Afogados na mediocridade pública, privada e individual. A transferência de responsabilidade alimentada por uma cultura distorcida
assumida pela grande maior parte da humanidade é uma das mais cruas leviandades do ser humano.
- Olá, tudo bem? O pai pergunta para o filho de olho nas notas baixas que o fedelho vem trazendo para casa.
- Ô, pai, que nada. É tudo uma tranqueira do cacete. O trânsito não anda, o ônibus quebra quase todo o dia, a molecada deu pra puxar fumo nos corredores do colégio…
- E as aulas? Isso, pelo menos…
- Ih! Nem me fala. Aquilo é uma bagunça que ninguém entende. Até parece a torcida do…
- Epa, não mete meu time nisso. Pode ser que o teu seja uma naba, mas…
E por aí vai a conversa, cada um trazendo para a masmorra do pecado, sempre os infelizes ausentes. Tem que haver um bode expiatório. É isso.
Essa cena me ocorre quando acabo de ler a crônica escrita nesta quinta-feira pelo Marcelo Herondino, um dos mais recentes colaboradores voluntários do Instituto Caros Ouvintes, maduro conhecedor e apreciador do rádio como meio de comunicação social.
O programa Voz do Brasil que teve seu momento, como ele reconhece, atualmente não faz o menor sentido. Mas, então por que o programa continua no ar? Porque ele virou moeda de barganha entre os irresponsáveis desmandos do poder público e a escória do empresariado da radiodifusão no país. Explico. Se você não sabia ou ainda não havia percebido, mais de 50% das emissoras de rádio e televisão do Brasil funcionam de maneira irregular e outra parte significativa delas estão liberadas do pagamento dos impostos em troca de “generosidades” para com personalidades dos governos federal, estaduais e municipais.
E os anunciantes que são a fonte de rendas das empesas de radiodifusão, por que se calam mergulhados na conivência? E os profissionais que fazem a comunicação sentem-se bem nadando sobre as ondas da leniência? E os ouvintes que usufruem seus programas favoritos? Onde estão? Estarão satisfeitos ou afogados na mediocridade?
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