Ilha de Meu Som | Caindo na real
Márcio Santos
Um tempo depois, o Carmelo Faraco, o Rui Seara e o Berka formaram uma banda, provavelmente influenciados por aquele som e pela nova grande sensação de Floripa, The Snakes.
Os Firebirds ensaiavam num salão em cima da capela do colégio, que sofreu um incêndio e torrou, literalmente, o equipamento do pessoal. Mais tarde recuperaram-se, formando “Os Binos”, de grande sucesso nas tardes de domingo do Lira Tênis Clube.
Comecei a seguir de perto todas as apresentações dos Snakes, a revoltar-me quando meus avós levavam-me ao barbeiro Vaíco para cortar cabelo, impedindo-me de usar aquelas calças apertadas, botinhas longas, camisas estampadas, tentando imitar meus novos ídolos.
Um dos maiores orgulhos foi quando soube que o baixista (Waldir) namorava uma das minhas vizinhas e meus amigos e eu nos sentávamos no muro da creche (na Rua Major Costa) para vê-lo passar e notar e anotar seu modo de vestir e andar.
Outro que participava dos shows dos Snakes era nosso vizinho Jordão, filho de um dos seresteiros amigo de meu avô e sobrinho do “Seu” Nilo (músico da Banda da PMSC), imitando um garoto do eixo Rio – São Paulo que iniciava também a carreira artística, um tal de Roberto Carlos. Tempos mais tarde, tornei-me amigo do Valdomiro, já após o fim dos Snakes.
Começou quando, minha turma e eu estávamos na antiga sede praiana do Clube Doze de Agosto, em Coqueiros, numa noitada com artistas locais, e fomos até a praia para curtir “uma fresca”, quando apareceram três mauricinhos mais velhos querendo briga. Fomos acuados em direção ao mar, quando Miro apareceu na mureta, tirou a camisa mostrando seu físico privilegiado, e os desafiou; os valentões saíram correndo e fomos agradecer nosso salvador.
A partir deste dia, além de ídolo musical, virou nosso ídolo protetor, que encontrávamos sempre perto do Instituto de Educação, já que morava próximo à sede dos Granadeiros da Ilha.
Uma grande aventura protagonizamos Carlos Cesar (Galego), Beto “Sujeira” e eu. Beto nos apresentou a um estudante da Escola Técnica cuja família morava em Orleans, no Sul do Estado. Veio com uma história que seu pai tinha, em casa, instrumentos e equipamentos de som para bandas, além de ser diretor do clube social local.
Não sei por que, talvez por influência da amiga Maria Juana, achamos que já tocávamos legal e que só nos faltava a oportunidade de ter instrumentos em mãos para formarmos uma banda. (Continua no próximo sábado).
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