Arquivo de autor para Altair Carlos Pimpão

Os políticos reconhecem a força do rádio e da televisão

28/08/10

Eleições | Influência da Mídia

Com relação à influência da mídia nas eleições, basta você ver que os políticos criaram uma lei proibindo os candidatos radialistas de aparecerem em seus programas de rádio e televisão. Se os médicos podem continuar dando consultas gratuitas, se os advogados podem ficar fazendo inventários, divórcios etc.gratuitamente para angariar votos, é porque os políticos reconhecem a força do rádio e da televisão. Da imprensa não tem muito medo; Sabem que, infelizmente, o brasileiro lê muito pouco.

Para conquistar a simpatia dos mais influentes meios de comunicação, os governos gastam somas imensas. O investimento também não deixa de ser uma espécie de cala a boca. E até na hora dos programas eleitorais gratuitos os mais poderosos levam vantagem, pois têm como contratar equipes de produção, artistas de teatro e gente competente para seduzir o eleitor. As famosas pesquisas de rua, onde os entrevistados são adrede preparados e todos os truques que os marqueteiros utilizam, inclusive as operações plásticas e notícias muitas vezes mentirosas sobre fatos passados.

Tudo é ação para ganhar as eleições através dos meios de comunicação eletrônicos, aos quais agora se juntaram a internet e as mensagens de voz, pelo celular.Basta a gente lembrar do Caçador de Marajás, que teve até uma novela – Que Rei Sou Eu! – e que de um desconhecido político de um pequeno estado brasileiro foi transformado no grande lider nacional pela maior rede de televisão do país. Acredito piamente na influência decisiva, a qual não acontece só no Brasil.

Altair Carlos Pimpão começou sua carreira como locutor de rádio em Curitiba, função que também exerceu na rádio Deutsche Welle da Alemanha. Pimpão foi gerente executivo da RBS TV Blumenau e superintendente do Jornal de Santa Catarina. É diretor da TV Galega, de Blumenau. Visite as crônicas ou envie um e-mail.

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História anedótica do rádio blumenauense – 01

19/10/08

Manoel Pereira Jr. foi o primeiro locutor esportivo de Santa Catarina. Veio de Curitiba e tornou-se atração quando empunhou o microfone da PRC-4, Rádio Clube de Blumenau, para narrar uma partida futebolística. Leia mais…

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Manifesto à Blumenau e aonde mais houver uma vila ou cidade

28/09/08

O Registro de Domicílio é a melhor ferramenta que conheço para se organizar uma cidade e fazer planejamento que traga soluções antecipadas para problemas que poderão acontecer.

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Predestinado 9 (2/2)

10/08/08

A audiência foi crescendo e a TV GALEGA também. Uma noite o falecido Senador Vilson Kleinübing veio dar uma entrevista e o telefone não parava de tocar. Flávio de Almeida Coelho estava com o senador e veio falar comigo. Queria ser sócio da TV GALEGA. 

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Predestinado 9 (1/2)

3/08/08

A BTV, operadora de televisão a cabo de Blumenau, estava fazendo um telejornal que era produzido durante a semana, para exibição na sexta-feira, com reprises sábado e domingo. As notícias já eram apresentadas totalmente frias. Ao ver isto, como estava para terminar o meu mandato na presidência da Fundação Cultural de Blumenau, conversei com meu filho e decidimos falar com o Jaime Grossenbacher, que dirigia a BTV, e propor uma dinamização do canal local.

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Predestinado 8 (4)

28/07/08

Rogério Caldana assumiu em Santa Catarina e foi trazendo sua equipe lá dos pampas. Saí e fui para a Rádio União já então do meu amigo Carlos Alberto Ross, que até me convidara para comprar as Rádios Difusora e Cidade FM. Eu não quis colocar meus bens em risco. Golpe de sorte dele, pois dois dias depois do negócio foi decretado o Plano Cruzado congelando tudo e o Ross praticamente ganhou as duas rádios.
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Predestinado 8 (3)

23/07/08

Na época escrevi um livro sobre minha experiência em terras teutas: A Alemanha que eu vivi. A Habitasul pagou a edição e ficou com metade dos livros para distribuir em cidades gaúchas, catarinenses e paranaenses com participação alemã em seu desenvolvimento.

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Predestinado 8 (2)

11/07/08

Um belo dia fui à TV Coligadas para falar com o (Paulo) Russomano (do departamento comercial) sobre uma divulgação da Prefeitura e lá conheci o Clovis Menel Caliari, que era supervisor regional da Habitasul. Passados alguns dias ele me procurou e convidou para assumir a agência da empresa em Blumenau. Para minha posse fizeram uma festa no Tabajara com cascata de camarões e vinho alemão para 500 convidados.

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Predestinado 8 (1)

2/07/08

Chegamos ao Brasil em fins de novembro de 1976. No Rio de Janeiro o Paulo Nogueira Batista que era então presidente da Nuclebrás e que eu conhecera na Alemanha, quando ele servira na nossa embaixada em Bonn, queria que eu ficasse lá. Argumentou que o meu alemão seria muito útil por causa do tratado nuclear entre Brasil e Alemanha. Disse a ele que se fosse para criar meus filhos no Rio de Janeiro eu preferiria continuar na Alemanha.

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Predestinado 7 (3)

26/06/08

Fiz pesquisas nos arquivos alemães e lancei o livro Vieram em Busca da Liberdade. Uma contribuição literária para evidenciar a participação do elemento germânico no desenvolvimento do Brasil. Participei do Câmera 10 da TV Difusora e Salimem Jr. queria que eu viesse ser um dos apresentadores daquele jornal noturno. Uma das apresentadoras era Yeda Maria Vargas. Só não vim porque a televisão não queria pagar a minha mudança.

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Predestinado 7 (2)

21/06/08

Mais de um mês após a chegada de minha família e de alugarmos casa para morar, um colega da emissora falou em Registro de Domicílio. Eu não sabia o que era e ele se apavorou. Na DW não falaram nada e não me registrei. Já estava completamente ilegal.
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Predestinado 7 (1)

6/06/08

Cheguei a Colônia e fui para a Deutsche Welle. Era um contrato de experiência e minha intenção era aprender numa emissora internacional. Mas, ao ver a equipe que lá trabalhava, vi que tinha mais a ensinar.
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Predestinado 6

1/06/08

No último dia de julho de 1964 embarquei em São Paulo no DC-6 da Panair rumo a Lisboa, no chamado Vôo da Amizade. Deveria embarcar no dia 30, mas o avião teve uma pane no Rio de Janeiro e o meu vôo foi transferido para o dia seguinte. 

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Predestinado 5

24/05/08

Fui para as Emissoras Coligadas de Santa Catarina que tinham seis estações de rádio: duas em Blumenau, uma em Indaial, uma em Gaspar, uma em Brusque e uma em Itajaí. Sadi Ivo Pezzi e eu fizemos uma combinação. Sadi seria o locutor esportivo da PRC-4, Rádio Clube de Blumenau, a mais antiga do estado, e faria programas juntamente comigo na ZYT-34, Rádio Difusora Vale do Itajaí. Eu faria um programa de poesias na PRC-4 e programas e locução comercial na Difusora. Leia mais…

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Predestinado 4 Parte 2

10/05/08

Em Blumenau Germano Jr deu show de transmissão cobrindo até corrida de bicicleta em que nem sabia quem estava correndo, pois tinha uma facilidade de improviso fantástica. A mãe dele, que era lavadeira, mandava remédio para ele deixar de beber e ele tomava com cachaça.
Por Altair Carlos Pimpão

O Lazinho falou com o Wilmar Luz, dono do Café Society, que ficava no andar térreo do nosso prédio, para que não vendesse bebida alcoólica para o Germano. O Lazinho andava satisfeito porque passava por lá e via o Germano de xícara de média de café na mão. Depois descobriu que o Germano havia corrompido os garçons, que lhe serviam aguardente de cana nas xícaras de café.
Germano foi para Itajaí, dizem que casou com a filha de um pinguço e morreu ainda jovem. A Nereu Ramos cresceu buscou-se mais um locutor. Veio então o gaúcho Sady Ivo Pezzi, que conheci em Curitiba, na Emissora Paranaense. O Sady não bebia e faleceu recentemente.
Quando casou com uma prima, convidou o dono da rádio, Dr. Nagib Chede, para ser seu padrinho de casamento. Mais tarde teve um desentendimento com o João Graf Schreiber, que era o gerente, e foi ao escritório do Dr. Nagib para exigir: ou ele ou eu! O meu patrão de então disse que então ele sairia. Mas o Sady era um figuraço. Aqui começou a transmitir futebol de salão, esporte que engatinhava e teve início numa partida do PIMPA de Itajaí contra o OLIMPICO.
Ali o Sady lançou Moacir Galleani como comentarista. Foi o Sady também que, transmitindo futebol pela Rádio Clube de Blumenau deu um sobrenome ao comentarista que só era conhecido como Tesoura. Você precisa ter um sobrenome, disse ao Tesoura. Você será Tesoura Júnior. Sady Ivo Pezzi veio para a Nereu Ramos e aí começamos a dividir as responsabilidades.
A rádio cresceu um pouco mais e o Lazinho aceitou a minha sugestão de trazer para cá o Nelson Tófano, que eu conhecera em Ibiporã. Ele estava em Curitiba, aceitou o convite e veio embora com sua Lambreta. Iríamos fazer o Onde está o ouvinte está a Rádio Nereu. Eu fui até o Café Cometa, que pertencia ao Arno Bernardes, e fechei contrato.
Diariamente o Nelson saía com sua Lambreta e ia a um endereço qualquer bater à porta e fazer o programa com a família. Se a dona da casa tivesse o Café Cometa ganhava um prêmio. O programa foi um grande sucesso. Eu lancei o Pingos que também marcou época.
Alugamos um apartamento na Rua Maranhão, hoje Luiz de Freitas Melro, e morávamos os três naquele prédio de três andares e ótima vizinhança. Mas, no Natal até aceitávamos que o Lazinho não nos desse uma gratificação porque sabíamos das dificuldades iniciais da emissora. Entretanto ele se mandou para a praia e nem nos desejou um Feliz Natal.
Resolvemos aceitar o convite do Dr. Wilson Luiz de Freitas Melro, que era o superintendente das Emissoras Coligadas de Santa Catarina. Nós três iríamos mudar de prefixo. Acertamos o salário que era compensador e atuaríamos na Difusora e na Clube, ambas em Blumenau.
Pedimos demissão. O velho Germano Beduschi, que gerenciava a Nereu Ramos veio nos conversar para que ficássemos. O Sady e eu permanecemos firmes e fomos para as Coligadas. O Nelson Tófano amoleceu e ficou. Aí éramos concorrentes habitando sob o mesmo teto. Quando estávamos os três no apartamento, à noite, começávamos a falar sobre as nossas vendas e aumentávamos tudo, só para inticar (como dizem aqui).
O Nelson acabou não resistindo à pressão e um dia se mandou. Por ter ficado foi recompensado politicamente quando o Lazinho, já então grande líder político, o lançou candidato a deputado estadual. Nelson Tófano foi eleito e encerrou sua carreira de radialista, mesmo não tendo sido reeleito. Ficou trabalhando na Assembléia Legislativa.
Quanto às Emissoras Coligadas de Santa Catarina eu conto na próxima.


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Predestinado 4 – Parte 1

4/05/08

Uma tarde fria de junho de 1958, eu estava na sede do Oásis Esporte Clube, no Jardim das Américas, em Curitiba. Eu fui fundador e era presidente do clube do nosso bairro. De repente parou na frente um Chevrolet azul e desceram dele três cavalheiros.
Por Altair Carlos Pimpão

Eram eles: Stanislau Stolarzeck, gerente comercial de Hermes Macedo em Blumenau, Evelásio Vieira, ex-jogador de futebol, e seu irmão Hélio Vieira. O trio estava a minha procura. Evelásio Vieira era o craque Lazinho. Ele conseguira abrir uma estação de rádio em Blumenau à qual dera o nome de Nereu Ramos, grande político pessedista que havia falecido, não fazia muito tempo, num acidente aéreo nas proximidades da minha casa.
Queria me contratar para ser locutor da sua rádio. Aceitei o convite e perguntei para quando. Pra já, foi a resposta. Que loucura! Mas o espírito cigano falou mais alto. Passei a presidência do clube para o vice, corri até minha casa, fiz uma mala às pressas, dei um beijo em minha mãe, disse para ela contar para o meu pai que eu estava vindo para Blumenau.
Passamos por Pomerode e paramos para jantar no Hotel Oásis, que coincidência, o nome do meu clube. Era um hotel de luxo, com apartamentos árabes, chineses e decorações suntuosas. Ele chegou a realizar festa com animação da Orquestra Cassino de Sevilha, mas sucumbiu. Estava muito adiantado à sua época. Faliu deixando saudade em quem passou lua-de-mel num ambiente de Mil e Uma Noites.
Quando chegamos a Blumenau a Rádio Nereu Ramos estava transmitindo o Baile da Rainha dos Estudantes, Diva Althoff, que acabou sendo minha cunhada. Um garoto, que era repórter, José Augusto Nóbrega, estava sozinho fazendo a transmissão. O responsável exagerara na bebida alcoólica e abandonara o microfone.
Lazinho queria que eu entrasse no Ipiranga e desse continuidade à reportagem social. Não aceitei a incumbência, pois não estava em traje, nem preparado para tal. Além do mais, no dia seguinte teria de transmitir um jogo de futebol. A pressa da minha vinda era justamente por causa do campeonato da Liga Blumenauense de Futebol.
Levaram-me para o Hotel Alameda, que havia sido a Maternidade Elsbeth Koehler e hoje é a Casa do Comércio. Muito bom, pois estava na esquina da Alameda Rio Branco com a Sete de Setembro e bem pertinho da Rua XV de Novembro, onde estava instalado o estúdio da Rádio Nereu Ramos, no Edifício Buerger.
A emissora estava começando e eu trabalhava de manhã, à tarde e à noite. Fazia o jornal falado, transmitia futebol, fazia programa de humor e encerrava a emissora com um programa de poesias (ah! que saudade do J.G. de Araújo Jorge). O Lazinho era dono e companheiro.
A gente descia para tomar leite com capilé no Bar Pingüim e disputava a conta no palito. O pior é que o Lazinho era bom de palpite e faturava sempre. O locutor que encheu a cara no baile da rainha foi mandado de volta a Canoinhas. Eu cheguei para ocupar o lugar do Germano Jr., um extraordinário locutor esportivo que conheci no Norte do Paraná e que foi da Rádio Paiquerê de Londrina (PR) para a Panamericana (SP), quando o Edson Leite e o Pedro Luiz se bandearam para a Bandeirantes, mas que ficou muito pouco tempo por causa da maldita bebida.


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Predestinado 3

27/04/08

Na matéria anterior fiquei devendo o nome do chefe dos locutores da Rádio Tingüi. Quebrei a cabeça e acabei me lembrando do Rubens Chagas. Também prometi contar a história do Homero Camargo de Oliveira.
Por Altair Carlos Pimpão

O Homero me contou que foi integrante do Bando da Lua, do Aloysio Azevedo, que se apresentava nos Estados Unidos com a famosa Pequena Notável, a Carmem Miranda. Não acreditei muito, mas pode ser verdade. Peitudo ele era.
O Homero era o diretor da Rádio Tingüi e fez-me redator dos textos da emissora e responsável pelas trocas dos comerciais, quando necessário. Um dia o Homero tirou férias e o proprietário do Lord Magazine resolveu ir pagar a sua publicidade diretamente na emissora.
O diretor da Clube Paranaense que ficou acumulando funções disse que ele não tinha propaganda na Tingüi. O homem insistiu e chamaram-me para saber. Confirmei que Lord Magazine tinha 20 comerciais diários na nossa emissora. Resultado: quando o Homero voltou foi despedido. Havia faturamento paralelo. Não sei se era o único caso ou se havia outros.
Não demorou muito e o Homero ligou-me para fazer uma proposta: fazer rádio no norte do Paraná. Rádio Cultura Norte do Paraná, situada em Ibiporã, a 12 quilômetros de Londrina. O espírito de cigano funcionou e lá fui eu comer pó vermelho.
Na época circulava mais dinheiro em Londrina do que no resto do Brasil. Havia gente que perdia 400 mil numa noite de poker e saía assobiando. No bairro boêmio a Casa da Selma, um lupanar que mudava o plantel quase que semanalmente e fazia o lançamento das novidades da gravadora RGE, se dava ao luxo de ter um enorme luminoso sobre o telhado anunciando o nome do prostíbulo.
Lá no norte do Paraná moramos na própria rádio, Homero Camargo de Oliveira, Nelson Tófano, João Hermes Oroschowski e eu. A emissora não tinha concessão e acabou sendo fechada. Foi bom porque lá iríamos nos tornar ébrios. O divertimento das autoridades, imprensa e povo da cidade era beber no bar da praça. Voltamos para Curitiba e o Homero foi dirigir a Rádio Cultura. Lá trabalhei com o Antônio Ivo Moscaleski e com o Gabriel Moacir Lustosa Nogueira, locutores como eu.
Não posso deixar de citar dois craques do futebol que também eram radialistas. Lobato Costa, o Lobatinho, e Ladislau Sliviani, o Boluca, que usava o pseudônimo de Sil Viani. O Boluca era meu amigão e quando ele jogava na preliminar eu abria a transmissão esportiva e segurava até ele tomar banho, se vestir e chegar à cabine de transmissão.
Na Cultura também tínhamos o Militão, o Mago do Violão, e o Moacir Benvenutti, que andava sempre com uma chave de fenda no bolsinho do paletó. Uma bela noite tomamos um pifão e decidimos ir para Suez.
Amanhecemos em Paranaguá e provocamos uma polvorosa na rádio. Gabriel Moacir, Antônio Ivo e eu havíamos sumido e o Homero teve de ir para o microfone e agüentar o dia inteiro. Fomos ao Mercado e lá encontramos o famoso Janguito do Rosário, excelente músico que tinha um regional na PRB-2. Gabriel Moacir desistiu e voltou à noite.
Antônio Ivo regressou na manhã seguinte. Eu conheci um técnico montador de máquina, chamado Oswaldo Só, que fora zagueiro do Cruzeiro de Porto Alegre. Ele me fez desistir da idéia de voluntário no Canal de Suez e de buscar emprego no Estaleiro do Só, em Porto Alegre.
Não cheguei a ir lá porque um irmão do Clemente Comandulli, que foi do Paraná Esportivo e mais tarde redator chefe da Gazeta do Povo, consertava persianas, estava em Paranaguá e ia fazer uma volta por Santa Catarina.
Juntei-me a ele e virei técnico em persianas. Depois criei a New York Persianas Corporation, que dava assistência técnica gratuita às persianas da empresa. Sempre fui obrigado a cobrar, pois nunca encontrei uma persiana da New York. A atividade era interessante e lucrativa. Mas uma tarde apareceu lá em casa o Lazinho, que jogara no Palestra Itália e abrira uma rádio em Blumenau. O resto eu conto na próxima vez.


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Predestinado 2

19/04/08

O correio eletrônico é algo fantástico, mas também tem as suas falhas. Mandei material com texto compactado e a frase final ficou perdida na caixa de correspondência do Antunes Severo. Ou seria uma falha do professor emérito em máquinas de escrever Remington e garoto principiante de internet? Seja lá o que for, para concluir a primeira parte aí vai o encerramento. Estou falando de Nicolau Nader que depois foi para a política e eleito, tal qual o Maurício Fruet. Aprendi a fazer rádio na ZYH-8 que no nome tinha ípsilon, Rádio Marumby, talvez por causa da ortografia antiga ou para ficar com cara de coisa de americano. A EMISSORA DAS INICIATIVAS, como era o seu slogan, ficou no meu coração e a ela agradeço ter chegado à Deutsche Welle. Leia mais…

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Predestinado

13/04/08

Acho que fui um predestinado para a área de comunicação. Quando terminei o ginásio e completei 14 anos graças a Deus não havia ainda o Estatuto da Criança e do Adolescente e pude ir trabalhar. Consegui um emprego na Editorial Gonzáles Porto, que vendia livros para estudantes universitários. Uma das minhas missões era cobrar as mensalidades, já que os livros eram caros e vendidos pelo crediário. Cobrar de estudante é missão quase impossível e eu tinha à disposição uma bicicleta com o pedal do lado direito quebrado. Pedalando só no eixo, nas subidas, quando saía do selim, o pé escorregava e eu batia com a parte escrotal no cano da bicicleta. Leia mais…

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Confissões inesperadas

5/04/08

Se eu escrever terei que contar que ainda estudante e trabalhando para Paraná no Bolso fui assistir na Rádio Marumby ao programa de auditório apresentado por um jovem que havia chegado do Rio Grande do Sul e chamado Antunes Severo.
Por Altair Carlos Pimpão

 Ele fez uma pergunta e quem acertasse ganharia um prêmio, que não recordo mais o que era, até porque nunca o recebi. A pergunta era sobre quem havia introduzido a plantação de café no Brasil. Respondi que o autor da proeza foi o Sargento Palheta.
Quem organizou o concurso imaginou que os curitibocas jamais saberiam. E eu sabia, pois lera a história do homem que foi à Guiana Francesa fez amizade com o governador e sua esposa e através desta conseguiu umas mudinhas da planta, que era monopólio francês, tal qual a borracha foi monopólio brasileiro (e os ingleses vieram com um navio, deram um porre nos policiais e conseguiram levar seringueiras para Londres, onde foram aclimatadas e mais tarde levadas para aquele país cuja capital é Merdeca).
Na verdade Malásia, que era colônia britânica. Se você remexer o baú de suas recordações é capaz de lembrar dessa passagem. Aí, quando fiz teste para locutor, com o Bira Lustosa, você já estava em Florianópolis, na Diário da Manhã. Mas trabalhei com o Dácio Leonel, com o Maurício Fruet e outras grandes figuras do rádio paranaense.
Mais tarde ouvia você lá no norte do Paraná, onde a colônia catarinense era imensa e a Diário da Manhã talvez a emissora mais ouvida. No meu tempo de Rádio Emissora Paranaense trabalhei com todo aquele pessoal que fazia rádio-teatro na PRB-2 e que o Nagib Ched mandou contratar, fez uma novela e mandou todo mundo embora.
Mas, com o patrocínio das Casas Pernambucanas, fizemos um casamento caipira na Praça Tiradentes. Como eu era alto e magro fui o noivo. A noiva foi a Teide Marques, aquela paraguaia baixinha que mais tarde foi para a Rádio Guarujá. O delegado foi o nosso amigo Ari Fontoura e assim por diante.
Na Rádio Tingüi fui colega dos turcos Getúlio Cury e do Jorge Nasser. Na Cultura trabalhei com o Homero Camargo de Oliveira, que também foi meu diretor na Tingüi e na Cultura Norte do Paraná. Bons tempos aqueles em que a Casa do Estudante era na Avenida João Pessoa e a turma ia tomar banho de madrugada no repuxo da Praça Osório.
Na B-2 Artur de Souza e Lóris de Souza, na Guairacá o Leoremar Martins Rebelado, Cláudio Todisco, Humberto Lavalle e a Orquestra do Genésio. Grande parte desta gente já está descansando em paz. Mas ajudaram a escrevera história das comunicações.


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