Arquivo de autor para Fernando Morgado

O inventor da TV colorida

25/03/13

Muitos talvez não saibam que a televisão colorida foi inventada por um mexicano: Guillermo González Camarena. Engenheiro, cientista, pesquisador — inclusive no campo da medicina —, astrônomo, hipnólogo, apaixonado pela história mexicana e compositor. O dinheiro ganho com a canção Rio Colorado ajudou Camarena, autodidata em todos os setores nos quais se envolveu, a pagar pela patente que lhe daria reconhecimento mundial: El equipo cromoscópico adaptado para la televisión. Trata-se do primeiro sistema de TV a cores do mundo, desenvolvido entre o final dos anos 1930 e o início dos anos 1940.

A eletrônica foi uma paixão de Guillermo González Camarena desde a infância. Nascido em 17/2/1917 na cidade de Guadalajara, o jovem Guillermo fazia seus próprios brinquedos elétricos e equipamentos de transmissão e recepção de rádio. Aos 18 anos de idade, construiu, usando sucatas, a sua primeira câmera de televisão em preto-e-branco. Essa experiência o estimulou a tentar colocar cores na imagem da TV. Vale lembrar que tudo isso aconteceu numa época em que a televisão mal havia começado nos Estados Unidos e na Europa e nem havia sido inaugurada oficialmente no México — algo que só ocorreria em 1950. Leia mais…

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América Latina: comunicação e integração

30/01/13

Difícil afirmar se é por consequência de fatores históricos ou reflexo do nosso tamanho territorial e econômico, mas, em geral, os brasileiros parecem demonstrar pouco interesse pelo que acontece nos outros países da América Latina. As discussões sobre os rumos políticos, sociais, culturais e comerciais da região ainda costumam ser bastante superficiais. Muitas vezes, nós mesmos esquecemos que também somos latinos e que este está longe de ser um atributo restrito aos que tem o espanhol como língua nativa.

Aqui, falarei especificamente do que acontece no campo da mídia, que teria tudo para registrar um nível mais avançado de diálogo. A maioria dos estudiosos e profissionais da área no Brasil ainda desconhece quem são os profissionais mais importantes ou quais os diversos casos interessantes de inovação no rádio, na TV, na mídia impressa e até na internet latino-americanas. Esse tipo de informação traria uma infinidade de novas formas de trabalho que poderíamos aproveitar rapidamente, dada a proximidade geográfica, e com menores custos, pois a nossa moeda está mais forte do que a dos países vizinhos. São vantagens que não podem ser ignoradas e despontam como motivos suficientes para deixarmos de ter somente os Estados Unidos e a Europa como referenciais. Leia mais…

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TV para latinos em inglês

19/11/12

Há quase cinco anos, tenho escrito sobre a força da televisão latina nos Estados Unidos. Em Caso Univision: hispanidade multimídia, contei a história de formação dessa rede que, mesmo com uma programação 100% em espanhol, possui audiência maior que CBS, ABC, NBC e Fox em muitos horários e targets importantes.

Foi nos anos 1960 que surgiram os primeiros canais para latinos em território estadunidense, mas a explosão desse mercado viria mesmo a partir dos anos 1980. Ou seja: se analisarmos somente desde a década de 1980 para cá, são três gerações de hispânicos que consomem mídia em espanhol nos Estados Unidos, mas que, ao mesmo tempo, também absorveram o inglês e a cultura do país que escolheram para viver. Viver dois idiomas e dois universos culturais tão distintos acabou se tornando mais um diferencial desse público, que foi um dos únicos que vem conseguindo resistir à crise econômica pela qual passam os EUA.

Essa mistura acabou criando grandes desafios para todas as redes de TV. Aquelas que transmitem em inglês descobriram que poderiam alcançar os hispânicos sem falar espanhol. Já aquelas que transmitem em espanhol viram que, para crescerem, teriam que partir também para o anglo-saxônico. Leia mais…

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O papel da mídia pública

12/11/12

Em 2012, completam-se 5 anos da constituição da Empresa Brasil de Comunicação S.A. – EBC. O inciso I do artigo 2º da Lei 11.652/2008, que originou a EBC, prevê que a prestação de serviços de radiodifusão pública pelo Executivo deverá observar a “complementaridade entre os sistemas privado, público e estatal”, ecoando determinação constante no art. 223 da Constituição Federal. Mas, afinal, existe mesmo essa tal complementariedade? Qual seria o papel do sistema público de radiodifusão no Brasil?

Na Europa, tudo começou com os monopólios criados por cada país para controle do rádio, dentro do esforço de guerra. Passado o combate, estes monopólios foram sendo passados para as mãos da sociedade, na forma de programações com foco cultural e informativo, de conselhos gestores com representantes dos mais diversos segmentos sociais e de modelos de financiamento menos – ou nada – dependentes do Estado. Leia mais…

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Fernando Morgado: entrevista sobre Hebe Camargo para a Rádio Globo

8/10/12

Em 29 de setembro, Fernando Morgado concedeu entrevista ao jornalista Maurício Bastos, da Rádio Globo, durante o programa Agito Geral Especial, que foi dedicado à cobertura do falecimento de Hebe Camargo.

Na entrevista, Fernando Morgado falou sobre a carreira de Hebe no rádio.

 

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O marketing no rádio e na TV

4/06/12

O mundo está mudando rapidamente e isso, em grande parte, se deve ao incessante aumento da oferta e do consumo de informação e entretenimento. É certo que a Internet é uma das protagonistas deste processo, mas grande parte do que ela promove vem das mídias tradicionais, a começar pelo rádio e pela TV aberta, que, juntas, compõe o setor de radiodifusão. O Brasil se destaca neste campo, pois perde apenas para os EUA em número de emissoras comerciais de rádio (são mais de 4 mil) e sua TV aberta alcança índices de audiência muito superiores aos da média mundial.

A permanência dessa hegemonia passa por uma adaptação aos novos tempos, considerando não apenas a expansão das outras mídias como também de novas formas de gestão. Profissionalização tornou-se uma palavra de ordem e o marketing virou a mola mestra deste processo, afinal, com ele, estimula-se a visão integrada de todas as partes do negócio – da produção à distribuição, passando pelo atendimento ao mercado anunciante – e, principalmente, gera-se um maior comprometimento com as demandas da audiência, em detrimento dos gostos pessoais de donos, gestores e até talentos da emissora. Leia mais…

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Mídia: discutindo a discussão

25/03/12

Juntamente com o do meio ambiente, nenhum outro futuro tem sido tão discutido quanto o da comunicação. Nos últimos anos, temos assistido — e participado — de uma intensa troca de opiniões, tentando prever o que acontecerá com a forma como nos informamos, nos entretemos e nos relacionamos  — com outras pessoas e com as marcas. E por que esse tema ganhou tanto espaço?

1) Porque vivemos na sociedade do conhecimento. Como o conteúdo é a base para geração de conhecimento, logo, discutir a forma como iremos adquirir e consumir conteúdo é também refletir sobre a formação dos alicerces da sociedade no futuro! Isso já é motivo suficiente para demonstrar a relevância desse tema e o quanto ele impacta a vida de todas as pessoas. Leia mais…

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O destino da mídia de massa

1/02/12

Os incessantes avanços tecnológicos, além da detecção (e criação) de novas demandas por parte da audiência, fizeram da segmentação um dos alicerces da nova indústria da comunicação. Contudo, é importante lembrar que este conceito está longe de ser uma novidade, vide o trabalho dos meios rádio e revista. Exatamente por isso é que se deve ter cautela ao ouvir previsões sobre um possível fim da mídia de massa, afinal, desde o nascimento da imprensa, o generalismo e a especialização sempre caminharam juntos e de forma complementar. Mesmo com as diversas transformações que o mundo está vivendo, se olharmos com frieza tanto do lado da audiência quanto dos produtores de conteúdo, veremos que não há motivo real para se temer uma mudança neste panorama. Leia mais…

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Novo site de Fernando Morgado estreia nesta 2ª feira (30)

26/01/12

Nesta segunda-feira, 30 de janeiro, entra no ar o novo site do professor e pesquisador Fernando Morgado. Agora, todos os seus artigos serão publicados neste novo espaço, que conta com novo leiaute, novo endereço (fernandomorgado.com.br), novo servidor e ainda maior integração com as principais redes sociais.

Além disso, os mais de duzentos textos publicados por Fernando Morgado durante os últimos quatro anos também foram trazidos para o novo fernandomorgado.com.br e ganharam novos dados, imagens e vídeos.

Todo o desenvolvimento deste novo site foi realizado por Bruno Gosling, um dos mais importantes arquitetos de informação do Brasil.

Em 2009, o site de Fernando Morgado foi um dos ganhadores do 1º Prêmio Top Blog, promovido pelo Grupo Objetivo/Universidade Paulista em parceria com a TV Vanguarda (afiliada Rede Globo). Dentre os 73 mil inscritos, ele ficou entre os cem blogs profissionais mais votados na categoria comunicação e, ao final, foi escolhido como um dos três melhores do Brasil pelo júri da premiação.

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O Rádio e a Rede

16/01/12

No dia 8 de outubro de 2010, foi publicado na página da Associação Paraibana de Imprensa (API) um ótimo artigo assinado pelo secretário-geral da instituição, Gilson Souto Maior, sobre a relação entre o rádio e a Internet. O texto repercute também algumas das considerações que fiz em “O futuro do rádio”. Abaixo, leia a reprodução do artigo de Gilson Souto Maior:

O Rádio e a Rede

Num artigo onde ele faz abordagem sobre o marcado do Rádio e TV, o conhecido homem de comunicação Fernando Morgado, fala sobre os futurólogos do setor que pregavam a extinção de determinadas formas de comunicação todas as vezes que surgiam novidades tecnológicas.  E o Rádio sempre foi visto como a bola da vez, não sendo, portanto, nenhuma novidade que alguns continuem assim pensando. Leia mais…

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“Os Ossos do Barão”: o resgate da abertura original

10/12/11

Em 7 de dezembro de 2011, a colunista Cristina Padiglione, d’O Estado de São Paulo, publicou uma nota que marcou a conclusão de um projeto importante para todos aqueles que amam a TV brasileira e preocupam-se com a preservação da sua história. Tive o prazer ter trabalhado nesta iniciativa, que começou com um sonho do doutor em teledramaturgia pela USP e consultor da TV Globo, Mauro Alencar: reconstituir a abertura de novelas fundamentais, mas que acabaram sendo perdidas por causa de incêndios ou problemas derivados da má conservação. Os Ossos do Barão (1973) era sua primeira meta. Leia mais…

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A terceira era do rádio e da TV

25/09/11

No dia 25 de setembro é comemorado o dia da radiodifusão. Revisitar o passado é uma prática comum — e saudável — em datas como esta. De certa forma, também vou fazê-lo neste artigo, mas com o objetivo de mostrar como as emissoras de rádio e televisão foram mudando a forma como viabilizam financeiramente suas atividades até chegar aos dias atuais, quando as novas tecnologias impõem uma reflexão profunda sobre a dinâmica do mercado de mídia em todo o mundo.

Do ponto de vista comercial, podemos dividir a história da radiodifusão em três eras, de acordo com o que as emissoras efetivamente entregam aos seus anunciantes. Assim como em outras ‘eras’ do marketing, as que proponho aqui não possuem início ou final definidos, mas sinalizam práticas que prevaleceram — ou ainda prevalecem — no mercado e permitiram que as emissoras se mantivessem economicamente viáveis durante todos estes anos. Também não se tratam de modelos certos ou errados, mas apenas diferentes entre si. Em comum entre eles, somente o fato de terem nascido como uma resposta das empresas às mudanças sofridas pelo seu ambiente de negócios e das quais não poderiam mais fugir. Leia mais…

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A força do rádio

7/08/11

Sendo a única mídia que ainda supera a audiência da televisão em algum momento do dia — no caso, pela manhã — e estando presente em 87,9% dos domicílios brasileiros (PNAD 2009), é indiscutível que o rádio mantém-se relevante enquanto atratora de público e geradora de negócios. Mais do que isso: é uma das únicas mídias que trata a prestação de serviço público como um diferencial competitivo e não como um estorvo. Tudo isso fica ainda mais evidente durante os momentos críticos vividos por uma sociedade, quando uma informação pode, literalmente, salvar milhares de vidas. Para comprovar isso, nem será necessário recorrer aos conhecidos exemplos da chamada “era de ouro”. Mesmo em tempos de iMacs, iPhones e iPads, nada supera a força do rádio como fonte onipresente de informação nas horas mais importantes, mesmo nos países tecnologicamente mais desenvolvidos. Leia mais…

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Silvio Santos no rádio

1/05/11

Silvio Santos no rádio (PaginaDoSilvioSantos.com)

Fernando Morgado

A extensa e variada carreira de Silvio Santos na televisão e no mundo dos negócios já foi alvo de diversos artigos na imprensa e na academia, mas, curiosamente, ainda é pouco repercutido o interessante caminho trilhado por ele no rádio, a mídia que o revelou e consagrou no Rio de Janeiro e em São Paulo.

Apesar de hoje cumprir apenas o papel de ouvinte — já tendo declarado diversas vezes que costuma acompanhar a Jovem Pan AM enquanto dirige seu carro rumo ao SBT —, Silvio ocupou tantos postos de trabalho no rádio quanto na TV: de locutor comercial a comunicador, chegando a ser proprietário de emissoras.

O início na Guanabara
Tudo começou quando ele ainda tinha catorze anos de idade e atraia multidões nas calçadas do centro do Rio de Janeiro com suas mágicas, vendendo carteiras para título de eleitor, canetas, anéis, bonecas e outros artigos. Vários guardas já haviam tentado capturá-lo, mas sua conversa fácil e voz inconfudível acabavam por impressionar os populares, que chegavam a se mobilizar para impedir que o jovem camelô fosse levado para a cadeia.

Impressionado com tanto poder de comunicação, o então diretor de fiscalização da Prefeitura, Renato Meira Lima, teve uma ideia: ao invés de apreender Silvio — que ainda era chamado por seu verdadeiro nome, Senor Abravanel —, resolveu indicá-lo para participar de um teste de locutores na Rádio Guanabara. Na época, a emissora pertencia a Jorge de Matos, dono do Café Globo, e, alguns anos mais tarde, passaria às mãos da Bandeirantes — rede a qual pertence até hoje. Leia mais…

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Memória da radiodifusão catarinense

10/03/11

Fernando Morgado — Fui presenteado pelo amigo Antunes Severo, editor do portal Caros Ouvintes, com o livro Memória da radiodifusão catarinense (Insular, 2009). Severo foi o consultor deste trabalho promovido pela Associação Catarinense de Emissoras de Rádio e Televisão (ACAERT) e que contou com a coordenação do jornalista Marco Aurélio Gomes. Trata-se do resultado de três anos de pesquisas que envolveram o depoimentos de muitas das figuras mais importantes na história da comunicação catarinense, além da consulta à diversas publicações acadêmicas e ao acervo das estações associadas à ACAERT. Leia mais…

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Colômbia: novo polo internacional de TV

20/02/11

Fernando Morgado

A televisão latino-americana é mundialmente reconhecida pelas características muito particulares das suas produções, que são originalmente criadas para um público cujo gosto é igualmente particular. Os programas de auditório e as telenovelas são dois grandes exemplos de gêneros que encontraram na América Latina uma terra fértil para se desenvolverem, tendo Brasil, México e Argentina como tradicionais líderes. A Venezuela também chegou a ocupar um papel de maior relevância neste cenário, mas a sua atual conjuntura política e econômica acabou prejudicando muito o mercado audiovisual daquele país. Das duas maiores produtoras de TV existentes em Caracas, uma — RCTV — perdeu sua rede de emissoras, e a outra — Venevisión — viu-se obrigada a transferir praticamente todas as suas telenovelas para Miami, onde os contatos para vendas internacionais são facilitados e os custos de produção são menores.

Menores custos de produção e estabilidade política foram justamente alguns dos fatores que fizeram os maiores grupos internacionais de comunicação voltarem seus olhos para um país que, até o final dos anos 1990, não possuía tradição alguma neste setor: a Colômbia. Do monopólio estatal até a tardia abertura ao capital privado, já se passaram quase 60 anos de uma história que, de tão inusitada, ajudou a criar condições únicas que transformaram Bogotá no novo polo latino da indústria televisiva. Leia mais…

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A nova era do rádio AM

20/01/11

JB AM: anúncio da Grottera&Cia. de 12/1/1990Fernando Morgado

Mesmo tendo sido publicado há vinte anos atrás (12/1/1990) e desta emissora já não existir mais — muito por causa da crise financeira sofrida pelo diário que lhe deu nome —, este anúncio criado pela Grottera&Cia. para a Rádio Jornal do Brasil AM ainda tem pontos interessantes de serem discutidos (clique nele para ampliar). Vivia-se a explosão do FM, que, naquele momento, ainda era visto como uma novidade tanto pelos ouvintes quanto pelo mercado anunciante. Mesmo assim, muitas das emissoras de maior audiência do rádio ainda estavam no AM — fenômeno que permanece até hoje.

Conforme o anúncio sugere, o som produzido e transmitido pelas estações AM tem qualidade idêntica ao das FMs — bastar ir ao estúdio de qualquer emissora para comprovar isso. A diferença, segundo diversos especialistas, está mais concentrada nos receptores de amplitude modulada, que são cada vez mais difíceis de serem encontrados e que costumam ter peças de menor qualidade. Além disso, no caminho percorrido entre a torre e o radinho, as ondas em AM enfrentam obstáculos cada vez maiores, como a fiação elétrica não-aterrada na maioria das cidades, as lâmpadas fluorescentes e o funcionamento de outros aparelhos eletrônicos que causam interferência. Com isso, a mobilidade tão marcante do rádio foi prejudicada, o que quase restringiu o AM à audiência domiciliar, alimentando o tal “preconceito” citado no anúncio.

Enquanto isso, o FM veio trazendo maior robustez de sinal, fator ideal para prevalescer num espaço aéreo cada vez mais disputado em todo o mundo.

A ida das emissoras líderes no AM para o FM é um caminho sem volta e que devolve para essas grandes marcas a audiência jovem e dinâmica que sempre foi delas. O FM extendido seria mais um passo importante para o avanço deste processo, servindo até mesmo como uma alternativa ao rádio digital, com a vantagem de não exigir que o ouvinte gaste seu dinheiro comprando novos receptores que, no exterior, nunca saem por menos de 100 dólares.

A qualidade de conteúdo das emissoras nascidas no AM permance a mesma e, agora, além das frequencias tradicionais, elas chegam também pelo FM, pelos celulares, pelos smartphones e pela Internet. Com tudo isso, o mercado dá atenção cada vez maior ao rádio, que vem crescendo sua receita e audiência a taxas bastante expressivas nos últimos anos.

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Rádio e Internet: integração e inovação

27/10/10

Fernando Morgado

Conforme já sinalizei em artigos anteriores, a Internet deve ser sempre encarada como aliada (e não vilã) do novo momento pelo qual passa a comunicação de massa. O rádio brasileiro tem dado diversos exemplos de como a grande rede pode auxiliar na reinvenção das mídias tradicionais e torná-las “inoxidáveis”, como bem define Tuta Carvalho, diretor-presidente da Jovem Pan.

Estudos realizados nos Estados Unidos apontam os sites de rádio como os que registraram maior crescimento em seus lucros, em comparação com as páginas de outras mídias. A causa deste fenômeno pode estar no fato da Internet e o do rádio possuírem diversas semelhanças no âmbito comercial, como, por exemplo, alta capacidade de segmentação e importante presença de anunciantes diretos. Além disso, a forma tradicional de consumo da programação (linear e ao vivo) permanece como a preferida pelos ouvintes também nos computadores, preservando a relevância dos comerciais durante as atrações on air. Com tudo isso, criam-se condições sólidas para que o rádio experimente novos serviços de informação e entretenimento que, num futuro breve, podem tornar-se relevantes fontes de receita tanto dentro quanto fora da rede.

Em seu portifólio, o Sistema Globo de Rádio (SGR) possui quatro marcas exclusivamente online: Multishow FM, Rádio GNT, Rádio Zona de Impacto e Globo FM, sendo que esta última nasceu no dial e desde 2005 está só na Internet. A Globo FM, inclusive, foi a primeira rádio online do Brasil que chegou a contar com afiliadas on air (em Maringá e Curitiba, no Paraná), provando que não há mais limites para as diversas formas de distribuição de conteúdo. Além destas, o SGR também mantém outras dezenas de rádios online através do portal Globoradio.com.

Em São Paulo, a Jovem Pan criou uma nova linguagem de comunicação, com características muito particulares. Definido como “rádio com imagem”, o portal JP Online oferece (de graça) vídeos com comentários, entrevistas e reportagens sobre diversos temas, além de um imenso acervo musical. A produção desses novos conteúdos é resultado da convergência de conceitos da produção vindos de três mídias: rádio (como o imediatismo da notícia e a capacidade de improviso dos jornalistas, por exemplo); Internet (complementação da informação com textos e links, além de espaço para comentários e compartilhamento via redes sociais) e TV (originada da experiência de dois dos maiores nomes da história deste meio: Tuta Carvalho e Nilton Travesso, diretor da JP Online). Além do acervo de vídeos gravados, o portal apresenta duas edições ao vivo do jornal “Hora da Notícia” (às 12h e 18h) da mesma forma como poderia acontecer num canal de televisão.

Em Porto Alegre, a Rádio Gaúcha também expandiu as fronteiras do rádio ao levar a geração ao vivo da 2ª edição do Chamada Geral para dentro do helicóptero RBSCOP, da RBS TV. Enquanto os ouvintes acompanhavam o som das notícias do trânsito no fim de tarde, os internautas puderam assistir pelo portal clicRBS as imagens geradas do helicóptero, cuja direção de imagens era sempre subordinada à fala do apresentador André Machado. Três repórteres em terra complementavam a cobertura e, enquanto falavam pelos celulares, eram focalizados pela câmera instalada na dianteira do RBSCOP. O jornalismo da Gaúcha aproveitou a oportunidade para denunciar problemas relacionados ao transporte na Grande Porto Alegre, cobrando soluções por parte das autoridades.

Outro bom exemplo de integração entre as mídias foi dado pela carioca Super Rádio Tupi, cuja cobertura do Carnaval (liderada por Eugênio Leal) foi além das transmissões ao vivo da Marquês de Sapucaí. O Tupi Carnaval Total contou com boletins e programas no AM/FM, blog, premiação para os melhores do ano e uma rádio online 24h dedicada à folia, com entrevistas, debates, sambas-enredo e áudios de carnavais antigos vindos do acervo quase centenário da emissora.

Nas palavras do comunicador e gerente da Rádio Globo, Marcus Aurélio, “o rádio ganhou uma namorada, a Internet”. Este artigo buscou apresentar apenas alguns dos muitos frutos desse namoro no Brasil, que resulta em inovação, renovação e certeza de um futuro ainda mais promissor para a comunicação de massa produzida por especialistas.

Rádio e Internet: integração e inovação

Conforme já sinalizamos em artigos anteriores, a Internet deve ser sempre encarada como aliada – e não vilã – do novo momento pelo qual passa a comunicação de massa. O rádio brasileiro tem dado diversos exemplos de como a grande rede pode auxiliar na reinvenção das mídias tradicionais e torná-las “inoxidáveis”, como bem define Tuta Carvalho, diretor-presidente da Jovem Pan.

Estudos realizados nos Estados Unidos apontam os sites de rádio como os que registraram maior crescimento em seus lucros, em comparação com as páginas de outras mídias. A causa deste fenômeno pode estar no fato da Internet e o do rádio possuírem diversas semelhanças no âmbito comercial, como, por exemplo, alta capacidade de segmentação e importante presença de anunciantes diretos. Além disso, a forma tradicional de consumo da programação (linear e ao vivo) permanece como a preferida pelos ouvintes também nos computadores, preservando a relevância dos comerciais durante as atrações on air. Com tudo isso, criam-se condições sólidas para que o rádio experimente novos serviços de informação e entretenimento que, num futuro breve, podem tornar-se relevantes fontes de receita tanto dentro quanto fora da rede.

Em seu portifólio, o Sistema Globo de Rádio possui quatro marcas exclusivamente online: Multishow FM, Rádio GNT, Rádio Zona de Impacto e Globo FM, sendo que esta última nasceu no dial e desde 2005 está exclusivamente na Internet. A Globo FM, inclusive, foi a primeira rádio online do Brasil que chegou a contar com afiliadas on air (em Maringá e Curitiba, no Paraná), provando que não há mais limites para as diversas formas de distribuição de conteúdo. Além destas, o SGR também mantém outras dezenas de rádios online através do portal Globoradio.com.

Em São Paulo, a Jovem Pan criou uma nova linguagem de comunicação, com características muito particulares. Definido como “rádio com imagem”, o portal JP Online oferece gratuitamente – além de conteúdos sonoros ao vivo e em podcast vídeos com comentários, entrevistas e reportagens sobre diversos temas, além de um imenso acervo musical. A produção desses novos conteúdos é resultado da convergência de conceitos da produção vindos de três mídias: rádio (com o imediatismo da notícia e a capacidade de improviso dos jornalistas, por exemplo); Internet (complementação da informação com textos e links, além de espaço para comentários e compartilhamento via redes sociais) e TV (originada da experiência de dois dos maiores nomes da história deste meio: Tuta Carvalho e Nilton Travesso, diretor da JP Online). Além do acervo de vídeos gravados, o portal apresenta duas edições ao vivo do jornal “Hora da Notícia” (às 12h e 18h) da mesma forma como poderia acontecer num canal de televisão.

Em Porto Alegre, a Rádio Gaúcha também expandiu as fronteiras do rádio ao levar a geração ao vivo da 2ª edição do “Chamada Geral” para dentro do helicóptero RBSCOP, da RBS TV. Enquanto os ouvintes acompanhavam o som das notícias do trânsito no fim de tarde, os internautas puderam assistir pelo portal clicRBS as imagens geradas do helicóptero, cuja direção de imagens era sempre subordinada à fala do apresentador, André Machado. Três repórteres em terra complementavam a cobertura e, enquanto falavam pelos celulares, eram focalizados pela câmera instalada na dianteira do RBSCOP. O jornalismo da Gaúcha aproveita a oportunidade para denunciar problemas relacionados ao transporte na Grande Porto Alegre, cobrando soluções por parte das autoridades. http://mediacenter.clicrbs.com.br/radio-gaucha-player/232/player/115046/chamada-geral-percorre-com-o-rbscop-a-br-116-14-05-2010-17h/1/index.htm

Outro bom exemplo de integração entre as mídias foi dado pela carioca Super Rádio Tupi, cuja cobertura do Carnaval foi além das transmissões ao vivo da Marquês de Sapucaí. O “Tupi Carnaval Total” contou com boletins e programas na programação AM/FM, blog, premiação para os melhores do ano e uma rádio online 24h dedicada à folia, com entrevistas, debates, sambas-enredo e áudios de carnavais antigos vindos do acervo quase centenário da emissora.

Nas palavras do comunicador e gerente da Rádio Globo, Marcus Aurélio, “o rádio ganhou uma namorada, a Internet”. Este artigo buscou apresentar apenas alguns dos muitos frutos desse namoro no Brasil, que resulta em inovação, renovação e certeza de um futuro ainda mais promissor para a comunicação de massa produzida por especialistas.

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Fernando Morgado: demanda e audiência garantem a sustentação do rádio

21/10/10

A força das marcas e do conteúdo das rádios AM foi o foco da palestra ministrada pelo pesquisador Fernando Morgado, do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia, durante o 10º Seminário da Qualidade na Radiodifusão. Para Morgado, o formato de programação talk, falado — característico das rádios AM — nunca foi tão importante quanto atualmente. “Ele é o melhor para prestar serviço, informar, entreter e reforçar a alma local”, disse.

O pesquisador destacou ainda que a realidade das rádios hoje é a de lançarem seus conteúdos tanto em AM como em FM, o que, para ele, é bom. “Quanto mais plataformas receberem o conteúdo da rádio, maior atenção ela receberá. Nenhum ser humano é capaz de ouvir uma rádio AM e uma FM na mesma hora, no mesmo aparelho”, lembrou.

Ao abordar a constante ameaça de que o rádio vai acabar, o palestrante usou uma fala do presidente do Grupo Abril, Roberto Civita. Quando questionado sobre o fim do jornalismo impresso com a chegada da internet, Civita respondeu que o assunto não lhe importava, já que não fabricava papel. “Essa resposta só reforça que o foco de quem trabalha com informação deve ser o conteúdo, adaptável às diferentes plataformas”, explicou.

Internet como parceira
A popularização da tecnologia, em especial da internet, não deve ser encarada como um problema, segundo ele. Conforme o pesquisador, a internet facilita o acesso ao conteúdo radiofônico, mais do que banaliza a sua produção — principal temor dos radiodifusores. “As novas tecnologias deixam de ser um bicho papão para serem aliadas, pois potencializam coisas que o rádio já tinha. A posição de relevância de quem sabe fazer rádio é diferenciada. O fato de podermos fazer rádio em casa não vai nos fazer abandonar o rádio feito por quem sabe”, completou.

Uma preocupação pertinente para os radiodifusores, na opinião do palestrante, é a medição de audiência do conteúdo radiofônico. Ele destacou que nunca se consumiu tanto conteúdo sonoro na história. “Audiência nos carros, nos telefones celulares e na internet o IBOPE não reconhece. Não temos esse peso medido hoje. O rádio evolui e o que a gente usa para vender não evolui”, lamentou.

A identificação da rádio com a comunidade local também é um dos trunfos do setor para os novos tempos. Para ele, a rádio deve ser uma extensão da personalidade do ouvinte e da sua comunidade e a personalidade da emissora define-se a partir do valor que o conteúdo tem para o ouvinte. A meta da estratégia de mercado deve ser gerar pertencimento. “Uma rádio feita aqui, para o público daqui, nunca deixa de ser relevante. O ouvinte precisa identificar a emissora como sendo a sua rádio, o que gera um sentimento de fidelidade que os outros meios não têm”, disse. (Notícias. Jornal do SindiRádio, nº 70 – Agosto 2010)

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Um modelo de negócio para a indústria da mídia

14/10/10

Fernando Morgado

Dentre as diversas perguntas que surgem com o avanço das novas plataformas de consumo de conteúdo, uma se destaca: quem pagará toda essa conta? Afinal, para que o consumidor — seja ele telespectador, ouvinte, leitor, internauta etc. — receba o que quer, na hora que quiser, são necessários vários milhões em pesquisa e desenvolvimento de novas interfaces, formação e reciclagem de profissionais, produção ou adaptação de conteúdos, entre diversos outros esforços.

Para desgosto dos “cavaleiros do Apocalipse” da comunicação, o fato é de que todo este avanço tem sido cada vez mais viabilizado pela mídia tradicional, tanto direta quanto indiretamente, já que as poucas empresas lucrativas de conteúdo e informação premium no mercado online só o são porque contam com a escala de produção e o respaldo de marcas nascidas, criadas, reconhecidas e financiadas no offline. Por isso, o objetivo deste artigo é refletir sobre um modelo de negócio sustentável para as empresas de comunicação que atuam tanto no mundo real quanto no virtual, pois elas ainda são as grandes responsáveis por 90% de tudo o que se consome nas novas mídias e necessitam permanecer lucrativas dentro de um novo cenário cada vez mais dominado por uma concorrência gratuita, oculta, opinativa e não-especializada. Leia mais…

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