há 61 anos mantem-se em atividade ininterruptamente.

Saudade da Praça

8/12/04

Letra e música de Antônio Santos Miranda
Mirandinha – Florianópolis – Julho de 1994

C
ILHA QUERIDA
Em
EU TE VEJO TÃO MUDADA
Gm6
GENTE NOVA NA CALÇADA
A7                             Dm
NOVOS BARES TUDO ENFIM
Bm7
JÁ NÃO SE TEM
E7                   Am
MAIS O CHIQUINHO DA FELIPE
Dm7
MIRAMAR JÁ NÃO EXISTE
G7                                C
NEM A PRAÇA É MAIS JARDIM
F#m7
JÁ NÃO TEM FLORES
B7                     Em
NÃO TEM MAIS TARDES  FAGUEIRAS
Am7
SÓ TEM BOLSAS E PULSEIRAS
D7           G7                  E7
ESPALHADAS  PELO CHÃO…
Am                            D7
CADE A MOÇA TÃO FACEIRA
G7                    C7
NAMORANDO NA FIGUEIRA
F
QUE O POETA
B7                            E7
TRADUZIU NUMA CANÇÃO
Am                          D7
E ESTA SAUDADE TÃO MALVADA
G7
NÃO TEM JEITO
C7                         F
QUANDO BATE NO MEU PEITO
B7   Em   Eb7   D7
ME MACHUCA O CORAÇÃO
G  G#°º Am
PRESÉPIO DE NATAL
D7  Am  G  …D7
QUE SAUDADE DO CASCAES
G  G#º Am
DO VELHO CARNAVAL
D7  Am7   G
TEMPO QUE, NÃO VOLTA MAIS

Deputado quer proibir propaganda de e-banking

8/12/04

O deputado Celso Russomanno (PP-SP) anunciou na quinta-feira (02/12) que vai encaminhar um requerimento à Comissão de Defesa do Consumidor para propor a proibição de propagandas de televisão que induzam o cidadão a usar a internet para transações bancárias.

A afirmação foi feita durante uma audiência pública realizada na Câmara que teve a participação de membros da Comissão de Defesa do Consumidor e de outros órgãos do governo.

Russomanno se disse preocupado com o hábito do brasileiro de fazer transações bancárias – transferências e aplicações – pela internet. Segundo ele, a população deveria evitar os sites bancários, pois freqüentemente são alvo de fraudes.

O deputado destacou que o documento deverá ser encaminhado também ao Conselho Nacional de Auto-regulamentação Publicitária (Conar).

Celso Russomano, que é o autor do requerimento para a audiência pública sobre as práticas lesivas ao consumidor pela internet, informou ainda que a Comissão pretende elaborar um projeto específico para coibir esses crimes e práticas.

Fonte:
IDG Now! com informações Agência Câmara 
03/12/2004

Links Relacionados
> Site do Deputado Federal Celso Russomanno
> Câmara defende legislação para crimes na web

Alemanha publica livro sobre cientista brasileiro

8/12/04

A editora Debras Verlag, da cidade de Konstanz, Alemanha, está lançando o livro “Pater und Wissenschaftler” (Padre e cientista), de autoria do jornalista brasileiro Hamilton Almeida, que relata a fascinante e dramática história do cientista gaúcho Roberto Landell de Moura (1861 – 1928).
Por Eduardo MeditschPadre Landell foi precursor do rádio, da televisão e do teletipo, entre outras notáveis descobertas. Foi ele quem transmitiu, pela primeira vez no mundo, no final do século XIX, a voz humana à distância através de uma onda eletromagnética. Apesar da sua genialidade, não recebeu apoio de ninguém, foi ignorado e perseguido. Quis unir a religião à ciência e acabou acusado de ter pacto com o diabo.

Patenteou seus inventos no Brasil e nos Estados Unidos, realizou experimentos e, ainda assim, não foi reconhecido em sua época. No Brasil, chegaram a destruir os seus aparelhos e impedir seus estudos. Para contar a história do Padre Landell, Almeida pesquisou durante vários anos em diversas cidades brasileiras. A documentação chamou a atenção do editor Heinz Prange, que tomou a iniciativa de levar a obra para a Alemanha. Prange foi professor de física e eletricidade no Instituto Cristiani, em Konstanz, e é radioamador.

Roberto Landell de Moura

Padre Landell também aperfeiçoou o sistema de telegrafia sem fio e transmitiu pela primeira vez no mundo em ondas contínuas, que são superiores às ondas amortecidas utilizadas nos primeiros tempos das radiocomunicações por outros cientistas. Recomendou o emprego das ondas curtas para aumentar a distâncias das transmissões quando elas não eram sequer cogitadas pelos outros cientistas. Para a transmissão de mensagens, o padre e cientista também se utilizava da luz, o mesmo princípio que aperfeiçoou as comunicações modernas, empregando-se o laser e as fibras ópticas.

Numa época em que as telecomunicações eram precárias até mesmo entre cidades vizinhas, ele já acreditava na possibilidade das comunicações interplanetárias. Padre Landell morreu no anonimato e sua obra até hoje é pouco conhecida. Com o tempo, as suas invenções acabaram sendo inventadas por outros cientistas.

Na história oficial, o mérito da descoberta do rádio é concedido ao italiano Guglielmo Marconi. É um equívoco: ele inventou o telégrafo sem fio e não o rádio tal como o conhecemos. A história do Padre Landell derruba este e outros mitos da história das telecomunicações.

Esportes no Rádio

8/12/04

De pronto digo, não sou avaiano. Mas, também de pronto afirmo “esse Avai faz coisas”  que até Deus duvida. Pois agora! o danado deu pra comê os acarajés do Bahia e está ali para reassumir a primeirona. Sei que você não vai acreditar, mas eu como alvinegro, Figueirense de quatro costados, também estou torcendo pela “reassunção” do Leão (miau).A gente quer ganhar dele no campeonato estadual e depois no brasileirão. Carlos Roberto, o rato.

Da Redação: para não parecer protecionismo e em homenagem ao Fernando Bastos que é um dos autores (o outro é o Luiz Henrique) do hino do Avai e que acaba de ser homenageado pelo Sindicato das Agências de Propaganda de Santa Catarina com o Troféu do Mérito Publicitário, aí vai, alto e bom som, o Hino do Avai.

Hino do Avaí Futebol Clube
Música: Luiz Henrique Rosa
Letra: Fernando Bastos

Na ilha formosa,
cheia de graça.
O time da raça.
É povo é gente,
é bola pra frente,
É só coração
o meu Avaí

Avaí meu Avaí.
Da ilha és o Leão
Avaí meu Avaí.
Tu já nasceste campeão

Não dá para esquecer
o seu belo passado
Mas a hora é presente
e o time vem quente
De encontro marcado
com seus dias de glória
Pois a ordem é vitória
Vencer, vencer.

Link relacionado
> Ouça o Hino do Avaí na audioteca

A gala dos galos

8/12/04

O colunista de O Estado, Miltinho Cunha, esteve presente e registrou a dupla festa promovida pelo Sindicato das Agências de Propaganda de Santa Catarina que começou homenageando cinco personalidades com o troféu  Sapesc de Contribuição à Atividade Publicitária de Santa Catarina e terminou com a premiação dos concorrentes ao 2º Prêmio Catarinense de Propaganda.
Por Miltinho CunhaPra quem não sabe o galo é o símbolo da propaganda. E na última sexta-feira o Sindicato das Agências de Propaganda do Estado de Santa Catarina – Sapesc, promoveu o 2º Prêmio Catarinense de Propaganda. A festa, que acontece a cada dois anos, estava cheia de novidades. Publicitários de todo o Estado vieram prestigiar a premiação, que aconteceu na Associação Catarinense de Medicina. Um dos destaques da noite foi à entrega do Troféu Sapesc de Contribuição à Atividade Publicitária de Santa Catarina. Os homenageados, escolhidos a dedo pelo Sapesc, são aqueles que mais contribuíram para o desenvolvimento da publicidade em Santa Catarina. Tão então!

O primeiro homenageado com o troféu foi o ex-deputado Fernando Bastos, que nos anos 80 fez grandes esforços para possibilitar a criação do Sindicato das Agências de Propaganda no Estado. A FURB foi escolhida por ser pioneira na formação de publicitários em Santa Catarina. Ney Ferreira, fundador da Public, uma das primeiras agências de publicidade do Estado, também foi homenageado (em memória) e quem subiu ao palco, emocionado, para receber a homenagem, foi seu filho, Luiz Fernando Ferreira, o querido Alemão. A Malwee também foi agraciada, por acreditar na propaganda catarinense trabalhando sempre com agências daqui. Antunes Severo, um dos precursores da propaganda catarinense e responsável pelo processo de profissionalização das agências, também recebeu a homenagem.

Agência começa fazendo história na história do rádio

8/12/04

A OnzeCom, empresa de comunicação há apenas cinco meses no mercado local, foi a agência mais premiada de Santa Catarina no item anúncios para o veículo rádio. Luiz Carlos Pereira fala aos Caros Ouvintes sobre essa conquista.”Nós da Onze gostaríamos de agradecer a todos pelas diversas manifestações de carinho demonstradas nos últimos dias em função do recebimento do Premio Acaert de Rádio e Televisão 2004. Realmente, o Premio representa muito para uma agência que está atuando na mercado a apenas 05 meses. Um mercado cada vez mais maduro, exigente, competitivo e acima de tudo, mais profissional. É muito gratificante ver o nome da Onze ao lado dos grandes nomes da comunicação de SC. Ser a agência mais premiada de Santa Catarina no veículo rádio, com o jingle “Ganhador”, Ópera Games, e o spot “Fake”, para a Triton, em um Prêmio concebido pela ACAERT e ainda sair com o Microfone de Ouro, foi maravilhoso. A Onze toma este prêmio como um incentivo para continuar executando um ótimo trabalho e trazendo grandes resultados para os seus clientes”.

Links relacionados
> http://www.onzecom.com.br
> http://www.acaert.com.br/premio/

Colunismo social

8/12/04

Muitos amigos de outros Estados me questionam: por que Santa Catarina tem tantos colunistas sociais nos seus jornais? Respondo-lhes que essa coisa não começou hoje, que é muito antiga: Zury Machado já passou dos 60 anos de prática.
Por Carlos Damião

Não é mole escrever aquele tipo de coluna durante seis décadas! Se ele ainda existe como colunista é porque a coisa é boa, ou seja, há leitores de sobra para o gênero. O Moacir Benvenutti, que é nome mais recente, é outra prova de que o povo gosta de luxo. A Neuzinha Manzske, do Santa, idem: mais de 20 anos de coluna.

Em Florianópolis, eram Zury n’O Estado, Celsinho Pamplona n’A Gazeta, Lázaro Bartolomeu no extinto Diário Catarinense (que era dos Diários Associados, cujo título foi comprado pela RBS).

Os três promoviam festas homéricas. Zury foi o mais notável de todos, inventor do Baile Branco do Clube Doze, onde eram apresentadas à sociedade as meninas chiques de outrora, exuberantes que só elas.

Lázaro criou o Grande Gala, um baile anual por onde desfilavam as celebridades catarinenses.

Pamplona também era festeiro, mas foi na TV Cultura (hoje Record) que ele se revelou. Comunicador por inteiro, divertido, macunaímico. Sobre ele, assim escreveu Beto Stodieck: “Celso Pamplona (…) pode ser considerado, sem susto (ou melhor, com muito susto), como o maior fenômeno que a televisão catarinense fabricou em toda a sua existência. (…) Ele é muito muito melhor que o Chacrinha. Ao menos mais engraçado ele é”.

Na foto de W.Oliveira (do livro do Beto), Celso Pamplona, um dos papas do colunismo social de Florianópolis entre os anos 1950 e 1980. Fica a questão: como era conhecido o colunista d’A Gazeta e da TV Cultura?

O reinado de Celso e Lázaro terminou porque eles morreram, mas Zury resistiu ao tempo e anda por aí, firme, aos 83, com face e físico de 50. Pode ser visto no calçadão, nos cafés elegantes, nas joalherias e outros ambientes chiques e segue n’O Estado, duas vezes por semana. A coluna ficou sem revisão e sai às vezes com aqueles erros crassos que caracterizaram a trajetória do nobre jornalista social. “O casal foram vistos” é uma frase clássica criada por ele e eternizada nas páginas de O Estado, porque os editores de antigamente não tinham a preocupação de corrigir os erros.

Lembro-me de uma vez, quando era editor-chefe do mais antigo e o Dr. Comelli me chamou. Zury estava na sala. Logo senti que ali tinha qualquer coisa. “Pois é”, disse Comelli, “o Zury tem umas queixas para fazer”. O veterano colunista ficou ruborizado, baixou a cabeça. “Não são queixas, doutor Comelli. Por favor, não me entenda mal, Damião”.

Fiquei preocupado. Mas Zury revelaria sua mágoa principal: “Sabe o que é, é que andam mexendo nas minhas notas e os leitores não estão gostando. Eles acham que outra pessoa está escrevendo no meu lugar”. É claro que entendi na hora: a coluna do Zury estava passando por um “pente”, como a gente dizia na redação. “Pente” significava uma leve copidescada, uma melhorada no texto, correções dos erros e tal. Os leitores estavam tão acostumados aos defeitos da coluna que acharam estranho quando começou a ficar mais “limpinha”, sem aqueles escorregões no português.

Vamos fazer uma distinção necessária: alinhei Zury Machado, Celso Pamplona e Lázaro Bartolomeu no patamar do colunismo social, entendido da forma clássica.

Portanto, Beto Stodieck, Cacau Menezes e Raul Sartori criaram um novo tipo de coluna, que os norte-americanos chamam de gossips (não dá para traduzir ao pé da letra, mas é uma coisa mais inteligente, perspicaz). Foi o tipo de colunismo introduzido no Brasil por Zózimo Barroso do Amaral, que não se restringia a divulgar eventos sociais e a promover vaidades, mas buscava aquele “algo mais”, umas notas mais apimentadas, divertidas, enigmáticas. Beto Stodieck foi o pioneiro desse gênero em Santa Catarina, trazendo o estilo para o jornal O Estado no início da década de 1970.

Link relacionado
> http://carlosdamiao.zip.net/

 
 
         
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