Arquivo mensal para 07/04

Ministério da Cultura autoriza a captação para o livro CAROS OUVINTES

29/07/04

No último dia 26 a autorização foi publicada no Diário Oficial da União. ‘Caros Ouvintes: 60 anos de Rádio em Florianópolis’ foi enquadrado como livro de valor Artístico, Literário ou Humanístico e está registrado no Programa Nacional de Incentivo à Cultura. Por Gisele Machado

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Ricardo Medeiros e o livro Caros Ouvintes

27/07/04

O rádio tem um significado extremamente importante na vida de Ricardo. Desde 1998 ele vem “pagando sua dívida” com Florianópolis e toda Santa Catarina. “A quarta, e última parcela, será paga com o lançamento de ‘Caros Ouvintes – 60 anos do rádio em Florianópolis’, uma obra que tenho a honra de dividi-la  com o meu  parceiro Antunes Severo.” Por Gisele Machado Leia mais…

Aprovado pelo Ministério da Cultura, Caros Ouvintes já pode captar patrocínios

26/07/04

O projeto Caros Ouvintes está aprovado pelo MinC – Ministério da Cultura para a captação de recursos da Lei Federal de Incentivo à Cultura Mecenato. Isto significa que o patrocinador, além de ter seu nome e marca associados a um produto cultural de alta qualidade, poderá deduzir o investimento do Imposto de renda. Contatos com Antunes Severo, 48 9957 1125 ou através do site.

>> Veja o projeto comercial do livro (em formato pdf)

Para visualizar o projeto comercial é necessário ter o Adobe Acrobat Reader instalado. Caso não tenha, obtenha gratuitamente no site da Adobe. Clique aqui.

Ricardo Medeiros defende tese de doutorado

26/07/04

No próximo dia seis de outubro diante de professores franceses e brasileiros presentes em dois continentes, Ricardo Medeiros, fará a defesa presenciada na França e no Brasil pelo sistema de videoconferência em transmissão simultânea. Você pode participar indo ao Laboratório de Ensino à Distância da Ufsc, às 10 horas da manhã ou ao auditório da Université du Maine, às 14 horas.Radionovela e Publicidade: memória da recepção em Florianópolis durante os anos 1960. 

A tese, “Radionovela e Publicidade : memória da recepção em Florianópolis durante os anos 1960”, será defendida no dia 6 de outubro deste ano, na França, pelo jornalista e escritor Ricardo Medeiros. O trabalho acadêmico aborda o processo de recepção das histórias em capítulos e das mensagens comerciais dos patrocinadores dos folhetins eletrônicos da antiga Rádio Diário da Manhã. Dito de outra forma, a tese estuda como se deu a relação e interação entre os dramas, a publicidade e os ouvintes, bem como os efeitos gerados pela cumplicidade desses três eixos na emissora de maior audiência de Santa Catarina há mais de 40 anos.

Desde 2001, Ricardo Medeiros está ligado ao Departamento de História da Université du Maine, da cidade de Le Mans, onde desenvolveu este trabalho acadêmico. Através de uma convenção entre Brasil e França, o jornalista pode com isso contar com dois orientadores. Pelo lado francês, Ricardo Medeiros foi orientadora pela doutora em história contemporânea, Brigitte Waché, enquanto que pelo setor brasileiro a orientação se deu através do doutor em jornalismo Eduardo Meditsch, professor do Departamento de Comunicação da Universidade Federal de Santa Catarina.

A defesa da tese será viabilizada através de videoconferência entre a Université du Maine e a UFSC, via o laboratório de Ensino à Distância (LED). Isto implica dizer que por esse sistema os membros da banca examinadora e o doutorando estarão se comunicando ao vivo através de monitores.  Os membros do júri serão num total de cinco: três franceses e dois brasileiros. Do lado francês fazem parte da banca os professores de história contemporânea Brigitte Waché (Université du Maine) e  Guy Martinière (Université de la Rochelle) e pelo setor brasileiro o professor Eduardo Meditsch, além da historiadora Lia Calabre, vinculada à Fundação Casa Rui Barbosa, do Rio de Janeiro, e que desenvolveu a tese No Tempo do Rádio : radiodifusão e cotidiano no Brasil (1923-1960).

A defesa da tese  “Radionovela e Publicidade: memória da recepção em Florianópolis durante os anos 1960” foi marcada para o dia seis de outubro. A sessão começara às 10 horas pelo horário brasileiro e às 14 horas pelo horário francês.  A defesa é aberta ao público dos dois países.

O que é recepção

É entendido como recepção o processo que envolvia o antes, o durante e o depois do ato de escuta da radionovela. Faziam parte do ato que antecedia a audição dos radiodramas itens como o período do dia e o horário escolhido para se dedicar às novelas, onde e com quem acompanhar essas histórias, discussão com amigos, vizinhos ou parentes sobre o capítulo anterior e as expectativas dos próximos enlaces do folhetim. No mesmo rol se encontravam os rituais incorporados pelo público para ouvir esse gênero de ficção. São entendidos como rituais o conjunto de práticas como as de mulheres de ouvir novelas enquanto desenvolviam os seus afazeres domésticos ou de se postarem em pé junto ao rádio para acompanhar mais um capítulo da sua novela preferida.

Quanto ao ato propriamente dito de escutar novelas podemos enumerar como parte deste momento a escuta tanto do capítulo como dos blocos comerciais. Na escuta dos capítulos a população entrava em contato com o mundo imaginário desse tipo de ficção e envolvia-se com temas, situações e personagens das histórias seriadas. Por intermédio da publicidade, cada ouvinte tinha a oportunidade de se envolver com o conteúdo dos anúncios, do mesmo modo com que com as marcas e nomes de patrocinadores.

O processo de recepção de radionovela continuava mesmo após o ato da audição do capítulo do dia. Neste momento o público estaria inclinado a discutir cenas e situações vividas pelos personagens, além de estar propenso a incorporar modos e costumes apreendidos do folhetim e de comprar ou não os produtos anunciados na novela recém acompanhada.

Capítulos

Para discutir essas fases vividas pelos ex-ouvintes de novelas da Rádio Diário da Manhã, a pesquisa foi dividida em duas partes: Radionovela e Vida Cotidiana e A Ação da Publicidade sobre os Ouvintes, totalizando seis capítulos.

A primeira parte engloba os três primeiros capítulos: Gênese da Radionovela, Radionovela em Florianópolis e O Mundo Imaginário como Entretenimento. No primeiro capítulo, Gênese da Radionovela, é feita uma retrospectiva da origem das radionovelas e sua exploração comercial. Os romances saem das páginas de livros e jornais para serem interpretados no rádio, via a “soap-opera” americana e os dramas cubanos, gêneros direcionados às donas-de-casa e que desde o início foram bancados por empresas de produtos de sabão. Anos mais tarde, o estilo cubano de se fazer novelas se espalha pela América Latina, e leva à reboque os patrocinadores tradicionais que usam da propaganda para « vender » à responsável pelas compras de casa os mais variados produtos. O segundo capítulo, Radionovela em Florianópolis, enfoca a origem e o desenvolvimento dos dramas radiofônicos na capital catarinense, que passam pela realidade de conviver sobretudo com o apoio publicitário das multinacionais. Por sua vez, no terceiro capítulo, O Mundo Imaginário como Entretenimento, nós temos vários momentos distintos. O primeiro deles refere-se às modalidades de diversão dos ouvintes de Florianópolis, entre às quais os bailes, passeios pelo centro da cidade, cinema, leitura de revistas e jornais, além da escuta de rádio. O segundo momento desse terceiro capítulo é relacionado com a escuta das radionovelas na RDM : freqüência, período, local, hábitos particulares para a audição dos dramas, assim como identificação das pessoas com quem o ouvinte dividia esse espaço de contato com as novelas. No terceiro capítulo é feita ainda uma análise sobre os aspectos : atração dos ouvintes pelas radionovelas, nomes de dramas, lembranças de enredos e influência de temas de radionovela na vida do ouvinte, entre outros. Além disso o capítulo relata a relação entre ouvintes, personagens e atores. De outra forma dita, esse seguimento do trabalho entra no campo de influência de personagens no cotidiano da população ouvinte da Rádio Diário da Manhã e da ligação na década de 1960 entre ouvintes e atores e atrizes do rádio.

A segunda parte do trabalho, intitulada A Ação da Publicidade sobre os Ouvintes, contempla os três últimos capítulos: As Armadilhas da Sedução, Patrocinadores Brasileiros e Patrocinadores Multinacionais. Assim sendo, o quarto capítulo, As Armadilhas da Sedução, discorre a respeito dos temas de propagandas lembradas pelos ouvintes , conteúdo dessas propagandas e análise de jingles e spots inseridos no momento das novelas. Este seguimento enfoca igualmente outros aspectos, como as táticas para persuadir o ouvinte e o grau de influência da publicidade sobre as compras da população . O quinto capítulo, Patrocinadores Brasileiros, dá atenção aos parceiros publicitários das histórias seriadas, vinculadas da Rádio Diário da Manhã, tanto a nível local[1], como estadual[2] e nacional.[3] O último capítulo, Patrocinadores Multinacionais[4], trata dos mantenedores estrangeiros de folhetins, ou seja : empresas americanas e européias que anunciavam na emissora de Florianópolis. 

Enquete por Questionário

Para viabilizar esta pesquisa um dos recursos utilizados foi uma enquete por questionário, aplicada no ano 2002 junto ao ex- público da Rádio Diário da Manhã na Grande Florianópolis. No total, foram preenchidos 57 questionários, que continham perguntas em torno dos eixos radionovela-publicidade e radiouvinte. Sua primeira parte traçava um perfil do entrevistado : nome, ano de nascimento, cidade nascimento, qual a atividade do entrevistado e seu estado civil na década de 1960, além do seu nível escolar, entre outras questões. A segunda parte era conduzida diretamente para o assunto radionovela : sobre o que as novelas de rádio falavam, qual a influência dos temas de novelas no cotidiano do ouvinte, lembrança de nome de radionovelas, freqüência de audição de novelas, lembrança do nome de personagens , lembrança de nomes de atores e atrizes, entre tantas indagações. A terceira parte do questionário contemplava a questão da propaganda : lembrança de nome de propagandas, lembrança de produtos anunciados, lembrança de patrocinadores e compra de produtos influenciada pela publicidade inserida em radionovela, entre outros.

Das 57 pessoas que responderam o questionário, 47 (82, 5%) são do sexo feminino e 10 (17,5%) são do sexo masculino. A idade média dos entrevistados é de 61 anos, sendo que o mais novo possui 38 anos e o mais velho 77 anos. Quarenta e três deles (75,4%) moram em Florianópolis, 13 (22,8%) em São José e 1 (1,8%) em Palhoça.

Na década de 1960, majoritariamente os entrevistados eram donas de casa, integrado por 20 mulheres (35,1%) que se dedicavam à vida doméstica. Outros 16 entrevistados (28,1%) eram estudantes nesta época. Havia também um grupo de 21 pessoas (36,8%), que possuía outras atividades, como a de funcionário público, costureira e professor. Em relação à década em questão, 30 consultados (52,6%) declararam que pertenciam à classe média e 23 (40,4%) à classe baixa. Apenas 4 consultados (7 %) disseram pertencer nos anos 1960 à camada carente da população brasileira.

Depoimentos

Para desenvolver Radionovela e Publicidade: a memória da recepção em Florianópolis durante os anos 1960 uma outra fonte escolhida foi a da história oral, que consiste na realização de entrevistas gravadas com pessoas, por exemplo, que possam testemunhar a respeito de determinado acontecimento, como a radionovela. Esta metodologia de pesquisa, que começou a ser utilizada nos Estados Unidos nos anos 1950 e no Brasil a partir da década de 1970, é um dos dispositivos eficazes- em paralelo com documentos escritos, imagens e outros tipos de registros- para se ter uma noção do que foi o passado.

Assim sendo foram colhidos o depoimento de 53 pessoas, entre ouvintes, publicitários, pessoal da parte artística e técnica de radionovela, produtor de programa, diretor de rádio, psicólogo e produtor musical. Todas as entrevistas foram registradas em gravador e depois transcritas na sua integridade, transformando então, na prática, o discurso em fonte documental. Tal compreensão deveu-se ao entendimento de que , segundo Lígia Maria Leite Pereira (1991), a função do documento oral é preencher as lacunas existentes nos documentos escritos ou para registrar o que ainda não se cristalizou nesses mesmos documentos. Ela relata também que as histórias de vida, com suas riquezas de detalhes, tornam-se uma relevante fonte nas áreas em que determinada pesquisa encontra-se estagnada. Destes relatos orais surgem outras variáveis, além de novas questões , agindo no sentido de reorientar o campo de investigação. [5]

Pelo lado do público ouvinte, foram reunidos 26 testemunhos, sendo nove deles durante o ano de 2000 e o restante em 2002. No cômputo geral, foram entrevistados 24 mulheres e 2 homens. Os representantes masculinos são José Alvari Oliveira e Nilo Padilha, enquanto as mulheres aparecem na pesquisa via Ana Maria Martinelli, Cecília Maria dos Santos Machado, Delmar Bellin , Juça Brincas , Lúcia Rosa Daniel, Maria dos Santos Oliveira, Nadir Soncini , Terezinha Lopes, Beatriz Anália Demaria, Carmem Goulart da Silveira, Dilma Maria Cunha,Vera Pacheco Bastos, Nina Rosa Lima Medeiros, Jane Bulcão Vianna, Maria Marta da Costa, Maria Ana Machado, Uda Gonzaga, Odaci Andrade de Saibro,Vanda Alves de Lima, Eli Jovelina Lino, Norma Barbato Couto, Elza Cunha, Ivete Lucia Bruggemann Wagner e Nilza Pereira da Silva.

Quando da escuta das radionovelas na RDM os interrogados eram mulheres do lar (38,4), estudantes (26,9%), professores (15,3%), funcionários públicos (11,5%), domésticas (3,8%) e comerciários (3,8%). Vinte e quatro depoentes (92,3%) habitavam em Florianópolis e 2 moram em São José (7,6%). Os entrevistados, com idade média de 61 anos, trouxeram à tona, como diz Samuel Raphael (1990) a respeito dos idosos, « verdades que são gravadas nas memórias das pessoas mais velhas e em mais nenhum lugar ; eventos do passado que só eles podem explicar-nos, vistas sumidas que só eles podem lembrar ».[6] Foram pessoas, como nos alerta Maurice Halbwachs (1990), que reconstroem o passado com o auxílio do presente para evocar suas lembranças.[7]

Ainda em busca de uma multiplicidade de pontos de vista e de reinterpretarão da história, foram feitas entrevistas abertas com 27 pessoas ligadas diretamente ou indiretamente com radionovela ou com o mundo publicitário. Neste universo, onze pessoas foram abordadas no ano de 2000, quatorze em 2002 e duas no ano de 2003. Do total dos depoentes, 21 deles tiveram o seu relato gravado e 6 foram interrogados via Internet. Para melhor checar algumas informações o publicitário Eloy Simões e o novelista Gustavo Neves foram entrevistadas em duas ocasiões.

Dentre as pessoas entrevistadas em 2000 estão Antunes Severo, publicitário e ex-funcionário da Rádio Diário da Manhã; Augusto Mello, ex sonoplasta da RDM; o publicitário Eloy Simões; George Alberto Peixoto, ex diretor da Rádio Santa Catarina; Gustavo Neves Filho, ex ator e ex autor de novelas da Rádio Diário da Manhã; Maria Alice Barreto, ex-atriz de radionovela; e Nivalda Severo, ex funcionária da RDM. Além deles, foram colhidos depoimentos pela Internet com Jorge Pereira de Souza, proprietário das organizações Pereira de Souza; Luiz Cama, publicitário da empresa Ogilvy; Mario Lago, ex ator e ex autor de radionovela; e de Wilson Russell Mac Cord, ex-publicitário da empresa Sydney Ross.

No período de 2002 foram entrevistados a proprietária da Rádio Santa Catarina Heloisa Cruz; o ex- contábil e diretor comercial da Diário da Manhã Hidalgo Araújo; o ex- Gerente do grupo A Modelar, Ody Varella; o ex- diretor financeiro do grupo A Modelar, Altair Cascaes; o ex redator de publicidade do grupo A Modelar, jornalista Itaeli Pereira; o ex-diretor comercial do grupo A Modelar, João Alfredo de Campos Filho; o ex-diretor da Loja de Móveis do grupo A Modelar, Delcir Iguatemi da Silveira; o ex-funcionário da Unilever no Brasil Karam Albert; o Geógrafo Rocelito de Souza Coelho; o jornalista Walter Souza; o jornalista Cyro Barreto; o jornalista e escritor Francisco José Pereira; o técnico em eletrônica Walter Lange Júnior; e Osmar Silva filho, filho do autor de novelas Osmar Silva. No ano de 2003 contribuíram igualmente com seus depoimentos, pela Internet, a diretora do programa de radioteatro da Rádio FM Cultura de Porto Alegre; e o jornalista, radialista e teatrólogo Nilson Mello.

Foi desta forma, unindo os mais diversos depoimentos com a parte teórica e demais materiais, que esta tese foi se edificando, numa tentativa de construção de um cenário possível onde circulavam os dramas radiofônicos que permitissem analisar um pouco mais a ligação publicidade-radionovela-ouvinte na Florianópolis dos anos 1960.

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[1] O patrocinador local e aquele cuja empresa tem sua origem na cidade de Florianópolis.

[2] O patrocinador estadual é aquele cuja empresa tem sua origem no Estado de Santa Catarina, mas não na cidade de Florianópolis. Em português a expressão « estadual » equivale ao « departamento » francês .

[3] O patrocinador nacional é aquele cuja empresa tem sua origem no Brasil, mas fora do Estado de Santa Catarina.

[4] O patrocinador multinacional é aquele cuja a empresa tem sua origem fora do Brasil.

[5] LEITE PEREIRA, Lígia Maria.Relatos Orais em Ciências Sociais : limites e potencial. Revista Análise e Conjuntura. Belo Horizonte, volume 06, número 03, dezembro de 1991.

[6] SAMUEL, Rapahel. História Local e História Oral, in Revista Brasileira de História. São Paulo : ANPUH, 1990. P. 230.

[7] HALBWACHS, Maurice. A Memória Coletiva. São Paulo : Vértice, 1990. P. 71.

Caros Ouvintes busca parceiros para desenvolver Estratégias de Reciprocidade

23/07/04

Pensando nas dificuldades que ainda envolvem a utilização dos recursos da Internet para fins sociais, econômicos e de aprendizado, reuniram-se na última terça-feira,  os representantes da Central de Comunicação, da Prospect, da MarketAll e do Caros Ouvintes.
Por Antunes SeveroO Objetivo foi discutir o interesse recíproco das quatro organizações em investir num programa experimental de intercâmbio que resulte na utilização da Internet com benefícios para todos os participantes.
Aprovada a idéia inicial, será criada uma pauta de atividades a ser discutida na reunião da próxima semana, de maneira que em meados de agosto os primeiros contatos com o mercado possam ser iniciados. Por se tratarem de empreendedores locais, todos com vasta experiência nas diferentes áreas da comunicação, a expectativa é de que o projeto inicie a sua parte prática a partir de setembro próximo. A experiência piloto será realizada com base no site Caros Ouvintes que nesse período estará evoluindo para o status de portal especializado em assuntos do meio rádio. Para mais informações sobre os participantes do projeto Reciprocidade acesse: www.centralcomunicacao.com.br, www.prospect.srv.br, www.marketall.com.br e www.carosouvintes.org.br.

Souza Miranda, O Peregrino do Rádio

22/07/04

Em cinqüenta anos de carreira Souza Miranda trabalhou em dezenas de rádios do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, São Paulo e Rio de Janeiro. Apaixonado por uma Catarina ancorou na e vive aqui neste “pedacinho de terra perdido no mar”, como diria o poeta Zininho.
Por Antunes Severo

É muito comum as pessoas dizerem que amam o rádio. Mas, amar, viver e fazer rádio como o paranaense Souza Miranda, com certeza não é muito comum. Nascido em Morretes (PR) dia 22 de julho de 1928, criou-se vivendo com a família em Antonina e depois em Paranaguá. Completou o segundo grau e com 16 anos fez teste para locutor e começou a trabalhar na Rádio Difusora de Paranaguá. Daí não parou mais. O espírito peregrino leva Miranda às emissoras da capital paranaense e depois às de Santa Catarina e daí vai e volta várias vezes à São Paulo, Porto Alegre, Rio de Janeiro até estacionar em Florianópolis. Veja mais na entrevista.

Locutor, cantor, produtor e corretor de anúncios, Souza Miranda completa cinqüenta anos no ar e de quebra comemora setenta e seis anos de vida.

O jovem locutor chega na capital catarinense em novembro de 1954, a convite do amigo Francisco Mascarenhas que cuidava da instalação da Rádio Diário da Manhã. Apesar da amizade e do bom salário que deveria ganhar, Miranda não se entusiasmou com a pacata cidade que além de pequena sofria com a precariedade do fornecimento de energia elétrica e com a timidez de sua vida diária. O choque era muito grande, pois ele deixara atrás a vibração da vida noturna de São Paulo e o charme de trabalhar na Rádio Tupy, então líder das Emissoras Associadas de Assis Chateaubriant.

Mascarenhas, bom argumentador convence Miranda a permanecer até a inauguração da emissora que estava prevista para 31 de janeiro de 1954. Foram dois meses de tédio para o inquieto Souza Miranda que só aliviava o enfado e o vazio dos dias quentes do final da primavera descansando no hotel ou tomando uma cervejinha enquanto acompanhava o crepúsculo do já abatido Miramar. A noite, sempre havia a compensação de uma boa companhia nas boates da cidade.

Finalmente chega o dia da inauguração da Rádio Diário da Manhã. Foi um alvoroço desde as primeiras horas da manhã. A emissora estava no ar em caráter experimental desde os primeiros dias de dezembro e não poupava avisos anunciando a programação inaugural prevista para começar às 20 horas do dia 31 de janeiro de 1955, com a apresentação de um recital de musicas lírica e clássica. Para finalizar, a interpretação do Hino de Santa Catarina por um coral em homenagem ao “doutor” Irineu Bornhausen, governador do Estado e proprietário da emissora.

Às 20 horas, terminada a transmissão da Voz do Brasil, o operador aciona o gongo três vezes, gira a alavanca de liga o microfone do palco-auditório no primeiro andar do prédio número 11 da Praça XV de Novembro e soa nos alto-falantes internos e nos receptores de milhares de ouvintes a voz clara e sonora do primeiro locutor oficial da emissora:

Souza Miranda: Boa noite senhoras e senhores. A Rádio Diário da Manhã de Florianópolis, transmitindo em ondas médias, na freqüência de 1010 khertz, passa a falar diretamente de seu palco auditório para transmitir a solenidade de inauguração desta emissora. Para anunciar a programação, convidamos o diretor da Rádio Diário da Manhã, Francisco Mascarenhas.

No dia seguinte, não dava outro assunto nos comentários da cidade: o som maravilhoso da emissora e o locutor perfeito que viera de São Paulo para conquistar a audiência de Florianópolis. Isto, sem falar, nos corações que arrebatava até que chegasse sua hora de se apaixonar por uma Catarina com quem veio a se casar e a ter filhos como o Claudionir Miranda, hoje também um famoso locutor de nossas emissoras.

Souza Miranda, aos 76 anos de idade continua produzindo e apresentando um dos seus mais famosos programas. Souza Miranda Show vai ar todos os sábados pelos 1.060 khertz da Rádio Difusora/Gazeta de Florianópolis.

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Palestra para alunos de Jornalismo e Publicidade da Unisul

21/07/04

Um dos nomes mais conhecidos da radiodifusão catarinense ministra palestra para alunos de Jornalismo e Publicidade da Unisul.
Por Cilene Macedo

Antunes Severo, um dos nomes mais importantes da história da radiodifusão catarinense, ministrou uma palestra no dia 20, no anfiteatro da Unisul, na Palhoça, para alunos da 3ª e 5ª fases do curso de Publicidade e Propaganda e da 7ª fase do curso de Jornalismo, na qual contou sua trajetória na área da comunicação a partir da década de 1950.

Nos momentos em que antecederam a palestra, os alunos estavam curiosos para saber o que aquela figura lendária poderia transmitir. Quando o radialista Antunes Severo chegou, todos o receberam com enorme alegria, igualmente retribuída por ele.

A palestra se desenrolou em clima de total descontração. Antunes Severo contou sua história na comunicação, que começou na década  de 1950, no serviço de alto-falante Som Azul Estúdio de Rosário do Sul (RS). “Eu era um menino completamente analfabeto, vindo de Itapevi, no interior do município e que não sabia fazer nada. Fui pedir uma oportunidade para falar ao microfone e me deram um texto para ler, e eu disse que não sabia. Então, o gerente do Som Azul estúdio me falou: aprenda a ler depois volte aqui, Foi isso que fiz. Seis meses depois eu era locutor”, comenta.

Com o passar do tempo, Severo se tornou um nome conhecido na profissão. Depois de passar por várias emissoras em diversos estados, fixou-se na Rádio Diário da Manhã de Florianópolis, onde foi locutor, radioator, produtor, apresentador de programa de auditório, repórter e noticiarista. Desempenhou importantes funções na área da comunicação. Em 1962, aconteceu um fato relevante quando fez a primeira transmissão internacional. “das Barrancas do Rio Tigre”, em Buenos Aires, narrou as vitórias dos Clubes de remo de Florianópolis, Joinville e Blumenau, num campeonato Pan-americano.

Paralelamente, nesta época, começou a trabalhar no ramo da publicidade junto a Rozendo Lima, já falecido. Os dois montaram um negócio, praticamente autônomos, dentro da rádio Diário da Manhã. Antunes Severo produzia e redigia os textos publicitários e Rozendo Lima comercializava. Com o tempo, os clientes foram aumentando e os parceiros acharam melhor alugar uma sala para poder atender melhor a clientela. A partir de então, surgiu a A.S. Propague, uma das agências de publicidade mais conhecidas do ramo, em Florianópolis. As campanhas publicitárias que inicialmente eram feitas para as rádios, logo se expandiram para a televisão e jornais. Fizeram, também, a primeira campanha do vestibular da Acafe.- Associação Catarinense de Fundações Educacionais. “Eu e o Rozendo fizemos a publicidade deste vestibular no peito e na raça, não tínhamos dinheiro nenhum. Às vezes a gente fazia alguma loucura e dava certo”, argumenta. O ramo da publicidade exigia muitas viagens de negócios. “Um dia fiquei sentado umas três horas, numa pedra na praia da Joaquina e decidi que deveria diminuir o meu ritmo de vida. Eu não estava acompanhando direito o crescimento dos meus filhos. Neste dia, cheguei na Propague e vendi minha parte”, revela.  Depois disso, Severo resolveu se dedicar à atividade de professor e pesquisador na UDESC – Universidade do Estado de Santa Catarina, onde fez graduação, especialização e mestrado em Administração.

Atualmente, Antunes Severo se dedica à coordenação do site Caros Ouvintes (www.carosouvintes.com), que conta com diversos recursos multimídia, com uma audioteca, com diversos jingles, propagandas históricas e uma galeria de fotos. “O site ultrapassou o objetivo de um registro do rádio em Florianópolis. Hoje está repercutindo no meio acadêmico e de pesquisa em vários pontos do país”.

Juntamente com a coordenação do site, existe o projeto de um livro que está em fase final, e tem como título, Caros Ouvintes: Os 60 anos do rádio em Florianópolis. A obra está sendo feita por Severo e Ricardo Medeiros, bacharel em Comunicação Social – Jornalismo, pela UFSC. O livro começa contando a história da rádio Guarujá e segue acompanhando o surgimento das demais emissoras da Capital.

Paralelamente a estes dois projetos, Severo faz um serviço voluntário na Fundação Franklin Cascaes e na Casa da Memória de Florianópolis, que vem a ser um trabalho de reconhecimento das vozes de pessoas nos programas antigos que estão no acervo histórico.

Durante a palestra o radialista falou várias vezes para os futuros jornalistas que ali estavam, “não se deve ter medo de tentar”. É preciso, como disse, “meter a cara” no que se pretende fazer.

Celso Freitas conversa com os nossos Caros Ouvintes

19/07/04

E desabafa: “Cadê as Sociedades Carnavalescas? Mais precisamente os carros de mutação?Acabou aquela rica tradição?” Veja aqui a correspondência com o ex-global que agora navega pelas ondas da Record.

>> Clique aqui para ler

O contato com o criciumense Celso Freitas foi possível graças a uma conversa com o Iran Manfredo Nunes. Falei do projeto. Mandei e-mail. A resposta foi imediata. Celso foi locutor das Rádio Diário da Manhã e Guarujá de Florianópolis, no início da década de 1970.

Caro Antunes. Recebi o seu e-mail, visitei o site “carosouvintes”, estou tentando encontrar alguma foto do tempo de Floripa, mas até o momento não encontrei.Também não tive tempo disponível para construir um texto conciso, preciso e claro – como manda a cartilha do bom jornalista. Mas o farei tão logo acabe um trabalho de retrospectiva, no qual estou envolvido nestas primeiras semanas de janeiro. Um forte abraço. Celso Freitas.

Caro Celso: Ficamos no aguardo. Sua presença no livro é indispensável. Por gentileza, faça um pequeno resumo do início de sua carreira até chegar na Globo. Grande abraço do Antunes Severo e Ricardo Medeiros.

Minha carreira profissional registra uma passagem rápida por cinco emissoras de rádios catarinenses:

Eldorado e Difusora, de Criciúma. Colon, de Joinville, Diário da Manhã e Guarujá, Florianópolis.
O primeiro contato com o rádio foi em Criciúma, a minha terra natal.
Estava cursando o segundo ano “científico”, quando recebi um elogio à minha voz e um convite para fazer um teste na Rádio Eldorado. Além de ler as cartelas de comerciais da caixinha do estúdio, acabei pilotando uma máquina de datilografia e um gravador, como rádio-escuta. A mesma função também exerci na Rádio Difusora onde, além de escrever apresentava o noticiário. Foram seis meses de aprendizado.

Experiência e profissionalismo só vieram quando cheguei na Diário da Manhã, no início de 1970.

A emissora já estava instalada no Edifício Comasa. E eu, menor de idade, de fones no ouvido, plugado num robusto rádio Hallicraft, gravava e reeditava as notícias de caráter nacional e internacional da Bandeirantes, Globo e Tupi do Rio e de São Paulo. Não havia na época nem satélite, nem fax.

Na Diário, duas passagens marcantes na carreira de jornalista: A de ter sido talvez um dos primeiros a saber do seqüestro do embaixador brasileiro (Gomide) no Uruguai, pelos Tupamaros. Era época da ditadura e só pude anunciar a notícia depois que saiu no Globo no Ar. Uma frustração.

O outro episódio rendeu minha demissão. Foi quando recebi, no meio da apresentação do noticiário, uma nota escrita à mão do Coronel Euclides Simões de Almeida, diretor da emissora na época. Comecei a nota, mas não terminei, pois não consegui decifrar os garranchos. Foi uma lição importante, pois mantenho a máxima de que só posso ser convincente ao dar uma informação, se tiver pleno conhecimento dela antecipadamente.

Felizmente, a Guarujá tinha espaço para a minha pouca maturidade e a vontade de me firmar como locutor. Lá apresentei programas musicais, de esportes e também noticiário. Quem desta época não lembra do Correspondente Cimo (móveis) apresentado pelo “lord” e competente Osmar Teixeira?

Não poderia deixar de registrar o carinho de grandes profissionais com os quais convivi. Lembro de nomes como Adolfo Zigeli, Aldo Silva, Nívea Nunes, Augusto Casér, Cora Nunes, o “grande” Acy (Cabral Teive), Lauro Soncini e tantos outros cujas feições me vem a memória. Fenelon (Damiane) e Kátia, estes na TV Cultura, onde durante três meses editei e apresentei o Boletim Econômico BRDE.

Guardo com carinho especial uma pessoa que foi como um irmão mais velho e que até hoje tenho um contato mais próximo: Iran Manfredo Nunes. A ele, que sempre me incentivou e até hoje vibra com meu trabalho, aproveito para agradecer as dicas e os puxões de orelha. Que época maravilhosa!

Deixei Florianópolis, em maio de 72, buscando novos horizontes. Fui parar em Brasília, na Globo, onde estou até hoje. Mas ainda sinto o sabor do camarão no bafo e da cerveja gelada que tomávamos, vez por outra no Bar La Piedra, na praia de Coqueiros.

Parabéns Antunes e Ricardo pela iniciativa do livro e o método moderno de fazer esta empreitada. Obrigado pelo convite para participar do mesmo.

Tiras do Bonson

16/07/04


Toda semana o site do Projeto Caros Ouvintes
publica uma tira do cartunista Bonson.
Clique aqui para ver a tira da semana
Semana entre 16/07 e 22/07

Ricardo faz a Fofinha e entra no rádio com a benção de Paulo Brito.

15/07/04

Ricardo Medeiros começou a trabalhar numa rádio de verdade em 1985. Seu padrinho é o professor de rádio e de fotografia da UFSC, Paulo da Cunha Brito, o Paulo Brito que hoje está na CBN Diário. Um dia, ele indaga a Ricardo: “Negrão, a Rádio Cultura (que transmite futebol) está precisando de alguém para apresentar um programa antes da jornada esportiva e que faça também o plantão esportivo. Eu falei do teu nome para o Roberto Alves. Você topa?”.  “Topado”.
Por Antunes SeveroRicardo Medeiros, de afilhado do Brito acaba virando meu padrinho. Com ele estou aprendendo a pesquisar e, se der no pelo, quem sabe, também acabo escritor. Em agosto do ano passado ele me convida para escrever um livro contando a história do rádio em Florianópolis. Eis parte do e-mail de 02 de agosto de 2003:

“Eu queria te falar uma coisa: eu estou com uma comichão. E essa comichão aumentou quando eu vi os livros que você mandou. Traduzindo:… Eu tive a idéia de fazer uma parceria contigo. Juntos nós poderíamos fazer um livro, sobre a história do rádio em Florianópolis. Estamos com essa brecha ainda para explorar . A idéia está lançada. E agora durma com esse belo barulho. Até mais, gente que gosta da gente. Do amigo, sempre alerta. Ricardo”.

Ele estava na França tocando sua tese de doutorado sobre radionovela e eu aqui, fazendo o projeto para uma tese de doutorado que mostrasse como se constrói a credibilidade da notícia no rádio. Nosso campo de trabalho era comum: a Rádio Diário da Manhã de Florianópolis, o que mudava era o tipo de assunto. Eu já andava meio cabreiro, com aquelas questões dialéticas indigestas como tese, antítese e síntese. Mas, continuava trabalhando com o apoio dos professores Carlos Mussi e Eduardo Meditsch.

A idéia teve uma reação fulminante. Bastou uma rápida consulta à família e no dia seguinte já estávamos trabalhando.

Mas, quem é esse cara capaz de coisas tão extraordinárias?

O jornalista e escritor Ricardo Medeiros nasceu em Joaçaba no dia 4 de setembro de 1963. Durante parte dos anos 1960 e 1970, viveu com a família em Florianópolis. É na Capital que ele entra em contato mais diretamente com o rádio. Junto com a mãe, acompanha as radionovelas – gravadas – transmitidas pela Rádio Diário da Manhã.

De retorno ao Oeste, na cidade de Herval D’Oeste, concluiu o ginásio e o segundo grau. A sua vinda em definitivo para a Capital catarinense, se dá a partir do ano de 1982, quando vem fazer o cursinho pré-vestibular  “Barriga Verde”. No ano seguinte, Ricardo é aluno da quinta turma de jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina. No ano de 1984, se une a dois amigos de curso, Maneca Mendes e Cacau Lino, para formarem uma rádio imaginária, a Rádio Fofinha, que no início é escrita com PH. Assim Rádio Phophinha.

Esta “rádio” é na pratica um programa de em forma de radioteatro que também foi exibido na televisão como se fosse uma peça representando no palco de tudo que se passa numa emissora de verdade. Tem radionovela, Hora da Ave Maria, programa musical para empregada doméstica e propagandas como a dos pirulitos “Ai que Bom” aquele que você chupa… chupa… chupa… ai que bom.

Foi a Rádio Fofinha que permitiu aos “fofos” integrarem em 1985 a campanha para prefeito de Florianópolis, do então deputado estadual Edison Andrino. Como a Fofinha é pé quente, o candidato se elege prefeito da cidade, após vários anos  de administradores indicados.

É também no ano de 1985 que Ricardo Medeiros trabalha numa rádio de verdade. Seu padrinho é o professor de rádio e de fotografia da UFSC, Paulo da Cunha Brito. Um dia, ele indaga: Negrão, a Rádio Cultura (que transmite futebol) está precisando de almguém para apresentar um programa antes da jornada esportiva e que faça também o plantão esportivo. Eu falei do teu nome para o Roberto Alves. Você topa? Topado.

Lá está o filho do seu Sebastião e de dona Margarida na Rádio Cultura. Mas o começo não é fácil. Num domingo, ele vai até os estúdios da Rádio Cultura para falar com Mário Alves Neto, diretor de programação da emissora. Mário, após lhe dar várias indicações, pede para o jovem Medeiros acompanhar atentamente a última participação na função do apresentador de programas e plantonista de Polidoro Sobrinho, irmão de Polidoro Júnior. No outro domingo será a vez de Ricardo Medeiros estar sozinho frente a frente com aquele instrumento: o microfone.

Como um pouco de reza não faz mal a ninguém, o garoto joaçabense pede ajuda a todos os deuses possíveis para agarrar aquela oportunidade de ser radialista. O coração bate forte, o garoto fica ofegante. A sua voz fica embargada. Mas não tem jeito, a luzinha vermelha indica que ele está no ar, que é hora de começar o “Preliminar”. O programa antecede a jornada esportiva e fica no ar até a equipe da Cultura assumir o comando da transmissão desde algum estádio onde estão jogando Avai ou Figueirense. Terminado o “Preliminar” Ricardo Medeiros assume o papel de plantonista, aquele que informa, sobretudo o resultado dos demais jogos do campeonato catarinense e loteria esportiva. Quando a rede balança, Medeiros pede para o operador “abrir” o microfone para dizer: Tem gol . Neste momento, o narrador espera que o jogue se acalme para devolver: Tem gol aonde Ricardo Medeiros?

O jovem Medeiros tem a oportunidade de conviver lado a lado com Paulo Brito, Roberto Alves, Gastão Dubois, Vicente Luís, Miguel Livramento, Hélio Costa, Polidoro Júnior, Toni Nicolas, Ronaldo Pedrini e com seu amigo de faculdade Carlos Eduardo, o Cacau Lino. Mais tarde toda essa equipe de esportes muda de prefixo, indo se instalar na Rádio Guararema. Ainda na área de esportes Ricardo Medeiros trabalhou na Rádio Guarujá, a emissora pioneira de Florianópolis. Tem o prazer de conhecer figuras como Nazareno Coelho, Mário Ignácio Coelho, Claudionir Miranda, Valmir Mattos, José de Alencar, Evaldo Luís, Adílson Sanches, e ele: Murilo José – o narrador da camisa amarela, Murilo José é também um grande incentivador de Ricardo Medeiros.

No setor de jornalismo, Ricardo Medeiros vira correspondente em Florianópolis da Rádio Líder do Vale, de Herval D’Oeste. Ele também vai integrar a equipe de jornalismo da ex Rádio Diário nos anos 1990.

Em paralelo à Diário da Manhã, Medeiros desenvolve igualmente um programa de rádio para a Prefeitura Municipal de Florianópolis: “Em dia com a Cidade”. Toda sexta-feira, o programa entra no ar, durante dois anos, em 8 emissoras da Grande Florianópolis. Como o mundo do rádio continua a fascinar o jornalista,  ainda nos 1990, passa a fazer parte do quadro de professores  da Universidade do Sul de Santa Catarina, Unisul, campus de Tubarão, durante quase cinco anos. Em 2000, acompanhado da esposa Vera e da pequena Gabriela,  deixa a Ilha  para ir para a França fazer doutorado na área de  radionovela. Voilá. Tudo acaba em rádio.

A primeira rádio de Santa Catarina continua funcionando

12/07/04

A Rádio CLUBE 1330 AM de Blumenau foi a primeira rádio a ser fundada em SC. Há 74 anos transmitindo alegrias.
Por Gisele Machado

Nem mesmo as revoluções provocadas na década de 30 tinham acabado e o radioamador João Medeiros Júnior fundou a primeira rádio catarinense. João iniciou suas operações em 1925 sendo o primeiro radioamador licenciado, embora isso tenha acontecido somente em 1936. A idéia nasceu em 1927 e em setembro de 1929, instalou junto a uma pequena biblioteca, um alto-falante que tocava músicas em determinados horários.

Durante 15 anos, foi o principal elo de comunicação com o Brasil e o mundo, numa época em que o telégrafo era bastante precário e ainda não existia serviço telefônico.

Medeiros encaminhou, paralelamente às instalações das antenas, os papéis para requerer um canal. As experiências iniciaram em 1931 e cerca de dois anos depois de um período experimental, em 1935, João Medeiros Júnior finalmente coloca no ar em caráter definitivo, a primeira rádio catarinense, a PRC-4 Rádio Clube de Blumenau.

A PRC-4, além de ser uma das pioneiras do Brasil, é a única no estado de prefixo PR, característica das rádios mais antigas do país.

Com finalidade unicamente cultural, a emissora se constituía em uma entidade de proprietários coletivos. Nesse mesmo ano, foi realizado um concurso entre a diretoria da estação para eleger o nome fantasia da emissora, que por sua vez passou a se chamar “Rádio Cultura de Blumenau”, mais conhecida, atualmente, como Rádio CLUBE 1330 AM de Blumenau.

A programação era toda ao vivo, mas a fragilidade dos equipamentos colocava a emissora fora do ar várias vezes ao dia. Por este motivo a rádio operava somente entre 9h e 11horas e das 15h às 17 horas.

Na década de 40, a emissora iniciou com os programas de auditório que tinha capacidade para 105 pessoas, mas geralmente esse número dobrava. Apresentavam-se cantores, acordionistas, pianistas, seresteiros, conjuntos musicais, pessoas que tocavam outros instrumentos e garotos prodígios.

O sucesso das radionovelas foi garantido graças ao público, que se identificava muito com as histórias. Foi nessa mesma década que surgiu o primeiro programa esportivo no estado, A Marcha do Esporte e que a mulher ganhou espaço na rádio com a locutora Atalá Branco. A PRC- 4 foi a pioneira no jornalismo radiofônico através do quadro “Repórter Catarinense” comandado por Pereira Júnior.

Ainda hoje a emissora está em funcionamento e segundo uma pesquisa do IBOPE, realizada em outubro de 2003, é a primeira no segmento AM em Blumenau no horário das 06h às 19 horas de segunda a sexta.
Ao longo dos anos, muitas transformações aconteceram na programação da emissora. Atualmente, seu horário de funcionamento é das 06 da manhã até meia-noite e seu segmento é popular adulto direcionada a homens e mulheres das classes C e D acima dos 25 anos.

Por ser uma rádio comercial, aproximadamente de 30% a 40% do espaço da emissora é reservado para anunciantes. A chave de seu sucesso é incluir na sua programação ações como parabenizar o ouvinte pelo seu aniversário, divulgar datas de casamento, realizar shows e promoções direcionadas ao público local e tocar músicas que são sucessos nacionais e regionais. Dessa forma, a rádio consegue ter uma interatividade ao vivo com seu público.

Sua área de cobertura é a região metropolitana de Blumenau e o Vale do Itajaí atingindo um total de 26 municípios.

Se você quiser se aprofundar mais na história dessa primogênita, entre em contato. A Rádio CLUBE 1330 AM de Blumenau está localizada na rua Buenos Aires, 131, bairro Ponta Aguda – Blumenau – SC. O telefone é (47) 326-7000.

Radionovela, um desafio em cada capítulo

12/07/04

Alda Jacintho confessa: tenho apenas 79 anos feitos ainda há pouquinho. Não se assustem que ainda estou viva. Fazer radionovela é uma das coisas mais gostosas do mundo. É um pudim, um quindim, é um doce.
Por Antunes Severo

Disfarce e olhe. Que sorriso o da morena que aparece, sentada, em primeiro plano, bem à direita da foto. Cá pra nós, com todo o respeito, não dá pra deixar de não ver, não é mesmo?

Oh! Por favor, não se confunda. Ela é adulta, emancipada, alfabetizada e fala inglês fluentemente. Nascida aqui mesmo na Ilha, tem profissão, emprego e endereço nesta cidade que também responde pelo codinome de Florianópolis. O nomão da cidade, desse tamanho e com esse tom onomatopaico de Flor-I-Anópolis disfarça, na verdade, outras revelações que os historiadores andam bisbilhotando, no bom sentido, claro.

Esta morena vestida de branco, colar e brincos combinando, é Alda Jacintho. Com th. Ela é funcionária dos correios por profissão e radioatriz por opção. É irmã do também radialista, locutor e professor de inglês, Atos Jacintho e é filha do seu Antônio e de Dona Áurea. Esse detalhe convém anotar porque é importante. Para convencer a família de que trabalhar em rádio não é nenhuma desonra, foi uma batalha. Era o início da década de 1950.

A oportunidade de fazer um papel, interpretar uma personagem, num capítulo de novela, diz-se que foi meio por acaso. “Eu tinha amigas que trabalhavam em novelas na Guarujá e um dia me convidaram para fazer uma “ponta”. Fazer uma ponta, uma pequena participação, duas três falas num capítulo. Pode parecer fácil, sem importância. Para a principiante era como caminhar numa nebulosa planetária e difusa. Mesmo assim, meio sem jeito, aceitou. O fascínio do rádio foi maior do que o medo do desconhecido.

Atenção. Vamos começar. Falta um minuto. Silêncio. O contra-regra fecha a porta do estúdio, o som da emissora verte dos alto falantes internos e enche a sala.

Em pé: Felix Kleis, Nazareno Coelho, Edgard Bonassis, não identificado e Manoel Passos. Sentados: Janine Lúcia, Lígia Santos, Aldo Silva, Cacilda Nocetti e Alda Jacintho.

Papel na mão que insistia em tremer, Alda mal percebe a presença dos colegas. Toda atenção está voltada para o locutor do horário posto à frente do microfone.

Toca a campainha. Que susto. “O que ouve?” É o sinal de “microfone ligado”. Simultaneamente acende a luz e clareia o aviso “No Ar!” “Ai meu Deus do céu. Aonde é que eu fui me meter?” A pergunta fica sem resposta.

Entra a música, vai a BG[2] e o locutor anuncia:

Senhoras e senhoritas. Neste momento vai ar pela ZYJ-7, Rádio Guarujá de Florianópolis, a mais popular, mais um capítulo da emocionante novela Suplício de uma Alma.

O mundo gira, as luzes se fundem, a sonoplastia se mistura com o ar do estúdio e a temperatura parece sufocar. A radioatriz estreante vive o momento mágico de transposição do umbral da realidade para o sonho.

O fundo musical volta a subir, desaparece a voz do locutor e uma outra voz surge firme e ao mesmo tempo acolhedora. É o diretor de radioteatro:

- Pessoal, enquanto roda a propaganda, vamos nos concentrar. A novela é ao vivo e nós não podemos errar. Bom trabalho.
- Atenção. Silêncio. Novamente o contra-regra.

Alda respira aliviada. “Isto não é um sonho. Isto é real. Eu estou aqui no estúdio e a novela vai começar”.

Volta a seqüência: Campainha, luz, No Ar!

Narrador: No capítulo anterior Mariana jura de morte o tio Albano que se opõe ao romance que ela mantém com Sílvio que é seu primo. Sílvio pensa ter sido criado pelo tio, mas na realidade, é seu filho. Não sabe ele que Albano é também o pai de Mariana.

Sob e baixa o fundo musical que é o tema da novela. Começam os diálogos intercalados por interjeições, sorrisos, mágoas, raivas, carinhos, choros e silêncios.

Alda aparenta tranqüilidade, mas não está à vontade. Transpira, quer tossir, a respiração está ofegante. O tempo, o tempo que não passa… E a minha fala que não vem. Meu Deus do céu quando é que chega a minha vez? Num instante volta à realidade. A voz sussurrada do contra-regra, ao seu ouvido, alerta “Atenção! Agora você entra”. Mal acaba de ouvir e soam as palavras fatais. Era a “deixa” do diálogo anterior. Deixa que ela decorara para saber quando entrava, mas que já não lembrava como era.

“Oh! Meu Deus! Protegei-me!” E Deus estava lá. A fala saiu firme, tranqüila e suave como pedia o papel.

Alda não saiu do estúdio. A emoção era muito forte. Pensou “vou esperar o final do capítulo para sair junto com os outros”. E foi bom. Todos queriam cumprimentá-la. Estava aprovada. Era a mais nova radioatriz do elenco pioneiro da Rádio Guarujá.

Bate pronto

Ricardo Medeiros – Você continuou fazendo pontas?

Alda – Não. Para mim, com raras exceções, sempre foram reservados papéis de destaque. Cheguei a fazer quatro papéis em uma única novela. Eu era a filha, a mãe, a governante e a diretora do colégio.

Ricardo – Você era a mocinha?

Alda – Ora era eu, ora era a Neide Maria. A gente se revezava.  Nem sempre foi assim. Numa certa ocasião eu aceitei interpretar uma moça pobre que seqüestrara um acriança de dois anos, em troca de dinheiro. O telefone da Rádio Diário da Manhã não parou. Houve também uma enxurrada de cartas. Ninguém se conformava.

Ricardo – Com quem mais você contracenou?

Com a Neide Maria, o Rozendo Lima, o Edgard Bonassis, a Cacilda Nocetti, o Zininho, o Aldo Silva, o Hélio Rosa, Félix Kleis, o Waldir Brazil, a Janine Lúcia… São tantos e tão queridos.

Nota do editor: Alda Jacintho faleceu na última segunda-feira, dia 03/07/2004.

[1] Com a participação de Ricardo Medeiros e Cilene Macedo.
[2] Background, expressão usada para indicar que a música é baixada e sobre ela o locutor fala.

Link Relacionado
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9/07/04


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Carlos Eduardo Lino

9/07/04

Carlos Eduardo Lino, nasceu em sete de outubro de 1965. Jornalista formado na UFSC iniciou a carreira profissional no mesmo ano em que entrou na Universidade, em 1983. Seu primeiro emprego foi na pouco conhecida REI – Rede Estadual de Informações -, comandada pelo radialista Carlos Eduardo Mendonça, o Bolinha.A REI era um estúdio de radiojornalismo que fornecia informações para diversas emissoras do interior do estado. Uma idéia revolucionária, fora dos padrões da época, mas que não prosperou. Aliás, mesmo tendo trabalhado seis meses, não foi na REI que Carlos Eduardo Lino recebeu seu primeiro salário. Com a segunda via da carteira de trabalho, o primeiro carimbo que guarda é da Diário da Manhã, em 1984. Depois da arrancada, vieram outras emissoras de rádio: Cultura, Guarujá, CBN Diário e jornais O Estado, Santa Catarina, A Notícia e as emissoras de TV: Cultura, Barriga Verde, SBT, RBS e TVCom.
Na Universidade desenvolveu projetos paralelos, sendo a Rádio Fofinha, uma mistura de rádio e teatro que nada tinha de radioteatro,  o mais marcante. Lino trabalha atualmente no grupo RBS, onde desenvolve atividades na RBS TV, TVCom e CBN Diário.

 
 
         
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