Baixarias no Rádio e na TV

As baixarias em diferentes horários, nos programas de rádio e televisão, transformaram os veículos de comunicação na maior lata de lixo cultural do País.
Por Léo Saballa

Casos de adultério, revelados em seus mínimos detalhes, são apresentados como espetáculo televisivo, sem levar em conta o mal que isso pode causar a muitas pessoas, como os filhos, por exemplo, que têm uma vida escolar e social. As fraquezas humanas são esmiuçadas ao vivo, e as pessoas são apresentadas como atrações circenses.

São exumadas em seus sentimentos e muitas vezes obrigadas a enterrar até mesmo sua própria dignidade em troca de um mísero cachê. É um espetáculo barato, em que os protagonistas aceitam expor seus segredos mais íntimos, na esperança de que isso melhore suas vidas miseráveis. Geralmente são desempregados, sem perspectivas, que se submetem a um roteiro televisivo cruel, na frente das câmeras.

A divulgação do resultado de um exame de DNA, por exemplo, é precedida de um suspense quase cinematográfico, com direito a música e enquadramento em close de olhos lacrimejantes. Na frente da telinha, saboreando o grotesco espetáculo, geralmente, pessoas de poucos recursos culturais, gente que serve de massa de manobra para enriquecer empresários inescrupulosos. Quando assistem a esse circo de horror, devem pensar que suas vidas não estão desgraçadas assim, e vão dormir aliviadas. Afinal, tudo poderia ser bem pior.

Isso sem falar nas reportagens policialescas que carregam nas tintas da violência e mostram cenas repugnantes. Quanto mais sangue, melhor.

O rádio está tomando o mesmo caminho. Alguns apresentadores, distanciados da criatividade e em busca da popularidade fácil, transformam o microfone em vaso sanitário. Denigrem os bons profissionais e valorizam a miséria humana. Emissoras de rádio e TV vendem horários para padres e pastores, que travestidos de radialistas manipulam a fé coletiva. Apelam para a religiosidade das pessoas e vão do copo com água em cima do rádio até a prática do exorcismo. O comércio religioso tomou conta do rádio e da TV. Esses charlatões ocupam câmeras e microfones como se fossem profissionais da comunicação.

Quanto mais animalesco o caso, maior é a audiência. Daqui a pouco, alguns programas vão pagar cachês para as pessoas se suicidarem ao vivo, diante das câmeras. É preciso que o Congresso Nacional, o Poder Executivo, o Judiciário, a imprensa séria e os segmentos organizados da sociedade acelerem os estudos para conter essa prática nos meios de comunicação. Não se trata da volta da censura, mas de um instrumento ao alcance da sociedade para impor limites ao avanço da baixaria. Sou radialista há 35 anos, apaixonado por rádio, mas estou desencantado com esses descaminhos. O rádio e a TV são concessões públicas e por isso mesmo devem se manter dentro dos princípios éticos para os quais foram criados. Chega de símbolos religiosos e subserviência política. É hora de rever o que fizeram com os meios de comunicação do Brasil e tomar providências urgentes.

Deixar de comprar produtos de empresas que patrocinam esses programas pode ser uma solução. Sem patrocínio, nenhum programa sobrevive. É preciso criar algum tipo de freio antes que nossos valores familiares e culturais sejam engolidos por essa ganância ilimitada. Enquanto as providências não chegam, mãos nos botões e no controle remoto. Grotesco nunca foi popular. Gosto não se discute, mas se educa.


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