Aponte e o morro

A ponte e o morro / o morro e a ponte / a ponte do morro. // Eu morro na ponte? / Ou morro no morro? / Eu morro e não vejo / o asfalto da ponte. / Eu morro e não vejo / a morte do morro. // O fato é que o morro / acaba com a ponte. / Ou é a obre da ponte / que acaba com o morro? // O Prefeito é da ponte? / Ou é Prefeito do morro? / Do Estado é aponte. Do Prefeito é o morro. / Mas o Estado e o Prefeito / Não acabam com o morro? // Eu morro e não vejo / o asfalto da ponte. / Eu morro e não vejo / a morte do morro. // E os buracos do morro? / De quem são os buracos? / Do Prefeito é o morro, / do Estado é aponte. // E os buracos do morro? / E os buracos da ponte? / Eu morro e não vejo / o asfalto d ponte. /Eu morro e não vejo a morte do morro. // Nós temos COHAB, / PLADEM e PLAMEG, / AS PROPAGUE e CELESC / e SUNAB. // Tem banco, tem Caixa, /Bombeiro, Polícia / Distrito Naval, / Tem DAE e DER, / CODEC e COETEL, / BDE, padaria, / Até academia. / E delegacia / e Universidade. / Agência da APLUB, / E até, vejam só, / IBC e Country Club. / DCT, DNER, / Estatística, farmácia, / IPASE e SENAI. // E o triste do morro, / só ele não sai. / Eu morro e não vejo / o asfalto da ponte. / Eu morro e não vejo / a morte do morro.

[Do livro As soluções finais. Editora Lunardelli. 1975].

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