Ilha de Meu Som | A busca continua
Márcio Santos
A Rádio Anita era de propriedade do médico J. J. Barreto e seus principais locutores eram os irmãos Aibil e Cyro Barreto, mantinha o programa de auditório de Hélio Kersten, todas as sextas feiras, às 20h, onde nosso popular “Jaqueta”, aquele do Boi de Mamão, fazia sucesso com o “Canto da Ema”, de Jackson do Pandeiro.

Rádio Diário da Manhã na Praça XV onde hoje é uma agência Bradesco
Era a época também dos famosos “pianos-bar”, com destaque para o do Lux Hotel (prédio do Ponto Chic), além dos bares “Meu Cantinho” e “Samburá”, este ainda na praça XV de Novembro, antes de se mudar para Coqueiros, no Praia Clube, antiga sede praiana do Clube Doze de Agosto. Samburá era comandado por Luiz Henrique Rosa, nosso artista maior ao lado de Zininho e Neide Maria. O grupo de Luiz Fernando Sabino agitava as noites no Sabino’s Bar, tendo como cantor meu vizinho, o professor de inglês Athos Jacinto.
Faziam retumbante sucesso as visitas constantes das orquestras de fama internacional como Cassino de Sevilha, Românticos de Cuba, Norberto Baldauf, conjunto Flamenco, principalmente na Boate Plazza, onde mais tarde seria o Clube Paineiras, embaixo e atrás do antigo Cine São José, hoje templo religioso, na Rua dos Ilhéus.
Outro programa radiofônico, talvez o de maior sucessos foi, sem dúvida, o “Vanguarda” (noticiário, política, entretenimento), também na Diário da Manhã, comandado por Adolfo Zigelli, que veio a falecer num acidente aéreo em Joaçaba, lamentado por todos os catarinenses.
Com o fim do “Sequências”, surgiu um novo programa musical, transmitido diretamente do Teatro Álvaro de Carvalho, chamado “Seu Talão Vale Um Milhão” (trocava-se notas fiscais por tíquetes numerados que eram sorteados durante o evento) apresentado por Walter Souza.
Por ser noturno, dificultava sobremaneira minha assistência, pois naquela época, com a televisão iniciando timidamente (pegava-se aqui um sinal fraco e distorcido da imagens da TV Piratini de Porto Alegre), os adolescentes dormiam cedo, normalmente após assistir as novelas “Direito de Nascer”, “Eu Compro Essa Mulher”, “O Sheik de Agadir” e os seriados “Bonanza”, “Viagem ao Fundo do Mar”, “O Fugitivo”, “O Túnel do Tempo”, “Perdidos no Espaço” ou o “Rota 66”, no sistema “televizinho” (os poucos aparelhos estavam nas casas classe média e nós nos convidávamos ou éramos convidados pelos proprietários). Mas sempre arrumei uma maneira de estar presente no TAC nas noites de show.
Anos mais tarde, descobri que um dos ganhadores do prêmio de “Um Milhão” foi nosso compositor maior: o poeta Cláudio Alvim Barbosa, o Zininho!O próximo programa no TAC seria o “Vanguarda”, sem relação com o programa radiofônico de mesmo nome, na mesma época em que o mundo rendia-se aos Beatles e o parava para assistir, pela Record paulista, a “Jovem Guarda”, capitaneada por Roberto Carlos e seus fieis escudeiros Erasmo e Vanderléa; assim, o show Vanguarda tinha Jordão, nosso RC oficial, o Vitamina (uma espécie de RC hilário), os Incontroláveis (Deto, Tuca, Gilson e Wilson, nossos Golden Boys), Os Snakes (nossos Beatles), o Som Sete e Brazilian Shakers (clonando Renato & Seus Blues Caps e Os Brazilian Beatles).
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