Arquivo de autor para Adilson Luiz

Os três macacos

5/09/10

Durante a infância, uma bronquite asmática me impedia de brincar na rua. A alternativa era ficar em casa e ver televisão ou folhear revistas e jornais. Mas, aquelas figurinhas miúdas, que chamavam de letras, eram um empecilho: eu precisava decifrá-las! Meu pai trabalhava em três períodos. Minha mãe tinha todos os afazeres da casa. Meus irmãos tinham a escola e, abençoados, podiam brincar na rua. Talvez por isso, não tinham muita paciência de ler para um pirralho analfabeto e desdentado, ícone do subdesenvolvimento natural. Que saco! Aos cinco anos de idade resolvi proclamar minha independência: “Quero ir à escola!”. Leia mais…

O toque de mídias

28/08/10

Dos cinco sentidos humanos, a mídia afeta basicamente dois: a visão e a audição. Esses também são os principais sentidos visados pelos especialistas em marketing político, com alguma concessão para os demais, como: o tato, no “corpo a corpo” das caminhadas públicas; o olfato e o paladar, nos proverbiais pastéis de botecos e, eventualmente, buchadas de bode. Mas é nas imagens, estáticas ou animadas – embora nem sempre… -, e nos sons, que as campanhas eleitorais apostam suas principais fichas, tentando encobrir o pode cheirar mal. Assim distraídos, só percebamos que o prato era indigesto depois que ele já foi, goela abaixo. Leia mais…

O voo do Ganso

28/08/10

A jogada não parecia ter maiores conseqüências, quando Paulo Henrique começou a pular num pé só… Mas, conhecendo-o, controlado e consciente, os santistas perceberam que a expressão de seu rosto demonstrava algo mais grave do que parecia.A contusão não foi como a de Maikon Leite ou a de Ronaldo, visualmente dramáticas. Até nisso o Ganso é sutil! Mas a sentença médica o foi: lesão no joelho e vários meses fora de campo! Calma, Paulo Henrique! E isso você tem de sobra, apesar da pouca idade. Jogadores e, principalmente, seres humanos como você dão a volta por cima com um pé nas costas. No seu caso, então, o tempo vai passar voando: voo de Ganso! E olha que os gansos voam longe e rápido, cara! Leia mais…

Coisa de pele

22/08/10

Amor e ódio a primeira vista: alguém acredita nisso?
Independentemente de acreditar ou não, cada um já deve ter sentido uma ou outra coisa em relação a outrem. Simpatia, empatia, antipatia nem sempre podem ser explicadas. Almas gêmeas também existem ao avesso e nem sempre o “magnetismo pessoal” segue as mesmas regras da Física, pois nem todos os “pólos” contrários se atraem ou os iguais se repelem. Sentimentos assim raramente surgem do “nada”. Leia mais…

No campo das aparências

15/08/10

A sociedade moderna é ambiente fértil para o florescimento do lado escuso do ser humano! E nem tudo é aparentemente feio, previsível, identificável ou óbvio. Às vezes uma bela maçã esconde vermes asquerosos e enervantes, enquanto um maracujá murcho apraz e relaxa. Nossa sociedade é assim: cheia de aparências que enganam. Talvez por isso ela seja tão pródiga em neuroses, egoísmos, degenerações dos que se perdem, ou dos que “saem aos seus”… Leia mais…

Revés de um parto

8/08/10

“Oh, pedaço de mim! Oh, metade arrancada de mim,…”, diz uma letra da música de Chico Buarque, talvez a que mais me afeta emocionalmente. Seu tema é a saudade…Saudade que o poeta encontra várias formas de descrever, todas metaforicamente perfeitas, todas dolorosamente profundas. Saudade de coisas perdidas ou que se deixou de buscar ou acreditar. Saudade do que nos foi tirado inesperadamente, ou que, por mais que nos pensássemos resignados, nada é capaz de consolar. Leia mais…

Ridiculous, again

31/07/10

Emerson Fittipaldi, em sua primeira temporada na F1, em 1970, deu o título de campeão ao seu companheiro de equipe, Jochen Rindt. Isso parece familiar, não? Mas vale o seguinte esclarecimento: Emerson batera o carro de Rindt num treino e cedeu o seu ao austríaco, claramente primeiro piloto da equipe Lotus e líder do campeonato, correr o GP de Monza. Rindt morreu, num acidente. Na última prova, Fittipaldi, que já vinha em ascensão, venceu sua primeira corrida, assegurando a Rindt o título, póstumo! Leia mais…

Os quatro rapazes de Liverpool

25/07/10

Sempre fui fã dos Beatles! Meu pai, apesar de não compartilhar desse gosto, teve boa parte da “culpa” por isso, pois, projecionista de cinema, levou-me para assistir três filmes deles, nos anos de 1960. Acostumado a ouvir: “E agora, de Lennon e McCartney…”, demorei a “descobrir” George Harrison, sem esforço, o único “beatle” gravado por Frank Sinatra, apesar do empenho de Paul. Mas Ringo Starr era meu favorito. Ele não era o melhor músico do grupo, nem um baterista ou vocalista memorável. Até dizem que ele foi um dos caras mais sortudos do mundo, pois chegou depois (não era o baterista original da banda) e logo em seguida ela “estourou”. Leia mais…

Império do futebol

18/07/10

Os uruguaios adoram lembrar de nosso fracasso em 1950: o “Maracanazo”! Pois bem, eles têm todo direito de fazê-lo, pois a vitória da Celeste Olímpica era tida como absolutamente improvável, diante de um Brasil irresistível, jogando em casa e que chegava à final precedido por duas acachapantes vitórias contra Suécia e Espanha, esta com direito a coro de 150 mil torcedores, cantando: “Eu fui às touradas, em Madri, parará tchi bum bum bum…”. Leia mais…

Mortes anunciadas

11/07/10

Fazer planos e pensar num futuro melhor, ainda mais numa sociedade consumista e materialista, é tanto uma forma de não ser tolhido nesse círculo vicioso – que transforma tudo em objeto de desejo e descarte, de um instante ao outro -, como um trampolim para mergulhar de vez nele. Isso vale para qualquer ser humano, de qualquer origem, classe social, credo político ou religioso. Nesse contexto, uma única coisa é certa: não existe caminho sem riscos, até porque a lógica de uns não é a de outros. Leia mais…

Os dois príncipes

3/07/10

É curioso como a maioria dos que ingressam na política partidária, após um contato inicial com a vida pública, adota como bibliografia básica dois títulos: “O Príncipe”, de Maquiavel, e “A Arte da Guerra”, de Sun Tzu, nessa ordem. O mais curioso é que a maioria se diz impressionada com a atualidade e perspicácia dos conceitos neles expostos, independentemente de contexto histórico, e mais preparada para enfrentar os desafios desse meio complexo. Leia mais…

Sinais vermelhos

27/06/10

Outro dia, assisti “O voto é secreto” (Raye Makhfi, Irã, 2001), de Babak Payani.  Numa ilha longe de tudo, dois soldados se revezam: enquanto um descansa o outro vigia. De repente, uma caixa cai do céu. Mistério… Logo em seguida chega uma jovem, de barco. Vestida em trajes tradicionais, ela esclarece ser uma agente eleitoral. A caixa é uma urna e um dos soldados deve ajudá-la a coletar votos. Num jipe, os dois passam a visitar aldeias locais, lugares perdidos no tempo. Por ser mulher, ela é desprezada pelos homens. Também o é pelas mulheres, que a vêem como transgressora. Leia mais…

Imagens e sons

20/06/10

Outro dia, num dos poucos momentos de calma desses tempos modernos, coloquei um CD no aparelho de som, desliguei a luz e fiquei sozinho com meus pensamentos. O CD era de Carly Simon, bonita de se ver e ouvir, a melhor intérprete de música romântica que eu conheço! As músicas foram se sucedendo até que tocou “Coming around again”. Sugestionado, comecei a pensar somente nas boas lembranças acumuladas ao longo de meus já cinquenta anos e no que, abaixo do amor de Deus, meus cinco sentidos haviam registrado como beleza inesquecível em meus arquivos pessoais. Leia mais…

Memória do rádio esportivo

13/06/10

Comecei a acompanhar narrações esportivas mais atentamente por volta dos 11 anos de idade, no início da década de 1970. O tipo de narração era mais ou menos padrão: um speaker de voz poderosa e rápida, estilo turfe; um comentarista de voz lenta e doutoral; e um ou dois repórteres de campo, além do plantão esportivo, que informava resultados de outros jogos. Em Santos, eu costumava escutar a Rádio Atlântica, cujo narrador era Walter Dias, com comentários de Jorge Shammas e reportagens de João Carlos, o corisco dos repórteres. Leia mais…

Minhas copas do mundo

6/06/10

Quando eu nasci, o Brasil já havia conquistado seu primeiro título mundial de seleções, em 1958. Poderia ter sido o segundo, não fosse 1950. Na Copa de 1962 eu ainda era muito pequeno para entender porque tanta gente cantava: “A Taça do Mundo é nossa!”. Em 1966, já tínhamos televisão: uma Philco de 23 polegadas: mas, isso não resolveu muita coisa: As transmissões internacionais ainda não eram ao vivo, mas os jogos eram transmitidos pela TV em tempo real, só que de um modo algo grotesco: Uma câmera filmava um painel instalado numa área pública de São Paulo, onde um sistema de som reproduzia uma emissora de rádio que, esta sim, falava diretamente da Inglaterra. Leia mais…

 
 
         
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