Arquivo mensal para 10/04

CRM sem (muitos) mistérios

28/10/04

Emilio Cerri, diretor associado da MarketAll, especialista em relacionamento, retenção e fidelização de clientes, vai reapresentar em Florianópolis a palestra que empolgou os participantes do II Congresso Mundial de CRM, em Bogotá, no mês de março passado.A apresentação fará parte do “2º Seminário Gestão do Relacionamento com Clientes”, promovido pela WB Telecom e Sucesu/SC, dia 11 de novembro no hotel Cambirela. O evento contará com outros renomados palestrantes já confirmados, como Roberto Claro, Everson Feuser, Lia Yunes, Gualtiero Picolli, José Teofilo Neto, Marcos Wunderlich e Carlos Zampieri.

Maiores informações no site da Wb Telecom

A era do rádio em documento raro

28/10/04

Compilações recuperam canções da fase dourada de Carlos Galhardo, Emilinha Borba, Jamelão e Nelson Gonçalves.
Jornal do Brasil, Caderno B, 14 de outubro 2004.
Tárik de Souza

Emilinha 

Primeiro elo cultural da nacionalidade, a era do rádio que vicejou entre os anos 30 e 60 do século passado plantou ídolos duradouros, ao contrário do padrão descartável da midia atual. Quatro deles saem em compilações lançadas pelo selo curitibano Revivendo.

Carlos Galhardo (1913-1985) tem rebobinado o gênero que o notabilizou em O homem da valsa, com gravações de 1935 a 1947. Nelson Gonçalves (1919-1998), o ás do dó de peito, sucessor de Francisco Alves e de Orlando Silva em sua segunda fase, canta Noel Rosa e Herivelto Martins, numa seleção garimpada entre 1950 e 1956. A favorita da Marinha, Emilinha Borba, mostra suas múltiplas facetas de 1939 a 1954 em Se queres saber. E o intrépido Jamelão, hoje aos 91 anos, que alternou o rádio com gafieiras e a quadra da sua escola, também esgrime outros gêneros além do samba-enredo, o samba-canção e o partido alto, na seleta eclética de O eterno mangueirense, em gravações de 1949 a 1961.

Névoas de mistério pincelavam os sonhos dos ouvintes. Por esse motivo, assim como não se consegue precisar a idade de Emilia Savana da Silva Borba, a Emilinha, nascida numa casa ao pé do morro da Mangueira (em 1923, segundo a Enciclopédia da música brasileira, da Art Editora), poucos souberam o verdadeiro nome e local de nascimento do pé-de-valsa Carlos Galhardo. Filho de italianos, Catello Carlos Guagliardi era natural de Buenos Aires, Argentina, e escondia o fato com medo de uma rejeição do público brasuca, um tanto implicante com os portenhos. Claro que isso nada alteraria o enorme êxito de seu timbre aveludado de leve empostação, a bordo de um tipo de valsa assimilada da vienense com ambientação exótica (Cortina de veludo, Mares da China, Torre de marfim), ou onírica (E o destino desfolhou, Lago azul, Meu sonho é só meu, Sonhos azuis, Junto de ti estou no céu).

Algumas letras falam de ”aurora boreal”, ”estiolar”, ”oceano marulhando” e rimam tic-tac com bric-a-brac. Mas entre os compositores há especialistas como Paulo Barbosa, José Maria de Abreu, Oswaldo Santiago, Newton Teixeira, Georges Moran (incluindo uma parceria com Manoel da Nóbrega, o criador do longevo humorístico A praça é nossa) até os versáteis Ataulfo Alves, Custódio Mesquita, Braguinha e Alberto Ribeiro.

Não menos variado é o cardápio de Emilinha e seus fornecedores, como o camaleão autoral Haroldo Barbosa, um dos pilares do sambalanço, capaz de mandar uma satírica Rumba em Jacarepaguá e dividir com Peterpan Tico tico na rumba, sob os eflúvios da orquestra cucaracha de Ruy Rey. No ramo latino, não faltam ainda as notórias versões de sucesso Escandalosa e Dez anos, e até um choro-rumba Vem cantar também. Discípula menos esfuziante de Carmem Miranda, Emilinha domou os auditórios traçando todas: baião (Cacimbão), samba-choro (Faça o mesmo, Vizinho do 57), samba-canção (Se queres saber, Os meus olhos são teus) e até um tipo de choro veloz (Infância), que quase a equipara em destreza à Ademilde Fonseca.

Gago na fala, Nelson Gonçalves era um cantor fluente, mas um tanto empostado para o coloquialismo de Noel Rosa (1910-1937), que divide a antologia com composições – algumas obscuras e por isso mais instigantes – de Herivelto Martins (1912-1992). O lado do poeta da Vila foi extraído de um LP de 1955 com clássicos como Último desejo, Com que roupa, Feitiço da Vila, Quando o samba acabou, Silêncio de um minuto, dotadas de gravações definitivas de Aracy de Almeida, Mário Reis e do próprio Noel. Mas há relevantes desempenhos de Nelson em Só pode ser você e Coração.

Já a ala de Herivelto cintila em temas fronteiriços ao derramemento brega em Transformação, Amigo Apogeu e Teu erro, ao lado de totens como Ave Maria no morro, Caminhemos, Ela me beijou e Pensando em ti.

A surpresa maior do pacote é o CD de Jamelão, que extrapola o título, O eterno mangueirense. Da verde-e-rosa, apenas a gravação original do hino Exaltação à Mangueira , de 1955, pelo Grupo de Mangueira, e o memorável Deixa de moda, de Padeirinho da Mangueira. O ponto forte da seleção é a diversidade. Do esquecido baião, Pirarucu, quase um jingle do ”bacalhau do Norte”, da dupla de ases Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, ao maracatu Pai Joaquim e à ranchera Sá Mariquinha e o calango A jibóia comeu, seu disco de estréia, em 1949, acompanhado pelo acordeon do co-autor, Antenógenes Silva.

Além de uma incursão de João Roberto Kelly, o compositor de marchinhas e sambalanços, na seara do samba-canção enfossado de Lupicínio Rodrigues (Mais do que amor), rola um Zé Keti memorável (Leviana), um baião marcha (Torei o pau) e dois hinos futebolísticos desconhecidos de Billy Blanco (Corinthians, campeão do centenário e Oração de um rubro-negro).

Mais inesperada ainda, Casinha da colina, embalada em samba orquestral, a despeito da assinatura da dupla do teatro de revista Pedro Sá Pereira e Luiz Peixoto, é a secular canção mexicana Casita de la sierra, gravada inicialmente por Vicente Celestino, acompanhado pelos violões de Francisco Alves e Rogério Guimarães em 1928. Assim como Jamelão não é só Mangueira, a era do rádio demoliu fronteiras estéticas e geográficas.

TvBv: há 22 anos os olhos e ouvidos dos catarinenses

28/10/04

Inspirada na história Barriga Verde nasce uma Tv cabocla com o sonho de “retratar a cultura e os costumes catarinenses”.
Da Redação
Para chegar onde se encontra a TvBv precisou curtir caminhos diversos, mas sempre de olhos e ouvidos“ no compromisso de valorização da sociedade catarinense através da informação, da educação e da diversão “aceitando o global, sem deixar perecer o local, como realça Herivelto Gelle, diretor de programação da emissora.

Herivelto Gelle, radialista tarimbado, hoje dirigindo a Tv e mais uma rede de emissoras de rádio do grupo empresarial da família Brandalise, tem idéias bastante claras sobre os rumos da comunicação que dirige.

É enfático “ninguém valoriza aquilo que não conhece. Reacendemos a proposta de preservar e difundir os valores que fazem da cultura catarinense um diferencial muito importante”. Com base nesse pensamento, a emissora mantém 28 horas semanais de programação local com índices de audiência “que chegam a ocupar o segundo lugar em determinados horários, com uma destacada resposta do mercado publicitário”, como afirma Herivelto. E completa com entusiasmo: “Nosso jornalismo tem na transparência e na imparcialidade, a rubrica que nos dá a credibilidade necessária para continuarmos desempenhando o papel que todo o veículo de comunicação deveria ter: respeito ao telespectador”.

Ilmar Carvalho volta à ilha

28/10/04

O sonhador que alçou vôo destas plagas catarinas e se transformou num dos maiores ícones contemporâneas entre os críticos musicais brasileiros, e que vive no Rio de Janeiro, volta agora via Internet e se declara também radialista bi-insular com cidadania das ilhas de São Francisco e de Santa Catarina.
Por Antunes Severo

Ilmar foi um dos que fez “chover” em Florianópolis na década de 1950 com sua palavra abrilhante, seu gesto amigo, sua simpatia invulgar. Mais do que isso, era um ousado e criativo inovador. Por isso, foi fácil conviver com outro arrojado personagem que sonhava com o desenvolvimento do turismo em Florianópolis e chegou a criar, implantar e dirigir a primeira empresa de avião do estado: a TAC – Transportes Aéreos Catarinenses.

Falando para os Caros Ouvintes, platéia, com certeza saudosa de sua verve e inteligência, Ilmar relembra a trajetória percorrida naqueles tempos:

Em 1954, já morando pela segunda vez em São Francisco, eis que surgem na Babitonga, Luiz Fiúza Lima e Ciro Marques Nunes, me convidando a desenvolver no norte do estado as excelentes idéias do primeiro que dirigia a TAC. Incluía-se nesse pacote, a cobertura da Miss Santa Catarina. Fiúza falou, na ocasião, que logo me levaria para a capital como relações públicas e correspondente da TAC. Fiquei feliz e encantado! Caboclo nascido em Joinvile, próximo ao manguezal do rio Cachoeira, acontecer na capital?!

Dito e feito. Meses após, lá estava eu com a família, mala e cuia, cachorro e papagaio, assessorando o “homem”, desenvolvendo suas idéias e metendo nelas minha colher enferrujada. Como já te falei, em São Chico, tive um programa esportivo na Rádio montada pelo Chiquito Mascarenhas, que também foi para a ilha dirigir, em 55, 56, a então nascente e vigorosa RDM. Em 56 eis que surge você com sua voz de edredom, vindo dos pampas, e encantando ouvintes de Santa Catarina, do Brasil e do exterior. Daí começou nossa amizade e o aperto de mão, praticamente diário, nos corredores da RDM que eu atravessava para entregar ao Ciro minha crônica, igualmente diária, no “Retalhos da Vida”, de que você deve se lembrar.

Tal experiência no rádio, me deu uma visão completa do significado e da importância da radiofonia, notadamente num país continental como o nosso.

Meu caro Antunes Severo, se eu for falar e escrever sobre essa época tão feliz da minha vida, a minha “Radio Days”, vou entupir você. Então, acho melhor dizer como diria o Dr. Jackson: “vamos por partes”. E não esqueça de passar no Bar do Olinto e tomar “uma” com guaco ou erva-cidreira…

Escusado acentuar que a RDM, a Guarujá, a Anita e, mais tarde a Verdade, para mim tiveram um impacto até hoje, bem superior à “descoberta” da televisão em SC, sem desdoiro algum para a importância de tal veículo. Mas estamos falando do rádio!

Neste anúncio de ¼ de página o texto diz: “Em Florianópolis é assim. A ponte Hercílio Luz e os aviões da TAC-Cruzeiro, por exemplo, vêm a Florianópolis todos os dias (coisa que outros não fazem) nos melhores horários. Se você for curioso: a ponte tem 821 metros; liga a Ilha ao continente. A Tac-Cruzeiro liga a Ilha ao Brasil. Continue preferindo a Tac-Cruzeiro”.

O cidadão Luiz Fiúza Lima antevia já naquela época que o grande potencial do litoral catarinense residia na indústria do turismo. José Hamilton Martinelli, editor do livro “Propague – 25 anos de históiria da propaganda de Santa Catarina”, lançado em 1988, revive um pouco da história.

No capítulo “Nas asas do progresso”, Martinelli relata a importância da participação de Ilmar Carvalho no projeto, destacando: quando o jornalista Ilmar Carvalho deixou a Rádio Difusora de São Francisco para assumir a house agency da TAC, realizou uma pesquisa sobre anúncios nos jornais. “A Padaria Moritz oferecia pães frescos e a Modelar anunciava liquidação. Tudo muito rudimentar e sem ilustração” critica Ilmar.

Foi nesse ponto que começa a se revelar o espírito inovador de Ilmar. Contratou então dois nomes em evidência relata Martinelli: os artistas plásticos Hiedy de Assis Corrêa, ou simplesmente Hassis, e Domingos Fossari.

Os anúncios da TAC, além de slogans, textos mais criativos chamando a atenção para as belezas da ilha, incluíam atraentes ilustrações. O esforço promocional era apoiado por fortes campanhas de rádio, principal veículo de comunicação da época no Estado. Comerciais de rádio em espanhol divulgavam a empresa na Argentina, no Chile e no Peru. Martinelli ainda lembra “a TAC contratou até um locutor castelhano”. De fato, era o peruano Carlos Del Rio, também cantor.

Ilmar cuidava de todo aquele esforço como uma ação integrada: propaganda, relações públicas e eventos, todos falavam a mesma língua. A imagem da empresa era o grande foco, por isso as campanhas institucionais e o patrocínio de eventos culturais e esportivos. Vitrines itinerantes levavam textos e exposições fotográficas para outras cidades, mostrando os pontos turísticos, o artesanato, as praias e a culinária açoriana. Inclusive a rede hoteleira foi mobilizada para que a estrutura da cidade correspondesse a expectativa provocada pela divulgação.

A repercussão desse trabalho, mesmo depois do desaparecimento da empresa, se refletiu fortemente na comunicação do social da época. O governador Irineu Bornhausen, como relata Martinelli, criou a primeira assessoria de imprensa no serviço público de Santa Catarina. O governador seguinte, Celso Ramos, eleito em 1960, montou o maior gabinete de relações públicas da história do governo, sob o comando de Fúlvio Vieira com jornalistas do porte de Salim Miguel, Ilmar Carvalho e vários outros militantes nos principais veículos de comunicação local.

Estou  recebendo o “Caros Ouvintes” e no Boletim 23, de 7 deste, sou “convocado” meter minha colher  enferrujada na excelente coluna de vocês. O trabalho de trazer viva a memória do rádio, empreendida pelos amigos contemporâneos da fase esplêndida por que a radiofonia passou no país e na ilha, eu venho acompanhando e cheguei daqui a falar com o Peteleco (Airton Oliveira), by phone, sobre um contato com os amigos, de quem tenho saudades, especialmente da Diário da Manhã, ao tempo em que redigia uma crônica diária lida pelo saudoso Ciro  Marques Nunes. O registro  chamava-se Retalhos da Vida, e seu início foi provavelmente em 56, ou a partir desse ano. A crônica era depois publicada no O Estado, às vezes com o nome de El Harabid. Retalhos da Vida teve como patrocinador uma fábrica de tecelagem do Rio  Grande do Sul, parece que  fazia cobertores, edredons e cuja razão social era Khalil  Sehbe. Curiosamente, o Raul Caldas  Filho, que à época  trabalhava comigo no Sesi, deixou de  registrar o programa em seu trabalho  Rádio  Days, capa de “Ô Catarina”, de junho de 1993 – número 3 – Ainda: a apresentação de Retalhos era diária, no horário das 13 horas, com bela cortina musical, creio que escolhida pelo Zininho. Sei que a cronicazinha era ouvida, comentada, pois as pessoas vinham falar comigo sobre os textos. Decerto o Antunes ou o Ricardo registraram o programa em suas pesquisas tornadas em livros, que não conheço mas gostaria de ler para escrever sobre os mesmos, na imprensa de SC, ou daqui  do Rio, onde escrevo no velho Jornal do Commercio.Trata-se de jornal sério sisudo, especializado em economia, que sobrou da  cadeia de Chateaubriand, e que tem apenas 176 anos de publicação ininterrupta!

Sou um entusiasta da radiofonia que no  país alcançou  elevados índices de desenvolvimento, em relação mesmo ao plano internacional. Sabe-se que o grande mestre e educador Fernando Tude de Souza, culto e brilhante homem de rádio, foi estudar a BBC de Londres, adaptando seu modelo à Rádio MEC, extraordinário veículo de radiodifusão cultural do país, criado pelo gênio de Roquete Pinto, que a doou ao governo federal. Enfrentei o microfone, com programa permanente, na Difusora de São Francisco, falando sobre esportes. Arno Enke, já falecido, foi o primeiro locutor dessa rádio, obtendo o  primeiro lugar em concurso onde fui o quinto colocado. Esses fatos  aconteceram ao final dos anos 4O. Chiquito Mascarenhas, criou essa rádio, e depois passou a diretor da Diário da Manhã. A ZYA-5, Difusora de Joinvile, mais antiga, me forneceu em volume o repertório de toda a música, popular, internacional,erudita, um pouco de jazz, da popular norte-americana, da sul americana, caribenha, e sertaneja de nosso país, e as indefectíveis duplas caipiras.Em meus ouvidos reverberaram, simultaneamente, ou mais adiante, as programações das rádios vizinhas e, com muita força, as da ilha, onde vivi de 1954 a 1964.

Na sua coluna do AN Capital, de 19/7/2002, o nosso pranteado  amigo comum Aldírio Simões, cita o trabalho de vocês no resgate da memória ilhoa e se refere aos seus livros de estudos da era do rádio. O “Variedades” do DC de 27/9/2003, traz matéria de capa sobre vosso trabalho. Estou me alongando demais. Cortem e enxuguem aí essa explosão de saudades, misturadas a informações de que vocês, a esta altura, provavelmente já tenham prospectado. Tenho mais memória pessoal sobre os demais programas, sobre o meio da radiofonia, personagens, bares freqüentados (o Felinto: entre a escada da Rádio e a sede do INCO), músicos, repertórios, cantores, Zininho, Nabor etc. etc… Diário da Manhã, Guarujá, Anita e a Verdade fazem a história da ilha. E eu tava lá! Grande abraço deste também radialista, bi-insular (pois morei em São Francisco e em Florianópolis). Ilmar Carvalho

Apagão: está fazendo um ano…

28/10/04

O gás explodiu, a luz apagou, o trânsito parou, agora só a saudade ficou. Zininho, chamado para comentar o fato, com certeza, começaria solfejando “está fazendo um ano, ai, ai, meu Deus que ela foi embora. Quem que não chora, ai, quem é que não chora”.
Da redação. Colaboram Cilene Macedo e Dagoberto Dalsasso.Como o primeiro aniversário do apagão vem sendo tratado com generosa cobertura pela mídia, os Caros Ouvintes comparecem à “festa” com o áudio “Rádio-Documentário APAGÃO”. Um trabalho acadêmico de alunos do curso de jornalismo da UNISUL, campus da Pedra Branca.

Segundo os autores “o rádio-documentário retrata o trabalho dos jornalistas (e dos radialistas, por supuesto) que atuaram durante a cobertura do apagão no período de 29 de outubro de 2003 a dois de novembro do mesmo ano, na cidade de Florianópolis. Tudo isso baseado nos arquivos de áudio das rádios CBN e Guararema”.

O trabalho é composto de dois CDs. O primeiro com a reportagem propriamente dita e o segundo reunindo as entrevistas com Carlos Alberto Ferreira, Antônio Neto, Giovani Martinello, Fabiano Linhares, Elton Luiz, Rodrigo Faraco, Nabor Prazeres, Toni Borges, Rodrigo Cardoso, J. Pacheco, Eloá Naschweng e Eduardo Meditsch.

Blecaute é um ensaio fotográfico do acervo da estudante de jornalismo Cilene Macedo, aluna da Unisul e colaboradora do site Caros Ouvintes. As fotos têm caráter ilustrativo.

O trabalho é uma atividade curricular do curso de jornalismo da UNISUL, com a seguinte ficha técnica:

- Argumento, roteiro, produção, entrevistas e edição: Guido Herman Schvartzman e Leonardo Caldas Vargas.
- Orientação: Helena Iracy Cerquiz Santos Neto.
- Técnica: Francielle Pegoraro e Sérgio Murilo Ouriques.
- Design: Fabrício Trindade Ferreira
- Participação especial: Fábia Hafermann e Alan Langdon.

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Ouça a reportagem e as entrevistas – Rádio-apagão.

Fotos


 

Já teve

24/10/04

Indagações do comunicador Antunes Severo ns revista eletrônica Caros Ouvintes (www.carosouvintes.org.br): “Quem, daqui há 30 anos, vai falar da Escola Técnica de Comércio, a Academia do Professor Jacaré que acaba de ser fechada? Quem daqui há pouco vai falar das Grandes Sociedades com seus carros alegóricos, do Ponto Chic com o seu café de coador ou das empadas do Chiquinho?”
Publicada no Ancapital, Orelhão, p. 5, edição de domingo, 24/10/2004

Cervejaria Colônia, novo anunciante do projeto Caros Ouvintes

21/10/04

A Cervejaria Colônia acaba de autorizar o patrocínio do site e do Boletim Caros Ouvintes. Seus produtos – cervejas, chope, sucos e refrigerantes passam a fazer parte do projeto que trata do registro, da divulgação e da promoção da história do rádio e da cultura da nossa terra.

Rádio pin-ups

21/10/04

O automóvel é o lugar. As ondas são captadas majoritariamente ali. Confinadas em trânsito calam o torpor dos engarrafamentos na sugestão de um calmante. Em casa pouco se liga o rádio. são as pesquisas que dizem isso, as aferições de orelhas quantificam isso: tantas orelhas ouvem rádio a tal hora, em tal lugar.A pesquisa esqueceu de considerar: se a massa de orelhas anda de ônibus, quantas orelhas ouvem esse auto-rádio? Quantidades de rádio emissões, como, aonde, e quem ouve?

Informação é a medida, canal de convergência e difusão … Se o automóvel é o corpo atual do rádio, esse que agora para além das ondas eletromagnéticas se revela digital nos satélites e chips de computador, quem estará sentado no banco do carona? Drácula ?

O fonógrafo de Edison aprisionou pela voz o Conde Vampiro e dali a idéia do rádio como “caixa de música”, gênese sacado por Marconi para seu “negócio de rádio”. Quem está ao volante deste radiocarro no instante desta passagem de milênio? Um sem orelha? Um sem rádio?

Imagem em vídeo por LHZ, parte do trabalho “rádio pin-ups”, em fase de produção por LZ. http://lilianzaremba.blog.uol.com.br/

Sugestão de pauta

21/10/04

Ricardo Medeiros abre a temporada com mudança na capa do site.
Por sugestão do Ricardo, a partir desta edição assumimos outro compromisso. Nossa bandeira passa a ser “A História do nosso Rádio não pode se perder no ar”. Isso vale para o rádio daqui ou de qualquer parte do planeta. Nós continuaremos cuidando preferencialmente do rádio local e do estado de Santa Catarina. Para isso, MEMBERNAMEHERE, lhe convidamos a sugerir temas e pautas que você gostaria de ver no Caros Ouvintes. Participe.

O Diário de Bordo traz hoje a segunda crônica da série ligada ao rádio

21/10/04

Casildo ouvia mal
“O governador como se pode ver é um mestre em esquivar-se de questões que não lhe interessam com graça e esperteza, quase sempre perceptíveis”.
Por Marcelo Fernandes

O ex-senador Casildo Maldaner, é o terror dos apresentadores de televisão que não o conhecem. Ainda não vi forasteiro que dissesse o nome dele direito – o problema é que o nome foi registrado errado mesmo, no lugar do “s” do Casildo deveria ser “c” para sair a pronúncia correta, além do Maldaner, onde a sílaba tônica é desastradamente feita no “ner”, mania de tupiniquim, que adora “inglesar” tudo. O senador deve odiar quando ouve a pronúncia alienígena, um golpe cruel para homens públicos que perseguem obsessivamente segundos e milímetros de espaço em televisões e jornais. Paciência. Falem de mal de mim , mas falem. Não é assim?…

Falar de uma história de Casildo é desafiar o ineditismo, visto que todo catarinense razoavelmente bem informado conhece pelo menos uma boa passagem engraçada ou pitoresca dele. O Dorvalino Furtado, com muita graça e prontidão, já reescreveu o “Casildário”, um “best seller” catarinense, com as melhores do ex-governador e senador. Arrisco aqui, portanto, uma que se passou comigo e, imagino, é inédita para as grandes platéias.

Foi no ano de 1990, quando Casildo deixou de ser “vice” e assumira o posto de governador, substituindo Pedro Ivo Campos que falecera há poucos meses.

Na época eu apresentava na Rádio Guarujá de Florianópolis, o programa Guarujá Repórter, uma réplica modesta do “Gaúcha Repórter”, do mestre Lasier Martins. Neste programa, à noite, fazia uma resenha dos acontecimentos políticos e econômicos do dia, projetando assuntos da semana, através de entrevistas pelo telefone e no estúdio. Fiz este programa com grande prazer, com a produção criteriosa do competente amigo Celso Martins.Um modelo básico dos programas de radiojornalismo.

Pois bem. No Guarujá Repórter daquela noite, o governador Casildo Maldaner foi entrevistado por telefone. Ele estava em Maravilha, sua terra de origem política, mais precisamente na Linha Modelo, seu distrito afastado.

Casildo vivia um momento difícil de um governo que estava terminando. Ainda não tínhamos idéia do arrasador caso da Ponte Pedro Ivo Campos, que levou anos mais tarde o engenheiro Miguel Orofino à cadeia e muito mais gente a um silencioso desespero. Este escândalo estouraria mais tarde. A crise da hora era uma greve dos professores, orquestrada pela então presidente do Sinte, Ideli Salvatti. Aliás, vale uma apropriada digressão, sobre esta greve. Como repórter setorista do Palácio, trabalhando para o jornal O Estado, presenciei com alguns colegas um dos episódios mais engraçados, dentro daquele universo tão árido de confrontos entre governo e servidores. Pode-se reclamar tudo do então governador, mas sua forma aberta de governar era inquestionável. Vez por outra, Casildo descia de seu gabinete e despachava com os professores nas escadarias do Palácio, sabendo de ante-mão que iria levar uma sonora vaia com o devido registro da imprensa. Era um destemido, “não nasci em noite de trovoada”, diz ele até hoje.

Numa das tantas vezes que ele recebeu o comando de greve, Casildo era um ator para uma platéia de repórteres. Na mesa de reuniões, sentado à cabeceira, rodeado de sindicalistas ferozes, ouvia serenamente as reivindicações da professora Ideli. Sem nenhuma cerimônia, Casildo contra-argumentava, segurando a mão de Ideli carinhosamente, esfregando-as com boa dose de sedução, constrangendo sobremaneira a brilhante vocação guerreira da sindicalista. Casildo castigava um discurso emotivo, levando a discussão para o campo pessoal e sentimental, quase íntimo, uma pérola.

-Olha, quero dizer que estou sensibilizado com as reivindicações, estamos estudando a receita, já pedi aos secretários da Administração e da Fazenda que façam um estudo o mais rápido possível, mas greve, não, pelo amor de Deus, grave não. Olha, professora Ideli, chego até ficar meio tonto só de pensar em greve, pelo amor de Deus isso não, não me fala em greve, Deus me livre, vamos conversar… E não parava de suplicar, como uma matraca. Era muito engraçado. Nem Ideli resistia, olhava para nós, indefesa, acarinhada pelas mãos do governador. Depois da reunião, Casildo dava entrevista, arrematando:

-Acho que o caminho é o diálogo, não posso nem ouvir falar em greve. Mais vale dez minutos de conversa do que cinco de tiroteio, quero dizer isso com muita clareza.

Apropriada e extensa digressão. Voltemos ao Guarujá Repórter, com Casildo na linha, lá em Maravilha.

O governador como se pode ver é um mestre em esquivar-se de questões que não lhe interessam com graça e esperteza, quase sempre perceptíveis. Naquela entrevista, é claro, falaria do motivo de sua viagem ao Oeste do Estado, na sua região, onde inauguraria uma obra importante. Um prato cheio para ele. Mas, também é claro, que depois de deixá-lo afagar seu próprio ego com a festa local, entraria nos assuntos mais ácidos, como a greve dos professores que começava a ganhar proporções. Minha tentativa de arrancar uma boa declaração foi frustrante.

-…Mas governador, quero aproveitar esse contato para falar de um assunto mais difícil com o senhor. A greve dos professores.

Governador, o senhor já tem uma proposta concreta?

-Alô, alô, Marcelo, a ligação ficou ruim, muito ruído, você pode repetir a pergunta?

Repeti.

-Alô, tá muito ruim, o que é que foi?

Repeti.

-Mas tem uma interferência, alô, alô, Marcelo…

Mudei a pergunta.

-Governador, esta sua obra beneficia quantas pessoas aí em Maravilha?

-Ah, agora melhorou, estou te ouvindo bem. Olha Marcelo este é mais um esforço de governo, blá, blá, blá…

Voltei àquela pergunta.

-Hein? Alô, a ligação ficou ruim de novo, desculpe não te entendi, repita, por favor, Marcelo…

A ligação caiu. Linha ocupada até o fim do programa.

Chamei o intervalo. Rimos muito, eu e Celso Martins.

Historiadora fala aos Caros Ouvintes

21/10/04

Lange e Severo conversaram na sede da antiga Confeitaria Chiquinho, onde começou a Rádio Guarujá em 1943. Revivem a história do Miramar e o que o seu desaparecimento representa para o empobrecimento da cultura da cidade. Leia mais…

Miramar (*1928 † 1974): Longe do mar, dentro da história

21/10/04

O que pretendo é puxar fios da malha burocrática e técnica que engendravam um novo perfil para a cidade na década de 1970, quando fervilhavam os ideários de modernização dos espaços urbanos, de substituição daqueles indicados como “velhos” e sem mais “serventia” pelo “novo”, considerado “moderno”. Leia mais…

Trinta anos sem Miramar

21/10/04

Uma dor no peito que se repete todo o dia com a crescente destruição da identidade da “Ilha dos Casos e Ocasos Raros”
Por Antunes SeveroNa faina de buscar as raízes que sustentam a alegria de se viver nesta cidade, o projeto Caros Ouvintes, assustado com o fechamento do Ponto Chic e com a ameaça de descaracterização da sede do Senadinho, foi buscar palavras de compreensão de quem, embora não sendo nativa, também ama este chão: a historiadora criciumense Marilange Nonnenmacher.

A professora Marilange é o que se pode considerar uma arqueóloga da alma da cidade: graduou-se em história na UDESC com o TCC Memórias da Má Fama: Rua Conselheiro Mafra (1970-1998). É Mestre em História pela UFSC com a dissertação “Um Lugar de Memória”: Rua Conselheiro Mafra no século XX e agora trabalha na conclusão da tese de Doutorado também no Programa de Pós-Graduação da UFSC sob o título: “Espaços Soterrados: um estudo sobre as ressignificações do Bar e Atracadouro Miramar”.

Do encontro com a professora Lange – como gosta de ser chamada – resultaram dois textos que os amantes desta ainda pacata cidade não podem (ou não devem) deixar de ler, refletir e reagir.

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Nova Estratégia do Itaguaçu

21/10/04

O Shopping Itaguaçu de São José está deflagrando uma nova estratégia de marketing. Procurará causar impacto através de um evento em que o shopping funcionará apenas para mulheres, neste dia 05/11 das 15h às 22h. Uma extensa programação de atividades dará suporte ao evento intitulado “Do que as Mulheres Gostam”. Se vai ter rádio? Vai sim. O sistema interno de som vai se transformar numa emissora de rádio com DJ. e programação específica – só delas, naturalmente. Mais informações no site do Itaguaçu.

Carne assada

14/10/04

Dia 8 de maio é dia do aniversário do Roberto Alves, querido Roberto que veio ao mundo exatamente no Dia Internacional da Mulher. Poderia ter sido uma linda menina, bem nascida, hoje, talvez uma estrela da RBS, de qualquer jeito.
Por Marcelo FernandesSensível e dono de uma invejável inteligência emocional, bem aos moldes das mulheres que vivem a nos dominar, Roberto honra sua data de nascimento. Ora, que preconceituosa observação! O Alves – como gosta de chamar o professor Ostermann – tem a fineza de poucos, é um virtuose, como grandes homens e mulheres, afinal.

“Franguisses” à parte, vamos ao assunto. Estávamos todos, colegas da Rádio CBN/Diário no aniversário do nosso Roberto Alves. Festa de muitos espetos, boa carne, fartas e bem decoradas saladas, tudo montado sob a batuta da competente e sempre salvadora Dona Adilcéia, a Céia para poucos, esposa do Roberto.

Abre aspas. Vale explicar porque “salvadora”. Roberto é um zero à esquerda (mas bem à esquerda, esquerda raivosa, digamos) na cozinha. É um inábil confesso. Só para se ter uma idéia, ele mesmo conta que certa vez a empregada pediu para ele trazer do mercado um quilo de farinha de mandioca para o churrasco e ele acabou trazendo um belo pacote de farinha de trigo. Quase sai uma picanha empanada. Portanto, sem a “salvadora” e firme presença da Dona Céia, nada aconteceria na mesa de jantar daquela esplendorosa cobertura. Fecha aspas.

Muito bem. Lá estávamos nós, degustando uns suculentos aperitivos, assados pelo hoje narrador da Rádio Guarujá Sérgio Murilo (na época o Sérgio era repórter da Rádio CBN/Diário). Entre uma piada e outra, me dou conta que poderia estar ali uma boa oportunidade de fazer uma bela entrevista, bem descontraída, muito adequada ao programa “Domingo Esportivo”, recém criado, que eu iria apresentar, e que pretendia ser leve, alegre, uma espécie de “escada” para o início da jornada que vinha em seguida.

De gravador em punho saí a entrevistar os amigos e colegas sobre os mais variados temas, no clima da festa. Foi aí que tropecei numa tirada sensacional do aniversariante, que rendeu muitas gargalhadas e a minha desistência de fazer alguma coisa relativamente aproveitável naquela altura do campeonato, já um tanto comprometido para o exame antidoping. Foi assim, minha tentativa de gravação:
-Agora, o Roberto Alves vai revelar, com exclusividade para os amigos do “Domingo Esportivo”, o segredo para se assar uma carne como esta que temos aqui, hoje.
-Olha, meu caro Marcelo Fernandes, na verdade, tas compreendendo, eu não entendo nada de carne. Vou te adiantando que aqui em casa quando tem carne assada, eu mando comprar Hipoglós na farmácia e tá resolvido!
Imbatível, o Roberto.

 
 
         
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