Arquivo para categoria 'Música'

Primeiros acordes – 5

15/06/13

Música | Ilha de Meu Som | Os amplificadores

Márcio Santos

Amplificadores eram da mesma marca, primeiro o Tremendão e depois o Thunder Sound, aparecendo depois os da Palmer, numa competição acirrada. Muitos compravam só o cabeçote de construíam suas próprias caixas de som.

Todos tinham “cabeçotes” cujas válvulas pifavam constantemente, provavelmente por serem colocados sobre caixas de som, que vibravam e provocavam rompimento do filamento. As bandas mais prevenidas tinham sempre válvulas de reserva, muitas vezes trocadas durante a apresentação.

Na Giannini, o Duovox 100B substituiu o Thunder Sound, normalmente usado para contrabaixo e teclados e o Duovox 100 G substituiu o Tremendão para guitarras e vozes, apesar de nem sempre serem usados desta maneira.

Num quarteto padrão, via-se no palco um amplificador para baixo, um para guitarras e outro para vozes, que usava um reverber de molas (parecia um reco-reco) sobre o cabeçote que, quando caia no chão, mais parecia o estouro de uma bomba. Mais tarde, foi substituído por um de fita, que nada mais era do que um gravador de três ou quatro cabeças, com a fita magnética passando por eles, cuja defasagem provocava uma repetição do som, simulando eco, por isso chamado de câmara de eco.

Alguns usavam o gravador Akay 4.000DS para obter um efeito parecido; outros usavam pedais de efeitos para guitarra, como o Delay e o reverber, mas isso já na década de 70 em diante.

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Primeiros acordes – 4

8/06/13

Música | Ilha de Meu Som | Os instrumentos

Márcio Santos

As desejadas Giannini imitando Gibson e Fender

Não poderia deixar de discorrer sobre instrumentos e equipamentos de som da época. Meu primeiro contato com uma guitarra foi a tentativa de construir uma em casa, o que não deu nada certo.

Certo dia, soubemos que o pai de Tonico, amigo nosso, era o representante de uma fábrica gaúcha chamada Mil Sons e revendia guitarras e baixos desta marca. Sabíamos que não era nenhuma Gianinni, mas tentamos vender objetos pessoais para comprar uma, que também não deu certo. Pelo menos tínhamos o prazer de visitá-lo e curtir, mesmo que por míseros minutos, ter uma daquelas na mão.

Nem se falava de instrumentos importados, só possíveis aos “riquinhos” que passavam férias no estrangeiro e, mesmo assim, eram raros.

Como não havia lojas de instrumentos em Floripa, o magazine Santa Maria, na Rua Conselheiro Mafra, era praticamente o único que vendia equipamentos para bandas; depois a Zandomênico, que até ali só vendia instrumentos fajutos, passou também a trabalhar com bons produtos, na outra esquina, e a concorrência facilitou um pouco a aquisição destes. Guitarras e baixos, só Giannini, Phelpa e Del Vecchio com dois ou três modelos, imitando os importados.

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Lily Blumerants pela primeira vez na Ilha da Magia

6/06/13

A cantora e compositora Lily Blumerants chega a Florianópolis para apresentar-se pela primeira vez no Espaço Coisas de Maria João, em Santo Antonio de Lisboa, nesta sexta, 7/6, a partir das 21 horas.

Lily traz no repertório suas músicas autorais mesclando composições dos seus cinco álbuns, o último – Criaturas  (recém lançado em Santa Catarina) e ainda clássicos do jazz, blues, rock in jazz (Beatles, Rolling Stones…) e outras tantas brasileiras .

O grupo que a acompanha nessa noite é o Quarteto Quartz (Leco Balsini teclados; Beto Guilherme bateria, Hamilton Cunha contrabaixo e Ito Silveira guitarra e vocais).

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Badi Assad canta no Sesc Teatro Prainha

5/06/13

Em Florianópolis o show de Badi Assad será nesta quinta-feira, 06 de junho, às 20 horas , no Sesc Prainha, com entrada gratuita. Com oito CDs lançados pelo mundo e 20 anos de carreira, Badi foi eleita uma das melhores violonistas do planeta pela revista americana Guitar Player. Em 2012, Badi Assad lançou seu 11º álbum, “Amor e outras manias crônicas”. Este primeiro trabalho totalmente autoral traz no repertório composições (acústicas e/ou eletrônicas) com melodias diferenciadas e letras intensas, cotidianas ou existenciais, transbordam vida, arte, amor e algumas outras manias.

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O gosto da música

2/06/13

Resumos para apresentação de trabalhos podem ser enviados até 2 de junho. Inscrições para ouvintes já estão abertas: 9º Encontro Internacional de Music a e Mídia

O gosto da música é o tema do 9º Encontro Internacional de Música e Mídia, a realizar-se dos dias 18 a 20 de setembro, na Escola de Comunicações e Artes da USP numa promoção do Centro de Estudos em Música e Mídia (MusiMid), em seu 10º ano de atividade.

O tema geral do evento propõe investigar as diversas relações que a música estabelece com a ingestão de substâncias sólidas e líquidas e seus efeitos físicos, nas mais diversas situações. Eixos temáticos:

1)Música + comida + bebida = ritual ; | 2) Música +bebida = viagem ao inconsciente; | 3) Gêneros musicais + bebidas = criação de signos artísticos. | 4) Música,+ bebida + imagem (visual) = compre-me! | 5) Música + Muzak = “alimento” do corpo. Neste ano, são coorganizadores convidados os Prof. Dr. Eduardo Paiva (Unicamp) e Magda Pucci (Anhembi-Morumbi). Confira.

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Primeiros acordes – 3

1/06/13

Música | Ilha de Meu Som | Comendo milho assado

Márcio Santos

De mochilas nas costas, pegamos um ônibus até Tubarão e, de carona em carona, chegamos à pequena cidade, ficando hospedados na casa do garoto, que nos acomodou num paiol de espigas de milho, cujas cascas (palha) usávamos como travesseiros. Tinha falado a verdade: dispunha de tudo o que uma banda de rock precisava. Ensaiávamos horas e horas e, nas folgas, corríamos até os fundos do sitio, onde passava um rio caudaloso, uma das causas de minha fobia por rios e mares, pois ali quase morri afogado, salvo pelos amigos.

Na noite do baile mensal, daríamos uma canja com o conjunto oficial do pequeno clube social porém, na hora em que nos arrumávamos para ir ao clube, descobrimos que só se adentrava o recinto de terno e gravata, o que naturalmente não tínhamos. Algumas garotas que flertamos nos ofereceram ternos reservas de irmãos e pais, mas minha magreza folgava naquelas roupas. Galego e Beto conseguiram entrar, mas eu fiquei namorando no lado de fora e, quando ouvimos o som que lá rolava, nos flagramos que era puro sertanejo e que não tinha nada a ver com as três musicas que ensaiamos. Galego e Beto saíram de fininho e me avisaram da mancada e ficamos na pracinha namorando enquanto rolava a festa no clube.

O pai do garoto ficou uma fera, pois tinha anunciado que músicos da Capital dariam uma canja, o que era muito esperado pelo povo da cidade, fazendo com que fugíssemos durante a madrugada, antes de terminar o baile e a família voltar para casa.

Nos vimos sob um maravilhoso luar na estrada empoeirada que levava a Tubarão, caminhando sempre e parando vez ou outra em algum sitio para tomarmos água; comíamos milho verde roubado das plantações e cozido pela fogueira que fazíamos com os encartes dos discos que levávamos nas mochilas.

Sem grana para pegar o ônibus para Floripa, fui bater na casa de parentes de minha mãe, caixas-altas da cidade, que levaram um belo susto naquela visita surpresa: um cara que nunca viram antes, com a cara e o corpo cobertos de uma poeira vermelha misturada com suor, mais parecendo um mendigo qualquer. Pagaram as passagens e ligaram para meus pais, que morriam de preocupação com nosso desaparecimento.

A chegada a Floripa foi um misto de medo da bronca que levaríamos e alegria pela primeira tentativa de formar uma banda, mesmo frustrada.

Um ou dois anos depois, desta vez com Beto e Paulo Maurício, tentamos o mesmo em uma aventura para São Paulo, também totalmente frustrada. Mal chegamos, depois de muitas caronas e três dias de viagem, um tio meu estava nos esperando e nos fez retornar no dia seguinte.

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Badi Assad faz temporada em Santa Catarina

1/06/13

Cantora e violonista brasileira de carreira internacional se apresenta na Rede Sesc de Teatros em Chapecó, Lages, Criciúma, Florianópolis, Itajaí, Jaraguá do Sul e Joinville

Foto divulgação

Nos palcos, a brasileira Badi Assad revela-se uma das artistas mais completas e virtuoses do momento. Com o encanto de uma diva, ela canta, toca violão, dança e transforma seu próprio corpo numa percussão – tudo ao mesmo tempo. Em junho, Badi Assad se apresenta nos teatros do Sesc em Santa Catarina: Chapecó (02), Lages (03), Criciúma (05), Florianópolis (06), Itajaí (07), Jaraguá do Sul (08) e Joinville (09). Todas as apresentações são gratuitas.

Com mais de oito CDs lançados pelo mundo e 20 anos de carreira, Badi também já foi eleita uma das melhores violonistas do planeta pela revista americana Guitar Player. Em 2012, Badi Assad lançou seu 11º álbum, “Amor e outras manias crônicas”. Esse primeiro trabalho totalmente autoral traz no repertório composições (acústicas e/ou eletrônicas) com melodias diferenciadas e letras intensas, cotidianas ou existenciais, transbordam vida, arte, amor e algumas outras manias.

Serviço: Rede Sesc de Teatros – Badi Assad * 2 de junho de 2013 | Chapecó | Sesc Teatro | 18h | Rua Brasília, 475 D * 3 de junho de 2013 | Lages | Sesc Teatro | 20h | Av. Dom Pedro II, 1693 * 5 de junho de 2013 | Criciúma | Sesc Teatro | 20h | Rua Presidente Kennedy, 850 * 6 de junho de 2013 | Florianópolis | Sesc Teatro Prainha | 20h | Trav. Siryaco Atherino, 100 * 7 de junho de 2013 | Itajaí | Casa da Cultura Dide Brandão | 20h | Rua Hercílio Luz, 681 * 8 de junho de 2013 | Jaraguá do Sul | Sétima Feira do Livro, no ‘Grande Teatro Scar’| 19h | Rua Jorge Czerniewicz, 160 *  9 de junho de 2013 | Joinville | Sesc Teatro | 20h | Rua Itaiópolis, 470

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Cantos, Firmus e convidados, neste terça, 28/5, no TAC 19h30

28/05/13

O concerto Madrigali d’Amore apresenta em seu repertório alguns madrigais do compositor italiano Claudio Monteverdi, acompanhados por instrumentos de época. O repertório tem o amor como tema. O concerto propõe ainda uma breve aula de história da música, tanto para leigos, quanto para aqueles que já têm algum conhecimento na área. Com direção geral do alto-tenor Jefferson Bittencourt, o grupo é formado por Eduardo Serafin (tenor), Daniel Signorelli (barítono), Raquel Cerqueira (cantus) e Marcelo Aguiar (baixo), com participação especial de Kalinka Damiani (soprano). Entrada: R$ 10,00 inteira e R$ 5,00 meia.

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Antoninho da Fronteira, 60 anos de rádio

26/05/13

Gente | Astros e Estrelas

 

Antoninho e acompanhante ao acordeon

Radialista e músico, um dos pioneiros da radiodifusão do alto Uruguai catarinense, Antoninho da Fronteira será homenageado no 6º Encontro da Imprensa de Santa Catarina. A homenagem está programada para o dia 03 de agosto, na sede campestre da CDL, em Chapecó. E deverá contar com a presença de aproximadamente 500 profissionais de comunicação de todas as regiões do Estado.

O Encontro da Imprensa de Santa Catarina em Chapecó é organizado pela Associação Catarinense de Imprensa (ACI) e MB Comunicação Empresarial/Organizacional com apoio da Câmara de Dirigentes Lojistas de Chapecó (CDL).

Antoninho iniciou na radiodifusão em 1954, como um dos apresentadores do Programa “Roda do Chimarrão”, na Rádio Rural de Concórdia, onde permanece até hoje. Além da Rural, atuou também na Rádio Salete, de Marcelino Ramos (RS). Paralelamente a carreira de comunicador, tornou-se conhecido no sul do País  como cantor de estilo regional, principalmente da música gauchesca. Leia mais…

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Exemplo a seguir

25/05/13

Música | Direitos autorais

Ruy Castro *

A Justiça obrigou a gravadora EMI a entregar a João Gilberto a posse das fitas masters de seus LPs “Chega de Saudade” (1959), “O Amor, o Sorriso e a Flor” (1960) e “João Gilberto” (1961) e do compacto duplo “Orfeu do Carnaval” (1959). Por causa de um entrave jurídico, o Brasil está há 20 anos impedido de ouvir essas gravações. O prejuízo cultural é incalculável, maior até do que qualquer consideração econômica.

A vitória de um artista isolado sobre uma multinacional deveria alertar os outros cantores, músicos e compositores brasileiros do passado (ou seus herdeiros e representantes) para a possibilidade de também reivindicar das gravadoras a posse de seus discos. E por que não, se está provado –como qualquer pesquisador ou historiador se prontificará a atestar– que elas não têm nenhum interesse por esse material e nem sabem que ele existe?

Cantores como Aurora Miranda, Blecaute, Carlos José, Gilberto Alves, Gilberto Milfont, Luiz Claudio, Marilia Batista, Marisa (“Gata Mansa”), Odete Amaral, Orlandivo, Roberto Paiva, Rosana Toledo, Sonia Delfino, a dupla Joel e Gaúcho, o Trio Nagô, o Quatro Ases e Um Coringa, o Coral de Ouro Preto e muitos outros, vivos ou mortos, não têm seus discos lançados há 40 ou 50 anos. Nenhum deles jamais saiu em CD no Brasil.

O mesmo quanto a músicos como o saxofonista Booker Pittman, o acordeonista Chiquinho, o gaitista Edu, a violonista Rosinha de Valença, o violinista Fafá Lemos, os pianistas Gadé, Carolina Cardoso de Menezes, Tia Amélia, Fats Elpidio e Luiz Reis, os maestros Zaccarias, Carioca e Cipó, e muitos, muitos mais.

Para as multinacionais Universal, EMI, Sony e Warner, esse gigantesco catálogo nacional, sobre o qual estão sentadas e imóveis, já não significa nada. Para o Brasil, ele representa a sua memória musical e a própria história.

* Escritor e jornalista, já trabalhou nos jornais e nas revistas mais importantes do Rio e São Paulo. Considerado um dos maiores biógrafos brasileiros, escreveu sobre Nelson Rodrigues, Garrincha e Carmen Miranda. Escreve as segundas, quartas, sextas e sábados na Página A2 da versão impressa da Folha.

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Bolachas resgata primórdios da beatlemania na Ilha

25/05/13

Música | Bandas locais

Marcos Espíndola

Banda tocou na marquise de uma loja no Centro da Capital em 1967 Foto: vinil filmes / divulgação

O ano é 1964, o cenário é o Centro de Florianópolis, e os atores eram os garotos da banda The Snakes, que como muitos, amavam os Beatles a ponto de serem conhecidos como os fab four ilhéus _ mas na verdade era um quinteto, como na formação original dos Beatles. A foto é um dos raros registros do documentário Bolachas, produção da Vinil Filmes e direção de Marco Martins, que estreará na Maratona Cultural de Florianópolis, domingo, às 15h, no Cinema do CIC. O filme é uma ode ao rock, da relação fraternal entre o gênero e seus entusiastas que passa por décadas, costumes e modelos (do vinil, cassete e CD à música digital). Veja o tumblr do projeto.

Bolachas traz depoimentos _ ricos e também irreverentes _ de músicos, artistas, pesquisadores e jornalistas. É um resgate da memória afetiva da Cidade sob a ótica do rock.

Na difícil tarefa de datar o desembarque do estilo na Ilha, Marco Martins partiu do primeiro registro fonográfico de uma banda na Ilha. É aí que o filme encontra os The Snakes. Os integrantes estão na ativa até hoje e lembram que a banda era “os Beatles com um jeito mané”. Foram para o Rio gravar disco como The Snakes e voltaram como Os Rubis. Foram obrigados a se refundarem por obrigação contratual, já que à época havia uma banda carioca com o mesmo nome da qual fazia parte um tal de Roberto Carlos. Nas malas trouxeram o álbum O Sabor de Avanço que, até que apresentem prova em contrário, é o primeiro disco de uma banda florianopolitana.

A foto cedida pela produção do Bolachas mostra os “quatro rapazes da Ilha” em um show sobre a marquise dos saudosos Ponto Chic e Confeitaria Chiquinho, na esquina mais efervescente do Centro da Capital. Para entender um pouco dessa relação passional e histórica entre a Ilha e a beatlemania. Paul McCartney até que demorou a aparecer por aqui. [Blog Contraversão - 21 de março de 2012]

* Marcos Espíndola é jornalista, titular da coluna Contracapa do caderno Variedades e integrante do programa Bola nas Costas, da rádio Atlântida. O ContraVersão é mais que a mera reunião dos conteúdos dos blogs do Marquinhos e Tra-la-lá (RIP), é a derradeira tentativa de se cavar uma nova trincheira, que opere por conta própria, independente da cobertura diária dos seus respectivos espaços no DC. Música, literatura, cinema, quadrinhos e todas as formas possíveis e subversivas de arte estarão sob o foco deste caleidoscópio da cobertura pop. A junta psiquiátrica que assiste este blogueiro agradece desde já a compreensão e o incentivo de todos. Afinal, pense bem: ele poderia estar roubando, né?

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Primeiros acordes – 2

25/05/13

Música | Ilha de Meu Som | Caindo na real

Márcio Santos

 

Snakes, banda criada em 1963

Um tempo depois, o Carmelo Faraco, o Rui Seara e o Berka formaram uma banda, provavelmente influenciados por aquele som e pela nova grande sensação de Floripa, The Snakes.

Os Firebirds ensaiavam num salão em cima da capela do colégio, que sofreu um incêndio e torrou, literalmente, o equipamento do pessoal. Mais tarde recuperaram-se, formando “Os Binos”, de grande sucesso nas tardes de domingo do Lira Tênis Clube.

Comecei a seguir de perto todas as apresentações dos Snakes, a revoltar-me quando meus avós levavam-me ao barbeiro Vaíco para cortar cabelo, impedindo-me de usar aquelas calças apertadas, botinhas longas, camisas estampadas, tentando imitar meus novos ídolos.

Um dos maiores orgulhos foi quando soube que o baixista (Waldir) namorava uma das minhas vizinhas e meus amigos e eu nos sentávamos no muro da creche (na Rua Major Costa) para vê-lo passar e notar e anotar seu modo de vestir e andar. Leia mais…

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Risco Grupo de Dança, neste terça, 21/5, no TAC 19h30

21/05/13

Bandoneon: um pequeno bailado é um trabalho coreográfico que está sendo desenvolvido e apresentado desde 2011 pelo Risco Grupo de Dança, com o objetivo de preservar e reinventar o balé em cena. Dirigido e coreografado por Ana Carolina Leimann, o grupo conta com dez bailarinas e é o resultado do envolvimento da técnica do balé clássico com o tango e os adornos – movimentos próprios do estilo da dança. O trabalho coreográfico foi criado a partir de estados emocionais e pequenas partituras corporais aliadas aos passos de balé clássico, fazendo conexão com características pertinentes ao tango: paixão, amor, disputa e conquista. Entrada: R$ 10,00 inteira e R$ 5,00 meia.

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Primeiros acordes – 1

18/05/13

Ilha de Meu Som | Em busca do caminho

Márcio Santos

Foto internet

Aprendi violão olhando as mãos ágeis de meu avô deslizar pelas cordas de seu impecável Di Giorgio, já que meu aprendizado de piano, no Colégio Imaculada Conceição, fora interrompido pelo falecimento da irmã Valtrudes, minha sereníssima e paciente professora, que fora a São Paulo fazer uma cirurgia que lhe fora fatal.

Tentava tocar qualquer coisa que ouvia, pois morando numa casa onde, além de meu pai (bastante versátil em seu gosto musical) e meu avô seresteiro, cada tio tinha uma preferência: tio Orildo gostava de clássicos e música regional (como Inezita Barroso e Luiz Vieira); tio Ney, que tivera experiências de palco, cantava as nordestinas e country; tio Lili, ainda, de bossa-nova, musicais da Broadway, Agostinho dos Santos e Dolores Duran, e paródias político-sociais (tipo Juca Chaves); além de minha tia e minha mãe que cultivavam o popular.

Já no início da década de 60, após o famigerado exame de admissão, ingressei no Colégio Catarinense, onde reiniciei as aulas de piano com o padre Tomé, logo substituído pelo professor Cancelier, cujo grande defeito era discriminar os alunos filhos da burguesia daqueles menos favorecidos, como era meu caso. É claro que em poucos meses desisti de ser humilhado por aquele energúmeno e novamente voltei-me ao violão, em casa, sozinho ou acompanhado por um vizinho, Paulo Antonio, com quem trocava idéias e compunha minhas primeiras e insípidas canções.

Mas foi lá no Catarinense que tive meus primeiros vislumbres artísticos: estava eu, numa das tardes  quando cumpria a “prisão” (castigo institucionalizado praticado pelos alunos indisciplinados, que tinham que voltar após o almoço para copiar páginas e paginas de livros escolhidos pelos professores), quando ouvi, pelos alto-falantes externos, uma música diferente de tudo o que já ouvira antes; no final do castigo, me dirigi à secretaria do estabelecimento para saber quem era que tocava aquilo. O padre-prefeito – Montenegro – disse-me que um dos alunos, em férias na Inglaterra, trouxera um compacto simples de um novo conjunto que iniciava sua carreira de grande sucesso, chamado The Beatles. Aquilo mudara totalmente minha concepção musical e procurei conhecer um pouco mais daquele grupo.

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Piano Voci, neste terça, 14/5, no TAC 19h30

14/05/13

Criado pela pianista Bernadete Castelan Póvoas, o grupo é integrado pelas sopranos Cláudia Todorov e Rute Gebler, o tenor Fernando Carli e o barítono Schäfer Júnior. Atuando desde 2009 com apresentações em diversas cidades catarinenses, os artistas trazem ao palco sua vasta experiência musical com diferentes gêneros, como música de câmera em diferentes formações, ópera/opereta e coral. O repertório do Piano Voci inclui compositores brasileiros como Nepomuceno, Babi de Oliveira e Marlos Nobre. Obras internacionais também estão presentes no show, com músicas de Liszt, Grieg, Massenet e Debussy. Entrada: R$ 10,00 inteira e R$ 5,00 meia.

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Viva Ziza

7/05/13

É a atração de logo mais às 19h30 no Teatro Álvaro Carvalho com Cláudia Barbosa, cantora e filha do poeta Zininho. Cláudia reúne músicos de Florianópolis para uma homenagem ao autor do hino de Florianópolis, o Rancho de Amor à Ilha. Falecido em 1998, Zininho completaria 84 anos em 2013. O show Viva Ziza terá repertório exclusivamente formado por canções de autoria de Zininho, que nas décadas de 1940 a 1960 compôs mais de 100 músicas. São criações que vão da marchinha ao samba-canção, como a Rosa e o Jasmim, Quem é que não chora, Princesinha da Ilha, entre outras. O programa faz parte do projeto TAC 07h30 com ingressos ao preço de R$ 10,00 inteira e R$ 5,00 a meia entrada.

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Na era do rádio – 3

4/05/13

Ilha de Meu Som | Os sonhos, a busca

Márcio Santos

Saindo do transe, decepciono-me ao ver-me em pleno século XXI e, em minha última viagem ao passado, sinto-me ainda entrando nos anos 1960 quando a praga da TV ainda não havia invadido nossos lares, permitindo-nos essa convivência com a música da forma mais pura e natural. Até ali, só conhecia os artistas pelas fotos e reportagens da revistas semanais Manchete, Cruzeiro, Fatos & Fotos e da Revista do Rádio, e lembro-me de minha tia bordando as faixas de “Rainha do Rádio” para Emilinha Borba, enquanto manifestava sua indignação pela vulgar Marlene julgar-se “a tal”!

Lúcio Cabral (E), Dino Souza, De Maria e Altair Castelan

Naquele tempo, quem estudava no turno matutino tinha aula aos sábados das oito às 10 horas e quem estudava à tarde, das 10 ao meio dia. Naturalmente, sempre quis estudar à tarde, pois detestava acordar cedo, mas minha família preferia que o fizesse pela manhã.

Pois foi num desses sábados, quando perdi o ônibus das 10h10min e tive que voltar a pé do Colégio Imaculada Conceição (na Rua Esteves Júnior) para casa que, passando pela Praça XV de Novembro avistei muita gente na porta da Rádio Diário da Manhã (onde hoje está a agência Bradesco da praça XV) e resolvi ver o que estava acontecendo.

Subi a infinita escada, abrindo caminho no meio da multidão que se aglomerava em seus degraus e, quando cheguei o topo, deparei-me com um auditório, também lotado, frente a um palco onde minha vizinha Alda Jacinto contracenava com outros atores de radionovelas, enquanto o contraregra Manuel Bruno, um pouco mais atrás, desempenhava seu papel frente a uma mesa com microfones, serrotes, cascas de coco, sinetas e outros objetos estranhos. Leia mais…

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Revivendo o Dia Nacional do Choro

30/04/13

Cláudia Barbosa, repórter

 

Luciana Rabello

No Dia 23 de abril, comemora-se o Dia Nacional do Choro em homenagem ao nascimento de Pixinguinha, um dos grandes músicos do gênero que nos deixou um acervo com mais de duas mil composições.  As comemorações ocuparam as ruas, bares e praças do país e em Florianópolis não foi diferente:  os chorões se espalharam pela cidade e receberam a visita de um dos nomes mais importantes do choro brasileiro da atualidade: Luciana  Rabelo.

Cavaquinista desde sua juventude, Luciana aos 16 anos já havia gravado disco com outros jovens músicos de choro, entre eles seu irmão Raphael Rabello, violonista de renome mundial (falecido em 1995) e com o também violonista Maurício Carrilho.

Com Maurício, Luciana mantém parceria que se expandiu para a criação da  ACARI Records,  primeira gravadora no Brasil dedicada ao choro e também à criação da Escola Portátil de Música, exclusiva para o ensino do choro e seus fundamentos, pela qual já passaram milhares de músicos nacionais e estrangeiros.

Julião e Luciana

À convite do bandolinista Geraldo Vargas, Luciana estreou em palcos ilhéus acompanhada pelo próprio músico – organizador do evento e batalhador da divulgação do ritmo no estado e da disseminação do choro ilhéu pelo país – e pelo grupo Ginga do Mané, formado pelos músicos Bernardo Sens na flauta, Fabrício Gonçalves no pandeiro, Fernanda da Silveira no cavaquinho, Raphael Galcer, Júlio Córdoba  e Marcelo Portela nos violões e do violão de 7 cordas de  Julião Rabello Pinheiro, filho da cavaquinista com o compositor Paulo César Pinheiro.

A primeira apresentação foi na sexta 19/4, ao meio dia, no jardim do Palácio Cruz e Sousa, no coração da cidade.  A reação do público que passava pelo calçadão da Trajano foi instantânea: as pessoas que transitam diariamente por aquele local, apressadas, indo ou voltando em seu horário de almoço (e que não estão acostumadas à frequentar o Palácio Cruz e Sousa por encontrá-lo normalmente com os portões fechados),  ouviam  a música que vinha do jardim e adentravam curiosas e incrédulas com tamanha beleza da musicalidade e harmonia que invadia o centro da cidade, ocupando o jardim, os bancos e escadas do Palácio.  Luciana dedicou essa apresentação à jovem cavaquinista ilhoa Fernanda da Silveira, que atualmente dedica-se ao choro na Escola Portátil de Música no Rio de Janeiro.

Na mesma sexta, dia 19/4, Luciana se apresentou no Empório Mineiro, Café do Shopping Via Lagoa, onde o choro é praticado semanalmente todas as quintas- feiras às 20h, com Geraldo Vargas e o grupo Ginga do Mané.

No sábado, dia 20/4,  as comemorações se concentraram na região de Santo Antônio de Lisboa, com apresentações ao meio dia na Cantina Sangiovese – restaurante especializado em vinhos e melhor gastronomia do estado, premiado duas vezes pela Revista Veja e um dos apoiadores da turnê da cavaquinista pela Ilha.

À noite foi a vez de descer a rua e apresentar o melhor do choro brasileiro no Coisas de Maria João, café e risotteria também responsável pela melhor programação cultural da cidade.

A pequena turnê encerrou-se no domingo 21/4, na Pousada do Museu, no Ribeirão da Ilha.  A pousada, localizada num dos locais privilegiados da Ilha, também apoiou a vinda de Luciana à Florianópolis e proporcionou um espetáculo comovente, formando um cenário incrível, com céu de brigadeiro e mar de almirante onde a convidada e os músicos comemoravam,  satisfeitos  e embevecidos, o sucesso da pequena turnê.

O choro no Ribeirão começou às 17h, junto com o pôr do sol, e alastrou-se noite adentro, com músicos, plateia e a rainha do choro, juntos em roda, tocando e cantando displicentemente.

E Florianópolis, tão carente de eventos culturais de qualidade, registra em sua história um dos encontros musicais mais belos e importantes da música brasileira.

Ficha técnica do podcast: Papo de Anjo de Radamés Gnatalli, interpretado por Luciana Rabello, cavaquinho; Geraldo Vargas, bandolim; Bernardo Sens, flauta; Julião Pinheiro, violão 7 cordas; Raphael Galcer, violão; Júlio Cordoba, violão e Fabrício Gonçalves, pandeiro. Som: Cláudia (mini-gravadora Sony).

Luciana, Julião, Geraldo e Ginga do Mané: a cidade agradece!

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Pérolas musicais

25/04/13

Ricardo/Internet

Mais do que o romantismo de um época, a quinta edição do espetáculo Pérolas Musicais – uma homenagem aos compositores brasileiros – é a recuperação da memória de uma fase das mais ricas de toda a história da música popular brasileira. A apresentação visa preservar o que o país tem de melhor de sua música e ao mesmo tempo serve como instrumento para que as gerações mais jovens percebam o valor do que foi criado pelos seus antepassados. Pois a MPB, como a música clássica, não tem idade, não é moda, não se ofusca pela passagem dos anos, pelo contrário, mais se identifica com o bom gosto do público. A iniciativa do maestro José Ribeiro/Zezinho (violão semiacústico) reúne conhecidos músicos e intérpretes locais, mas com reconhecimento nacional: Nelson Padilha (piano e acordeom), Valter da Silva (contrabaixo), Roberto Ribeiro (bateria), Roberto Ribeiro Júnior (percussão) e Paulo Rampinelli (flauta e saxofone). Cantoras: Patrícia Ribeiro, Débora Machado, Ana Cláudia Mondini Ribeiro e Gabriela Caldeira de Andrada.

A apresentação será hoje, às 20h30 no Teatro Pedro Ivo, Rod. SC – 401, 4.600. Saco Grande, Florianópolis, SC. Ingresso gratuito, mas você pode colaborar com um litro de leite.

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Ave Maria no Morro *

17/04/13

“E o morro inteiro, no fim do dia, reza uma prece, Ave Maria”; era assim que o Trio de Ouro cantava esse verdadeiro hino de amor ao morro carioca. Era um tempo em que no morro nasciam grandes artistas e talentos musicais que deixaram suas marcas na historia da música popular brasileira. Cartola, Heitor dos Prazeres, Nélson Cavaquinho e tantos outros inspirados compositores, poetas populares que cantavam as alegrias e tristezas do morro, da vida. O samba que segundo Vinícius de Moraes, nasceu na Bahia, cresceu e se tornou um adulto  famoso nos morros do Rio de Janeiro.

O Tempo do saudoso samba de morro foi o tempo em que o talento dos compositores e cantores brasileiros dominou a programação musical das emissoras de rádio. Leia mais…

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